O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/05/14

REINANDO ABSOLUTO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 08:51

Quem espera alguma purpurina ao som de “It’s Raining Men” vai ficar chocado. “Priscilla – Rainha do Deserto” é muito mais do que um espetáculo alegre (o verdadeiro significado da palavra “gay”). É um show de profissionalismo, de teatro, de criatividade, de interpretação, enfim, de musical.
Baseado no filme homônimo de 1994, “Priscilla” é um musical australiano de sucesso que chega ao Brasil apenas um ano após estrear na Broadway.
Na história, duas drag queens e uma transexual de Sidney são contratadas para um show num cassino em Alice Springs, cidade localizada no deserto australiano. O caminho é marcado por discussões, perrengues e surpresas. Priscilla é o apelido do ônibus no qual elas viajam, cuja parte posterior traz a seguinte inscrição: “Entrada traseira permitida”.
Tudo é primoroso em “Priscilla”: os figurinos coloridos e criativos, a iluminação com milhões de pontos de leds, as soluções técnicas (como uma esteira no chão do palco que se torna um grande curinga), os cenários (cujo destaque é um ônibus de oito toneladas), as tiradas espirituosas do texto e as músicas. Tem até chuva de papel picado.
Mesmo com o acidente de Danielle Winitz e Thiago Fragoso em “Xanadu”, o cabo de aço não perdeu espaço no meio musical. Pelo jeito, é tendência. Em “Priscilla”, as cantoras Simone Gutierrez, Priscila Borges e Lívia Graciano fazem suas aparições de divas por cima, sempre sustentadas por cabos de aço.
O elenco – formado por 28 pessoas, entre atores, cantores e bailarinos – conta com nomes de peso como Saulo Vasconcelos (desta vez reles coadjuvante) e Simone Gutierrez (a baixinha de “Hairspray”), mas as grandes surpresas são André Torquato e Ruben Gabira.
Ambos fazem parte do trio de protagonistas, que tem ainda Luciano Andrey.
André Torquato hipnotiza. Aos 18 anos, canta e dança como se tivesse 52 e é o carisma em pessoa. Uma busca rápida na internet revela que ele integrou o elenco dos musicais “Gypsy” (no qual dava show de sapateado), “A Noviça Rebelde” e “As Bruxas de Eastwick”, mas Felicia/Adam é seu primeiro protagonista.
A cena em que ele surge em cima do ônibus num salto prateado gigantesco – cuja extensão desliza sobre as primeiras fileiras da plateia – é sensacional.
André tem tudo para ser um dos principais nomes dos musicais no Brasil.
Ruben Gabira também impressiona como Bernadette, uma transexual mais “madura” que é praticamente uma sósia do cartunista Laerte na versão “crossdresser”. O ator tem 52 anos, mas mostra um vigor de 18. Ruben pode parecer um rostinho novo para quem é espectador de musicais, mas está na pista há muitos anos. Ele integrou o elenco de “Chico Total” e morou em Viena (Áustria) por 12 anos, onde participou de alguns musicais.
No repertório, clássicos como “I Will Survive”, “Like a Virgin”, “It’s Raining Men”, “Girls Just Wanna Have Fun”, “I Love the Nightlife” e “I Say a Little Prayer”.
Imperdível, imperdível, imperdível.

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