O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/08/09

NAS ONDAS DO RÁDIO

Filed under: Matutando — trezende @ 10:26

“Isso é um absurdo! Não vamos questionar o direito deles à greve. Mas o que o motorista que está na Dutra agora tem a ver com isso? Eles estão atrapalhando a vida das pessoas erradas. Eles deveriam ir encher o saco de quem anda de carro blindado, de helicóptero… Por que eles não vão protestar na porta do ministro? Descobrir onde a mulher do ministro faz chapinha, ir lá e jogar água?”.
O comentário acima, sobre a greve dos policiais rodoviários que travou a Dutra e outras estradas do país, é uma das inúmeras opiniões pertinentes e lúcidas do jornalista Ricardo Boechat na “Band News FM”.
Diariamente fico indignada, dou risada, faço questionamentos e formo opiniões com a ajuda de Boechat. Ele é, sem dúvida, um dos cinco grandes jornalistas do país.
Ele é o diferencial na programação matutina da “Band News FM”.
Entre uma manchete e outra faz valer sua independência editorial dando opiniões polêmicas e pagando o preço por isso – ele tem inúmeros processos de políticos nas costas.
Além disso – e principalmente – Boechat humaniza o noticiário contando, sem querer até, muito sobre sua vida pessoal. Num dia fala sobre a família e no outro sobre seu Twingo velho. Há pouco tempo não sabia onde havia estacionado o carro.
A mãe, Mercedes, e as filhas pequenas Catarina e Valentina – de seu terceiro casamento com a “doce Veruska” – são sempre citadas pelo jornalista.
Pai aos 50 anos, ele é um corujaço. Outro dia chegou para trabalhar com as unhas azuis e foi motivo de gozação. Defendeu-se dizendo que estava brincando com as filhas e permitiu que elas pintassem suas unhas de azul.
Em certos dias é perceptível a impaciência de seus companheiros de bancada. É comum Boechat empolgar-se com suas observações e avançar alguns bons minutos no horário.
Sem contar que vira e mexe ele chega atrasado. Dia desses, apareceu bem depois das oito da manhã (seu horário de entrada é às sete). Quando alcançou o microfone, esbaforido e sem cerimônia, disse que havia perdido a hora. A “doce Veruska” tinha viajado e ele se esquecera de que precisava por o relógio para despertar.
A coluna de José Simão não tem a mesma graça sem ele, que realmente se diverte com as piadas do colunista. Na ausência de Boechat, os outros dois apresentadores riem forçadamente e conseguem deixar o risível sem riso.
Boechat é também o único a não demonstrar irritação e tensão com as provocações de Milton Neves. Trata-o com a ironia que ele merece.
Enquanto os dois outros apresentadores – bitolados e cumpridores de horário – leem notas, Boechat questiona. Outro dia um de seus parceiros informou que, com dois anos de atraso, o aeroporto de Congonhas ganharia uma nova torre de controle. Entre as melhorias, a obra acabaria com os pontos cegos da torre. E Boechat, interrompendo: “Para, para, para. Peraí, você tá querendo me dizer que a torre de controle do aeroporto mais movimentado do país tem pontos cegos? E até hoje a gente não sabia disso? Ah, que ótimo! Gente, isso é um absurdo”.
O mais interessante é que ficou muito claro que o jornalista que havia lido a nota não tinha se dado conta disso. Simplesmente ligou o piloto automático e leu a nota que lhe passaram.
Mas, como jornalista, temos sempre de ouvir os dois lados. Portanto, é preciso dizer que Boechat não é santo. Em 2001 ele foi demitido do jornal “O Globo” e da TV Globo (onde tinha uma coluna no “Bom Dia Brasil”) por comportamento antiético.
Boechat teve seu telefone grampeado e descobriu-se que ele havia lido o texto que seria publicado no dia seguinte para Paulo Marinho (assessor de Nelson Tanure, jornalista e principal acionista do “Jornal do Brasil”) sobre a disputa no setor de telefonia. Boechat também explicava detalhes dos procedimentos internos do jornal.
Ops.

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