O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/08/04

A PRÁTICA LEVA À PERFEIÇÃO

Filed under: Entrevista — trezende2013 @ 10:40

A corrupção não é uma invenção brasileira, mas nossa história com a maracutaia é tão arraigada que a tomamos como coisa nossa. Desde o santo do santo do pau oco, percorremos um longo caminho até chegarmos a aprimoramentos como Dirceus, Demóstenes e tantos outros.
Mas como e por que a relação brasileira com a corrupção começou?
Nireu Cavalcanti – arquiteto e doutor em História – tem uma explicação simples. A principal causa foi o excesso de fiscalização e punições severas por parte da Coroa Portuguesa na época do Brasil colônia. Mas até a invasão holandesa no Nordeste ajudou a nos contaminarmos com essa doença de que sofremos até hoje.
Alagoano, Nireu é um apaixonado pela história do Rio de Janeiro e autor de alguns livros sobre o assunto.
Durante o ano em que morou em Lisboa para realizar pesquisas para sua próxima obra sobre a cidade, Nireu fuçou diversos arquivos. No processo de trabalho, esbarrou em vários exemplos que provam a existência de casos de corrupção já no Brasil do século 16.
Segundo ele, para manter o controle sobre a colônia à distância, a Coroa precisava fiscalizar. Quem estava aqui, tinha de se virar para burlar tanto controle.
Na conversa com este blog, Nireu ressalta a participação de personagens conhecidos, como o conde holandês Maurício de Nassau e a Marquesa de Santos.
Nireu descobriu documentos que mostram que Nassau – apesar de constantemente associado ao desenvolvimento do Nordeste – apoiava práticas como o suborno e a tortura. Num dos registros, Nassau recomenda a compra de pessoas na aristocracia de Pernambuco, mas que elas deveriam parecer como as maiores inimigas dos holandeses para não levantar suspeitas. Os padres, de preferência.
No caso da Marquesa, há registros de que ela era altamente “subornável”. Consta que ela teria pedidos alguns contos de réis para interceder junto a D. Pedro I e liberar a embarcação de um capitão francês que havia sido capturada no Rio da Prata com mercadorias ilegais.
Ah, o contrabando. Esse sempre existiu. Além do de pedras preciosas, outro comum era o de camisinhas (feitas a partir de tripa de carneiro) e livros pornográficos que eram trazidos especialmente da França.
Durante três séculos – do Descobrimento até a abertura dos portos, em 1808 – a Coroa coibiu a presença de estrangeiros em território brasileiro. Nós só podíamos negociar com sócios da Coroa. Mesmo sendo vendidas aqui, as mercadorias tinham seus impostos pagos em Portugal. Todas as transações eram registradas em relatórios minuciosos.
Pelo menos uma vez ao ano a Coroa Portuguesa mandava para cá um profissional para fazer “residência” que, na verdade, realizava uma devassa sigilosa nas contas públicas e privadas.
Outra prática instituída pelos portugueses é o que Nireu chama de “dedurismo”. Se um cidadão denunciasse irregularidades alheias podia ter suas dívidas com a Coroa perdoadas ou receber até 50% dos bens do denunciado. Até padres entravam na dança.
O caso mais conhecido é o de Joaquim Silvério dos Reis, que diante da possibilidade de ter suas dívidas zeradas com a Coroa, delatou os Inconfidentes.
Talvez precisemos de mais alguns séculos para nos desintoxicarmos de tanta maracutaia. Mas a julgar pelo rumo dos acontecimentos, nós só estamos nos especializando.
A prática leva à perfeição.

2012/03/20

QUEM FAZ A HORA

Filed under: Entrevista — trezende2013 @ 08:34

Matt Ramos tem 21 anos, é estudante de Psicologia e tem um projeto interessante e criativo.
Ele é autor do blog “30 Vanquish”, cujos subtítulos já explicam tudo: “Destruindo barreiras sociais através de experimentos. A corrida por viver livre de obstáculos até os 30 anos”.
 No site ele explica que seu objetivo é participar de tudo que o coloque fora de sua zona de conforto social. Serve desde falar com estranhos, encontrar pessoas da Internet ou chamar meninas para sair. “Regras sociais não-escritas precisam ser quebradas quando se quer viver livremente”, diz ele, que mora perto de São Francisco, Califórnia.
Mas por que 30 anos? “Levando-se em consideração que a média de vida – não garantida – de uma pessoa é de 67,2 anos, as atitudes precisam ser tomadas rapidamente”.
O “O Mundo Gira, a Lusitana Roda” entrevistou Matt por email.
“Que barato. Seria legal se você pudesse me mandar uma versão em inglês do seu post”, diz ele.
Matt conta que tudo começou com a “Rejection Therapy” (“Terapia da Rejeição”). Apesar do nome, trata-se de um jogo. Segundo o site, “um jogo da vida real. Para todo mundo que quer adquirir mais confiança e encarar o medo da rejeição”.
Matt diz que a única regra é “ser rejeitado uma vez ao dia, durante um mês. Se você é rejeitado, você ganha o jogo. Daí comecei a fazer vários tipos de experimentos sociais”.
Ele está nessa há pouco mais de um ano. Alguns dos desafios que ele se autoimpôs já foram cumpridos, como dizer “obrigado” a todas as pessoas diariamente, durante um mês; calçar sapatos ridículos para reforçar que a opinião das pessoas é exagerada; ficar no Facebook por 5 minutos ou menos por 30 dias.
Ele diz que a parte mais difícil é falar com mulheres atraentes. “Mas já tenho feito isso com relativa facilidade porque estou me expondo cada vez mais. Percebi que nada de ruim acontece – mesmo quando a menina diz não. Eu continuo vivo”.
No blog ele diz: “O medo me roubou os momentos mais definitivos de minha vida”. Quando questionado sobre que momentos seriam esses, a resposta: uma bela dor de cotovelo:
“Ter o amor da sua vida à sua frente, mas nunca conseguir expressar seus sentimentos porque você é muito tímido. Daí por causa de seus erros a garota termina com você, vai para o outro lado do país e acha outro cara lá. Tudo porque você não se respeitou o bastante e disse o que estava sentindo. A aceitação e a rejeição desses sentimentos não importa. A ausência de expressão é a coisa mais frustrante”.
No blog, Matt relata em seus posts as diversas experiências a que já se submeteu “online, offline, de opinião, ideias, tarefas, não importa”.
Dentre os experimentos que ainda seguem em processo estão: “Apostar 100 dólares num cassino. Em caso de vitória, usar o dinheiro para algo bom”; “Parar de reclamar por 21 dias” ou “Ser rejeitado por 100 meninas”.
Inspirem-se.

Visitem o blog de Matt AQUI

2011/09/02

SE A CANOA NÃO VIRAR

Filed under: Entrevista — trezende2013 @ 08:54

Quem já esteve em João Pessoa e não assistiu à apresentação de Jurandy do Sax na Praia do Jacaré foi à Pisa e não pensou em desentortar a torre. Foi ao Rio e não imitou a coreografia de Cristo no Corcovado. Enfim, é um turista de meia tigela.
Jurandy do Sax é uma espécie de “Velho do Rio” paraibano. Todos os dias, faça garoa, chuva, sol ou passe o furacão Irene, ele sai com seu saxofone à tiracolo para mais um dia de trabalho. Sempre ao entardecer, vestido de branco e a bordo de uma canoa ele interpreta o “Bolero”, de Ravel, em sincronia com o crepúsculo do rio Paraíba.
Lá se vão dez anos desde que Jurandy teve a ideia. Ele conta que tudo partiu de um episódio envolvendo um casal – proprietário de um bar às margens da “praia” – que reunia amigos para contemplar o pôr-do-sol e escutar a trilha sonora do filme “Retratos da Vida”, com Fanny Ardant.
Jurandy começou tocando num píer, mas um dia teve o estalo: “vou tocar dentro d’água”.
O espetáculo dura cerca de 20 minutos. Sem o auxílio do relógio, Jurandy sabe exatamente a hora do início – mesmo com o tempo nublado. Quando toca a última nota em seu sax, deslizando sobre a lâmina d’água, o raio de sol derradeiro mergulha no rio.
Seu caderninho já registra quase 14 mil apresentações e um público diário entre 2 mil e 3 mil pessoas.
São tantos anos de praia que Jurandy tornou-se dependente desse momento. Se por algum motivo não pode estar no rio ao cair da tarde, tem um comichão de tocar o bolero onde quer que esteja. Ele já parou o carro no acostamento de uma rodovia, sacou o sax e mandou ver. A família, dentro do automóvel, ficou esperando.
Jurandy já tocou até dentro de um avião. Segundo ele, “mesmo sem a autorização de terra”, foi aplaudido pelos passageiros.
Mas o músico não é unanimidade. Ele revela que descobriu no Orkut algumas comunidades pouco simpáticas ao seu trabalho – ou que no mínimo não perdem a piada. A mais curiosa delas é algo como “Eu quero derrubar o Jurandy do Sax”, cujos membros têm planos mirabolantes para jogá-lo dentro d’água.
O remador que o acompanha em silêncio é seu fiel escudeiro. Ex-alcoólatra, já foi responsável por situações impagáveis. Certa vez, ele chegou poucos minutos antes do início da apresentação, caindo de bêbado. Com muito custo, Jurandy conseguiu colocá-lo dentro da canoa. Após a manobra, ouviu: “Jurandy, daqui pra frente, só Deus”.
O músico diz ainda que sua fama já ultrapassou as fronteiras paraibanas. Em 2005 ele foi homenageado pelo governo da França por ajudar a disseminar a música francesa no mundo. Convidado, ganhou uma viagem de dez dias ao país. Além de conhecer os principais pontos turísticos, visitou a casa e o conservatório onde estudou o compositor Maurice Ravel.

Assistam à apresentação de Jurandy AQUI

2011/07/23

SURREALISMO

Filed under: Entrevista — trezende2013 @ 11:02

Até quem se considera cansado de guerra e pensa que já viu de tudo na vida vai se surpreender com a história de Moacir Santaguita.
Moacir tem 69 anos, é dentista em São Paulo e se autoimpôs uma “maratona sexual” entre 2001 e 2002. Durante quase um ano ele consumiu 146 caixas de Viagra – a foto acima comprova toda a história.
Após tomar conhecimento dessa experiência surreal, entrei em contato com Moacir por telefone, que apesar de estar com uma paciente em seu consultório, disse que poderia conversar comigo.
Ele contou que teve a ideia após a morte da esposa, quando arranjou uma namorada 15 anos mais jovem. “Como ela já tinha uma certa quilometragem com namorados anteriores, eu não podia fazer feio, devia ter um desempenho à altura”, diz ele.
A maratona começava na sexta-feira à noite e terminava na segunda pela manhã “porque ela tinha que ir trabalhar”.
A namorada, no entanto, nunca soube que participava da maratona de Moacir. A moça considerava seu desempenho surpreendente, mas nunca desconfiou – talvez pela cena armada por Moacir. “Toda sexta-feira eu comprava dez cocos verdes e tomava na frente dela. Ela achava que era efeito do coco, mas não sabia que eu já tinha tomado o Viagra” – ou “vitamina V”, como às vezes ele se refere ao remédio.
Moacir virou especialista no assunto. Explica de que forma o remédio age no organismo, dá dicas e faz revelações surpreendentes.
Segundo ele, muitos homens não sabem tomar a “vitamina V”. “Há toda uma preparação anterior. É bom começar o dia com um chá de boldo do Chile ou com algum remédio para deixar o fígado limpinho. Afinal, é ele quem processa tudo”.
Além disso, o efeito do remédio é muito mais potente com o estômago vazio. “Às vezes saíamos para jantar e eu não comia nada, dizia que não estava com fome. Só tomava uma água tônica”, conta.
Moacir garante ainda que numa cartela do comprimido azul pelo menos dois deles são placebo. “Por isso é bom ter sempre ter uns dois de reserva”.
Hoje a namorada é ex, Moacir guarda as caixas como um troféu, está solteiro – “mas não sozinho” – e diz que em breve vai revelar sua história em rede nacional.
Depois de quase 30 minutos de papo, Moacir diz: “Você pode me ligar daqui a meia hora porque tem uma paciente aqui na cadeira?”.

2011/06/10

O CARMA DO CAMALEÃO

Filed under: Entrevista — trezende2013 @ 11:03

Muito antes de Lady Gaga, das drag queens, dos cross-dressers e da onda misógina que vivemos atualmente ele já dava o que falar.
Boy George – o pai de toda essa confusão de gêneros – completa 50 anos na próxima terça-feira e é tema de uma entrevista do jornal britânico “The Daily Mail”.
No papo com o jornalista Spencer Bright – que o ajudou em sua autobiografia no fim dos anos 90, “Take it Like a Man” – o camaleão do pop fala sobre seu passado.
A entrevista é realizada na casa do cantor, um lar gótico em Hampstead, Londres, cheio de ícones religiosos e pinturas. Boy mora com a irmã Siobhan e o irmão Kevin.
No início o jornalista descreve o visual do cantor e diz que “ao contrário do look extravagante com que geralmente se apresenta, o cantor usava uma camiseta preta, tinha os braços tatuados e está magro”. Boy quer perder mais peso com a ajuda de um personal trainer, exercícios diários e uma dieta quase vegetariana.
Ele conta que está livre das substâncias ruins – legais e ilegais. A marca final de sua “limpeza” veio há seis semanas, quando parou de fumar.
O resultado é que Boy está mais disposto. “Talvez porque tenha mais oxigênio e seja capaz de respirar melhor”, diz ele, que teve asma a vida inteira.
“Infelizmente as pessoas me conhecem por causa dos meus dramas, por ter sido preso. Mas estou concentrado no que estou fazendo agora e espero que dentro de algum tempo parem de se referir a mim como aquele…”.
Boy se lembra exatamente da data em que foi pego da última vez turbinado com drogas e álcool: 2 de março de 2008.
Em 2009 ele foi condenado a 15 meses de prisão em Londres por manter um garoto de programa em cárcere privado. 
“Há algo ótimo sobre este país. A polícia daqui tem um pouco de humanidade. Nos outros países não há amor. A Grã-Bretanha é o melhor lugar do mundo para ser preso”, diz ele rindo.
“Minha vida não foi sempre um desastre, mas quando foi, foi uma tragédia espetacular. Nunca fiz nada pela metade. Tudo de ruim que poderia ter acontecido aconteceu comigo. Ser preso na América foi o pior dos pesadelos” – em 2003 ele foi detido em sua casa em Nova York por porte de cocaína.
Boy revela que tem preferido uma vida mais moderada, sem excessos – inclusive os amorosos.
“Estou solteiro e feliz. Adoro minha própria companhia. Se alguém aparecer, perfeito. Mas precisa ser espetacular e instruído porque eu já venho com muita bagagem”.
Sobre os astros do pop atual, ele fala sobre Lady Gaga. Segundo Boy, está prestes a cair: “É um drama esperando para ser desenrolado. A fama é um desastre iminente e cintilante”.
Sobre seu antigo desafeto, George Michael, ele diz: “Falei com ele recentemente que temos muito mais em comum do que o contrário”.
Outra relação defeituosa é com seu pai, Gerry, um pedreiro. Depois que seu pai se separou de sua mãe, Boy ficou sem falar com ele durante dois anos. O pai morreu em 2004.
“Quando você perde alguém, tende a reescrever sua história. Lembro de todas as coisas boas a respeito do meu pai, como dele cantando no carro”.
Durante as turbulências, a família do cantor sempre foi seu alicerce. Sem ela, Boy admite que não teria sobrevivido. “No passado, se alguém me perguntasse se me arrependo de alguma coisa eu diria que de nada. Hoje posso dizer que não é bem assim. Mas arrependimentos não mudam nada, apenas servem para você pensar: ‘ok, não quero fazer isso de novo’”.

Happy birthday, Boy!

Leiam a entrevista completa AQUI

2010/07/27

SONHAR É PRECISO

Filed under: Entrevista — trezende2013 @ 09:17

Enquanto alguns pais brasileiros se revoltam com o projeto de lei que impede que eles deem umas palmadinhas nos filhos, uma mãe finlandesa usa seu tempo e sua cabeça com algo muito mais interessante.
Quando a filha dorme, Adele Enersen tenta imaginar o sonho. Esse é o propósito do site “Mila´s Daydreams” (algo como “Devaneios de Mila”), que tem fotos lindas e divertidas.
Este blog entrou em contato com Adele que, por email, respondeu a algumas perguntas.
Confiram:

Há quanto tempo está fotografando sua filha?
Ela nasceu em maio e comecei a fotografá-la imediatamente. Mas as fotos em que ela sonha acordada tenho feito há sete semanas. Já tenho 22 imagens no blog – faço várias por semana.

Como surgiu a ideia?
Bom, como todos os pais de primeira viagem, nós tiramos fotos “normais” dos bebês – mesmo quando eles estão dormindo. Um dia a Mila caiu no sono e meu marido colocou uma batuta de maestro nas mãos dela. Ela ficou parecendo uma pequena esgrimista. Então posso dizer que a ideia veio do meu marido.
No dia seguinte, quando ela dormiu, eu montei uma pequena floresta com travesseiros e cobertores sobre o tapete de nossa sala de estar e a coloquei suavemente sobre o cenário para umas fotos rápidas (ao contrário do que você deve estar pensando, ela não dorme constatemente no chão, haha).
Quase todas as mantas e almofadas são do nosso sofá. Os outros tecidos são minhas roupas, echarpes e cortinas.

E seu marido, o que acha?
Ele ama as fotos. Ele é muito solidário e, como pessoa criativa que também é, entende o quanto é importante brincar com nossa imaginação – mesmo por um breve momento.

Você cria os cenários sozinha ou alguém te ajuda?
Eu mesma crio. Eles levam poucos minutos para ficarem prontos porque a maioria já está na minha cabeça enquanto estou fazendo outras coisas – lavando toneladas de roupa, por exemplo.

Algum deles foi mais complicado?
Não… Não tenho muito tempo ou paciência para nada muito complicado agora. Algumas ideias, na verdade, são melhores na teoria do que na prática e eu desisto delas após algumas tentativas.

A Mila já acordou durante a sessão de fotos?
Algumas vezes. Então eu a retiro do cenário e retomo a rotina normal dela. O cenário fica no chão ou eu o monto em outro dia. Há algumas fotos em que ela está acordando ou se espreguiçando ainda com os olhos fechados. Mas na maior parte das vezes ela dorme como um bebê… Literalmente.

Onde você mora?
Em Helsinque, Finlândia, perto do mar.

Tem planos de lançar algum livro?
Talvez, mas não sobre fotografia. Sou fotógrafa amadora e eu me considero mais uma contadora de histórias, uma escritora. Tenho algumas ideias sobre histórias de fantasia que quero contar para minha filha, então eu talvez as escreva e faça um livro infantil. Algum dia. É ótimo pensar que alguém vai ler a história para seus filhos e que eles vão dormir e sonhar com aquilo.

Você tem mais filhos?
Não, ainda não. Mas a vida com um bebê é tão mais simples do que imaginávamos, ela traz tanta alegria ao nosso dia-a-dia, que talvez ela venha a ter irmãos. O tempo dirá.

Visitem o site AQUI

2009/08/08

MENSAGEM PRA VOCÊ

Filed under: Entrevista — trezende2013 @ 09:10

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penaA história do carteiro Lumar Baptista é um ótimo Lexotan para os nossos momentos hiena Hardy – aquela do “oh vida, oh céus, oh azar”.
Lumar é carteiro em Capivari, interior de São Paulo, e coleciona passagens que renderiam tranquilamente um livro de humor.
Primeiro porque ele está sempre de bem com a vida. Trabalha cantando, assobiando e cumprimentando as pessoas na rua.
A maioria dos moradores aprova tamanho regozijo, mas há quem se irrite – como as mulheres que colocam as crianças para dormir à tarde. Uma das mães quase chegou às vias de fato após Lumar passar entoando um “acorda Maria Bonita…” debaixo de sua janela.
Na agência dos Correios em que dá expediente, Lumar implantou um esquema de boas-vindas. Qualquer pessoa que entre no local é recebida com um sorriso e um aperto de mão de todos os funcionários.
O carinho pelo trabalho foi triplamente reconhecido. Em 2007 Lumar recebeu os prêmios de melhor carteiro do interior de São Paulo; melhor carteiro do Brasil e o de funcionário-padrão nacional pelo governo de São Paulo.
Lumar caminha cerca de 18 quilômetros por dia para entregar uma média de duas mil correspondências. Além do bom humor, a mistura de inocência e distração faz com que ele se veja envolvido em situações constrangedoras, surreais ou que esteja no lugar errado na hora errada.
Por pouco não foi preso por um juiz de Direito em momentos diferentes. Uma vez a autoridade se irritou quando Lumar a banhou, sem querer, com uma xícara de café. Depois, por causa da cantoria do carteiro na rua durante uma das sessões no fórum.
O telefone celular também é personagem na vida de Lumar. Já o esqueceu em diversos lugares – inclusive em cima do telhado. Certa vez, sem saber onde havia deixado o aparelho, Lumar ligou para o seu próprio número e seguiu-se o diálogo: “Quem é? É o padre. Então tá bom, seu safado, aqui é o capeta!”. O celular havia sido deixado num dos bancos da igreja.
Mas a situação “hors concours” foi roubar uma casa sem saber. Pensando que se tratava de moradores em mudança, o carteiro deu uma mãozinha para um grupo de ladrões limpar uma residência. Quase foi preso pela terceira vez.
Quem o ouve contar suas peripécias nem imagina que o passado foi de sofrimento. Órfão de pai e mãe, Lumar morou num orfanato até os 18 anos. Logo que se viu sozinho na vida prestou concurso para os Correios e passou.
Lá se vão 23 anos e um encontro com Lula – a condecoração de melhor carteiro do Brasil lhe valeu um “tête à tête” com o presidente em Brasília.
Antes de chamarem pelo S.O.S. lembrem-se de Lumar. Nem tudo está perdido.

2009/04/10

NÉVOA INEVITÁVEL

Filed under: Entrevista — trezende2013 @ 07:27

 

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caramujo“Todo mundo terá catarata um dia”. Essa foi a má notícia dada pelo médico-oftalmologista Samuel Cukierman durante entrevista sobre “Visão, O Espelho D´Alma – A História da Catarata”.

Além de didático, o livro traz diversas curiosidades sobre um problema que leva cerca de 350 mil brasileiros por ano às salas de cirurgia.

A ironia fica por conta de Monet. O impressionista – um dos pintores mais celebrados do mundo – sofria de catarata nos dois olhos. Relutou em operar a vida inteira, até que se submeteu à cirurgia em uma das vistas. Recuperado, pôs os olhos em algumas de suas obras e não teve dúvidas: rasgou-as. Não era bem o que havia imaginado.

Já o médico português Pedro Hispano (Papa João 21), na tentativa de superar as limitações de seu tempo, bolou um colírio que curaria a catarata. Triturou ervas no vinho e diluiu tudo em urina de mulher virgem.

Até na Bíblia há registro de um milagre envolvendo a doença. Narra o episódio com um tal de Tobit. Após deitar embaixo de uma árvore e ser batizado por um cocô de pombinha, ficou cego. A cura teria vindo pelas próprias mãos da vítima. Ele coçou tanto os olhos que voltou a enxergar.

A explicação é que talvez ele tenha esfregado tanto que furou o cristalino e removeu a película do que poderia ser uma catarata.

A catarata é a doença que vai embaçando a visão até levar à cegueira. Tudo porque a lente que existe dentro de nosso olho, o cristalino, vai ficando suja como o vidro de uma janela quando atingimos 60 anos de idade.

A única saída é a cirurgia. A mais moderna atualmente consiste em abrir um furinho de menos de dois milímetros no cristalino e inserir uma lente multifocal.

Não é feitiçaria, é tecnologia. E mais cedo ou mais tarde todos vamos precisar dela.

 

2009/03/19

A RAIZ DO ROCK

Filed under: Entrevista — trezende2013 @ 08:32

 

kidvinil

 

foneouvidoNos anos 80 não reinaram apenas mullets, polainas, crucifixos, rendas e gritinhos agudos. Foi também uma época muito criativa no cenário do rock brasileiro. Bandas como “Titãs”, “Ultraje a Rigor”, “Paralamas do Sucesso”, “Ira!” – adorada até pelo “Radiohead” – e “Legião Urbana” floresceram com músicas de boa qualidade. A maioria, de protesto.

Ainda sobrava palco para a irreverência de conjuntos como “Magazine”, “João Penca e Seus Miquinhos Amestrados” e “Doutor Silvana”.

A figura mais marcante dentre os doidivanos era Kid Vinil, vocalista da “Magazine”. A banda só teve dois sucessos – “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso” –, inesquecíveis para os amantes do fino do trash.

Atualmente Kid Vinil discoteca em algumas boates paulistanas e divide seu tempo entre a organização de sua coleção de vinis – cerca de 20 mil – e projetos literários. O primeiro é “Almanaque do Rock”. Dividido por décadas, faz uma retrospectiva do pop-rock desde os anos 50 até hoje.

Foi por ocasião do lançamento do livro que este blog entrevistou Kid Vinil.

Abaixo, alguns trechos da conversa:

 

Você realmente foi boy?

Sim, na adolescência todo mundo era. Só que eu era um safado. Eu ia pagar título em cartório, falsificava os valores da multa e faturava uma grana. Quando o patrão tinha pressa, não pegava táxi. Ia de ônibus e metia a grana no bolso. Eu sentia um complexo de culpa tão grande que me demiti.

 

A música foi inspirada em suas experiências?

Não, é de um office-boy que trabalhava no estúdio do Tico, um dos produtores da banda “Joelho de Porco”. Esse garoto vivia cantando “eu sou boy, eu sou boy…” pelos corredores. Um dia, o Tico puxou conversa. Ele falou que tinha inventado a música na escola, que cantava no recreio, na aula. O Tico o colocou para dentro do estúdio, pediu que ele cantasse e nos levou a fita. Musicamos e fizemos uma parceria com o garoto.

 

Que fim levou esse boy?

Sei que ele virou policial, trabalha na PM e se chama Agnaldo. É uma figura.

 

O pessoal te enchia muito o saco por causa da música?

Incomodava um pouco sim. Saía na rua e sempre falavam “e aí, boy”. É chato andar com um coro atrás de você.

 

Chegou a arranjar alguma briga?

Não por esse motivo, mas quase fui preso se bobeasse. Nessa época eu tinha 28 anos. A fofoqueira do Silvio Santos naquele tempo era a Sônia Abrão. Ela escreveu numa revista que eu era um quarentão enxuto. Eu fazia a linha meio senhor, mas era uma gozação, né? Em 83 eu tinha 28 anos. Fiquei puto e até mandei minha mãe escrever pra ela.

Bom, aí fomos fazer um show em Paranaguá. O cara que ia apresentar a gente subiu no coreto e disse: “E agora, com vocês, a banda do coroa Kid Vinil, Magazine!”. Nossa, aquilo me subiu à cabeça. Quando peguei o microfone, falei: “Coroa é a p*** que pariu! Coroa é você!”.

Aí alguém da organização chegou no meu ouvido e disse: “Kid, esse é o delegado da cidade”. Depois do show fui falar com ele e pedi desculpas, mas deixei bem claro que não tinha 40 anos.

 

Sua coleção de vinis já está em torno dos 20 mil. Compra discos todo dia?

Sim, compro no eBay, em sebos ou e num monte de outros sites. Tento arrumá-los na medida do possível. A maioria está em ordem alfabética e acomodada em estantes como nas lojas de disco mesmo.

 

Nesse seu acervo há espaço para aqueles disquinhos de vinil coloridos de historinhas?

(Risos) Tem também. Aliás, hoje em dia, se você quer saber, os conjuntos ingleses lançam disquinhos coloridinhos. Lá é chique lançar compactos – e coloridos. Então há de todas as cores: verde, amarelo, azul… Recentemente uma banda feminina lançou um “purple” que tem até purpurina no centro.

 

Você consegue ouvir tudo o que compra?

(Risos) Pois é, não. Às vezes percebo que tenho até coisa repetida. Ou melhor, repetida não. É que tenho em vinil e de repente quero ter também em CD.

 

Por que a tara por discos?

Quando eu era criança gostava dos Beatles e comecei a comprar os primeiros compactos deles em vinil. Eu já ficava alucinado com aquilo. Eu era office-boy, meu dinheirinho era suado e quando eu aparecia com um LP debaixo do braço minha família sempre enchia o saco.

 

Já teve algum momento-tiete?

Vários. O pior deles numa loja da “Virgin”, em Nova York. Tem uma banda do país de Gales, o “Manic Street Preachers”, que eu adoro. Eles iam tocar dentro da loja para lançar um disco novo e eu estava tão entusiasmado em ver os caras, tão histérico – é triste ser fã –, que comprei todos os formatos dos discos deles. Entrei três ou quatro vezes na fila para assinarem tudo. Eles já não me aguentavam. Daí resolvi tentar uma entrevista com o vocalista – nesta época, década de 90, eu já trabalhava em rádio. Quando ele me viu, chamou o segurança da loja, que mandou eu me retirar. Daquele dia em diante decidi não ser mais fã de ninguém.

 

É nascido numa cidade chamada Cedral (SP). Onde é isso?

Perto de São José do Rio Preto, minúscula. Nasci numa fazenda onde meu pai era peão. Plantava café, arroz. Vim para São Paulo com 5 anos porque a situação lá estava difícil e resolvemos tentar a vida aqui.

 

Você tem amigos no meio sertanejo e gosta de música deles. Será que o interesse vem dessa sua origem “raiz”?

(Risos) Mais ou menos. Meu pai já gostava de ouvir essas coisas. Mas, na verdade, conheci vários deles na época em que eu trabalhava na Continental. Tonico e Tinoco, Tião Carrero e Pardinho… O Tonico era simpaticíssimo, engraçado. Ele me chamava de Antonio Carlos. Uma vez disse para o pessoal da gravadora: “Eu acho o Antonio Carlos uma pessoa com pobrema”. Eu pintava o cabelo de várias cores na época.

 

Mas você ouve sertanejo?

Não com muita freqüência, mas gosto mais desse lado raiz. Tem uma dupla que eu adoro, que é Cascatinha e Inhana. A Inhana tinha uma voz tão peculiar… É um disco que às vezes me dá vontade de ouvir. “Flor do Cafezal” é um dos clássicos da música sertaneja. Muito bonita.

 

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