O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/05/05

A PELE QUE HABITO

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:58

Na semana passada, a gigante de comésticos “Lush” virou o rosto para o lado feio da indústria da beleza.
A vitrine de uma das lojas mais movimentadas da marca – a da Regente Street, em Londres – foi transformada num palco de crueldade. O que se viu despertou a atenção dos passantes.
A artista e estudante de escultura Jacqueline Traide, de 24 anos, apresentou uma performance horrorosa que durou cerca de dez horas. Nela, a artista tomou injeções, foi asfixiada por loções, teve a cabeça raspada e os olhos esguichados por produtos que lhe causaram irritações.
O “teste de laboratório com plateia” foi parte de uma campanha promovida pela “Lush” e pela “Sociedade Humana Internacional” e o objetivo era chamar a atenção para os procedimentos de tortura a que os animais são submetidos pela indústria da beleza.
Vestida apenas com um “body” cor da pele, Jacqueline encenou diversos testes com a participação de Oliver Cronk, também artista, que fez o papel do técnico de laboratório.
O momento mais surpreendente foi quando o “técnico” agarrou a cabeça da “animal” e, usando um barbeador elétrico, raspou-lhe uma faixa de cabelo. O procedimento – corriqueiro nos laboratórios – é realizado todas as vezes que um eletrodo tem de ser colado na pele das cobaias.
Jacqueline deixou bem claro que nem todo o sofrimento estava sendo encenado.
Apesar de os testes em animais serem proibidos na Europa, na Inglaterra é legal vender produtos fabricados em outras partes do mundo (como Estados Unidos, Canadá e China) que são testados em animais.
Conforme o esperado, a performance causou rebuliço. A “Associação de Cosméticos, Artigos de Toalete e Perfumaria” mostrou preocupação com o fato de que a encenação pudesse levar às pessoas ao engano e argumentou que esse tipo de teste está proibido na Inglaterra desde 1998 (e desde 2004 na Europa toda).
Houve quem dissesse que a ideia de igualar a tortura humana às experiências com animais foi um pouco demais. Outros acharam que foi uma ótima maneira de chamar a atenção para algo que, apesar de banido, continua a ser praticado.
Mas o que melhor resume o espírito do show é o comentário do gerente da campanha, Tamsin Omond: “O mais irônico é que se fosse um Beagle que estivesse aqui na vitrine fazendo tudo isso a polícia e a Sociedade Protetora dos Animais estariam aqui em poucos minutos”.

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