O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/08/10

VOU DE TÁXI

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:25

O transporte público em São Paulo, apesar de lotado, não apresenta grandes problemas no quesito falta de educação.
Nos ônibus a maior preocupação são os roubos tipo arrastão. No metrô, alguns pedintes – dependendo do horário.
Vandalismo, pouco. Sujeira, idem (o povo prefere jogar latas e papéis pela janela). Há, no máximo, rabiscos a caneta nos bancos e um ou outro cortando a unha ou dormindo com a cabeça encostada na janela.
Pois em São Francisco há quem arme uma rede no meio do vagão do metrô, coloque o cachorro para se sentar num dos bancos, enrole um baseado, vomite, durma entre as poltronas impedindo a circulação e até quem equilibre uma tigela com leite e cereais numa mão enquanto segura a bicicleta com a outra.
Graças a tanta cordialidade, um grupo resolveu tomar uma providência e criou uma página no Facebook com a missão de mostrar ao mundo o péssimo comportamento de certos passageiros e, quem sabe, intimidá-los.
Na página são publicadas fotos de inúmeros mal educados que passam pelo Bart (“Bay Area Rapid Transport”), o sistema de transporte público na região de São Francisco.
O painel de imagens recebeu o nome de “Bart Idiot Hall of Fame” (algo como “O Hall da Fama dos Idiotas do Bart”).
Do perfil do grupo no Facebook: “Poste fotos de idiotas, estúpidos e babacas do Bart que merecem publicidade por arruinar nossa viagem e não respeitar as regras! Este é um espaço para debater, rir e discutir assuntos ligados ao Bart de uma maneira construtiva”.
A comunidade já conta com quase 2.500 integrantes e parece ser apenas uma pequena amostra do número de gente incomodada.
“Se você viaja com alguma regularidade pelo Bart é inevitável que você tenha sido tomado pela vontade de bater num dos passageiros. Mas isso não deve ser motivo de constrangimento. É completamente normal imaginar sovar o idiota esparramado no corredor de um trem lotado enquanto ele usa o fone de ouvido como um amplificador para espalhar música tecno da pior qualidade para todo mundo ouvir e teoricamente tolerar”, começa a matéria indignada do site “The Huffington Post”.
“O problema é que você nunca sabe se esse idiota é um faixa preta de caratê e pode te processar ou te matar por você socá-lo da maneira que ele merece”.
Que medo. Vou de táxi.

Vejam algumas fotos AQUI

2012/08/02

O PREÇO DO OURO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:19

Nas Olimpíadas de 2008 a China ficou com folga na liderança do quadro de medalhas. Terminou os Jogos com 51 medalhas de ouro – contra 36 do segundo lugar, os Estados Unidos.
Ao que tudo indica, está para repetir o feito novamente – mesmo já tendo levantado suspeitas de doping, como o caso que envolve a nadadora Ye Shiwen. A garota, de apenas 16 anos, nadou os últimos 100 metros da final dos 400 metros medley na mesma velocidade que Jonnhy “Tarzan” Weissmuller e bateu o recorde mundial dos 100 metros livre nos Jogos de 1928.
Mas os adversários podem tirar o cavalinho da chuva porque a chinesa não será pega no exame antidoping. Na China, treinamento é coisa séria.
Tão séria que outra atleta, Wu Minxia, que levou o ouro nos saltos ornamentais, só descobriu as mortes do avô, da avó e o câncer de mama de sua mãe depois que desceu do pódio.
Sua família resolveu guardar os segredos – mantidos há mais de um ano – para não atrapalhar o treinamento da atleta. A menina não morava com a família havia dez anos.
Na China é comum os atletas abdicarem da vida social para se dedicarem exclusivamente à carreira. Ou ao sofrimento, como mostra a foto acima.
O palco da tortura é o “Nanning Gymnasium”, em Nanning, um dos mais de 4 mil centros de treinamento do país. É para um desses locais que as crianças são mandadas para aprenderem a ser campeãs.
Meninos e meninas, que parecem não ter mais do que 5 ou 6 anos, são submetidos a todos os tipos de estica e puxa e chegam até a apanhar de seus treinadores.
“No caso de esquecerem do motivo de estarem lá, uma grande faixa com os dizeres ‘Ouro’ as lembra”, diz uma matéria do jornal “The Daily Mail”, que publicou uma sequência de fotos impressionante sobre a “fábrica de atletas” na China.
Eita ouro que sai caro…

Vejam as fotos AQUI

2012/05/20

O BEABÁ

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:30

Aconteceu em março deste ano.
Um criminoso foi preso após tentar assaltar um banco em Milwaukee, a maior cidade do estado do Wisconsin, nos Estados Unidos.
A diferença desta prisão para todas as outras que acontecem diariamente e em vários lugares do mundo estava no que o ladrão carregava: um livro com um título muito sugestivo: “How to Be A Successful Criminal” (“Como Ser Um Criminoso de Sucesso”, literalmente).
Se o sujeito que pretende cometer algum tipo de crime precisa recorrer a um livro para aprender como agir ele já merece mesmo ir preso. Bandido já se nasce. É uma vocação.
Longe de ser uma xerox barata de uma obra não-publicada e escrita na prisão por alguém que assina com um pseudônimo, o livro de fato existe e foi lançado em 1998. O autor, Ron Glodoski, tem muita história para contar sobre o mundo cão. Vítima de abusos na infância, ele fugiu de casa muito cedo. Aos 12 anos já integrava uma gangue. Aos 15 tornou-se o líder dessa gangue e aos 20 um dos mais famosos traficantes de Milwaukee.
Depois de duas décadas e após perder a família e a maioria de seus amigos, Ron decide dar um basta à vida de gângster. Hoje, além de escritor, é um empresário bem-sucedido, palestrante e realiza trabalho voluntário em escolas, penitenciárias e centros de detenção.
Sobre quais seriam os principais passos para se tornar um criminoso de sucesso, sobram palpites. Talvez o primeiro seja conseguir dar conta de seu plano. O segundo, o terceiro e o quarto podem estar relacionados a “não ser preso nunca”.
Na resenha, o site “Amazon” diz que se trata de um livro escrito para crianças que vivem em situação de risco com dicas para elas fazerem as escolhas certas na vida. O autor nega o crime como estilo de vida viável, mostra outras opções e incentiva o crescimento e as ações positivas.
Já as resenhas deixadas pelos leitores são polêmicas e opostas. Uns recomendam não perder tempo com a leitura, mas outros contam terem ficado emocionados com as histórias de Ron Glodoski.
Se há alguma dúvida sobre a qualidade do livro, basta lembrar do triste fim do assaltante de Milwaukee.

2012/05/08

MIOLO MOLE

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:05

Usar vodca como colírio, beber higienizador para as mãos ou engolir canela em pó.
Esses são os “memes” (manias, modinhas) do momento entre os adolescentes americanos e ingleses.
“Mas há realmente uma epidemia de más ideias entre os jovens?”, pergunta-se Nadja Popovich, colunista do site “The Atlantic”.
Segundo os especialistas em Educação e Psicologia ouvidos pela colunista, ainda é um enigma se a geração atual está fazendo mais coisas estúpidas ou se as redes sociais têm ajudado a disseminar comportamentos
É mais ou menos como outra pergunta que vivemos nos fazendo: a corrupção aumentou ou ela apenas está sendo mais divulgada?
“Os jovens estão experimentando substâncias que nunca imaginamos, mas as más ideias sempre existiram”, diz o dr. Niranjan S. Karnik, professor-assistente de Psiquiatria e Neurociência do Comportamento da Universidade de Chicago.
Dentre essas experiências está o “Desafio da Canela”. A brincadeira consiste em encher uma colher de sopa com canela em pó e tentar engolir sem beber nenhum líquido em menos de 60 segundos. A graça está em engasgar-se ou quase morrer asfixiado.
Há centenas de vídeos no Youtube mostrando as tentativas dos adeptos. Muita gente inclusive já foi hospitalizada por causa da brincadeira.
Outro exemplo é beber higienizador para as mãos para ficarem bêbados ou colocar vodca nos olhos para ficarem doidões. Ambas as experiências levam vários deles aos hospitais.
“O que há é uma epidemia na qualidade do abuso de substâncias. Se pudéssemos estudar a forma como isso toma forma e se espalha online nos ajudaria dentro do contexto clínico”, diz o dr. Karnik.
Será que realmente os jovens de hoje estão mais criativos? Não sei. Há algum tempo entrevistei um padre que na sua fase paz e amor tomava chá de fita cassete. Segundo ele, era viagem alucinante garantida.
O que é uma reles colher de canela em pó diante de um chá de fita cassete?
Talvez estejam usando a canela ou o higienizador para as mãos por pura falta de fita.

2012/03/25

AH, O AMOR

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:25

O título diz que se trata de um presente. Na verdade, um presente de grego.
“A Gift For Muslim Couple” (“Um Presente Para Casais Muçulmanos”) recomenda aos maridos baterem em suas mulheres “com as mãos ou com uma vara e puxá-las pelas orelhas”.
Escrito por Maulavi Ashraf Ali Thanvi, um “prolífico escritor em quase todos os assuntos islâmicos”, o livro afirma ser útil para recém-casados ou casais que vivem juntos há alguns anos.
A obra virou motivo de polêmica nesta sexta-feira, após uma reportagem publicada pelo jornal “Toronto Sun”. Segundo a matéria, tudo começou depois que um marido procurando um presente viu o livro, deu uma lida e descobriu do que se tratava.
A sinopse diz: “O livro lida com a questão do casamento e da relação pós-casamento, bem como as diversas armadilhas de uma relação e casos de término”.
Também afirma mostrar exemplos “de fatos reais, dá conselhos sobre diferentes aspectos da vida familiar e de como fazer com que a instituição do casamento seja bem-sucedida”.
Logo no início, o autor diz que “talvez seja necessário reprimir a força dela ou até ameaçá-la”.
“O marido deve tratar a mulher com bondade e amor mesmo quando ela tende a ser estúpida e lenta algumas vezes”.
A obra também menciona os “direitos do marido” e fala da impossibilidade de a mulher sair de casa sem a permissão do esposo.
Quando for o caso, “bater nela com a mão ou com uma vara, confiscar o dinheiro ou puxá-la pelas orelhas” – ainda que não excessivamente.
Quanto à mulher, ela deve dar conta dos desejos do esposo e estar sempre bonita.
O proprietário da livraria em que o livro foi encontrado, em Toronto, no Canadá, conta ao jornal que a edição já está esgotada. No entanto, ela pode ser encontrada em livrarias islâmicas online por 6,46 dólares ou no eBay.
Até integrantes da comunidade muçulmana local acharam que o livro incita à violência doméstica.
O político canadense Tarek Fatah disse ao jornal “Toronto Sun”: “Pode ser algo novo para vocês, mas na comunidade islâmica é bem conhecido que os homens batem em suas mulheres. Os líderes muçulmanos negarão isso, mas…”.
De acordo com algumas interpretações do Alcorão, a violência doméstica é permitida na Sharia Law (código de Direito derivado do Alcorão).
A violência contra as muçulmanas foi enfatizada esta semana depois de uma reportagem dando conta de que mil paquistanesas foram assassinadas no ano passado. Segundo a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, milhares foram mortas pelos pais, maridos ou irmãos.
Muitos casos foram encobertos por familiares ou policiais simpatizantes, portanto, esse número deve ser muito maior.

2012/03/05

MC IGNORÂNCIA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:35

“Ursinhos panda, Teletubbies, Ronald McDonald. À primeira vista eles não têm muito em comum além de um certo apelo infantil. Mas durante uma visita a Bangcoc talvez você descubra outro traço que esses ícones pop agora dividem: sua semelhança com Adolf Hitler”.
É desta forma que começa uma reportagem do site “CNN Ásia” informando sobre uma moda bem estranha entre os jovens da capital tailandesa. A tendência já ganhou até nome: “Nazi chic”.
Segundo o site, não é difícil cruzar com meninas usando camisetas que estapam a imagem do ditador com jeitão de desenho animado.
As camisetas custam entre 200 baht e 370 baht  (entre 7 e 12 dólares) e alguns modelos são para casais. A que traz “Adolf McDonald” versão feminina usa cabelo fucsia, batom, cílios longos e um sorriso tímido.
“Alguns estrangeiros ficam preocupados quando veem as camisetas em promoção. Vêm aqui e reclamam”, conta Hut, o dono de uma pequena loja.
Segundo ele, os itens mais populares de seu estabelecimento são os “McHitler” e caricaturas de Michael Jackson, Che Guevara e Kim Jong-Il.
Do lado de fora da loja há um grande joão-bobo de Hitler que tem o braço esquerdo motorizado e consegue fazer a famosa saudação nazista. O dono conta que as pessoas adoram tirar foto ao lado dele.
“Não é que eu goste do Hitler, mas ele parece engraçado e as camisetas são bem populares entre os jovens”, insiste Hut.
Além dos que reclamam com Hut, há mais gente insatisfeita, como o embaixador de Israel na Tailândia. Itzhak Shoham trabalha bem ao lado da loja. “As pessoas não querem ter memórias do período nazista banalizadas desta maneira. Isso fere o sentimento de todos os judeus e de todas as pessoas civilizadas”, diz o embaixador.
Recentemente ele disse a Hut: “Não me importa o boneco; apenas tire o rosto dele”.
Atualmente o “McHitler” está com a face coberta com uma máscara estilo atleta de luta livre.
Em outras lojas, o “Panda Adolf” repousa entre Smurfs, pop stars e personagens de mangá japoneses.
Além de bandeirinhas nazistas, os compradores procuram pôsteres com propagandas do Terceiro Reich e flâmulas e capacetes com o símbolo nazista.
Enquanto uns reclamam, outros estrangeiros consideram o “Nazi chic” apenas um aspecto peculiar da cultura jovem tailandesa.
“Aposto que alguém vai dizer: ‘ o mundo dos adolescentes está muito ignorante’. Mas eu duvido que eles saibam o que tudo isso significa”, diz Mark Goldberg, de New Orleans.
Bingo. Segundo o site da “CNN Ásia”, a maioria dos jovens sabe muito pouco sobre os nazistas e os crimes que eles cometeram.
Infelizmente o “Nazi chic” não se restringe apenas à Tailândia. O mau uso dos símbolos nazistas é comum da Índia ao Japão.
Na Coreia do Sul e no Japão o estilo é bastante usado para o “cosplay” (reuniões em que os jovens se fantasiam de algum personagem ficcional, principalmente de animes e mangás).
Depois somos nós, brasileiros, que temos a memória curta.
Lamentável. Pelo jeito, o fim do mundo deve acontecer mesmo em 21 de dezembro deste ano.

2011/12/18

A MARCA DA MALDADE

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 07:00

Hoje uma dica de presente de Natal para colegas e familiares com perfil “cool”: o CD “One Pig” (“Um Porco”).
Nele, o músico e produtor de música eletrônica britânico Matthew Herbert registra o ciclo de vida de um porco – do nascimento ao prato.
Segundo o site “Slate”, “um curioso novo álbum que é complicado até classificá-lo como álbum – ou mesmo como música. Então do que se trata? Pode ser uma nova forma de arte ou algo antigo revisitado. Pode ser um pop polêmico ou um barulho difícil de ser definido. De qualquer forma, é fascinante e mais do que ‘cool’”.
Tudo em “One Pig” foi composto a partir de sons do porco, acompanhado por Herbert entre agosto de 2009 e maio de 2011.
Herbert gravou sons de vários tipos – tanto os do animal quanto do vento, das vacas e tratores de uma fazenda em Kent, no sudoeste da Inglaterra.
A cada duas semanas Herbert visitava o porco munido de seu gravador e de microfones caríssimos.
A primeira faixa de “One Pig” começa com um silêncio de pouco mais de um minuto que só é quebrado por um suspiro – o do porco nascendo. Todos os sons ganham colaborações de uma guitarra ou um teclado.
O trabalho de Herbert não chegou ao fim quando o porco foi abatido. Ele registrou os grunhidos finais do bichinho e os ruídos de suas partes sendo saboreadas por convidados. Doze chefs foram convidados para prepararem pratos para um jantar especial. Todo o cardápio foi elaborado com as partes do porquinho.
Por causa das leis inglesas, Herbert não pode gravar os sons da morte do animal, mas é possível ouvir os ruídos de seu traslado ao abatedouro.
Tudo o que não foi comido, foi doado. A pele serviu para a construção do forro de uma bateria. A gordura, para a confecção de velas. Até o sangue serviu para a criação de um estranho instrumento musical.
Mas nem só de porquinho vive Herbert. Ele construiu um nome no meio musical na última década graças à sua arte conceitual e à sua parceria com artistas do nível de Björk.
Seu objetivo tem sido reinvindicar um significado para a música. Alguns de seus trabalhos mais conhecidos têm teor político e ganham nomes como “A Vida Truncada de um Frango Moderno Industrializado”. Mas há espaço para sons conseguidos a partir de garrafas de água usadas.
“One Pig” encerra uma trilogia que inclui ainda “One Club” e “One One”.
A organização internacional de proteção dos animais, “Peta” (“Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais”), condenou o trabalho. Claro.
Em entrevista ao jornal “El País”, Herbert defende seu projeto: “Queria fazer uma biografia, seguir uma vida desde o nascimento até à morte. Mas claro, com um humano é complicado. O porco é um bom exemplo: muitos o odeiam, outros o comem até o último pedaço. A música deixou de ser algo que impressione, mas porém pode-se gravar a vida e a morte, nem que seja uma metáfora, como dizia Mahler”.
Valeu a defesa, Herbert, mas que troço mais aflitivo…

2011/12/12

PRÉ-NATAL

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:33

Sabem qual o melhor presente de Natal para se dar a uma chinesa? Uma barriga de grávida de mentirinha.
Segundo o “Huffington Post”, as barrigas estão saindo como pão quente em sites de comércio online.
As barrigas – feitas de silicone e com a mesma cor e textura da pele – são vendidas por preços que variam entre 500 e 1.600 yuans (algo entre US$ 79 e US$ 252).
Há “gestações” de vários tamanhos, mas as mais vendidas são as de cinco, seis e sete meses.
O responsável por um desses sites contou à reportagem que muitos compradores utilizam o produto como “apoio” à gestação ou para “vivenciar” uma gravidez. Mas de acordo com Stan Abrams, escritor e professor de Direito, a maioria usa com fins recreativos. Leia-se: enganação.
O “Huffington Post” menciona ainda o exemplo de Beyoncé. Em outubro, a cantora virou alvo da desconfiança de muita gente após aparecer no talk show australiano “Sunday Night”. Ao sentar-se no sofá para a entrevista, a barriga da cantora “murchou”. Desse episódio surgiram boatos de que ela estaria simulando uma gravidez.
O “SandraRose” – um dos sites com perfil “Leão Lobo” nos Estados Unidos – chegou a dizer que Beyoncé estaria simulando a gestação. A cantora e o marido Jay-Z teriam providenciado uma barriga de aluguel para gerar o primeiro filho do casal.
Tenha dó, Sandra Rosa. Num país como a China, cujo controle de natalidade é assunto muito mais sério do que final de campeonato no Brasil, é compreensível que mulheres queiram “vivenciar” uma gestação (ou arranjar lugar num metrô lotado, que seja). Mas dizer que Beyoncé está usando uma barriga “made in China” é pior do que acreditar em cegonha.

2011/12/09

TUDO POR DINHEIRO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:58

Que país impressionante o Brasil. Realmente um lugar de contrastes.
Ao mesmo tempo em que temos em nossos quadros profissionais capazes de bolarem um plano intrincado como o assalto ao Banco Central, em Fortaleza, abrigamos gente que rouba xampu no supermercado – esses sim vão presos – e ladrão distraído que fica entalado na chaminé da churrasqueira no momento da invasão do imóvel.
As duas notícias a seguir são da coluna de José Simão na rádio “Band News FM” e seriam inacreditáveis se o Macaco não nos garantisse a veracidade e o Google não nos confirmasse os detalhes sórdidos.
Nesta semana, a casa do Papai Noel foi assaltada. O crime não aconteceu no polo norte, mas logo ali, na praça central da cidade de São João Batista, em Santa Catarina. Os ladrões arrombaram a porta e levaram um boneco de Papai Noel de 80 cm, três ursos de pelúcia e sacos de bala. Daí a expressão tirar doce de criança.
Não são apenas os itens do assalto que chamam a atenção. Bizarro mesmo é um dos ladrões ter sido preso, em casa, com um bichinho de pelúcia.
A outra notícia vem de Limeira – e ela não diz respeito ao envolvimento da primeira-dama em maracutaias de alto calibre.
Segundo o jornal “O Liberal”, Limeira tem um “ladrão azarado”. Ele roubou um Fiat Uno que continha 400 pares de sandálias e… R$ 10 mil em cheques sem fundos. O azar ainda vai proporcionar a ele um bom xilindró. A primeira-dama? Já foi liberada.
Notícias como essas rendem risadas e alguns minutos de questionamento: será que, no fundo, não passamos de uns ladrões de galinha?
Mas a crise de identidade logo se dissipa quando nos lembramos dos milhares de dólares já surrupiados por 99% dos políticos do país, pelos escândalos em série dos governos, pelas malas de dólares e dólares na cueca que circulam com displicência pelas ruas ou ainda nas toneladas de reais que estão sendo desviadas graças às obras da Copa.
Portanto, é com certeza que podemos afirmar que, em matéria de crimes, não sofremos de complexo de vira-lata.

2011/12/05

O QUARTO PODER

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:21

Hoje, um exemplo de bom e mau Jornalismo.
O fato: a morte do ex-jogador Sócrates.
A causa da morte: depende.
Segundo o tabloide britânico “Daily Mail”, o motivo foi um. Para a BBC, outro.
Primeiro, o título da matéria do “Daily Mail”: “Sócrates, a lenda do futebol brasileiro, morre aos 57 anos depois de intoxicação alimentar causada por um estrogonofe”.
Segundo a reportagem, “o ídolo da Copa de 1982 deu entrada no hospital Albert Einstein na quinta-feira, após sentir-se mal durante jantar num hotel em São Paulo com a mulher e um amigo. Todos eles tiveram intoxicação, mas o corpo dele estava muito fraco e sofreu um choque séptico”.
A matéria diz ainda que o jogador esperava que sua condição de saúde se estabilizasse depois de passar 17 dias num hospital após um transplante de fígado. “Foram necessários aparelhos respiratórios. Ele também foi colocado em máquinas de diálise para que a bactéria fosse removida do seu sangue”, informa o jornal.
O “Daily Mail” cita uma entrevista que Sócrates concedeu ao “Sportv” em que diz que nunca teve problemas de abstinência e que o álcool não afetou seu desempenho nos gramados.
O jornal, no entanto, omite a entrevista que Sócrates concedeu ao “Fantástico” em que reconheceu que era dependente de álcool. “Eu tenho um ponto cirrótico. É uma lesão que não é tão grave, mas ela está localizada em área hipersensível do fígado. Essa lesão é causada, fundamentalmente, por álcool”, disse o jogador na ocasião.
Já de acordo com a matéria da BBC, o jogador “já sofria de condições intestinais críticas antes de ir para a UTI na sexta-feira num hospital em São Paulo”.
O site também menciona o choque séptico e os aparelhos respiratórios e de diálise, mas diz que “depois de diversos incidentes, o jogador admitiu que teve problemas com álcool, especialmente durante sua carreira como jogador. Ele também era conhecido por seu hábito de fumar”.
Não que as informações do “Daily Mail” estejam incorretas, mas trata-se de um exemplo clássico de como a vida – ou neste caso a morte – de uma pessoa pode ser modificada graças à má-fé de um grupo de pessoas optam por omitir certos detalhes ou definir o cinza como preto.

2011/11/29

UMA VIDA DE CÃO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:38

Essa é para quem sempre achou que o buldogue é um cachorro que tem cara de triste.
Uma reportagem do “The New York Times” – “Can the Bulldog Be Saved?” (“O buldogue pode ser salvo?”) comprova que não é impressão. Eles são realmente cães sofredores.
Os buldogues são uma espécie de bonsai do mundo canino.
Apesar de serem adorados pelos donos por sua alegria e simpatia, a raça tem tudo o que é tipo de problema de saúde. O buldogue apresenta problemas cardíacos, respiratórios, imunológicos, neurológicos, locomotores e ainda dificuldades para cruzar, para dar à luz e ainda por cima é o cão que mais solta puns.
Ele vive, em média, seis anos.
O buldogue sofreu diversas modificações durante os tempos. Na França, na Holanda e na Inglaterra do século 19 eram comuns os “bull-baiting”, combates entre cães e touros.
Para isso, eles deveriam ter algumas características que facilitassem o desempenho durante a luta, como as extremidades e o nariz curto.
Mas, além de desejarem um bom cão de combate, os donos queriam também um bom cão de companhia. A criação de buldogue tornou-se um negócio altamente rentável.
Segundo o “The New York Times”, um documentário inglês escancarou o problema: “Pedigree Dogs Exposed”. Mas os criadores do Kennel Club Britânico negam que o cão seja um sofredor.
Brenda Bonnett, epidemiologista e consultora veterinária, diz que o buldogue tem mais problemas de saúde do que qualquer outra raça. Além dos já citados, ele pode ter infecções de pele e problemas nos ouvidos e nos olhos.
Mas por que uma pessoa escolhe ter um bulldog? Basicamente porque são brincalhões e têm uma aparência quase humana, diz a reportagem.
“De uma certa forma, nós acentuamos algumas características para que eles parecessem mais humanos. Nós criamos buldogue por causa de seu rosto plano, seus olhos, boca e sorriso grandes”, diz James Serpell, diretor do Centro Para a Interação Entre Animais e a Sociedade da Universidade da Pensilvânia.
Um especialista em dentição canina explica ao jornal que encurtaram tanto o rosto do cão que não há espaço para tudo se ajeitar lá dentro. “A língua, o palato, tudo está comprimido. Os dentes parecem que foram arremessados, as narinas são pequenas e o resultado é que um buldogue mal consegue respirar”, diz o Dr. William Rosenblad.
Até para transar e comer ele tem dificuldades. Além da comida, ele engole ar, o que causa constantes vômitos. Por isso o dono precisa estar sempre de olho para o caso de o cachorro precisar de uma ajuda para arrotar.
Segundo os especialistas, há opções de cirurgia para a correção desses males, mas uma operação num buldogue é complicada porque, sob anestesia, os tecidos e os músculos atrás da garganta do cão ficam relaxados e bloqueiam a passagem do ar. Qualquer intervenção cirúrgica é perigosa para eles.
Quem pode ser feliz com tantas limitações?

2011/11/17

A APOSENTADORIA DE ZÉ GOTINHA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:34

Lembro-me de que meu irmão pegou catapora primeiro. Eu, alérgica a picadas de insetos em geral, já apresentava uma promissora carreira na área das coceiras, mas mesmo assim – ou por causa disso – jogava-me em cima dele na esperança de contrair os pontinhos vermelhos. Não demorou muito e eu já estava toda empolada.
Mal sabia eu, mas era uma garota à frente do meu tempo.
Mais de 20 anos depois, são os pais americanos que se comportam como a pequena Tatiana.
A moda nos Estados Unidos são as “pox parties” (“festas da catapora”), cujo único objetivo é colocar as crianças sãs em contato com as infectadas para que elas criem uma imunidade natural.
Desde 1999, os pequenos que entram para a escolinha em Nova York têm de estar vacinados contra varicela, mas graças a uma polêmica surgida não se sabe de onde, alguns pais creem que exista relação entre a vacina e o autismo.
A maior parte desses encontros é agendada pela Internet desde meados dos anos 90. Há inclusive grupos no Facebook como o “Find a Pox Party Near You” (“Encontre uma festa da catapora perto de você).
Na página da “Pox Party USA” o grupo se autointitula uma “Associação nacional de pais unidos pelo apoio à infância x catapora x vacinação. O propósito é colocar em contato pais de crianças com catapora para festas da maneira que eles queiram. Alguns pais podem estar procurando por informações ou ajuda, mas outros talvez possam estar querendo expor seus filhos. Todos são bem-vindos”.
Os pediatras ouvidos pelas reportagens estão chocados. Avisam que as festas são um “erro terrível”. Segundo Anne Gershon, professora de Pediatria da Universidade de Columbia e presidente da Sociedade de Doenças Infecciosas da América, a varicela (catapora) é uma doença leve, mas o portador pode até morrer por causa de complicações.
Além das festas – nas quais as crianças são incentivadas a compartilhar copos e a trocar doces infectados – há sites que vendem pirulitos e objetos de uso pessoal, como roupas e cotonetes usados, com a saliva de crianças com catapora.
Em que século estamos mesmo?

2011/11/08

MAMÃE É DE MORTE

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:52

Desejo de grávida é sempre por algo estranho: tijolo, gelo, carvão, pasta de dentes, sabão ou o que mais a imaginação mandar.
É raro encontrar uma grávida que tenha tido vontade de comer um simples pão com ovo, um hambúrguer ou uma maçã.
Mas nem o mais bizarro dos desejos se compara ao de Alison Brierley, uma artista e taxidermista profissional que mora em Harrogate, cerca de 350 km ao norte de Londres.
“Geralmente eu me alimento de forma absolutamente saudável, mas agora tenho tido desejo de comer a carne de animais atropelados. É mais suculenta do que qualquer outra e eu amei o sabor”.
Desde que ficou grávida, em vez de usar algumas partes dos bichos para produzir suas bijuterias, Alison encontrou um novo uso para os cadáveres.
“Estou com um cuidado extra para manusear as carcaças. Sempre uso luvas. Não quero correr o risco de pegar nenhuma infecção que possa prejudicar o bebê”.
“Tenho tido desejo de junk food, mas não combina muito comigo. Então tenho comido mais carne de atropelados e carne vermelha de maneira geral. Provavelmente porque preciso de todo o ferro para produzir células vermelhas extras”.
Ela e o marido admitem já ter experimentado atropelados antes – como uma carne de veado em viagem recente aos Estados Unidos.
A ousadia de Alison não para por aí. Ela costuma realizar jantares em casa para seus amigos com a carne dos atropelados. “Eles confiam em mim e sabem que sou boa cozinheira”.
Segundo ela, alguns deles inclusive telefonam quando veem algum animal morto na estrada. “A melhor é a A61, que vai para Ripon. É definitivamente a mais frutífera”.
Alison conta que a maioria de suas incursões é ocasional – ela não sai à procura de carcaças.
“A primeira vez que peguei um bicho foi quando passei por um faisão e pensei: ‘Vou comê-lo’. Levei-o para casa, deixei-o marinando no azeite por quatro dias e depois fiz uma espécie de faisão frito à Kentucky”.
Alison já experimentou lebre, veado, pombo, coelho, coruja e perdiz, mas o prato básico é mesmo o faisão.
“Ainda quero provar raposa e texugo, mas eles nunca estão em boas condições. Tenho usado mais para o meu trabalho”.
Alison crê que seu estilo de vida é o melhor para o meio ambiente. Ela conta que quis revelar seu comportamento alimentar atípico porque quer despertar a consciência sobre a origem da comida.
“Algumas pessoas são tão blasé na hora de escolher um alimento no supermercado e nem pensam de que forma certos animais vivem ou como foram mortos”.
Já pensaram se Alison fosse médica legista?
O bebê – um menino – deve nascer em fevereiro.

2011/11/04

JÁ PRO CANTINHO DA DISCIPLINA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:25

O episódio Geisy Arruda deu o que falar. Menos pelo tamanho do vestido-pivô e mais pela reação de seus colegas universitários. Pareciam que nunca tinham visto uma mulher na vida.
Alguns se contentaram em uivar e gravar imagens no celular, mas outros chegaram ao cúmulo de subirem em carteiras e se empoleirarem para ter uma visão de Geisy dentro da sala na qual ela permaneceu “aprisionada” até a chegada da escolta policial. Geisy só faltou ser apedrejada.
Diante do acontecido, tornou-se praticamente impossível não questionar a educação ou a cultura dos estudantes da Uniban.
“Mas que expectativa ter em relação a alunos que são participantes de um consórcio universitário em que o diploma é pago em 12 prestações anuais e retirado ao fim de quatro ou cinco anos? Isso não aconteceria na Usp, na Unicamp…”. Esse foi um comentário comum à época.
Não demorou muito, os “cultos” e “inteligentes” alunos da Usp botaram as asinhas de fora.
As imagens da ocupação do prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas são dignas de rebelião em presídio. Tudo é chocante. Primeiro, o comportamento exemplar dos alunos. Vestidos como presos, com camisetas cobrindo a cabeça, eles armaram-se com pedaços de pau e quebraram tudo – inclusive as câmeras de segurança.
Além disso, a situação do próprio prédio chama a atenção. Assemelha-se bastante ao de uma penitenciária: vidros quebrados, ferrugem, sujeira.
Interessante que os universitários não se mobilizaram para protestarem por melhores condições (físicas) de ensino ou saíram em passeata contra a corrupção em Brasília. Eles se organizaram porque querem fumar seu cigarrinho de maconha em paz. Ê lê lê. Só no Brasil mesmo.
A confusão já dura mais de uma semana e os alunos já disseram que não vão desocupar o prédio da reitoria.
Vira e mexe, moradores de favela ateam fogos em pneus para manifestarem seu desejo de ter lombadas redutoras de velocidade na porta de casa. Protesto violento, porém legítimo.
Já a manifestação na Usp – ainda que não reflita a opinião dos outros estudantes da universidade, é bom frisar – não é legítima. É inconstitucional.
Obviamente, a polícia não deve se retirar do campus da Usp. A região é perigosa e já foi palco de roubos e assassinatos. O que a polícia precisa é fazer vista grossa aos sinais de fumaça dos alunos. Um finge que não vê o outro.
Por ora, polícia e autoridades já aguentaram bastante. Chega de serem bonzinhos. Está na hora de pegar essa moçada pela orelha, levar todo mundo para a delegacia e ligar para o papai e a para a mamãe virem buscá-los. É bom que seja logo, antes que os “cultos” e “inteligentes” destruam ainda mais o patrimônio que você e eu patrocinamos.

2011/10/30

99,999%

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:03

Passou da hora de realizarmos o “Occupy Paulista Avenue” ou o “Occupy Sé Square”.
Tudo anda muito errado por aqui. E não é de hoje: Enem dando zica pela terceira vez, ministro colocando a mão na cumbuca pela sexta vez e bagunça generalizada sobre assuntos esportivos.
Nada faz sentido. Como pode escolherem um Ministro do Esporte que só entende de Dia do Saci e estrangeirismos? Ex-presidente da UNE, defende a meia-entrada apenas para o pessoal do “terceiro tempo”. Os estudantes vão ter de ficar chupando o dedo.
Dizem que a relação de Aldo Rebelo com o esporte se resume a torcer pelo Palmeiras. Inexperiente por inexperiente, sou mais a cotada Nádia Campeão – esta pelo menos tinha nome de vencedora –, mas ela ficou no banco.
A “Folha” fez as contas: em média, Dilma perdeu um ministro a cada 50 dias. Se continuar assim, talvez a “campeã” entre no segundo tempo.
Só uma coincidência faz sentido: Aldo tomar posse bem no Halloween.
Esse país tem jeito? Como esperar comportamento ético e honesto de ministros e parlamentares se até uma prova para avaliar a performance de alunos do Ensino Médio é fraudada? Como confiar nas dezenas sorteadas da Megasena acumulada saindo para um único apostador do sertão do Piauí? Como acreditar que não existe tapetão nos vestibulares públicos? Como botar fé na inviolabilidade da urna eletrônica? Como se convencer de que Lula não sabia das maracutaias que aconteciam na época do Mensalão?
No Brasil somos 99,999%.
Quem pretende enriquecer da noite para o dia tem algumas opções: entrar para o governo – qualquer que seja ele –, abrir uma ONG fantasma, fundar uma igreja ou, os mais sortudos, achar uma maleta de dinheiro na rua.
Por ora, quem tinha em mente ter uma ONG e fazer negócios com o governo pode considerar as demais alternativas. Aldo Rebelo já cancelou convênios com inúmeras entidades “sem fins lucrativos”. Mas, quem acredita? Eu só acredito em fantasmas. E sacis.

2011/10/09

2012 É LOGO ALI

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:02

Nesta sexta-feira chegou ao fim o prazo para filiação partidária para aspirantes a cargos nas eleições municipais do ano que vem.
Quem ainda não acredita na profecia maia de que o fim do mundo acontecerá em 2012, é bom começar a curtir a vida adoidado. A lista de “candidatáveis” promete o Apocalipse.
Além de alguns velhos conhecidos que gostam de brincar de dança das cadeiras – Celso Russomanno trocou o PP pelo PRB, Gabriel Chalita saiu do PSB e foi para o PMDB e Gustavo Fruet deixou o PSDB pelo PDT –, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pulou do PMDB para o novo em folha PSD, partido de Kassab.
Seguem também na luta “por um lugar ao sol” os cantores Kiko e Leandro, do KLB.
Se no ano passado podíamos escolher entre Tiririca ou Dinei, em 2012 o show de horrores está instalado.
Charles Henrique – que faz o personagem Charles Henriquepedia do “Pânico” – vai concorrer ao cargo de vereador no Rio pelo PT do B.
Jorge Kajuru filiou-se ao PPS e o ex-centroavante Washington (?) disputa pelo PDT uma cadeira na Câmara Municipal de Caxias do Sul. Ele espera que o apelido “Coração Valente” – surgido após um problema cardíaco que quase interrompeu sua carreira – lhe renda uma boa votação.
A ex-BBB Priscila Pires filiou-se ao PT do B e pretende ser vereadora em Campo Grande. Outro ex-BBB, Daniel “coqueiro” Rolim vai concorrer a vereador em Recife pelo PR (o mesmo de Tiririca).
Pior do que tá, fica? Sim, sempre.
A maior novidade é a filiação de Tirullipa, filho de Tiririca. Ele ingressou no PSB para tentar ser vereador em Fortaleza.
Everson Silva, de 26 anos, foi disputado por vários partidos, mas optou pelo PSB porque é com o qual “mais se identifica”.
Numa entrevista à revista “Exame”, Everson declarou que pretende “revolucionar” a política.
Revolucionar? Opa, então vamos conhecer melhor esse revolucionário que o Brasil ainda não descobriu.
Está no ar o “Arquivo Confidencial” de Tirullipa:
Direto do blog do circo “Tirullipa Show”: “Com talento de sobra pra fazer rir, consegue sem o menor esforço arrancar gargalhadas daqueles que cruzam seu caminho. A veia cômica herdada do pai foi descoberta ainda criança, mais precisamente aos 10 anos; nessa idade era fácil fazer rir imitando seu pai com o personagem Tiririca Jr. Aos 15 anos decidiu sair um pouco do foco, não hesitou em respirar novos ares, foi vocalista de duas bandas de forró, com os nomes de: Mó Mentira e Levada Sacana, onde suas músicas eram de duplo sentido, isso porque o seu maior talento sempre foi fazer rir”.
Não chorem ainda. O “Arquivo Confidencial” não chegou ao fim.
De uma matéria de capa da “Folhinha”, quando Everson tinha 11 anos:
“Com todo esse sucesso, com shows e entrevistas, como você faz para brincar e estudar?
Everson – Quase não dá. Nas férias eu quero ter mais tempo para essas coisas.
Ele estuda em uma escola particular de Fortaleza. Adora a escola mas não gosta muito de ler. Ele conta que só lê os livros que as professoras mandam. ‘Quando a professora fala para eu escolher um livro na biblioteca, eu sempre pego o mais fininho que encontro’, diz o garoto”.
Esse menino tem futuro. Pode, inclusive, candidatar-se direto a Presidente da República.

2011/09/25

FONDUE DA PRIMAVERA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:36

Abrir o primeiro site de notícias da lista de “Favoritos” e dar de cara com a imagem acima já é pra causar uma sensação estranha logo de manhã.
Ué, mas o tal do satélite do tamanho de um ônibus caiu em Brasília? A probabilidade de se esborrachar no Brasil não era de 1 em 21 trilhões? Será que os extintores de incêndio do Congresso estão nos trinques? E os sprinklers? São do tipo Duchas Corona ou Lorenzetti?
Já tratando de afastar as primeiras tendências sensacionalistas do domingo, leio a informação de que provavelmente tudo não passou de um incêndio decorrente de um curto-circuito numa gambiarra feita por catadores de lixo que moram nas imediações do Palácio do Jaburu, casa do vice-presidente Michel Temer.
Que pena. Nem para causar um incêndio decente o PMDB serve.
Refeita do sentimento o-que-aconteceu-por-aqui-que-eu-não-tô-sabendo, constato que essa não foi a única gambiarra da semana. A gambiarra-mor foi o queijo.
Manchete do “Correio Braziliense”: “Queijo terá de deixar apartamento funcional na 203 Sul, decide juiz”.
Quem não acompanhou a novela do queijo nesta semana deve ter se surpreendido: mas um jornal tratar queijo como sujeito? Geralmente quem sai de um apartamento é o proprietário ou o inquilino.
A verdade é que o queijo estava, tal parasita, hospedado no apartamento funcional de Clineo Monteiro França Netto. Mas o queijo, coitado, não passou de um laranja. Porque o parasita é Netto. Esse já virou queijo fundido.
Ex-funcionário do Ministério do Trabalho, ele usava o apartamento como depósito e centro de distribuição da empresa de sua família, distribuidora da marca “Tirolez” em Brasília.
Não foi o cheiro que chamou a atenção dos vizinhos, mas o entra e sai diário de toneladas de queijo. Os moradores se sentiram indignados com o fato de o imóvel ter se transformado em depósito de laticínios e com a justificativa de que o alimento era para consumo pessoal.
Mas, minha gente, ratazanas amam queijo.
A família França tem de se dar por satisfeita. Poderia ter sido muito pior. Em vez de ser soterrada por toneladas de queijo, poderia ter tomado cinco toneladas de destroços de satélite na cabeça.

2011/09/20

UMA FORÇA ESTRANHA NO AR

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:20

Depois do episódio envolvendo o pum misterioso não é difícil entender o nome do centro de treinamento do Flamengo: Ninho do Urubu.
O responsável por trazer maus ventos ao time – literalmente – ainda não apareceu, mas sobram piadas.
O que me espantou, nesse caso, foi a proporção que o episódio tomou. Imaginamos que num ambiente essencialmente masculino manifestações escatológicas fossem comuns ou tratadas com naturalidade. Vai entender.
Já que o autor permanece recolhido em seu ninho de urubu, uma leitura de grande utilidade para Wanderley Luxemburgo e demais flameguistas é o recém-lançado “Fart Dictionary” (“Dicionário de Puns”), do americano Scott Sorensen.
No prefácio, o autor diz: “Todos nós já presenciamos piadas sobre puns, mau comportamento e desconforto social. A sociedade sempre nos forçou a esconder nossos instintos mais básicos, mas soltar gases é uma necessidade humana e todos nós temos isso em comum. Então, leitores, da próxima vez em que vocês soltarem um pum ou testemunharem o pum alheio, tomem nota de onde aconteceu, qual foi o propósito ou inconveniência social. Classifique-o, como eu fiz nesse ‘Dicionário de Puns’”.

Os puns são divididos de A a Z e alguns deles contam com ilustrações divertidas. Alguns exemplos:
- Pum Abraham Lincoln: solto pelo orador durante um discurso;
- Abstrato: o que deixa os remanescentes parecendo o Picasso;
- Anárquico: liberado de propósito durante um discurso presidencial;
- Animado: acompanhado de movimentos como levantada de perna, reverência ou uma rápida e alegre dança;
- Maçã: o que deixa o médico longe;
- A Feiticeira: aquele que te faz torcer o nariz

Scott Sorensen não é técnico nem jogador de futebol. É engenheiro mecânico e já trabalhou no desenvolvimento de diversos brinquedos nos parques da Disney. Depois que abandonou a carreira no mundo mágico, mudou-se para a Califórnia e se dedicou ao dicionário.
Fica a dica para os jogadores do Flamengo.

2011/09/11

E FEZ-SE O SILÊNCIO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:34

Há dez anos formavam-se as imagens que ficarão guardadas na retina e na memória de milhares de pessoas desta e das próximas gerações. Hoje – além de um dia tenso e cercado de expectativas para os americanos – é o momento de revermos cenas trágicas e refletirmos até que ponto chega a imbecilidade humana.
Tomaremos uma overdose de fotos das explosões, de gente se jogando para a morte, da exposição de objetos pessoais das vítimas, de depoimentos de sobreviventes ou parentes dos mortos e teremos até de engolir o UOL fazendo a “enquete da imagem mais marcante do 11 de Setembro”.
Na tentativa de fugir um pouco da cobertura tradicional da imprensa, fiquemos com a estupidez – felizmente numa proporção bem menor do que a dos terroristas.
São as dez frases mais infelizes sobre o 11 de Setembro proferidas pelos “famosos e infames”, segundo o blog “Dumb as Blog”, que preparou a lista. Algumas chegam a ser incompreensíveis para nós, brasileiros, mas a maioria faz sentido. Confiram:

“Tenho de sair mais cedo essa noite. Vou para Los Angeles, mas não consegui um voo direto. Tenho de fazer uma escalano Empire State Building”
Do comediante Gilbert Gottfried, em 2001

“Acredito que Andy foi escolhido para morrer porque ele era muito bom. Estou quase feliz que tenha acabado dessa forma porque aprendi tanto com ele. Seria trágico se começássemos a brigar e nos divorciássemos. Eu poderia ser uma dona de casa gorda com três filhos em Sands Point”
Rachel Uchitel, ex-amante de Tiger Woods falando sobre um ex-namorado, morto nos ataques às Torres Gêmeas. A declaração
foi publicada pelo jornal “New York Post”. Agora Rachel está processando o jornal sob a alegação de que sua frase foi tirada do contexto

“Vemos outras torres do mesmo estilo serem atingidas por aviões. Elas se incendiaram? Houve uma torre, se não me engano na Espanha, que ficou queimando por 24 horas e nunca caiu. E aqui, em Nova York, em poucos minutos a coisa toda ruiu”
Marian Cottilard, atriz que interpretou Piaf e ganhou o Oscar

“Deveríamos invadir o país deles, matar seus líderes e convertê-los ao Cristianismo”
Ann Coulter, escritora conservadora

“Acho que a América não tem experiência com o terrorismo e até mesmo com a guerra. Na Europa sabemos mais sobre essas coisas”
Bono, “rock star e entusiasta de óculos escuros”

“Eu realmente acredito que pagãos, mulheres que cometem aborto, feministas, gays e lésbicas que estão ativamente tentando implantar um estilo de vida alternativo e todos aqueles que já tentaram secularizar a América – eu aponto meu dedo para a cara deles e digo: ‘Vocês ajudaram isso a acontecer’”
Jerry Falwell, “televangelista” e pastor cristão fundamentalista morto em 2007

“E as baleias? Estão ignorando animais, que são mais importantes. Eles precisam ser salvos e isso é o que importa. Essa coisa em Nova York está tomando grandes proporções. Quem liga para Nova York quando há elefantes sendo mortos? Não tenho medo de falar isso. Isso tem que ser dito. É por isso que sou o porta-voz da banda”.
Lee Ryan, integrante de uma boy band britânica chamada “Blue”

“Quando vejo familiares de vítimas na TV ou em outro lugar, sou uma coisa meio ‘ah, cala a boca’. Estou de saco cheio deles. Estão sempre reclamando”
Glenn Beck, “personalidade da TV”

“O 11 de Setembro foi um trabalho interno”
Spencer Pratt, astro de reality show numa conversa sobre teorias conspiratórias com a atriz, modelo e cantora Heidi Montag num programa de rádio em 2009

“Obrigado, Deus, pelo 11 de Setembro. Obrigado por, cinco anos atrás, ter espalhado sua ira sobre essa nação do mal. América, terra dos sodomitas impuros. Os eventos mortais de 9/11 foram a retribuição divina, a imediata visita da ira de Deus, a vingança e a punição sobre os horríveis pecados sodomitas da América”
Fred Phelps, pastor e líder da igreja batista de Westboro

Atualização “made in Brazil” diretamente do Twitter de Latino: “10 anos de tragédia! Lembro tb q chovia e qdo ligamos a TV (ainda c/ sono) parecia que o mundo estava acabando! Choramos muito. Foi uÓ!”

Vejam as fotos e as declarações AQUI

2011/08/11

SABORES OCULTOS

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 07:36

Para quem já não aguenta mais o olhar de soberano do sommelier de vinhos cada vez que leva uma taça à boca, controlem-se, porque o negócio está migrando para bebidas nunca dantes degustadas.
A reportagem do jornal “Der Spiegel” acompanhou uma degustação de água.
“A água da chuva está sendo servida. Ela viajou 16 mil quilômetros da Tasmânia para ser provada por uma dúzia de convidados no subúrbio de Hamburgo. Na frente deles, um homem vestindo terno e óculos”, começa a matéria.
Jerk Martin Riese, de 34 anos, é maitre do estrelado restaurante “First Floor”, em Berlim, onde criou um menu com 40 seleções de água.
“Riese é sommelier de água e em breve vai se mudar para Los Angeles. Antes disso, vai deixar um pouco de seu conhecimento no bar Redroom, em Hamburgo”.
Segundo a matéria, o grupo da degustação é variado e inclui advogados, representantes comerciais, gente da imprensa e “restauranteurs”. Enquanto aguardam o início da sessão, fazem um “esquenta” experimentando uma variedade de água da fonte cujo rótulo diz que ela é “carregada bioenergeticamente”.
A degustação começa. A primeira a ser provada é uma água da fonte da Noruega, cujo sabor é leve. Depois passa-se à água da chuva da Tasmânia, que também é suave.
“Amanteigada”, diz um dos convidados. “Quase oleosa”, acrescenta o sommelier.
No passado a água tinha apenas duas variedades: com ou sem gás. Agora há água de Fiji, da Patagônia ou da África do Sul. Há até água do Tennessee, vendida em garrafas encravadas com cristais Swarovski. Ela custa cerca de 92 dólares no restaurante “First Floor”. Riese conta que ela é adorada pelo pessoal do leste europeu.
Segundo Riese, a água da Tasmânia cai do céu e nunca toca o chão. “A Tasmânia é um dos lugares mais remotos do mundo, o que faz que sua água da chuva seja a mais pura e limpa da Terra”.
Depois ele apresenta uma água do norte da Alemanha (com um “sabor efervescente”) e uma água espanhola (“efervescente, mas com um toque salgado”).
Quando toma a água, Riese gira seu copo como as pessoas fazem com o vinho.
Ele também dá dicas sobre que variedade vai bem com um vinho branco Riesling: “tem de ser a melhor de todas”. Já um velho Bordeaux requer algo mais efervescente.
Além dos conselhos, a missão de Riese é dar à água o sentido de produto: o preço, o design da garrafa e, acima de tudo, toda a história que torna isso possível.
“Todas as histórias contadas por Riese durante a degustação estão dentro das possibilidades reais e lógicas, de alguma maneira. Mas outro homem entra na sala. Foi ele quem convidou Riese para vir e apresentar sua água nesse evento em Hamburgo. Quando ele começa a falar o tom muda”, explica a reportagem.
“Seu nome é Markus Stegmaier e ele é CEO de uma companhia chamada ‘Q-Aqua’. Ele afirma que a água tem ‘memória’ e que a dele é carregada com vibrações bioenergéticas”.
Essa característica é obtida a partir da reunião de cristais curativos, pedras preciosas e ervas medicinais e é capturada de alguma maneira – que ele não revela.
As frequências absorvidas são transferidas à água, que se livra da negatividade e tem aumentada sua positividade.
Elementos como lavanda, mirra, jade, quartzo e outras essências têm influências apaziguadoras. Enquanto musgo, ginseng, malaquita e outras criam uma água fortificante.
“Essas vibrações passam através da garrafa, através do vidro”, diz Markus.
Algumas pessoas da plateia começam a resmungar quando ouvem isso. “É mais ou menos como acontece com um celular – a radiação passa através das paredes”.
Que saudades do Renato Machado.

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