O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/05/07

PAPO ARTIFICIAL

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 08:06

Para uns, “Paraísos Artificiais” é só uma frase perdida numa das músicas de Marina Lima. Para outros, é o nome de um livro de Charles Baudelaire com ensaios sobre drogas de sua época: o ópio, o vinho e o haxixe.
Mas para Marcos Prado é o título de seu primeiro filme de ficção. Produtor dos dois “Tropa de Elite” e diretor do documentário “Estamira”, desta vez ele também é um dos roteiristas.
“Paraísos Artificiais” é daqueles filmes que vai fazer com que pais de adolescentes não durmam por uma semana. Ele mostra que, no fundo, nossa geração difere muito pouco da dos anos 60 e 70. O lema “sexo, drogas e rock and roll” sofreu uma alteração mínima: “sexo, drogas e música eletrônica”.
As roupas e a busca pela liberdade continuam, mas se a juventude do passado fazia a cabeça com maconha, cogumelos, LSD e ácido, a de hoje tem mais brinquedinhos nesse playground. Além de gota, doce e pó (GHB, ectasy e cocaína), há uma infinidade de siglas que representam substâncias com efeitos fulminantes.
Talvez a maior mudança de uma geração para outra seja o poder letal de tudo o que é consumido para alterar a consciência.
Marcos Prado afirmou em entrevistas que a ideia não era fazer apologia às drogas. Mas é o que o filme acaba fazendo. Apesar de mostrar os efeitos desastrosos que elas podem provocar, em “Paraísos Artificiais” elas sempre são consumidas por gente bonita em lugares idem (Amsterdã ou numa praia paradisíaca) e em situações de extrema alegria e celebração.
O cineasta disse também que as partes de sexo e nudez do filme são “como um grito contra a caretice e o puritanismo do cinema nacional”.
Pelo jeito Marcos Prado – apesar de trabalhar com cinema – tem prestigiado bem pouco as produções nacionais.
Só para citar um exemplo recente, “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios” conta com cenas de sexo explícitas entre Camila Pitanga e Gustavo Machado. O filme ainda está em cartaz para quem quiser conferir. Sem falar da ousadia de Deborah Secco em “Bruna Surfistinha”.
Fato: justificar a nudez da mocinha da novela das seis com o argumento de ser uma voz contra o puritanismo e a caretice não colou. Talvez fosse menos hipócrita dizer que sexo sempre atrai mais público para as salas.
Aliás, desde os tempos em que Xuxa ainda era “Pixote” o cinema brasileiro nunca perdeu essa característica.
Os pontos altos de “Paraísos Artificiais” são a esplêndida fotografia de Lula Carvalho e o trio de protagonistas, que à exceção de Nathalia Dill é composto de novas caras.
A novata Lívia de Bueno está bem à vontade e convincente em sua estreia no cinema, bem como Luca Bianchi. Já Nathalia deixa em casa o lado “Santinha” e chama a atenção pela aparência morena e “estragada” que requer o papel de uma DJ.
A naturalidade demonstrada pelos três em cena se explica por uma fofoca: muito antes de trabalharem juntos no cinema Nathalia e Luca tiveram um rápido affair atuando numa peça teatral. Hoje Luca é namorado de Lívia.
A dica para assistir a “Paraísos Artificiais” é esquecer o papo artificial do diretor e embarcar no que o filme tem de filme.

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1 Comentário »

  1. Huuummm…não sei… não vi e não gostei…

    Comentário por picida ribeiro — 2012/05/07 @ 11:07


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