O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/07/14

O HERÓI NO DIVÃ

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:42

Ele usa máscara e capa de morcego em público. Na infância presenciou o assassinato de seus pais. Na fase adulta coloca a vida em risco.
Batman pode até ser um personagem de ficção, mas a personalidade dele é um terreno fértil para a análise de psicólogos.
Robin (!?) Rosenberg, psicanalista da Califórnia, lançou-se no desafio e escreveu o livro “What’s the Matter With Batman?: An Unauthorized Clinical Look Under the Mask of the Caped Crusader” (“O que há de errado com Batman?: Um olhar clínico não-autorizado por baixo da máscara do paladino de capa”).
O livro – lançado em junho nos Estados Unidos – é altamente indicado para estudantes de Psquiatria, Psicologia e afins, já que faz uma análise de certos aspectos da personalidade do Homem-Morcego. Não se trata de uma obra conclusiva a respeito da saúde mental dele.
Robin baseou seus estudos nos filmes e nas histórias em quadrinhos. Cada capítulo do livro aborda um transtorno ou um espectro de transtornos que Batman possivelmente tenha: depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático, distúrbio de personalidade pós-traumático.
Entre 8 e 10 anos de idade ele foi testemunha do assassinato de seus pais durante um assalto. Como resultado, ele comprou a briga contra o crime. “Ele é o garoto-propaganda do crescimento pós-traumático”, define Robin Rosenberg.
Ela explica que o termo descreve o processo de fortalecer-se e desenvolver novos objetivos e crenças tirando proveito de experiências traumáticas. “No mundo real não é incomum certas pessoas se envolverem com o ativismo social. Acho que é isso o que faz dele um personagem tão persuasivo”, diz Robin. “Assim como várias pessoas colocam a vida em risco diariamente – bombeiros, policiais ou militares – há algo cativante neste nível de dedicação”.
Mas a capacidade de Batman de se colocar à prova em nome dos outros também levanta a questão: o altruísmo ao extremo é um distúrbio?
Em sua análise, Robin se dedica a traços que parecem estranhos no herói, características que talvez possam ser interpretadas como sinais de distúrbio psicológico.
Sobre a capa, Robin diz que a fantasia é antes de tudo um uniforme. “Como um uniforme policial, pretende intimidar, chamar a atenção e mandar uma mensagem particular às vítimas e aos criminosos”, explica ela.
Já o temperamento sério, o sentimento de culpa em relação à morte dos pais e seu desapego podem ser lidos como sinais de transtorno de estresse pós-traumático (em inglês, PTSD).
“Entorpecimento emocional é um sintoma de PTSD e isso envolve um senso de distanciamento de terceiros e expressão de sentimentos limitada”, diz Robin.
“No entanto, essas características não são sinais conclusivos do transtorno – ainda que nossa tendência cultural seja a de rotular comportamentos distintos como resultado de problemas psicológicos”.
A verdade é que o senso comum já diz tudo: um homem que veste a cueca por cima da calça não pode ser normal.
A dra. Robin Rosenberg é fissurada no tema e a psicologia de heróis e personagens populares é seu assunto favorito. Ela é autora e editora de uma série a respeito do tema em parceria com a editora da Universidade de Oxford e já escreveu, por exemplo, “A Psicologia da Garota com a Tatuagem de Dragão”.

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