O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/05/25

ENTRE A BALBÚRDIA E O SILÊNCIO

Filed under: Matutando — trezende @ 07:29

O que é uma CPI senão um grande circo? A comissão recebe os poderes de investigar, de ouvir testemunhas e investigados, de requisitar documentos sigilosos e até de quebrar os sigilos bancário e fiscal dos acusados. Ao final de seis meses entrega suas conclusões ao Ministério Público e aí… só Deus sabe. Raramente o desprendimento de dinheiro público e a energia da imprensa e da população que acompanha as investigações são recompensados. Quando muito, um paga o pato e pronto. Vamos pedir uma pizza.
No caso desta CPMI, ela tem até outubro para produzir seus resultados. Chegam as eleições, chega novembro, chega o Natal e aí já era. Em março de 2013 ninguém mais se lembra quem é Carlinhos Cachoeira – principalmente porque até lá já teremos um novo escândalo.
A CPI é o palco que todo político (gaiato ou não) sonha. É o melhor momento para proferir frases de efeito, de bater boca por bobagem, de dar murros na mesa, de se posicionar numa bancada bem ao alcance das câmeras de TV, de portar uma cara de inteligente ou de formular uma pergunta para colocar o acusado contra a parede mesmo sabendo que ele não a responderá.
Como estamos em ano de eleição, os componentes acima podem ser multiplicados por três.
Na ânsia em não desperdiçar os holofotes, quase todos perdem a linha. Infelizmente a imprensa embarca no circo e publica tudo em forma de “galeria de personagens da CPI”.
Uma pena. Um evento que deveria ser tratado de maneira séria tem seu foco desviado para amenidades e fofocas. Saber se a mulher de Cachoeira vai posar para a “Playboy” passa a ser assunto de interesse nacional. E Demóstenes, por onde anda?
Nada disso é novidade para quem acompanha as CPIs – que desde 2005 têm se mostrado muito mais eficazes como propaganda política do que o próprio horário eleitoral gratuito.
Não é surpresa o acusado ser convocado para um depoimento e permanecer calado, como fez Carlinhos Cachoeira nesta semana devidamente resguardado pela lei e pelos seus advogados.
Enquanto Cachoeira fazia cara de paisagem, nos bastidores é possível imaginar o batalhão de gente contratada para fazer sumir – também silenciosamente – documentos secretos.  
Em meio a toda a palhaçada, o senador Álvaro Dias foi o único que se demonstrou sensato: “O que estamos a fazer aqui, diante de um marginal que sai da [penitenciária] da Papuda e mantém-se com a arrogância dos livres?”.
Boa pergunta. É justamente esta questão que nos fazemos a cada CPI instalada.
A surpresa ficou por conta da atuação de Márcio Thomaz Bastos na defesa de Carlinhos Cachoeira. O advogado foi ministro da Justiça do governo Lula por quatro anos e era considerado, pelo menos até este acontecimento, um homem sério e cheio de credenciais.
Mas depois dessa, com que cara olhar para Thomaz Bastos?
Das duas, uma: ou ele está passando por imensas dificuldades financeiras e precisa de clientes para pagar suas contas ou perdeu o juízo. Melhor não acreditar na terceira hipótese: a de que ele receberá milhões de dólares para defender o indefensável.

P.S.: No final de semana estarei offline. Até segunda!

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1 Comentário »

  1. Concordo inteiramente. Muito lúcida a analise. CPIs perderam a credibilidade.

    Comentário por Rodolfo — 2012/05/25 @ 08:49


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