O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/05/10

EPOPEIA BRASILEIRA

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:54

Vira e mexe Sílvio Santos lança a pergunta nos intervalos de seu “Roda a Roda Jequiti”: “Quem é o maior brasileiro de todos os tempos?”.
Quem ainda não tem candidato, este blog está fazendo boca de urna: votem nos irmãos Villas Bôas.
Se é injusto rotulá-los como os maiores que já existiram diante de tantos outros brasileiros importantes, suas histórias de vida mereceriam, no mínimo, o Troféu Imprensa.
Eles são os personagens principais de “Xingu”, com direção de Cao Hamburguer.
O filme estreia em momento mais do que oportuno. É provável que a intenção fosse levar o filme às telas em 2011 (quando completaram-se 50 anos da criação do Parque Nacional do Xingu), mas por razões que os cineastas conhecem muito bem, “Xingu” entrou em cartaz no mês passado.
Sem querer, o filme estreou em meio às polêmicas sobre a reformulação do código florestal brasileiro. Aliás, muitos dos que repetem como papagaio “Veta, Dilma” deveriam assistí-lo.
O principal serviço prestado por “Xingu” é nos tirar da ignorância. Ou alguém sabia que eram três e não dois os irmãos Villas Bôas? Além de Orlando e Cláudio, havia um terceiro elemento: o caçula Leonardo.
Orlando (Felipe Camargo) tem mais o perfil do chefe, do diplomata. Cláudio (João Miguel) é o idealista e Leonardo (Caio Blat) é retratado como “o irresponsável”. Após engravidar uma índia, os outros dois decidem dispensá-lo da expedição. Pouco tempo depois Leonardo morre, vítima de um ataque cardíaco.
Pode-se dizer que os irmãos Villas Bôas são os Pedros Álvares Cabrais do Brasil. Em 1944 alistam-se para participar de uma expedição pela região central do país por puro espírito aventureiro.
Pegam facões e cantis, vestem-se com botas e chapéus e saem em busca do desconhecido a bordo de botes construídos com troncos de árvores (essa é a ideia vendida pelo filme. Se existia alguma outra motivação para os três irmãos ela permanece oculta).
Uma vez estacionadas as caravelas, estabelece-se o contato com os índios. O estranhamento vira encantamento e tão logo começam a surgir os elos entre os dois, aparecem também os problemas, como um surto de gripe que mata quase toda uma aldeia.
“Xingu” mostra os irmãos Villas Bôas como pioneiros descobridores e não como colonizadores e heróis. Em 1952 eles apresentam o projeto de criação de uma reserva indígena, mas apenas nove anos depois o sonho sai do papel: em 1961 Jânio Quadros aprova a demarcação do Parque Nacional do Xingu.
“Xingu” foi filmado em quatro meses em condições inóspitas no centro-oeste do Brasil. As paisagens são belíssimas. Os atores Felipe Camargo, João Miguel e Caio Blat estão excelentes e há muita veracidade nas cenas envolvendo os índios e as locações (praticamente todas reconstruídas pela equipe). O único tropeço é querer contar 30 anos em duas horas.
Não percam.

Visitem o site do filme AQUI

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