O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/08/24

SÓ JESUS SALVA

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 08:32

Uns dizem que o centro histórico de São Luís é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual. Outros, pelo Federal. Na dúvida sobre quem seria o responsável pela conservação dos imóveis, parece que Estado e governo chegaram a um acordo de cavalheiros: o do deixa-que-eu-deixo.
O centro histórico está completamente abandonado. Não estamos falando do patrimônio de Itabiboca do Sul ou Cocalzinho do Norte, mas do da capital do Maranhão, terra de “senhozinho” e de sua família Roseana, Zequinha e tantos outros.
Casas em ruínas, matagal crescendo pela fachada das casas e sobrados, aroma de urina e fezes tomando conta de tudo, ruas desertas e povoadas por mendigos, “elementos” suspeitos e ratazanas atravessando o caminho dos turistas. Dos azulejos originais portugueses – considerados o símbolo da cidade – só sobraram meia dúzia para contar história.
Além do péssimo estado de conservação, do topo da igreja matriz de Nossa Senhora da Vitória sobe até mato.
O único prédio aparentemente bem cuidado é o Palácio dos Leões, a sede do governo. O restante está mais para Casa das Tulhas, uma espécie de mercado central com produtos típicos que lembra – no caos e no aspecto sombrio decorrente das lonas que cobrem os becos – o pavilhão de São Cristóvão, no Rio.
Na rua Portugal, a principal rua de comércio do século 19, está localizado um dos escritórios de informação turística. Num domingo, a agente que estava no local recomendava aos visitantes não permanecerem no centro sozinhos após a uma da tarde.
A rua do Giz está só o pó.
Alguns guias e mapas mantêm uma informação que pode ter sido verdadeira algum dia: a de que São Luís tem os títulos de “Atenas Brasileira”, “Cidade dos Azulejos” e “Capital Brasileira do Reggae”.
Se está longe de ser uma Atenas ou de ter azulejos suficientes para ser chamada de vila, o reggae definitivamente não é um ritmo ouvido por lá. O povo só quer saber de “eu quero tchu, eu quero tchá, eu quero tchu tchá, tchu, tchá…”.
Em lugares mais afastados do centro a situação não é muito diferente. Na avenida Litorânea – motivo de orgulho para os habitantes porque conta com uma orla com quiosques e restaurantes “de luxo” – o lixo e o cheiro do esgoto a céu aberto chamam a atenção.
Enquanto isso, “senhozinho” descansa em sua mansão na Ilha de Curupu.
Será que a Água Sanitária Jesus (R$ 1,18) dá jeito?
Quem tiver curiosidade de conhecer São Luís, vá logo. Antes que acabe.

Vejam as fotos AQUI

Leiam uma matéria sobre a tristeza AQUI

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1 Comentário »

  1. Minha querida amiga viajada Tati, o que mais nos entristece é que o povo não rejeita esses infelizes. O sarney está acastelado em Brasília por décadas e sempre com o aval do povo! Quanto ao abandono de São Luiz ( e ao que me consta, todo o Maranhão) é explicável, a “família” gosta da sujeira, do abandono dos prédios históricos, depredações etc, Criou-se lugares propícios para a proliferação de ratos, baratas, lixões, degradação humana, o ambiente ideal, o habitat natural para o “família. Lamentável! Só Jesus, ou melhor, nem Jesus!

    forte abraço

    c@urosa

    Comentário por Carlos Augusto Rosa da Conceição — 2012/08/25 @ 09:42


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