O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/08/26

CIDADE FANTASMA

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 09:03

Nas proximidades de São Luís, há duas cidades interessantes e com perfis praticamente opostos que também merecem uma visita: Alcântara e São José de Ribamar.
Na primeira localiza-se o “Centro de Lançamento de Alcântara”, uma base de lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira.
A base é considerada uma das melhores do mundo pela sua localização geográfica – apenas dois graus da linha do Equador.
O local é objeto de desejo até da Nasa porque, entre outras vantagens, a velocidade de rotação da Terra naquele ponto faz com que o consumo de combustível no lançamento seja menor em comparação a outras bases.
Os guias turísticos fazem questão de frisar que não é possível avistar nem tampouco aproximar-se da base porque “apontam até fuzil”.
Pode-se, no máximo, visitar a “Casa de Cultura Aeroespacial”, que fica numa pracinha em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
Há dois caminhos para Alcântara. Um por terra – em que a viagem dura entre 8 e 9 horas –, e o mais comum, por barco, com saídas pela manhã do terminal hidroviário próximo ao centro histórico de São Luís.
Tanto a ida quanto a volta dependem das condições da maré. Como o Estado está a poucos graus da linha do Equador, a maré chega a variar sete, oito metros, entre o período de cheia e o de seca. É um fenômeno impressionante.
Há dois horários: às 7h e às 8h40. Perdeu, dançou.
São apenas 22 km, mas o percurso dura uma hora e meia. Enquanto o barco desliza a 10km/h os turistas paulistanos exercitam a meditação zen-budista e a paciência.
Na chegada ao píer de Alcântara, são os pássaros guarás quem dão as boas-vindas. Lindos, vermelhíssimos e com as pontas das asas pretas. Com sorte, é possível avistar um golfinho e um peixe curiosíssimo, com quatro olhos. Dois ficam acima e dois abaixo da linha da água, o que permite a ele a visão aérea e aquática simultânea para escapar de predadores. Eles são conhecidos pelo povo de lá como “tralhotos”.
Além da base espacial, Alcântara tem um sítio arqueológico e histórico valioso, mas absolutamente abandonado.
Ainda que cinematográfica, a sensação é que Alcântara é uma cidade fantasma. Tem-se a impressão de que o lugar foi vítima de um terremoto ou da erupção de um vulcão.
Não há uma alma viva pelas ruas. É preciso esticar o pescoço para dentro das janelas das casas para encontrar os moradores – geralmente deitados em redes, assistindo TV ou dormindo (em plena segunda-feira solar).
As poucas casas que parecem produzir algo na cidade são as das costureiras e as das doceiras, que vendem o “doce de espécie”. O doce lembra um bombocado e é feito com uma massa bem fina e coco.
A igreja matriz de São Matias – localizada na imensa praça Gomes de Castro – é apenas uma ruína. O guia informa que a fachada foi o que sobrou de um raio que caiu sobre a igreja em 1901.
Alcântara deve ter sido um lugar lindo no passado. Bucólico, cheio de casarões de endinheirados franceses e portugueses, ladeiras, temperatura e paisagem agradáveis. É para se lamentar tanto descaso.

Amanhã, no último capítulo, São José de Ribamar

Confiram fotos AQUI

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