O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/07/31

O IMPORTANTE É COMPETIR?

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 11:41

Nesta semana, dois episódios curiosos marcaram a participação de atletas brasileiros nas Olimpíadas.
O primeiro foi Cesar Cielo, que estreou com o décimo melhor tempo e se declarou preocupado com o resultado e, claro, com seu desempenho.
O outro foi o que envolveu a judoca Rafaela Silva, que depois de ser eliminada da competição, perdeu totalmente o controle e a compostura e foi desabafar no Twitter. Xingou seguidores e, segundo sua técnica, ela apenas se defendeu: “Chamaram ela de macaca, que tinha de estar na jaula, que ela era uma vergonha e devia voltar rastejando para o Brasil. Não estou justificando, mas explicando”.
O fato é que em ambos os casos fica evidente a dificuldade em lidar com a derrota.
Um artigo que acaba de ser publicado pela BBC trata desse assunto: “Londres 2012 – Os atletas devem se preparar para a derrota?”.
“Até recentemente, a psicologia do Esporte treinou a mente para vencer. Mas a maioria dos competidores olímpicos, incluindo os melhores, como o nadador Michael Phelps e o ciclista Mark Cavendish, perdem. Agora especialistas acreditam que encarar essa possibilidade pode salvá-los da decepção devastadora. Dos 1.500 atletas que batalham pelo ouro nos Jogos Olímpicos de Londres, apenas 302 serão vencedores. Os outros terão de encarar a frustração, a raiva e a vergonha que acompanha a derrota”, começa o artigo.
Apesar de muitos atletas lidarem com a perda de maneira saudável e usarem essa decepção como inspiração para um treino mais pesado, outros ficam profundamente deprimidos.
“Nas Olimpíadas, para alguns, ficar em segundo ou o terceiro lugar não é o bastante. Em certos países eles são considerados um fracasso. É lamentável que o vencedor seja o único a se sentir feliz”, diz a corredora norte-americana Suzy Favor Hamilton, que participou do evento três vezes.
Suzy tem péssimas lembranças das Olimpíadas. Em 2000, em Sydney, percebendo que havia sido ultrapassada por duas adversárias, ela se jogou no chão faltando pouco para o fim da corrida dos 1.500 metros.
“Aquelas duas meninas levaram meu sonho e a minha vida embora. Aquele foi o momento em que eu pensei ‘Não vou vencer, não foi como eu planejei’”, conta ela. Depois do episódio, ela chegou a começar a treinar para as Olimpíadas de 2004, mas desistiu, entrou numa depressão profunda e chegou a considerar o suicídio.
Assim como muitos atletas, ela nunca antecipou a sensação da perda. “Era sempre ‘Suzy, esse é o plano, você vai ganhar essa corrida’. Nunca havia a opção de eu não vencer”.
A questão é polêmica. Alguns especialistas creem que concentrar-se na vitória é parte essencial da psicologia para os atletas. “O problema é que se você pensa que vai perder, talvez você perca mesmo. Não acho que é possível preparar alguém para a derrota”, diz o médico do Esporte Jordan Metzl, do Instituto da Medicina do Esporte de Jovens Atletas de Nova York.
Recentemente, no entanto, alguns psicólogos de atletas de elite têm acreditado que pensamentos de derrota não podem ser evitados. Um exemplo é o trabalho de “supressão do pensamento” do psicólogo Daniel M. Wenger.
Em seu estudo, conhecido como “experimento do urso branco”, ele prova que se dizem para alguém evitar pensar em alguma coisa arbitrária, como um urso branco, o urso vai vir à mente dessa pessoa toda hora.
“Quanto mais você evita um pensamento, mais ele vai vir à tona”, opina Peter Haberl, psicólogo da delegação americana nas Olimpíadas.
“De uma certa maneira, é como as fases do luto. Em determinado momento é importante estar com o atleta e ajudá-lo a entender isso. Apesar de extremamente doloroso, vai passar”, diz Peter.
Os atletas lidam de forma diferente com a derrota graças a alguns fatores. Segundo Peter, o primeiro deles é ter interesses fora do mundo esportivo. Ele também vê diferenças entre gêneros – as mulheres se culpam muito mais – e entre derrotas coletivas – entre times é mais fácil encarar o sofrimento.

2012/07/30

RUA DOS BOBOS, NÚMERO ZERO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:55

Município brasileiro que se preze – ou com pretensões de se tornar uma grande cidade um dia – tem uma avenida Brasil para chamar de sua.
O nome da via é onipresente em diversos Estados do país.
A versão americana é a “Main Street”, que virou tema de um livro lançado no início de julho: “50 Main Street: The Face of America”.
A obra é resultado de seis anos de andanças do fotógrafo italiano Piero Ribelli por 50 Estados americanos fotografando e entrevistando pessoas que vivem e trabalham no mesmo endereço, a 50 Main Street.
Segundo ele, a ideia original era encontrar estranhos que tivessem o mesmo número de telefone que ele, mas o plano não foi adiante.
Após a tentativa frustrada, Piero pensou que talvez o nome de uma rua fosse algo mais poético – Magnolia ou Maple, por exemplo – mas escolheu a Main Street.
O início também não foi fácil. A cada lugar que chegava, um desafio, já que muitas pessoas não o atendiam ou chamavam a polícia porque desconfiavam do sotaque dele. Hoje tornaram-se seus amigos.
Ao fim de mais de 50 mil milhas percorridas, Piero descobriu que os personagens têm mais em comum do que o fato de morarem numa rua com o mesmo nome. De acordo com o fotógrafo, as histórias de vida são muito parecidas.
A inspiração veio após o 11 de Setembro, quando ele percebeu que o “espírito da América” estava mudando. “Não era o mesmo país que me deu as boas-vindas quando cheguei. Minha ideia era alertar as pessoas para se lembrarem de suas similaridades. E se você ler o livro, vai ver que cada uma delas se relaciona. Todos nós sentimos fome, ficamos doentes. Qunado você concentra as coisas importantes da vida, não importa sua origem, nota que todos reagimos da mesma forma”, diz Piero.
Piero Ribelli perdeu o pai quando era muito jovem e teve de trabalhar como eletricista para sustentar sua mãe e sua irmã.
Aos 27 anos ele se mudou para Nova York e ficou impressionado com a diversidade e a cordialidade de sua nova casa e de seus novos amigos. “Isso me fez perceber que na América fazer as coisas de uma forma diferente não é fazê-las incorretamente. Aprendi como é importante manter sua identidade e, ao mesmo tempo, aprender com os outros”.

Vejam algumas fotos do livro AQUI

2012/07/29

DOR DE BARRIGA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:51

Dia desses o novo programa de Pedro Bial estava examinando uma nova obrigação da (e na) sociedade: a de ser feliz.
A culpa é da Nina? Não, dos comerciais de margarina.
Quem não tem a vida do comercial, com a família reunida em torno da mesa tomando suco de laranja com dentes e toalha brancos, constata que leva uma vida de m…
Pode-se discutir se a ditadura da felicidade é uma invenção da mídia, mas uma coisa é certa: um dos maiores mitos nessa busca pela felicidade é o da maternidade.
Talvez a ideia mais disseminada (nesse caso mais pela sociedade do que pela mídia) é a de que a mulher só é um ser realizado e completo quando se torna mãe. A que não consegue, transforma a gravidez – e a vida do marido – numa obsessão. Todo mundo conhece um caso assim.
Da gravidez só importa o produto final, o filho – e não a vocação.
O questionamento interno – quero realmente ser mãe ou estou respondendo a um chamado da sociedade? – é algo que só tem acontecido de pouquíssimo tempo para cá e ainda entre pouquíssimas mulheres.
Objetivo quase alcançado, surge outro ponto curioso. As grávidas vendem a gravidez como um prêmio e a barriga é exibida como um troféu. Tudo é lindo e maravilhoso.
Daí o tema de nosso post de hoje, inspirado numa seleção de fotos de futuras mamães publicada pelo site “The Chive”.
Porque mãe que é mãe faz álbum de tudo: da gravidez, do parto e até do bebê.
As imagens são de uma bizarrice sem fim. Predomina a clássica pose da grávida ao lado do pai – com uma barriga tão grande quanto –, mas algumas são impressionantes. Quanto mais “fanfarrona” a foto, pior.

Divirtam-se AQUI

2012/07/28

FÉ FAST-FOOD

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:38

Cristãos, muçulmanos, budistas e até cientologistas podem rezar na mesma igreja. Um de cada vez. Essa é a ideia da “Pray-o-mat”, uma cabine que reúne 300 orações pré-gravadas em 65 idiomas.
A cabine – que está instalada na Universidade de Manchester, na Inglaterra – funcionava como uma antiga máquina de fotos instantâneas para documentos e foi convertida em “templo” ecumênico.
Além de rezas católicas, há orações budistas, islâmicas, sons de devoção aborígenes, bênçãos “voodoos” e cânticos de judeus ortodoxos.
“Apesar de a ‘Pray-o-mat’ parecer um pouco irônica, há uma mensagem séria por trás dela. É a prova de que lugares multirreligiosos para adoração não precisam ser caros ou chamativos. Em muitos lugares, um espaço pequeno, limpo e pouco enfeitado pode servir adequadamente”, diz o Dr. Ralf Brand, o responsável pela condução do projeto ao “The Daily Mail”.
Criada pelo artista alemão Oliver Sturm, a cabine da “fé fast-food” é resultado de três anos de pesquisas no mundo todo sobre diversas crenças. A equipe da Universidade de Manchester visitou cerca de 250 espaços ecumênicos em aeroportos, universidades, hospitais e shoppings.
A conversão de uma “Gebetomat” alemã numa “Pray-o-mat” inglesa foi financiada pelo Instituto Goethe de Londres e pelo Conselho de Pesquisas em Artes e Humanidades.
A cabine é equipada apenas com um banquinho e uma tela “touch screen” que disponibiliza uma coleção de arquivos de rádio – incluindo uma gravação de músicas de missionários que data de 1903.
O serviço não é pago, mas antes de acessar o menu o fiel é convidado a fazer uma doação.
Pela fé, estúpido.

Assistam à cabine em funcionamento AQUI

2012/07/27

A FAUNA FRANCESA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:46

Paris, uma cidade conhecida por sua pouca simpatia, resolveu lançar uma campanha que muitos podem classificar como atrasada, mas pelo menos está tentando fazer algo para melhorar sua fama.
A “RATP”, empresa responsável pelos transportes públicos da cidade, estreou uma campanha cujo objetivo é educar o parisiense no transporte público.
Cinco pôsteres comparam os cidadãos a animais e em atitudes pouco educadas: no ônibus, uma galinha grita ao celular; um búfalo abre caminho aos empurrões para entrar no trem; uma lhama cospe na plataforma de embarque; um bicho-preguiça senta-se esparradamente no ônibus; e um sapo pula as catracas.
Além dos pôsteres, a RATP lançou um site pelo qual pode-se reclamar sobre os hábitos mais importunos dos parisienses.
“Essas grosserias sempre existiram. O que acontece é que estamos menos preparados para tolerá-las”, diz o sociólogo Julien Damon, que ajudou a RATP a elaborar a pesquisa.
Segundo ele, comportamentos como cuspir no chão ou fumar num restaurante são pouco tolerados e as cortesias – como ser simplesmente educado com o próximo – são pouco comuns.
“Isso deveria ter acontecido anos atrás. Os parisienses podem ser muito rudes – e alguns são arrogantes para reconhecer isso. Passou da hora de uma mudança de atitude, mas se uma campanha pode fazer isso, melhor”, afirma Jean Avel, funcionário público de 52 anos.
De acordo com uma pesquisa encomendada pela RATP, 63% das pessoas que admitem os maus modos dizem que os anúncios as fizeram parar e pensar em suas atitudes no transporte público.
A pesquisa revela ainda que 97% dos passageiros já presenciaram comportamentos “impolidos” nas linhas de ônibus e metrôs.
A RATP publicou uma lista com os dez hábitos que mais incomodam os franceses usuários do transporte público. Eles variam entre cusparadas ou ouvir música alta pelo celular ou outro equimento eletrônico.
O estudo e a campanha chegam dois anos depois de uma outra pesquisa que descobriu que os visitantes estrangeiros elegeram Paris como a cidade mais rude em toda a Europa.
O site “Tripadvisor” concluiu que a capital francesa é a menos atenciosa com os turistas, tem os taxistas mais mal educados e os garçons mais grossos da Europa.

2012/07/26

PARECE, MAS NÃO É

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:59

As Olimpíadas têm um novo método para testar se os atletas são homens ou mulheres. É justo? Pergunta-se um artigo no site “Slate”.
Segundo o site, o Comitê Olímpico International (COI) tem uma nova regra este ano para decidir quem pode concorrer como mulher. O COI quer evitar espetáculos como o que aconteceu em 2009, no Campeonato Mundial de Atletismo, com a sul-africana Caster Semenya.
Após conquistar o ouro nos 800 metros, ela teve sua sexualidade questionada e se submeteu a testes de DNA. Ela ficou sem competir durante quase um ano. Os exames comprovaram que a atleta sul-africana tem uma deficiência cromossomática que lhe confere características masculinas e femininas. Ela não tem útero nem ovários, seus genitais externos são femininos, mas internamente ela tem testículos.
Ninguém quer repetir o episódio. A questão, no entanto, é se a Ciência é clara o suficiente para justificar o mais recente critério do Comitê.
O plano do COI é o seguinte: mulheres que fizerem o teste de testosterona e tiverem um alto índice do hormônio talvez não possam competir nas categorias femininas. O “talvez não” é porque essas mulheres podem baixar os níveis da testosterona através de medicamentos – como dizem que a sul-africana está fazendo.
O Comitê não especifica que nível de testosterona invalidaria a participação da atleta – em parte porque o índice pode variar muito. “Deixaremos essa decisão com os especialistas”, disse Arne Ljungqvist, presidente do comissão médica do COI, ao “The New York Times”.
O objetivo é nivelar a competição prevenindo pessoas que apesar de se identificarem como mulheres tenham uma ligeira vantagem masculina e dominem a categoria.
Historicamente as autoridades do esporte sempre exigiram que as atletas femininas fossem examinadas nuas ou que fizessem o teste do cromossomo. Nesse teste eles procuram por uma estruturada chamada “Barr body”, que indica a presença de mais de um cromossomo X.
No entanto, atletas como a sul-africana não seriam aprovadas de acordo como esse critério. Apesar de viver como mulher, tem os cromossomos X e Y.
No ano de 2000 o endocrinologista britânico Peter Sonksen analisou os níveis de testosterona de cerca de 650 atletas olímpicos. O resultado mostrou que 5% das mulheres e mais de 6% dos homens apresentaram índices de testosterona que não condiziam como seus gêneros. “Em outras palavras”, diz o site “Slate”, “a testosterona não é diagnosticada de acordo com o sexo”.
No entanto, alguns estudos suportam a ideia de que essas atletas de elite que naturalmente têm níveis de testosterona mais altos se saem melhor do que as demais.
“Mas nós realmente não sabemos. As presunções lógicas sobre hormônios nem sempre são verdadeiras”, diz Allan Mazur, da Syracuse University.
Se a testosterona é tudo para os esportes, o que fazer? Mesmo que um alto índice de testosterona ofereça alguma vantagem, por que essas mulheres devem ser tratadas de forma diferente de outras atletas – das mais altas ou das mais resistentes?
O “Slate” tem uma opinião definitiva: “Pessoas que têm o cromossomo XX e vivem como mulheres devem competir em categorias femininas, não importa como seus corpos se apresentem ou que níveis de testosterona tenham”.
Taí uma discussão interessante. É justo?
O enigma do parece, mas não é, persiste.

2012/07/25

ME DÊ UM CONSELHO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:51

Hoje mais uma experiência e um personagem fascinantes para a coleção de figurinhas deste blog: o designer Daniel Motta.
Inspirado pela leitura das assinaturas do livro de visitantes de uma exposição que fez no metrô de São Paulo, Daniel peregrinou pela cidade durante quase dois anos com uma caixa grande e branca com a inscrição “Me dê um conselho”. Queria mais opiniões espontâneas e autênticas de gente que não conhecia.
O resultado foram muitas risadas e mais de 2.500 conselhos. Agora cerca de 250 estão reunidos no livro “Me dê um conselho”.
Os pontos foram selecionados de forma aleatória, mas eram sempre lugares com grande circulação de pessoas.
Escolhido o local, Daniel instalava a caixa e mantinha-se a uma distância de cerca de 50 metros. Ele olhava e fotografava tudo.
Os conselhos endereçados a Daniel foram bastante variados – dependiam basicamente da região da cidade – mas três temas foram recorrentes: sexo, religião e maconha.
Daniel notou que em bairros pobres ou de classe média baixa – como Parque do Carmo ou Tatuapé – os conselhos giravam em torno de religião. Já a avenida Paulista foi o local que rendeu os melhores.
Houve quem deixasse tudo, menos um bom conselho: números de telefones, pedidos de emprego e até dezenas para que ele apostasse na Megasena. No caso dos telefones, um foi depositado por uma moça recém-separada e carente. Outro pedia que Daniel entrasse em contato porque gostaria de entender o que era aquilo.
Mas foi no dia em que instalou a incrível caixinha de conselhos em casa, em sua festa de aniversário, que recebeu o conselho mais surpreendente. Nascido no dia da morte de Michael Jackson, Daniel recebeu o seguinte conselho da caixa: “Por favor, não faça aniversário no dia da morte de Maicon Jeckson!”.

Confiram alguns conselhos do livro:

“Jamais use uma frigideira nu”
“Compre ações da Petrobrás. Vale 33,90 cada e você pode vender pelo triplo”
“Pare de usar óculos sem lente… É feio e é sinônimo de idiota”
“Quando perdido, seguir em frente até chegar numa avenida mais larga”
“Mantenha-se em silêncio e em clausura dos 12 aos 17 anos”
“Cuidado para nunca embolotar”
“Aprenda qual é o negócio”
“Ame, muito”
“Cara, antes de morrer nade numa piscina de macarronada”
“Não coma terra”
“Crie um mundo particular e seja um rei bondoso com seu povo”
“Nem vem. Salgado primeiro, doce depois!”
“Saiba ser feliz s-o-z-i-n-h-o!”
“Tome banho quando sentir o seu cheiro”
“Não seja virgem”
“Não deixe uma caneta aqui, é o Brasil”
“Conselho? Ok: Conselho Regional de Psicologia”
“Larga de ser besta!”
“Não vai por mim, jovem”
“Eu que peço um agora: me ensina a ganhar dinheiro?”
“Não fale das pessoas! Fale de ideias. Não fale das coisas! Fale dos acontecimentos”
“Vire gay!”
“Tenha amigos para pedir conselhos”
“Não sei o que te dizer, mas procuro um namorado. Tenho 34 anos”
“Não brinque com fogo”
“Abrigue-se! Vai chover!”
“Não siga todos os conselhos que receber”

E o mais elaborado:
1) Vire ator pornográfico
2) Venda um rim no mercado negro
3) Aprenda croata
4) Aprenda Física
5) Faça um mochilão sem dinheiro!
6) Dê um abraço por dia
7) Compre um saco de cimento, pois nessa vida temos que contar com as coisas que vão ser concretas
8) Use protetor solar

P.S.: Legenda da foto acima: “Se você não gosta do caminho em que está andando, pavimente outro”

2012/07/24

ARTISTA OLÍMPICO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:30

Um artista encontrou uma maneira originalíssima de fazer propaganda de seu trabalho usando as Olimpíadas como álibi.
O tcheco David Cerny vai “homenagear” os Jogos Olímpicos com a escultura de um ônibus fazendo flexões de braço.
David comprou um antigo ônibus de dois andares londrino e o transformou na escultura de um atleta fazendo flexões.
O ônibus ganhou dois braços gigantes nas laterais, além de uma bundinha bem torneada.
O veículo – um modelo de 1957 adquirido na Holanda – pesa seis toneladas e é acionado a partir de um mecanismo elétrico. Mas a cereja desse bolo é que a cada flexão o ônibus solta gemidos típicos de quem está se esforçando muito.
Além da respiração ofegante acompanhada de ruídos, há um sistema de projeção de vídeo nas janelas do ônibus.
“Há um exercício comum para todo atleta no mundo: a flexão. É um treino nas atividades esportivas e, ao mesmo tempo, punição em prisões e exércitos. Então a flexão é uma atividade física universal… De uma certa maneira é muito irônico”, diz David.
A obra, chamada de “London Boosted”, está instalada em frente à vila olímpica – na área onde está a delegação da República Tcheca – em Islington, norte de Londres.
Segundo David, a ideia é que o ônibus sirva de inspiração para seus conterrâneos trazerem medalhas. “Vamos ver por quanto tempo nosso atleta vai conseguir se exercitar. Tomara que ele consiga pelas três semanas inteiras. Será o maior atleta daqui”, diz David.
O artista espera que seu ônibus vire o mascote não-oficial dos Jogos Olímpicos.

Vejam o ônibus em ação AQUI

2012/07/23

FEIURA INTERIOR

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:59

Aos poucos a gordura está sendo absolvida.
Recentemente a discussão se ela faz bem ou mal à saúde foi parar numa capa da “Veja”. De acordo com a revista, a “Ciência da Nutrição” está passando por uma reviravolta ao afrouxar as restrições ao consumo de carnes, queijos e manteiga.
Agora é a vez da revista “The New Scientist” soltar os grilhões da vilã.
Segundo um especialista em ressonância magnética abdominal, pessoas com mais gordura no corpo podem até serem mais saudáveis do que as que têm menos. Tudo depende de onde ela está localizada.
Na entrevista, o Dr. Jimmy Bell, da “Imperial College London”, diz que olhar a gordura como algo totalmente bom ou totalmente ruim é uma má ideia. O importante é prestar mais atenção na localização da gordura em nosso corpo e menos na quantidade geral dela.
“Ela não é apenas um depósito de energia – como a maioria das pessoas a vê – mas um lindo órgão que interage com o seu organismo e ajuda a manter o equilíbrio geral. A gordura controla e modula a fertilidade, o apetite e o humor. Sua resposta imunológica não funcionará perfeitamente se você não tem a quantidade certa de gordura”, diz o Dr. Jimmy.
Ele menciona que excesso de gordura no fígado é ruim, mas no bumbum ou sob a pele é ótimo.
Pessoas que têm alto índice de gordura dentro dos órgãos podem ser magras. Esse perfil de paciente é o que ele denomina “Tofi” (thin on the outside, fat inside). Por outro lado, há pacientes que podem aumentar o peso corporal e isso ter pouca influência na quantidade de gordura interna.
Gordura acumulada internamente está relacionada a diabetes do tipo 2 e doenças do coração.
Por isso é importante prestar a atenção na ingestão de gordura trans (a pior delas) e da saturada. As mono e as poli-insaturadas podem ser boas porque aumentam o bom colesterol. Mas todas elas devem ser consumidas com moderação.
Só falta a “Ciência da Nutrição” inventar a pílula da distribuição da gordura. Você come, toma a pílula e ela encaminha a banha para os locais mais necessitados.

P.S.: Legenda da foto acima: “Cansado de ser gordo e feio? Seja apenas feio!! Academia. Telefone: 251-7928”.

2012/07/22

SOM NA CAIXA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 11:15

“Cair a ficha” é uma expressão fadada ao esquecimento. Ou pelo simples fato de cair em desuso pelo surgimento de outras mais contemporâneas ou por não fazer mais sentido. A próxima geração nunca vai ter visto um telefone “movido” a ficha.
“Acertar na lata” é um bom exemplo. Alguém, além da sua avó, fala “acertei na lata”? É provável que não.
O mesmo vai acontecer com certos sons, como o de uma discagem num telefone com disco.
Até os sons vão virar peça de museu. Aliás, já viraram. Eles constituem o acervo do “Museum of Endangered Sounds” (Museu dos Sons Ameaçados de Extinção), um museu online criado em janeiro deste ano pelo estudante Brendan Chilcutt.
Sons como o de um aparelho de fax, de um modem, dos botões de caixa registradora, da agulha sobre um disco de vinil, de uma impressora matricial, do “Game boy”, da discagem num telefone com disco ou do inesquecível “Pac Man” fazem parte da coleção de sons de tecnologias ultrapassadas.
Na página inicial do site é possível matar a saudade da vinheta de abertura de um “Windows 95” clicando sobre a ilustração. Ou clicar sobre todos ao mesmo tempo e fazer uma sinfonia com ares de passado.
No site, Brendan explica que seu “plano de dez anos” é completar a coleta de dados até 2015. Nos próximos sete a ideia é desenvolver uma linguagem própria para reinterpretar os sons através de uma composição binária. Coisa de nerd.
Brendan é, de fato, nerdíssimo (a foto dele no site não deixa dúvidas). Mas no caso de alguém achar preconceito julgá-lo simplesmente pela aparência, no breve texto de apresentação ele diz que tem oito “gerbils” (bichinho que é uma mistura de hamster e esquilo) e que quando não está coletando sons seus hobbies incluem “videogames, informações sobre web design e ioga tailandesa”. E deixa um recado: “Se você não entende minha paixão e o significado do meu trabalho, provavelmente você nunca entenderá. Mas se sim, você veio ao lugar certo”.

Visitem o site do museu AQUI

2012/07/21

DEDÃO DE JARDIM

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:31

Alguns anos atrás o Brasil descobriu seu Edward Mãos de Tesoura em Brasília, um jardineiro hábil e criativo que estava dando um show de “escultura verde” ao reproduzir  pontos turísticos da capital federal nas cercas vivas.
Mas nem todo mundo aplaude uma arte mais “alternativa”. Na Inglaterra, estão querendo podar o talento de outro Edward Mãos de Tesoura.
Richard Jackson tem 53 anos e há oito exibe com orgulho suas esculturas de  jardim, entre elas, o clássico símbolo do dedão médio.
Richard, que mora em Tamworth, interior da Inglaterra, recebeu a visita de um policial após ouvir da Câmara que um vizinho sentia-se constrangido.
“Aparentemente uma pessoa ficou ofendida. A polícia disse que é uma ofensa à ordem pública. De qualquer forma, não pretendo mexer em nada. Não sou um criador de  caso e não quero ofender ninguém, mas ao mesmo tempo isso tem estado aqui há oito anos… Não entendo o motivo de alguém querer mudar um negócio que está no meu jardim”, diz ele ao jornal “The Daily Mail”.
Richard conta que alguns de seus vizinhos estão a seu favor e inclusive lançaram a campanha “Save the Bush” (“Salve o Arbusto”, ao pé da letra).
“Se mais alguém gosta e só há uma reclamação em oito anos, não acho que seja ofensa. O policial veio aqui e perguntou se eu podia fazer alterações, mas eu não vou fazer”.
Segundo Richard, seu dedo de jardim é uma espécie de celebridade local.
O dedo fica ao lado de três outras esculturas de formato duvidoso.
“Todo mundo aqui na vila vê como algo divertido, então acho um pouco mesquinho alguém reclamar”, diz ele.
Sem dúvida. Richard deve bater o pé e mostrar (cada vez mais) o dedo do meio para o vizinho incomodado. Isso só pode ser algum trauma “proctológico”.

2012/07/20

AFINAL, O QUE É PORNOGRAFIA?

Arquivado em: Matutando — trezende @ 09:56

Com a CPI do Cachoeira tão fria quanto um defunto e tão ineficiente quanto manda a tradição de investigações e punições em nossas casas legislativas, um assunto dominou as atenções na semana: o vídeo pornô de Denise Leitão Rocha, assessora do senador Ciro Nogueira.
No Brasil, é assim: pode roubar, pode colocar dinheiro na cueca, pode ser “amigo” do Cachoeira, pode meter a mão no dinheiro público, pode violar painel de votação, pode receber o Mensalão, pode tudo. A única maneira de um funcionário do Senado ser exonerado é ser pego num vídeo de sexo. Isso sim “é contra a moral e os bons costumes”.
Pelamordedeus.
O senador diz que “está avaliando” a permanência da funcionária porque não quer “um tipo de assessora que apareça mais do que o trabalho que faz”.
Das duas, uma: ou Ciro acredita em Papai Noel ou é – com o perdão da palavra, ó nobre senador – burro.
Denise já era conhecida entre seus colegas pelas roupas justas e corpo bombado de academia. Amiga de Romário, já teve fotos de biquíni divulgadas por um jornal carioca popular. O que Ciro e todo o Senado esperavam dela? Que enviasse projetos de lei para aprovação? Que soubesse recitar a Constituição de cor? Que fosse phD em Ciências Políticas e Econômicas?
Claro que não. Denise é uma cansada de guerra.
Se tem alguém que tem de ficar constrangido é o próprio Ciro Nogueira, que se encontrou com o empresário Fernando Cavendish numa viagem a Paris quando já se sabia que o dono da Delta seria investigado pela CPI.
Uma coisa é Renan ser pego com Mônica Veloso no sofá azul ou o presidente dos Estados Unidos “fumar um charuto” com a estagiária. Outra, bem diferente, é uma funcionária do Senado protagonizar um vídeo com teor sexual. Se há uma vítima, é a própria. Afinal, o filme não foi feito nas dependências do Senado, Denise é assessora de parlamentar – e não freira – e sacanagem por sacanagem essa é, pelo menos, a original.

2012/07/19

CAVALO DE TROIA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:44

Em São Paulo há uma van de hot dog em praticamente toda esquina movimentada. O “dogão”, como é conhecido, é o almoço de muita gente. Afinal, é tudo, menos um cachorro-quente.
Além dos itens tradicionais – salsicha, maionese, catchup e mostarda – é incrementado com batata palha, lascas de bacon, milho verde, estrogonofe, molho vinagrete, cheddar, catupiry, frango desfiado, cenoura ralada, ervilha, azeitona e queijo ralado.
No entanto, é provável que a maioria dos fãs do “dogão” pensaria duas vezes antes de comê-lo se soubesse como uma salsicha é feita.
Uma matéria do “The Daily Mail” conta que em resposta ao processo tradicional de fabricação, alguns gourmets no Reino Unido lançaram um movimento a favor dos hot dogs genuínos – os “frankfurters” ou “haute dogs”, feitos com salsichas alemãs.
A “nova geração” de salsichas seria feita a partir de cortes de carne de qualidade, defumada do jeito alemão e com condimentos de primeira linha.
Originais da cidade de Frankfurt, no início dos tempos os hot dogs eram simples salsichas de carne de porco no pão repartidos fora do olhar público, de graça, durante as coroações imperiais.
Vários imigrantes alemães alegam que foram eles os responsáveis pela introdução do sanduíche na América no século 19. Depois disso o lanche sofreu inúmeras mutações e se transformou no que conhecemos hoje.
“Eles são uma das coisas menos naturais que posso pensar”, diz Charlie Powell, do grupo alimentício “Sustain”.
De fato. Em grandes tonéis de metal, toneladas de aparas de carne de porco são misturadas a carcaças de frango ou peru. As carnes são trituradas até virarem uma pasta e depois recebem água, conservantes, aromatizantes e corantes.
O processo foi banido para carne vermelha depois do episódio da doença da vaca louca, mas é permitido para porcos e aves. A carne produzida a partir desse processo é dez vezes mais barata do que a normal. E, surpreendentemente, não é prejudicial à saúde. Mas recebe no rótulo a indicação de que se trata de “carne recuperada mecanicamente”.
Além da água, acrescentada para que a pasta chegue à consistência exata, são adicionados amido – fécula de batata, farinha de trigo ou farinha de rosca torrada – para que a salsicha ganhe volume. Outros ingredientes são a proteína do leite – que também ajuda na consistência do produto – nitrato de sódio – para evitar que escureçam –, aromatizantes – ervas, temperos, aipo, pó de alho, glutamato de sódio – inúmeros aditivos e estabilizantes e corantes carmin e extrato de páprica.
Além de não serem saborosas, se comidas em excesso as salsichas podem ser disastrosas à saúde.
Já existem evidências científicas de que os hot dogs – assim como toda carne processada – aumentam o risco de câncer no intestino.
A dra. Rachel Thompson, do “The World Cancer Research Fund”, diz: “Se todo mundo comesse menos de 70 gramas por semana – dois hot dogs – teríamos 4 mil casos a menos de câncer de intestino no Reino Unido todos os anos”.
Carne de cavalo? Antes fosse.

2012/07/18

OCUPADOS DA SILVA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:47

A porta da geladeira é o retrato perfeito da vida da classe média. Pelo menos da americana.
É o que conclui um estudo de arqueólogos e antropólogos da Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, que acaba de virar livro: “A vida caseira no século 21: 32 famílias abrem suas portas”.
Os cientistas passaram quatro anos acompanhando todos os passos de 32 famílias de classe média em Los Angeles e parte de Boston e concluíram que as pessoas estão muito ocupadas – e desorganizadas. Estão ocupadas demais para irem a seu próprio quintal, jantarem juntas e até para estacionar o carro porque a garagem está lotada de outras coisas – que não seus automóveis.
Os pesquisadores filmaram as atividades dos integrantes das famílias (1.540 horas de vídeo), documentaram suas casas (20 mil fotografias), jardins e algumas atividades fora de casa. Amostras de saliva foram retiradas para medir os níveis de hormônios do estresse.
Os resultados mostram que o crescimento de lojas de venda por atacado proporcionaram o armazenamento de tudo – de alimentos a produtos de limpeza. Dar conta da quantidade de pertences virou um grande problema e chegou a elevar os níveis de estresse de algumas das mães analisadas.
Apenas 25% das garagens podem receber um carro – a maioria virou depósito.
Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a quantidade de brinquedos que as crianças têm.
Mesmo famílias que investem em decoração externa estavam muito ocupadas para irem lá fora e curtirem seu novo deck.
Comida? Só congelada. E a porta da geladeira não mente: lotada de ímas, fotos de família, números de telefones e contas a pagar indica que o resto da casa está num caos similar.
“O objetivo era documentar o que está bem na nossa frente, mas invisível. O que temos é uma cápsula do tempo da América. Nenhum outro estudo assim foi feito antes. Imagine como seria excitante voltarmos a 1912 e ver como as pessoas viviam dentro de casa. Este é o âmago de qualquer sociedade”, diz Jeanne E. Arnold, professora de Antropologia da UCLA e chefe do estudo.
Jeanne conta que ficou admirada com o jeito que as famílias lidam com suas vidas ocupadas, mas mesmo assim o livro apresenta um quadro de uma sociedade consumista, crianças que raramente saem de casa, pilhas de tranqueiras e paredes inteiras cheias de brinquedos.
“Cerca de 50 de 64 pais que participaram de nosso estudo nunca saíram de casa no espaço de uma semana. Quando apresentavam a casa para a gente diziam: ‘Aqui é o quintal, mas eu não tenho tempo para vir aqui’. As pessoas têm trabalhado muito em casa. O tempo de lazer é gasto em frente da TV ou do computador”.

2012/07/17

SUPER-HUMANOS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:31

Vale tudo na busca da perfeição pela beleza, pela inteligência e pela saúde de ferro – apesar de muita gente achar que não. Se o ser humano tivesse se contentado com as condições de seu nascimento – careca, sem dente e pelado – provavelmente não estaríamos aqui para contar história.
Óculos, batons, dentes postiços, próteses para diversas partes do corpo, salto alto, remédios, pílula anticoncepcional e para disfunção erétil e até o telefone celular são artefatos que ajudam na nossa “humanidade”.
Nesta quinta-feira será inaugurada em Londres a exposição “Superhuman”, dedicada “aos métodos extraordinários que usamos para melhorar, adaptar e superar a performance do corpo e nosso desejo ilimitado em sermos o melhor que podemos. Ela explora a relação de simbiose entre os homens e a tecnologia”.
A exposição vem bem a calhar com o início dos Jogos Olímpicos.
O acervo é variadíssimo e mostra desde as primeiras invenções dos egípcios até objetos nanotecnológicos. São mais de cem itens entre artefatos, vídeos, fotografias, dispositivos médicos e recortes de jornal – como um de 1978 que informa sobre o nascimento de Louise Brown, o primeiro bebê de proveta.
Além das inúmeras próteses – mãos, braços e pernas biônicas –, aparatos para crianças que sofreram com a talidomida e para vítimas de sífilis, há fotos das primeiras rinoplastias, um sapato plataforma de Vivienne Westwood e gibis de super-heróis que ilustram nossos sonhados superpoderes.
A exposição quer mostrar também que a ideia da busca constante pela melhoria ou pela perfeição não nasceu do século 20 para cá. Esse desejo vem desde nossos ancestrais mitológicos.
The best is yet to come. Or the worst? Nunca saberemos.

Vejam parte do acervo AQUI

2012/07/16

CONGELA!

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 08:30

E não é que “A Era do Gelo” está nas paradas de novo? E pela quarta vez?
O início é promissor. O filme começa na pangeia causada pelo esquilo Scrat ao perseguir uma noz e com a chegada da família de Sid – o bicho-preguiça tão falante e desajustado quanto o burrinho de “Shrek”.
Mal aparecem, os familiares de Sid se mandam. Tempo suficiente para deixar a vovó-encrenca aos cuidados do neto Sid.
Mas o que parecia ser uma animação que acompanharia as (des) aventuras da dupla resvala para o de sempre: correria desatada do início ao fim. É tanto corre-corre que saímos do cinema cansados, tontos – se a sessão for em 3D – e cheios de perguntas.
Por quê? Por quê? Por quê?
Por que insistir na ideia do esquilo que persegue a noz pela quarta vez? A premissa é realmente sensacional, mas contar a mesma piada duas vezes raramente funciona.
Por que roteiristas e diretores acham que são necessárias sequências de ação infindáveis? Esquecem-se de que crianças também gostam de ouvir historinhas. E o mais importante: quem as leva ao cinema são os pais. Portanto, para que tanta gritaria e sebo nas canelas?
Por que não apostar mais em situações que deem margem a diálogos senão engraçados, pelo menos “engraçadinhos”?
Tanto Sid quanto a avó renderiam inúmeras cenas assim. Ambos são sem-noção e por isso são abandonados pela família. São eles os responsáveis pelas poucas risadas do filme – quando conseguem abrir a boca.
Por que a mania de inserir um musical lá pelo meio do filme? Será regra de algum estúdio de animação? Talvez esteja escrito em algum termo que desconhecemos: “Para constar da categoria ‘Animação’ é necessária, além da inserção de muita correria, pelo menos um número musical. Mesmo que não faça sentido à trama”.
Enfim, “A Era do Gelo 4” é menos pior do que a sequência anterior – dirigida, aliás, pelo brasileiro Carlos Saldanha, do chatíssimo “Rio” –, mas ainda assim dispensável. Não esperem o humor sutil e a erudição de um “Toy Story”.
E, finalmente: por que teremos de aguentar mais uma sequência? Sim, a tortura não tem hora para acabar.
“A Era do Gelo 5” vem aí.

Acima, a melhor cena do filme: o banho da vovó

2012/07/15

HOW DO I LOOK?

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:10

Quer chamar a atenção? Pendure uma melancia no pescoço. Funciona.
É o que Gordon Stettinius tem feito para ser notado no mundo dos profissionais da fotografia nos Estados Unidos.
Há cinco anos o fotógrafo e professor da Universidade Commonwealth, Virgínia, tem mandado intencionalmente péssimos retratos em que ele aparece em diversas situações e caras.
“Assino as fotos como se eu fosse aquela pessoa”, diz Gordon à revista “Wired”. Até o momento ele já criou 26 personagens.
Gordon dá vida a seus alteregos de diversas formas. Além da óbvia escolha do figurino e do cenário, ele muda o formato da barba, do cabelo (faz permanente, deixa mullets ou corta moicano), bronzeia-se e principalmente muda a expressão facial.
As imagens são feitas no estúdio do fotógrafo Terry Brown, o “Mangini Studio”, daí o nome da série: “Mangini Studio Series”. Os dois se encontram a cada dois meses para inventarem novos personagens.
Todos os “looks” são acompanhados de uma carta. Mas nem todos os destinatários entendem a piada. “Um galerista de Los Angeles me disse para eu nunca mandar nada pra ele. Nunca. Para esse eu tenho de enviar um email com acompanhamento”.
A carta que seguiu junto com a do lutador “Gringo Starr” incuiu algumas “fofoquinhas”, como o autor favorito (Margaret Atwood), seus hobbies (coleciona estátuas que são parte mulher, parte outra coisa), e notícias sobre lutas com Johnny Tempest ou Cinder Ellis.
“Estamos felizes com a qualidade das imagens porque o resultado ficou mais parecido com o de uma propaganda de um estúdio genérico do que com um trabalho fotográfico de qualidade. O coeficiente brega é alto”, diz Gordon.
Agora a dupla está cogitando lançar um livro com os personagens.

Vejam as fotos AQUI

2012/07/14

O HERÓI NO DIVÃ

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:42

Ele usa máscara e capa de morcego em público. Na infância presenciou o assassinato de seus pais. Na fase adulta coloca a vida em risco.
Batman pode até ser um personagem de ficção, mas a personalidade dele é um terreno fértil para a análise de psicólogos.
Robin (!?) Rosenberg, psicanalista da Califórnia, lançou-se no desafio e escreveu o livro “What’s the Matter With Batman?: An Unauthorized Clinical Look Under the Mask of the Caped Crusader” (“O que há de errado com Batman?: Um olhar clínico não-autorizado por baixo da máscara do paladino de capa”).
O livro – lançado em junho nos Estados Unidos – é altamente indicado para estudantes de Psquiatria, Psicologia e afins, já que faz uma análise de certos aspectos da personalidade do Homem-Morcego. Não se trata de uma obra conclusiva a respeito da saúde mental dele.
Robin baseou seus estudos nos filmes e nas histórias em quadrinhos. Cada capítulo do livro aborda um transtorno ou um espectro de transtornos que Batman possivelmente tenha: depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático, distúrbio de personalidade pós-traumático.
Entre 8 e 10 anos de idade ele foi testemunha do assassinato de seus pais durante um assalto. Como resultado, ele comprou a briga contra o crime. “Ele é o garoto-propaganda do crescimento pós-traumático”, define Robin Rosenberg.
Ela explica que o termo descreve o processo de fortalecer-se e desenvolver novos objetivos e crenças tirando proveito de experiências traumáticas. “No mundo real não é incomum certas pessoas se envolverem com o ativismo social. Acho que é isso o que faz dele um personagem tão persuasivo”, diz Robin. “Assim como várias pessoas colocam a vida em risco diariamente – bombeiros, policiais ou militares – há algo cativante neste nível de dedicação”.
Mas a capacidade de Batman de se colocar à prova em nome dos outros também levanta a questão: o altruísmo ao extremo é um distúrbio?
Em sua análise, Robin se dedica a traços que parecem estranhos no herói, características que talvez possam ser interpretadas como sinais de distúrbio psicológico.
Sobre a capa, Robin diz que a fantasia é antes de tudo um uniforme. “Como um uniforme policial, pretende intimidar, chamar a atenção e mandar uma mensagem particular às vítimas e aos criminosos”, explica ela.
Já o temperamento sério, o sentimento de culpa em relação à morte dos pais e seu desapego podem ser lidos como sinais de transtorno de estresse pós-traumático (em inglês, PTSD).
“Entorpecimento emocional é um sintoma de PTSD e isso envolve um senso de distanciamento de terceiros e expressão de sentimentos limitada”, diz Robin.
“No entanto, essas características não são sinais conclusivos do transtorno – ainda que nossa tendência cultural seja a de rotular comportamentos distintos como resultado de problemas psicológicos”.
A verdade é que o senso comum já diz tudo: um homem que veste a cueca por cima da calça não pode ser normal.
A dra. Robin Rosenberg é fissurada no tema e a psicologia de heróis e personagens populares é seu assunto favorito. Ela é autora e editora de uma série a respeito do tema em parceria com a editora da Universidade de Oxford e já escreveu, por exemplo, “A Psicologia da Garota com a Tatuagem de Dragão”.

2012/07/13

PARA MÉDICOS E LOUCOS

Arquivado em: Folheando — trezende @ 10:38

Hoje um tema bem adequado à Sexta-Feira 13: o “Complete Manual of Things that Might Kill You – A Guide to Self-Diagnosis for Hypochondriacs” algo como “O Manual Completo de Coisas que Podem Matá-lo – Um Guia de Autodiagnóstico para Hipocondríacos”.
Segundo o site da “Amazon”, “durante muito tempo o hipocondríaco teve de se contentar com o material de referência médica escrito para as massas, mas esse livro revolucionário é dedicado inteiramente à perspectiva do hipocondríaco”. Afinal, “todos vamos morrer de alguma coisa – então por que não escolher o nome de uma doença rara e difícil de pronunciar?”.
Apesar de superbem ilustrado, organizado e carregado de informações técnicas verdadeiras e muito úteis, no prefácio a editora deixa claro que se trata de um livro com propósitos recreativos.
No início, explicações sobre o que é hipocondria, sua história e como reconhecer um hipocondríaco.
Usado pela primeira vez por Hipócrates no século 4 antes de Cristo, o termo “hipocondria” não se referia àquele que teme doenças em geral. Estava relacionado às desordens digestivas e envolveriam o fígado, o baço e a vesícula.
Acreditava-se que os humores – fluidos corporais – que emanavam do hipocôndrio (que reveste a cavidade gástrica) causavam problemas físicos e emocionais.
A hipocondria só passa a ser relacionada à preocupação excessiva com a saúde no século 2 pelo filósofo e médico romano Galeno, que a associou à melancolia.
O livro traz também um teste para o leitor identificar se sofre do problema, o “The Whiteley Index”. Desenvolvido em 1967 pelo doutor Issy Pilowsky, foi publicado pela primeira vez no “Jornal Britânico de Psiquiatria”.
Os capítulos – divididos de acordo com as partes do corpo e os sintomas – seguem o padrão: “Cabeça: Se você sofre dor de cabeça talvez você tenha…”. As opções são bem animadoras: tumor cerebral, encefalite…
Alguns capítulos são classicamente hipocondríacos (“Aperto de mão mortal: A etiqueta pode ser fatal”), mas outros são muito úteis, como o que fala dos dez erros médicos mais comuns, dos suplementos desnecessários, de intoxicação alimentar e de doenças sexualmente transmissíveis.
Mas o guia não é só tragédia. Ele enumera alguns benefícios de ser hipocondríaco, como aumentar a atenção com a saúde, desenvolver o conhecimento sobre esse assunto, ajudar na vida social e até desenvolver a imaginação.
No fim um extenso glossário com termos médicos e um índice com mais de 300 doenças para o hipocondríaco se refestelar.

2012/07/12

COMO TECER UMA TEIA

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:32

Homem-Aranha. Esse é o cara. E agora ele é espetacular.
O conselho para quem não gosta de filmes de ação, não é especialista em quadrinhos, não pretende assistir porque acha que já viu essa história antes e tem preconceito com blockbusters é: vá.
“O Espetacular Homem-Aranha” está espetacular.
O filme tem alguns ingredientes fundamentais para o sucesso: muito humor, romance e uma história bem contada com princípio, meio e fim. Tudo isso sem perder sua característica primordial: a ação.
O maior acerto de “O Espetacular Homem-Aranha” é fazer de forma diferente o que já foi feito. Ponto para o trio de roteiristas e para o diretor Marc Webb (do fofo “500 Dias Com Ela”), que encaram o desafio com muita criatividade. A maior lição deixada pela equipe é que nem tudo precisa ser dito. A sugestão é mais inteligente e fascinante.
Outro mérito da nova versão é que os produtores abriram mão de grande parte dos efeitos especiais e dos recursos tecnológicos. Há, obviamente, muito efeito – afinal é preciso mostrar um homem que escala prédios e voa em cipós de teia – mas sem abusos.
Desta vez o herói é mais falível. Ele cai, se rala inteiro, manca, apanha e leva tiro. Enfim, é um Homem Aranha de carne e osso. Mais osso do que carne. O protagonista – Andrew Garfield – é um saquinho de ossos. Porém, muito carismático. Desengonçado, parece ter pouca bundinha para encher o collant. Mas enche.
A parte estranha, mas que não chega a comprometer o filme, é que há pelo menos dois acontecimentos diferentes que levam à formação da identidade do Homem-Aranha – se levarmos em consideração o que se passou numa das sequências anteriores (talvez a de 2002).
O primeiro é que Peter Parker era embutido dos poderes aracnídeos após uma aula de laboratório na faculdade – quem não se lembra da cena da aranha descendo na teia e entrando por trás do pescoço dele? O outro é que a morte do tio Ben acontece em circunstância diferente da que já havia sido mostrada.
Mas nada disso importa porque são diferenças muito pontuais. A essência do Homem-Aranha está lá. Apesar de o objetivo ser o mesmo – recontar as origens do herói –, a franquia é outra, o elenco é outro e o diretor é outro.
Um destaque? O primeiro terço do filme, que mostra o herói conhecendo suas habilidades.
Imperdível.

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