O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/06/12

TÁ NA CARA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:04

Imagine ser convidado para jantar na casa de um amigo e terminar a noite servindo de cobaia para um experimento científico?
Dependendo do amigo, do tipo de pesquisa e do cardápio a gente pode até avaliar o convite – e ainda entrar para a História.
Pois foi justamente o que aconteceu a 24 amigos do naturalista inglês Charles Darwin entre março e novembro de 1868.
Entre o prato principal e a sobremesa, eles viraram cobaias para uma pesquisa de Darwin sobre expressões faciais. Os amigos não tiveram de se submeter a nada parecido com o que o fulano da foto acima sofreu, mas sim avaliar que tipo de sentimento eles conseguiam identificar nas caras e bocas desse coitado.
Tudo para o livro “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais”, publicado em 1872.
A pesquisa analisou vários aspectos. Um deles consistia em interpretar as fotografias de um homem cujas partes do rosto eram estimuladas através de choques elétricos.
As imagens, feitas pelo fisiologista francês Benjamin Duchene, mostravam o homem em seu estado normal e depois sob o efeito do choque.
Além das fotos, Darwin observou o choro de seus filhos pequenos (dez!), as reações de seus cachorros e o mais legal: elaborou um questionário que foi aplicado por missionários, naturalistas e funcionários do governo inglês entre povos de diferentes origens: aborígenes da Austrália, maoris da Nova Zelandia, China, Índia, Ceilão, nativos do Nilo na África do Norte e vários outros.
Dentre as perguntas: “A vergonha produz enrubescimento quando a cor da pele permite percebê-lo? Se sim, até onde este desce pelo corpo?”; “Quando se concentra ou tenta resolver algum problema, ele franze o cenho ou enruga a pele debaixo das pálpebras inferiores?”; “Quando satisfeito, brilham seus olhos, enruga-se a pele em volta destes e retraem-se os cantos da boca?”; “O riso pode chegar ao extremo de fazer com que lacrimejem os olhos?”; “As crianças quando emburradas fazem bico ou contraem fortemente os lábios?”.
Graças à ajuda de dezenas de colaboradores ao redor do mundo, Darwin chegou à conclusão de que nossas expressões são resquícios herdados de nossos antepassados e são comuns ao Homem e a outros animais. Muitas delas são inatas e não aprendidas, já que se repetem em homens das mais variadas culturas.
Assim como os homens, os animais também sentem raiva, medo, ciúme e manifestam tudo por meio das expressões.
Entre outubro do ano passado e março deste ano a Universidade de Cambridge atualizou o estudo. Foi o “Darwin Correspondence Project”, que recriou a pesquisa utilizando as mesmas fotos feitas pelo fisiologista francês. Só que em vez de 24 participantes, colheu a opinião de mais de 18 mil pessoas.
Darwin morreria de inveja. Ou de orgulho?

P.S.: Sobre os jantares, assim Jane Gray (esposa do botânico Asa Gray), descreve um deles: “O senhor Darwin trouxe umas fotografias tiradas por um francês dando choques elétricos a certos músculos no rosto de um velhote para perceber se lemos com clareza as expressões que o estímulo de tais músculos deveria produzir. Foram curiosos os diferentes significados. E, quando chegou o jantar, muitos de nós estavam a tentar mexer certos músculos à frente dos copos”.

Vejam as fotos AQUI

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1 Comentário »

  1. Interessantíssimo este estudo!
    A pergunta inevitável: será que nossas expressões também “evoluem” com o tempo, ao termos contato com outros povos e vivermos na era da informação? Seria interessante verificar essas “mutações” de liguagem corporal.

    Comentário por Ricardo Rezende — 2012/06/13 @ 19:42


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