O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/05/31

MARKETING CIENTÍFICO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:08

Diariamente somos bombardeados com a publicação de estudos e pesquisas absurdas. Algumas são absolutamente inconclusivas e polêmicas – o ovo, afinal, faz bem ou mal à saúde? – e outras são uma bobagem – “cabelo abdominal é o principal responsável pelo acúmulo de sujeira no umbigo”.
Pesquisas inúteis sempre existiram e vão continuar a ser feitas. A dúvida é por que jornalistas insistem em publicá-las. Falta de assunto ou marketing descarado? Segundo o jornalista Daniel Engber, a segunda opção.
Num artigo para o site “Slate” intitulado “Dodgy Boffins” (algo como “Cientistas Suspeitos”), Daniel questiona o que há de errado com o Jornalismo científico na Inglaterra.
No início ele diz que sua ideia era escrever uma coluna sobre um estudo chamado “Regra dos Cinco Segundos”. De acordo com esse estudo – realizado por cientistas da Universidade Manchester Metropolitan – se um certo tipo de alimento cai no chão ele pode ser consumido sem problemas se for apanhado em até cinco segundos.
O estudo constatou que os alimentos com teor elevado de sal ou açúcar (como biscoitos ou presunto) são mais seguros porque a chance de bactérias nocivas sobreviverem é menor. Já itens como frutas secas e macarrão cozido contaminam-se com facilidade.
“O ‘Huffington Post’ publicou a história, assim como (o site) ‘Gizmodo’, o ‘Good Morning America’ e o ‘Today Show’. Mas a pequisa – se esta for a palavra mais apropriada para usar aqui – é podre desde o início”, diz Daniel Engber.
Ele escreve que o primeiro sinal de alerta é o assunto: “A ‘Regra dos Cinco Segundos’ já foi testada, explicada e desmascarada várias vezes desde que sou jornalista”. Até uma menina de 9 anos explicou a um correspondente científico que a bactéria se desenvolve no próprio queijo.
Pior ainda são os rumos da história fora do país. “A ‘Regra dos Cinco Segundos’ chegou à imprensa americana pelo ‘The Daily Mail’. A matéria aconselhava os leitores a substituir seus esfregões a cada três meses para minimizar os riscos de contaminação por bactérias”, diz Daniel.
“Falsas fórmulas matemáticas fabricadas por empresas compõem o Jornalismo científico britânico. Recentemente nos falaram sobre o ovo cozido perfeito, o dia perfeito, os seios perfeitos e muitos outros exemplos produzidos por cientistas que são pagos para transformar a álgebra em realidade”.
Vince Kierman, um repórter veterano que atualmente estuda a história e a prática do Jornalismo científico na universidade de Georgetwon, cunhou um termo interessante: o “labvertisement” (junção de laboratório e anúncio).
Daniel Engber desconfia que nos Estados Unidos o problema é menor. “Acho que não encontraria essas histórias pagas no nosso jornal mais inexpressivo”. E conclui: “Jornalistas britânicos tendem a enxergar-se mais como homens de negócios do que como profissionais. Eles aprendem na prática. Estão mais interessados em contar histórias e em entreter do que em seguir um padrão”.
Poderíamos chamar Daniel Engber de nacionalista ou bairrista se não conhecêssemos muito bem as matérias publicadas pelo “The Daily Mail”.
No Brasil, não que sejamos blindados, mas esse tipo de ocorrência (ainda) é menos recorrente.

2012/05/30

HISTÓRIAS NATURAIS

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:25

O tema de hoje é o mesmo de um post publicado no blog do jornalista Marcelo Duarte. Trata-se do livro “Dry Store Room Nº 1: The Secret Life of The Natural History Museum”, de Richard Fortey.
A obra, publicada em 2008, é cheia de curiosidades – Marcelo Duarte se restringe a citar insetos que foram batizados com nomes de famosos, como a mosca “Scaptia beyoncea”, em homenagem a Beyoncé.
Mas o livro é um mergulho no Museu de História Natural de Londres, tanto de sua história quanto de sua comunidade local – cientistas, curadores –, coleções e exposições.
O “Dry Room” do título é uma área localizada no subsolo que abriga o “lixo” do museu, uma verdadeira miscelânea de itens de exposições passadas, espécies dissecadas, caixas etc. “Dizem até que é um lugar de encontros amorosos – apesar de o amor à sombra de um peixe-lua ser mais necessitado do que romântico”, diz Richard.
O acervo de um museu de história natural nada mais é do que uma coleção de espécies. Mas o autor vai além das caixas com insetos ou réplicas de dinossauros. Ele fala como é o trabalho de cientistas que se dedicam ao sequenciamento de DNAs para a reconstrução de árvores evolucionárias a partir de seus organismos de pesquisa.
No livro também há espaço para várias anedotas e “causos” envolvendo funcionários e toda a comunidade do museu. Um desses personagens é o especialista em anchovas Peter Whitehead, que apesar de ter um ego do tamanho do mundo “e ser magro como uma ripa, com bolsas de gordura bem definidas abaixo dos olhos”, misteriosamente chamava a atenção das mulheres.
Outro funcionário que merece a atenção do autor é Herbert Wernham, curador da área de Botânica, que tinha uma queda por colecionar lembranças de amantes. Ele mantinha um arquivo, em ordem alfabética, que trazia raminhos dos pelos pubianos de cada uma delas.
O mais notável e enigmático deles era Richard Meinertzhagen. Soldado, piloto, espião e ornitologista que serviu de inspiração para a criação do personagem James Bond. Uma das salas do British Museum recebe seu nome em sua homenagem. No entanto, Meinertzhagen era tão importante quanto pouco confiável. Ele chegou a roubar centenas de pássaros preservados do British Museum e de outros museus, renomear as espécies com o seu nome e devolvê-los.
Outra curiosidade diz respeito a uma diversão comum entre os universitários da área: identificar com que tipo de organismo os cientistas se parecem. Dizem que o fenômeno é parecido com o que acontece entre cães e seus donos. Com o passar do tempo ambos começam a adquirir semelhanças físicas.
O autor Richard Fortey – palaeontólogo e atualmente presidente da Sociedade Geológica de Londres – trabalhou no Museu de História Natural por 35 anos até sua aposentadoria, em 2006.

2012/05/29

FÉ NO PALITO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:40

O Maranhão já tem seu Guaraná Jesus. Agora (poucos) americanos contam com outro sabor divino: o Picolé de Jesus.
A ideia dos “Christian Popsicles” (“Picolés Cristãos”) é do artista plástico e designer chileno Sebastian Errazuriz, que vive e trabalha em Nova York.
Ele distribuiu cerca de cem picolés durante a abertura da exposição “Love It or Leave it” (“Ame-o ou Deixe-o”) na Semana do Design de Nova York.
Além de serem feitos de vinho, os picolés têm o palito em forma de cruz. À medida que a guloseima vai sendo consumida, a tradicional imagem de Cristo na Cruz vai aparecendo.
Segundo Sebastian, o picolé é feito do legítimo vinho sagrado – ele levou várias garrafas à missa que foram benzidas pelo padre durante a Eucaristia.
Segundo a galeria “R’Pure”, dez artistas participaram da exposição, mas nenhuma delas foi mais provocativa do que o picolé santo.
Sebastian diz que sua intenção não é perturbar ninguém. “Não é que eu queira entrar numa enrascada de propósito. Apenas acho que se você não faz um trabalho que leve as pessoas a pararem, pensarem e discutirem então é melhor não fazer nada”, diz ele ao site da CNN.
Criado num ambiente católico, Sebastian agora está “praticando o ateísmo”, mas tem amigos e familiares que ainda seguem o Catolicismo e ele os respeita. No entanto, ele conta que sempre se aborreceu com praticantes que querem impor suas crenças aos outros.
“Estou mais feliz em recomendar às pessoas a pensarem por elas mesmas e questionarem a realidade que recebemos de gerações anteriores”, diz ele.
Sebastian crê que a América está cada vez mais extremista em relação aos seus dogmas, que têm influenciado bastante a vida política. Ele está especialmente assustado com a forma que os líderes americanos têm proclamado sua fé e forçado leis que defendam a ideologia da Bíblia acima das liberdades individuais.
Para ele, os Estados Unidos estão preocupados com os fanáticos islâmicos, mas todo extremismo é inaceitável.
Seu picolé é um símbolo, “um convite para tomar um Ki-Suco” e levar a religião – qualquer que seja – menos a sério.
A ideia da mancha vermelha no palito é fazer uma relação entre o fanatismo e a histórica violência religiosa. Sebastian também espera que seu picolé seja uma forma de provar que os cristãos também sabem lidar com o humor e a ironia. Segundo ele, características mais difíceis de serem encontradas entre os fanáticos religiosos de outras religiões.

2012/05/28

CIÊNCIA IMPROVÁVEL

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:26

Desde que o mundo é mundo as pessoas sonham em prever o futuro. Os mais sensíveis ou românticos gostariam que fosse possível antever o sucesso de um relacionamento e recorrem à cigana, às cartas, às runas e à bola de cristal.
Hoje parece impossível prever o futuro de um casamento, por exemplo. Mas no passado tudo parecia muito mais prático.
Segundo um pensador futurista no início do século 20 haveria uma “Ciência” para isso. É o que revela um post do blog “Paleofuture”, do site da fundação “Smithsonian”.
A edição de abril de 1924 da revista “Science and Invention” publicou um artigo de Hugo Gernsback, o editor da revista, que examinou diferentes maneiras “científicas” para determinar se um casamento daria certo ou não. As ilustrações são surreais.
Hugo diz que há pelo menos quatro testes que podem assegurar com uma razoável certeza a felicidade do casamento. São eles:

1) Teste da atração física
Segundo Hugo, é o item mais importante para que um casamento seja bem-sucedido. Ele explica que a atração física pode ser medida através de eletrodos conectados aos pulsos do casal. Uma corrente presa ao peito seria capaz de avaliar a respiração. Na teoria de Hugo, se no momento do beijo ou do abraço a pulsação subir e a respiração se tornar mais ofegante está cientificamente comprovada a evidência de atração física.

2) Teste da empatia
Esse teste envolve um assistir ao outro passar por alguma experiência traumática. Na ilustração do artigo, a esposa vê o marido doando sangue. Se ocorrerem contrações musculares e a respiração ficar ofegante são amostras suficientes para dizer que um é solidário ao outro.

3) Teste do odor corporal
Segundo Hugo, o odor corporal é a principal causa do fim de muitos casamentos. Durante este teste, um cheira o outro. Um deles fica dentro de uma grande cápsula que tem uma mangueira acoplada. Após a fungada, se ele ou ela demonstrarem qualquer alteração (por meio dos eletrodos nos pulsos e no peito) o destino amoroso do casal está garantido.

4) Teste da desordem nervosa
Pelo menos um deles precisa manter-se calmo sob uma situação de pressão. Durante o teste, o cientista dispara, sem avisar, um tiro para o alto. A reação nervosa do casal é gravada. Se os dois demonstrarem-se assustados, é muito possível que o casamento não vá adiante.

Bora pro laboratório?

2012/05/25

ENTRE A BALBÚRDIA E O SILÊNCIO

Arquivado em: Matutando — trezende @ 07:29

O que é uma CPI senão um grande circo? A comissão recebe os poderes de investigar, de ouvir testemunhas e investigados, de requisitar documentos sigilosos e até de quebrar os sigilos bancário e fiscal dos acusados. Ao final de seis meses entrega suas conclusões ao Ministério Público e aí… só Deus sabe. Raramente o desprendimento de dinheiro público e a energia da imprensa e da população que acompanha as investigações são recompensados. Quando muito, um paga o pato e pronto. Vamos pedir uma pizza.
No caso desta CPMI, ela tem até outubro para produzir seus resultados. Chegam as eleições, chega novembro, chega o Natal e aí já era. Em março de 2013 ninguém mais se lembra quem é Carlinhos Cachoeira – principalmente porque até lá já teremos um novo escândalo.
A CPI é o palco que todo político (gaiato ou não) sonha. É o melhor momento para proferir frases de efeito, de bater boca por bobagem, de dar murros na mesa, de se posicionar numa bancada bem ao alcance das câmeras de TV, de portar uma cara de inteligente ou de formular uma pergunta para colocar o acusado contra a parede mesmo sabendo que ele não a responderá.
Como estamos em ano de eleição, os componentes acima podem ser multiplicados por três.
Na ânsia em não desperdiçar os holofotes, quase todos perdem a linha. Infelizmente a imprensa embarca no circo e publica tudo em forma de “galeria de personagens da CPI”.
Uma pena. Um evento que deveria ser tratado de maneira séria tem seu foco desviado para amenidades e fofocas. Saber se a mulher de Cachoeira vai posar para a “Playboy” passa a ser assunto de interesse nacional. E Demóstenes, por onde anda?
Nada disso é novidade para quem acompanha as CPIs – que desde 2005 têm se mostrado muito mais eficazes como propaganda política do que o próprio horário eleitoral gratuito.
Não é surpresa o acusado ser convocado para um depoimento e permanecer calado, como fez Carlinhos Cachoeira nesta semana devidamente resguardado pela lei e pelos seus advogados.
Enquanto Cachoeira fazia cara de paisagem, nos bastidores é possível imaginar o batalhão de gente contratada para fazer sumir – também silenciosamente – documentos secretos.  
Em meio a toda a palhaçada, o senador Álvaro Dias foi o único que se demonstrou sensato: “O que estamos a fazer aqui, diante de um marginal que sai da [penitenciária] da Papuda e mantém-se com a arrogância dos livres?”.
Boa pergunta. É justamente esta questão que nos fazemos a cada CPI instalada.
A surpresa ficou por conta da atuação de Márcio Thomaz Bastos na defesa de Carlinhos Cachoeira. O advogado foi ministro da Justiça do governo Lula por quatro anos e era considerado, pelo menos até este acontecimento, um homem sério e cheio de credenciais.
Mas depois dessa, com que cara olhar para Thomaz Bastos?
Das duas, uma: ou ele está passando por imensas dificuldades financeiras e precisa de clientes para pagar suas contas ou perdeu o juízo. Melhor não acreditar na terceira hipótese: a de que ele receberá milhões de dólares para defender o indefensável.

P.S.: No final de semana estarei offline. Até segunda!

2012/05/24

NÃO VINGOU

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 07:53

Teve fanático que esperou por esse momento durante anos: a adaptação de “Os Vingadores” para o cinema.
A ansiedade justifica-se porque o grupo tornou-se um clássico das histórias em quadrinhos quando foi publicado pela Marvel em 1963.
De lá para cá surgiram outros heróis, milhares de vilões – inclusive os do mundo real – e as HQs e os livros foram substituídos pelos videogames e pela internet. Mas o cinema e o poder de Hollywood só crescem.
Prova disso é que “Os Vingadores” está em cartaz em mais de mil salas em todo o Brasil e já teve anunciada sua continuação.
É para tanto? Não. Principalmente para quem não é fã de quadrinhos e ficção científica. Prepare-se para um chá de cadeira de duas horas e quinze minutos.
Na história, nossos heróis são apresentados levando uma vidinha pacata e anônima. O bilionário Tony Stark (Homem de Ferro/Robert Downey Jr.) mora em seu prédio luxuoso e, entre goles de champanhe, continua no chove-não-molha com sua assistente (Gwyneth Paltrow). Hulk (o cansado e inexpressivo Mark Ruffalo) mudou-se para algum lugar da Índia em busca de paz. Capitão América (Chris Evans) faz o que ele sabe de melhor: cultivar os músculos.
Os outros integrantes do grupo surgem do nada, como Thor (Chris Hemsworth) e Viúva Negra (Scarlett Johansson). Também faz parte do time o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner, de “Guerra ao Terror”).
A vida segue tranquila na Terra até que um rei vilão (Loki/Tom Hiddleston) vindo de outra dimensão chega para abrir seu saquinho de maldades. Daí cada um dos vingadores é recrutado por Nick Fury (Samuel L. Jackson), da “Shield”, uma espécie de agência internacional da paz.
Dos seis personagens, alguns já protagonizaram seus próprios filmes, como Homem de Ferro, Capitão América e Hulk. Mesmo para quem não gosta ou tem pouco conhecimento sobre esses heróis, os filmes “solo” foram uma agradável surpresa. Mas juntos… eles são melhor separados.
Primordialmente porque desta vez a história é fraquíssima. Há achados – como o desempenho de Hulk no terço final – e as inúmeras piadinhas salpicadas ao longo do filme. Mas nem o (sempre ótimo) Homem de Ferro e o nervosismo de Hulk vingam “Os Vingadores”.
Os seis precisam salvar a Terra e só. E dá-lhe sebo nas canelas. Curiosamente, apesar de todo o aparato tecnólogico (o cajado eletrificado de um, o martelo energizado de outro e a capacidade aérea de um terceiro), os heróis continuam gostando mesmo é de uma luta corporal. Só faltam os clássicos “pow!”, “soc!”.
Nada de romance (como nas duas sequências do Homem de Ferro), de histórias paralelas ou de quaisquer outras surpresas. Bom mesmo é o vilão, que é irmão adotivo de Thor (!), um misto de Marilyn Manson (rosto) com Visconde de Sabugosa (físico).
O ator Lou Ferrigno, o Incrível Hulk original, de 1978, é quem dubla o Hulk do cinema. Felizmente Mark Ruffalo está cansado demais para isso.

2012/05/23

BONS VENTOS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:34

Vendo as caretas aí em cima é impossível não lembrar das fotos produzidas pela americana Carli Davidson. Em seu projeto “Shake” – que já foi tema de post por aqui – ela clicou cães de diversas raças no momento exato em que eles tentavam se livrar do excesso de água dos pelos. O resultado é bem parecido com esse.
As caras retorcidas de hoje fazem parte da série “Blow Job” feitas pelo fotógrafo lituano Tadas Černiauskas.
Passou um vento e elas ficaram assim. Literalmente. A ideia de Tadas surgiu durante a “Semana do Design 2012” – que ocorreu na primeira semana de maio em Vilnius, capital da Lituânia.
O fotógrafo convidou centenas de visitantes para terem suas feições modificadas pela força de um secador de cabelo industrial.
Segundo ele, a série não tem significados ocultos. Ele só pretendia proporcionar uma boa risada aos espectadores e aos participantes.
“Todos que se atreveram a ficar de frente para as minhas lentes se lembrarão desse ensaio durante muito tempo, além de terem um extraordinário clique para seus álbuns”, conta Tadas ao site “The Huffington Post”.
“Rapidamente o estúdio ficou cheio de gente – e todo mundo estava se divertindo. Em poucos dias o projeto virou uma febre e atraí a atenção da grande mídia em todo o mundo”.
No Facebook de Tadas as imagens foram acessadas mais de 3 milhões de vezes numa semana. Seu site não suportou tanta procura e saiu do ar.
“No meu email havia mais de cem mensagens pedindo permissão para que as fotos fossem publicadas em revistas e em sites”.
Tadas contou ainda ter ficado surpreso com o fato de muitos modelos não terem medo de aparecer de forma engraçada. “Todo mundo chorou de rir – tanto de si quanto dos outros”, diz ele.
Tadas é formado em Arquitetura, mas sempre teve a fotografia de casamentos como hobby. A paixão não suportou dividir espaço com a profissão e Tadas abriu um estúdio, o Tadao Cern.
Os bons ventos se encarregaram do resto.

Visitem o site dele AQUI

2012/05/22

FARO FINO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:17

Na polêmica e reveladora entrevista de Xuxa ao “Fantástico” a apresentadora mencionou – pelo menos três vezes e sem perceber – a importância dos cheiros em sua vida.
Do álcool ao pescoço da filha ou ao ex-namorado, Ayrton Senna, Xuxa crê que os aromas dizem muito. Podem unir, afastar e principalmente funcionarem como lembrança.
O que nós leigos chamamos de “cheiro” a Ciência denomina como “feromônio”.
Os feromônios são hormônios secretados tanto por mamíferos quanto por insetos que têm funções bem variadas: de atração sexual, demarcação de trilhas ou comunicação.
Pois nos Estados Unidos as funções sexuais dos feromônios são até motivo para festas: as “The Pheromone Parties” (algo como “Festas do Feromônio”), que acontecem há cerca de dois anos em Nova York.
O site do evento diz: “Encontre seu par através de amostras de cheiros dos convidados”.
A ideia é de Judith Prays, uma cineasta de 25 anos. “Eu sempre cheiro meus namorados, então não é algo estranho pra mim. Mas muita gente fica espantada”, diz ela.
As regras são simples: durante três noites seguidas os convidados devem dormir com uma camiseta de algodão limpa e branca. “O objetivo é capturar o odor e trazer o saquinho com a camiseta para a festa”, explica o site.
Cada saquinho plástico recebe um número e uma etiqueta – rosa para elas, azul para eles.
Todos as amostras são colocadas numa mesa. Durante a festa os convidados podem se aproximar e testar os aromas. Se um convidado acha o cheiro do outro atraente ele posa para uma foto segurando o saquinho. As imagens – feitas por um fotógrafo profissional – são projetadas num telão durante a noite.
No momento que o convidado vê a foto de uma pessoa que considera atraente e ainda segurando seu saquinho… bingo! É o momento do encontro.
No fim da festa, é criado um álbum no Facebook para o caso de acontecer algum desencontro durante a noite.
No site há também algumas dicas para deixar a camiseta com seu cheiro bem acentuado:
Diminua o consumo de temperos, alho e cebola; faça sua higiene normal, mas não abuse de produtos com fragância; não depile suas axilas; não tenha contato com ninguém enquanto estiver vestindo a camiseta; use camiseta branca e de algodão; coloque a camiseta no freezer assim que acordar e deixe-a voltar à temperatura ambiente na hora de vesti-la novamente. Guarde-a no freezer até o dia da festa.
Além de instruções sobre como enviar uma camiseta, o site traz um vídeo pelo qual é possível sentir o clima entre os convidados. Parece interessante e engraçado. Uma pilha de saquinhos ficam amontoados em cima da mesa – pouquíssimos seguem a regra de usarem camiseta branca.
Dos 40 convidados que participaram da primeira festa, em 2010, 12 dizem ter encontrado um par e metade desses conseguiram que a brincadeira virasse namoro.

Visitem o site AQUI

2012/05/21

DOCES SONHOS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:10

Esse é o hotel dos sonhos de todo gordinho consumista. No “Food Hotel”, localizado na cidade de Neuwied, Alemanha, todos os quartos são decorados ao gosto de seus patrocinadores.
Por fora é um lugar normal, mas por dentro é praticamente como dormir num supermercado.
Há quartos dedicados a produtos variados – da cerveja ao hot dog – com papéis de parede temáticos, travesseiros em formato de sanduíches, bancos com jeito de latinhas de cerveja, mesas com formato de biscoitos.
Inaugurado há cerca de dois anos, o hotel tem 46 patrocinadores, como Dr. Oetker, Epson, Coca-Cola, Unilever, Ferrero (chocolates), Chio (salgadinhos), Veltins (cervejas) e Messmer (chás).
O hotel tem seu próprio supermercado. No hall, as poltronas têm o formato de carrinhos de supermercado.
O gerente, Peter Gruenhaeuser, diz: “Conseguimos patrocinadores para todos os quartos e passamos a eles as instruções básicas. Mas para todo o restante nós os deixamos livres para expressarem a criatividade e a filosofia que há por trás de cada produto”.
O quarto Ferrero recriou o cenário do comercial de TV de seu bombom de coco “Raffaello”. O local parece uma ilha deserta com palmeiras, conchas, chapéus e fotos de praias com areia fofa.
Mas o orgulho do “Food Hotel” é o quarto patrocinado pela Chio. Além de batatas à vontade, o hóspede pode transformar o quarto numa boate. Basta apertar um botão para que acione o sistema de som e as luzes do banheiro.
Mais do que uma esperta jogada de marketing, o hotel é principalmente um lugar de treinamento. Ele pertence à Associação Alemã de Comércio Varejista e o supermercado interno é administrado pela escola “Lebensmittel Sachschule”.
Segundo Michael Gerling, chefe-executivo da associação, o hotel serve como área de treinamento e educação para todo o setor alimentício.
A diária num quarto single custa cerca de 125 dólares (R$ 240). O duplo sai por 180 dólares (R$ 350).

2012/05/20

O BEABÁ

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:30

Aconteceu em março deste ano.
Um criminoso foi preso após tentar assaltar um banco em Milwaukee, a maior cidade do estado do Wisconsin, nos Estados Unidos.
A diferença desta prisão para todas as outras que acontecem diariamente e em vários lugares do mundo estava no que o ladrão carregava: um livro com um título muito sugestivo: “How to Be A Successful Criminal” (“Como Ser Um Criminoso de Sucesso”, literalmente).
Se o sujeito que pretende cometer algum tipo de crime precisa recorrer a um livro para aprender como agir ele já merece mesmo ir preso. Bandido já se nasce. É uma vocação.
Longe de ser uma xerox barata de uma obra não-publicada e escrita na prisão por alguém que assina com um pseudônimo, o livro de fato existe e foi lançado em 1998. O autor, Ron Glodoski, tem muita história para contar sobre o mundo cão. Vítima de abusos na infância, ele fugiu de casa muito cedo. Aos 12 anos já integrava uma gangue. Aos 15 tornou-se o líder dessa gangue e aos 20 um dos mais famosos traficantes de Milwaukee.
Depois de duas décadas e após perder a família e a maioria de seus amigos, Ron decide dar um basta à vida de gângster. Hoje, além de escritor, é um empresário bem-sucedido, palestrante e realiza trabalho voluntário em escolas, penitenciárias e centros de detenção.
Sobre quais seriam os principais passos para se tornar um criminoso de sucesso, sobram palpites. Talvez o primeiro seja conseguir dar conta de seu plano. O segundo, o terceiro e o quarto podem estar relacionados a “não ser preso nunca”.
Na resenha, o site “Amazon” diz que se trata de um livro escrito para crianças que vivem em situação de risco com dicas para elas fazerem as escolhas certas na vida. O autor nega o crime como estilo de vida viável, mostra outras opções e incentiva o crescimento e as ações positivas.
Já as resenhas deixadas pelos leitores são polêmicas e opostas. Uns recomendam não perder tempo com a leitura, mas outros contam terem ficado emocionados com as histórias de Ron Glodoski.
Se há alguma dúvida sobre a qualidade do livro, basta lembrar do triste fim do assaltante de Milwaukee.

2012/05/19

DETALHE DE PESO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:28

Quem se lembra do gnomo viajante de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”?
Pois ele ficou tão famoso que foi contratado pela “Kern”, uma empresa alemã que fabrica balanças de precisão.
A companhia está realizando uma experiência bem curiosa, a “The Gnome Experiment”, que consiste em enviar um gnomo e uma balança para diversas partes do mundo a fim de mostrar que um mesmo objeto pode ter pesos diferentes conforme a localização.
Tudo não passa de uma grande jogada da marketing – “marketing viral”, no jargão publicitário –, mas ainda assim inteligente porque alcança o efeito desejado – olha a gente aqui comentando.
Segundo Albert Sauter, diretor de marketing da empresa, somos mais leves ou pesados dependendo do local onde estamos. Ele justifica o fenômeno com a ideia de que a Terra não é uma esfera perfeita – tem um formato parecido ao de uma batata.
“Essa pequena diferença não está registrada na escala das balanças comuns, mas consta da nossa. Nós a calibramos para compensar as diferenças de gravidade locais”, diz Albert.
A empresa enviou seu kit para cientistas de diversas partes do mundo para testes. Todas as balanças foram calibradas de acordo com a gravidade de Balingen, na Alemanha. “Então qualquer diferença ficará evidente”, diz ele.
O interessado em participar da experiência recebe, além do gnomo, uma balança “Kern” EWB 2.4, um par de luvas e um “air duster” – ar comprimido em aerosol para remoçăo de poeira. Segundo Albert, tanto as luvas quanto o removedor de poeira são importantes porque gordura ou poeira podem reduzir a exatidão do teste.
No site há um aviso: “O gnomo é feito a partir de uma resina especial à prova de lascas, mas sendo um instrumento científico, por favor, manuseie-o com o maior cuidado”.
O gnomo é um objeto de testes perfeito por várias razões. Ao contrário de nós, seu peso é sempre o mesmo. Além disso, eles são originários da Alemanha (onde teriam nascido no século 19) e, principalmente, estão acostumados a viajarem pelo mundo.
Os resultados das variações de gravidade podem ser acompanhados através do blog “The Gnome Diary” (“Diário do Gnomo”).

Conheçam o site AQUI

2012/05/18

MEIAS VERDADES

Arquivado em: Matutando — trezende @ 06:33

Ano de eleição é dose. Vale tudo. Desde beijar criancinhas catarrentas até falar com o dedo em riste num dia para, na manhã seguinte, se esvair em lágrimas.
Foi o que aconteceu com a nossa presidenta nesta semana ao instalar a Comissão da Verdade.
O nome é pomposo, mas ninguém sabe explicar muito bem atrás de qual verdade essa comissão está. Das violações aos Direitos Humanos cometidas pela Ditadura ou dos excessos da guerilha que a combateu? Ou de ambas? Ou a comissão busca uma verdade unilateral?
Se forem investigados os atos cometidos pela esquerda armada chegarão à participação de Dilma e de diversas pessoas que fazem parte do cenário político atual. E se descobrirem que Stela apagou 2, 3, 5 pais de família (Stela era o codinome de Dilma na época)?
Ok, esse é o tipo de informação que jamais será “descoberta”. Entra na categoria documentos que se queimaram junto com os estúdios da TV Tupi ou do Joelma.
Nasce, assim, a comissão da Meia Verdade.
Para dar ao teatro o caráter de ato de Estado e não dar o mérito ao seu governo, Dilma convidou os ex-presidentes dos últimos 28 anos de História. Na plateia, além de Lula e FHC estavam Collor e Sarney. Quanta verdade reunida.
Após a cerimônia, a presidenta recebeu seus antecessores para um almoço no Palácio da Alvorada. No cardápio, massa, filé e peixe. De sobremesa, Collor pedindo o autógrafo de Dilma. Durante a “siesta” evitaram brincar de “Verdade ou Consequência?”.
A comissão não prevê condenações. Seu objetivo é apenas encontrar respostas.
Mas alguém realmente acha que serão dadas explicações convincentes para o que aconteceu, por exemplo, a Vladimir Herzog, ao deputado Rubens Paiva e a Stuart Angel, filho de Zuzu? Ou serão respostas fabricadas?
Se não conseguem provar nem a relação entre governadores e Carlinhos Cachoeira, o que esperar de fatos que aconteceram há quase 40 anos? Temos a memória curta, esqueceram?
Mas a pergunta mais importante é: que crédito tem um uma Comissão da Verdade no Brasil? Mais ou menos o mesmo que a Comissão do Bem Estar na Somália ou a Comissão Antipirataria no Paraguai…

2012/05/17

OS (DIS) SABORES DA ÍNDIA

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 08:15

Por que certos filmes insistem em abusar da inteligência do espectador?
Esse é o caso de “O Exótico Hotel Marigold”. Elenco de primeira, cartaz supersimpático, zilhões de sessões exibindo blockbusters como “Battleship – A Batalha dos Mares” ou “Piratas Pirados”… taí uma ótima opção. Água.
Dirigido pelo britânico John Madden (de “Shakespeare Apaixonado”), é baseado no romance “These Foolish Things”, da também britânica Deborah Moggach, uma das responsáveis pela adaptação do romance “Orgulho e Preconceito”. Esse, com Keira Knightley, levou quatro Oscar. Nenhum dos quatro pelo roteiro adaptado, mas o notável trabalho de Deborah contribuiu para o sucesso de “Orgulho e Preconceito”.
Desta vez, no entanto, Deborah derrapa feio. A produção inglesa é um lugar comum atrás do outro. Até na fórmula: após a apresentação dos dramas dos personagens, eles viajam à Índia, tomam contato com outra realidade, compartilham experiências e descobrem que nunca é tarde para ser feliz. Afinal, como diz a principal mensagem do filme, “no final dá tudo certo. Se não deu, é porque ainda não chegou o fim”. Tão profundo quanto um pires.
A história é sobre um grupo de aposentados que, do nada, resolvem conhecer o “The Best Exotic Marigold Hotel”, em Mumbai. A expectativa era encontrar um resort cinco estrelas, mas dão de cara com um “Formule 1” – ou pior.
O hotel é administrado pelo jovem Sonny (Dev Patel), que inacreditavelmente corre mais do que em seu filme anterior, “Quem Quer Ser um Milionário?”.
O leque de dramas dos protagonistas é variado – e o esforço para que isso aconteça é visível: Evelyn (Judi Dench) é uma viúva endividada que se recusa a morar com o filho; Muriel (Maggie Smith, de “Chá com Mussolini”), é xenófoba e tem preconceitos de todo tipo; o casal Douglas (Bill Nighy) e Jean (Penelope Wilton) está desgastado pelos vários anos de casamento; Graham (Tom Wilkinson) é gay; Norman (Ronald Pickup) e Madge (Celia Imrie) são os inconsequentes e felizes.
Com tanto personagem, claro que nenhum dos problemas é explorado em profundidade. O filme limita-se a mostrar o caos da paisagem urbana de Mumbai e a tentar desenvolver um pouquinho da história de superação de cada um deles. Depois de duas horas, “O Exótico Hotel Marigold” assume ares de novela: tudo é resolvido em questão de segundos e todos vivem felizes para sempre.
De inédito mesmo só dois pontos: 1) Judi Dench não faz papel de espiã; 2) apesar de se passar na Índia ninguém dança no final. Só a gente mesmo.

2012/05/16

DA FEIRA AO GUARDA-ROUPA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:47

Hoje é algo que tem a cara da toalha da casa da vovó. Mas no século 16 quadros em que os rostos dos retratados eram compostos por vegetais eram novidade e serviram de influência até para Salvador Dalí.
Frutas, flores, peixes e vegetais eram os ingredientes que o pintor italiano Arcimboldo costumava usar na composição de seus trabalhos – ele foi o pioneiro na utilização dessa técnica.
Cinco séculos depois a combinação destes materiais inusitados volta à moda. À moda mesmo – aos editoriais, às passarelas, às vitrines.
Pois é, o assunto do dia é bem fru-fru – e que atire o primeiro tomate podre quem não gosta.
Segundo o “The New York Times”, a temporada das frutas está de volta em fotos e estampas e faz uma clara associação entre a abundância da natureza e as roupas simples.
Difícil encontrar alguém na rua com um vestido como esse aí em cima, mas a extravagância das passarelas serve para exemplificar a tendência da estação.
No entanto, este modelito está à venda – da Dolce & Gabanna, custa 2.475 dólares (quase R$ 5 mil).
Segundo o jornal, essa mensagem é parte de uma profunda crença entre o povo da Moda de que o estilo está indo além da selva de pedra do cenário urbano. É sinal de que a moda precisa desacelerar, “descansar sob uma macieira num lugar coberto com grama e relaxar”.
As fotos da campanha da Moschino para o verão 2012 foram feitas num ambiente bem apropriado: na feira. Já nos desfiles de Miuccia Prada predominaram as bananas. Nos de Stella McCartney, as frutas cítricas.
Já notei a tendência por aqui. A “Corello” está com uma pequena linha de scarpins estampados com cerejinhas. Outra loja, a “Emme”, tem camisas de manga comprida em que a maçã é a personagem principal. A “Accessorize” está com vários brincos de bananinhas, cerejinhas e maçãzinhas.
Mais do que ter coragem para usar um vestido extravagante é ter um estilo capaz de segurá-lo. Do contrário, é mais simples pendurar uma melancia no pescoço.

Vejam algumas fotos AQUI

2012/05/15

EU VEJO FLORES EM VOCÊ

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:04

Um convite, algumas lembranças e muita imaginação. Foi tudo o que a artista plástica Anna Schuleit precisou para transformar um hospital psquiátrico desativado num lugar agradável e colorido.
Em 2003, convidada pela administração do antigo “Centro de Saúde Mental de Massachusetts” para resgatar a memória do local, Anna criou a a instalação “Bloom” (“Florescer”), com 28 mil vasos de flores.
O resultado foi lindo: todas as salas do prédio receberam milhares de flores naturais que funcionaram como um carpete vivo.
Por mais de 90 anos a instituição foi referência no tratamento psiquiátrico nos Estados Unidos. “Milhares de pacientes passaram por aquelas portas e centenas de médicos foram treinados ali”, diz um artigo do “The New York Times”.
Depois que os administradores resolveram fechar o prédio definitivamente e quiseram  marcar o momento, recorreram a Anna Schleit, que já havia feito uma instalação – “Habeas Corpus” – para comemorar o encerramento das atividades de outro hospital.
Ao buscar por informações nos arquivos do prédio, Anna descobriu que ele havia sido inaugurado em 1912. Além das flores, ela realizou gravações de tudo o que ouvia fora do escritório montado no terceiro andar do prédio: passos, o abrir e fechar de portas e conversas.
Além disso, ela recordou de algo que sua mãe – também artista – lhe disse quando era pequena: “Eu me lembro de perguntar no que ela pensava quando cochilava e ela me respondeu que se imaginava deitada sob um cobertor de ervas que a protegiam e a acalmavam. Uma espécie de cobertor curativo”.
Durante três meses Anna contou com a ajuda de dezenas de voluntários para retirar a mobília, os equipamentos de escritório, papéis que haviam sido esquecidos e cobrir todas as salas com os 28 mil vasos de flores naturais.
Quando tudo ficou pronto o hospital foi reaberto ao público pela última vez forrado pelas milhares de tulipas laranjas, begônias amarelas, crisântemos brancos e açucenas vermelhas. O subsolo ficou coberto por grama bem verdinha. A piscina vazia ficou cheia de milhares de violetas africanas.
O som ambiente captado por Anna durante semanas tocava ininterruptamente. “É como se as flores estivessem fazendo todo aquele barulho”, diz ela.
Depois de quatro dias, a instalação foi desmontada. As flores foram doadas para hospitais da região, instituições públicas, abrigos e asilos onde continuaram a florescer.

Confiram algumas fotos AQUI

2012/05/14

REINANDO ABSOLUTO

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 08:51

Quem espera alguma purpurina ao som de “It’s Raining Men” vai ficar chocado. “Priscilla – Rainha do Deserto” é muito mais do que um espetáculo alegre (o verdadeiro significado da palavra “gay”). É um show de profissionalismo, de teatro, de criatividade, de interpretação, enfim, de musical.
Baseado no filme homônimo de 1994, “Priscilla” é um musical australiano de sucesso que chega ao Brasil apenas um ano após estrear na Broadway.
Na história, duas drag queens e uma transexual de Sidney são contratadas para um show num cassino em Alice Springs, cidade localizada no deserto australiano. O caminho é marcado por discussões, perrengues e surpresas. Priscilla é o apelido do ônibus no qual elas viajam, cuja parte posterior traz a seguinte inscrição: “Entrada traseira permitida”.
Tudo é primoroso em “Priscilla”: os figurinos coloridos e criativos, a iluminação com milhões de pontos de leds, as soluções técnicas (como uma esteira no chão do palco que se torna um grande curinga), os cenários (cujo destaque é um ônibus de oito toneladas), as tiradas espirituosas do texto e as músicas. Tem até chuva de papel picado.
Mesmo com o acidente de Danielle Winitz e Thiago Fragoso em “Xanadu”, o cabo de aço não perdeu espaço no meio musical. Pelo jeito, é tendência. Em “Priscilla”, as cantoras Simone Gutierrez, Priscila Borges e Lívia Graciano fazem suas aparições de divas por cima, sempre sustentadas por cabos de aço.
O elenco – formado por 28 pessoas, entre atores, cantores e bailarinos – conta com nomes de peso como Saulo Vasconcelos (desta vez reles coadjuvante) e Simone Gutierrez (a baixinha de “Hairspray”), mas as grandes surpresas são André Torquato e Ruben Gabira.
Ambos fazem parte do trio de protagonistas, que tem ainda Luciano Andrey.
André Torquato hipnotiza. Aos 18 anos, canta e dança como se tivesse 52 e é o carisma em pessoa. Uma busca rápida na internet revela que ele integrou o elenco dos musicais “Gypsy” (no qual dava show de sapateado), “A Noviça Rebelde” e “As Bruxas de Eastwick”, mas Felicia/Adam é seu primeiro protagonista.
A cena em que ele surge em cima do ônibus num salto prateado gigantesco – cuja extensão desliza sobre as primeiras fileiras da plateia – é sensacional.
André tem tudo para ser um dos principais nomes dos musicais no Brasil.
Ruben Gabira também impressiona como Bernadette, uma transexual mais “madura” que é praticamente uma sósia do cartunista Laerte na versão “crossdresser”. O ator tem 52 anos, mas mostra um vigor de 18. Ruben pode parecer um rostinho novo para quem é espectador de musicais, mas está na pista há muitos anos. Ele integrou o elenco de “Chico Total” e morou em Viena (Áustria) por 12 anos, onde participou de alguns musicais.
No repertório, clássicos como “I Will Survive”, “Like a Virgin”, “It’s Raining Men”, “Girls Just Wanna Have Fun”, “I Love the Nightlife” e “I Say a Little Prayer”.
Imperdível, imperdível, imperdível.

2012/05/13

DISQUE T PARA TRABALHAR

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:29

Há pouca coisa engraçada na maneira como alguns patrões tratam seus empregados (e vice-versa). Descaso, falta de educação, ausência de pagamento (ou de comparecimento no trabalho), todo mundo já ouviu alguma história a respeito dessa relação delicada.
Mas nos Estados Unidos um projeto artístico inventado por artistas, advogados, tecnólogos e um time de empregados domésticos usa o humor para educar patrões, babás, cuidadores de idosos e outros funcionários “caseiros” sobre o “Estatuto de Direitos Para Empregados Domésticos”, aprovado em Nova York em 2010.
O projeto chama-se “New Day New Standard” e criou uma espécie de linha direta de atendimento ao trabalhador. No menu, em vez de “tecle 9 para falar com nossos atendentes”, o ouvinte escolhe um dos esquetes de um programa de rádio. Cada um deles explica a nova legislação em formato de “talk show” radiofônico.
Apresentado por Christine Lewis (que trabalha de verdade como babá em Nova York) e “Miss Know-it-All” (interpretado pelo ator Jen Cohn), o programa esclarece questões sobre salário mínimo, hora extra, impostos, seguro-desemprego, multas para o empregador que desrespeita as normas – como praticantes de tráfico humano e trabalho escravo.
As vozes mostram uma coleção de sotaques que enfatiza de maneira divertida a diversidade da comunidade étnica desses trabalhadores em Nova York, como indianos, africanos, filipinos, haitianos, dominicanos, mexicanos e outros grupos que falam espanhol.
Depois de entrevistas com o público-alvo descobriu-se que a melhor maneira de transmitir a mensagem seria através de algo divertido e original.
Segundo a diretora criativa Marisa Jahn, foi o grupo “Trabalhadores Domésticos Unidos” quem os procurou com a ideia. “Sabemos que muitos destes trabalhadores não ouvem rádio e nem têm acesso à Internet para fazer download dos esquetes, mas todo mundo tem um telefone ou celular”, diz Marisa.
A ideia de unir arte, comédia e informação realmente é ótima. Resta saber se quando a empregada ou a babá estiverem rindo ao telefone elas saberão explicar o motivo aos patrões. E mais: se eles acharão a mesma graça.

Ouçam alguns episódios AQUI

2012/05/12

ASTRONAUTA DE GELO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:26

Normalmente temos dois comportamentos opostos diante dos utensílios mais simples e confortáveis do nosso dia a dia. Ou nunca pensamos como surgiram ou nunca deixamos de nos maravilhar com invenções espetaculares, como a pipoca para microondas ou os sucos longa vida.
Comida congelada é um item inquestionável. Esquecido até. É retirada do freezer sem grandes perguntas. Mas houve um cara que um dia pensou em congelar um punhado de ervilhas. Ele se chama Clarence Birdseye.
No recém-lançado “Birdseye: The Adventures of a Curious Man” o autor Mark Kurlansky conta curiosidades sobre a vida daquele que é considerado o inventor do processo de congelamento.
Birdseye é descrito como um cara apaixonante. Curioso, prolixo, persistente e ótimo vendedor, gostava de saber por que as pessoas agiam de um jeito e não de outro.
“Nos Estados Unidos do início do século 20 não havia alimentos frescos o suficiente. Então ele começa a ficar preocupado com sua esposa e filho. Depois de notar que os peixes pescados pelos esquimós congelavam assim que saíam da água, Birdseye descobriu que se um alimento congela-se rapidamente ele não perde a textura. Isso é algo que os produtores de sal sabiam há séculos – na cristalização, o quanto mais rápido os cristais são formados, menores eles são. Se o congelamento durar dias o alimento vira um grande cristal e fica uma papa”, conta Mark ao site “NPR”.
Birdsye se torna empresário depois de abandonar a faculdade ao concluir que não tinha dinheiro para pagar os estudos. Em 1912 ele parte para a região de Labrador, no Canadá, e se dedica ao mercado de pele de animais.
Foi durante esse período que ele fez uma simples, mas revolucionária, descoberta.
Birdseye reparou – através das práticas dos esquimós – que os alimentos congelados no frio do inverno ártico eram mais saborosos do que os que congelavam nas temperaturas amenas da primavera ou do outono.
De volta aos Estados Unidos, em 1925 ele inventa a “Quick Freeze Machine” (máquina para congelamento rápido).
Quando seus congelados chegam às prateleiras, em 1930, a seleção de pratos incluem ervilhas, espinafre, cerejas, peixes e diversos tipos de carne.
Ele funda uma companhia em Gloucester, Massachussets, mas não estava interessado em ter uma empresa de frutos do mar – Birdseye sabia que não havia mercado para esse tipo de produto congelado.
Quando estava interessado em conseguir novos investidores, Birdseye mandava jantares congelados completos para apartamentos em Manhattan. “Ele tinham total confiança em seu produto. Sabia que se as pessoas provassem, iriam amar”, diz Mark. “Quando Birdseye encontrava algo na natureza ele sempre imaginava o gosto e a melhor maneira de preparo. Isso era exótico numa época em que o enlatado e as comidas preservadas com sal eram o que existia”.
Alimentos congelados podem até não ser a coisa mais saborosa do mundo, mas não há como negar que são uma das melhores invenções do século passado.

2012/05/11

CONDUZINDO SIR PAUL

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:29

É tanto maluco que muitas vezes não conseguimos dar conta de todos. Esse foi descoberto pelo jornal britânico “The Daily Mail”.
Trata-se de Mario Ely, taxista em Porto Alegre. Ele é tão fissurado nos Beatles que transformou seu carro de trabalho – um Siena – num tributo móvel à banda.
“O fanático pelo ‘Fab Four’ teve a ideia para seu ‘Beatlemóvel’ em 2010, quando ‘sir’ Paul McCartney visitou a cidade de Porto Alegre, Brasil”, começa a matéria.
Segundo o jornal, Mario gastou 4 mil libras (cerca de R$ 12 mil) para decorar o carro na esperança de um dia levar o cantor do aeroporto ao hotel com estilo.
Paul nunca andou no táxi de Mario, mas o motorista conta que desde que fantasiou seu carro a frequência de clientes aumentou em 40%. Além disso, é comum ser aplaudido quando passa pelas ruas.
Mario, que tem 60 anos, veste-se como John Lennon. Usa óculos redondos, boné estilo anos 60 e cabelo comprido.
“Eu os amo demais. Quando John levou o tiro em Nova York eu fiquei abalado e inclusive perdi vários quilos. Meu herói havia ido embora. Mas eu tento manter o espírito dele vivo aqui no Brasil”, diz Mario ao “The Daily Mail”.
No banco do motorista está a imagem de John, e no de passageiro, a de Paul. Ambos os encostos de cabeça têm a bandeira da Inglaterra. Coladas no teto e nas portas estão as letras dos Beatles de que Mario mais gosta. No total, são mais de cem imagens do quarteto no carro.
Há também um DVD que exibe os clássicos da banda.
O único problema é que agora o taxista vem tendo dificuldades para regularizar seu carro junto às autoridades.
Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação os táxis da cidade precisam seguir o mesmo padrão – e o de Mario não é exceção.
“Mas meu ‘Beatlemóvel’ é mais uma atração turística do que um carro de trabalho. Sempre me chamam para festas de aniversário, formaturas e todo mundo reclama que a corrida foi curta demais. Inicialmente as pessoas pensaram que eu fosse louco, mas agora amam. Faço isso por amor, não por dinheiro”, afirma Mario.
O prazo para Mario circular com seu “Beatlemóvel” vai até 30 de dezembro. Agora ele colhe assinaturas para conseguir manter a licença.

Leiam a matéria completa e vejam as fotos AQUI

2012/05/10

EPOPEIA BRASILEIRA

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:54

Vira e mexe Sílvio Santos lança a pergunta nos intervalos de seu “Roda a Roda Jequiti”: “Quem é o maior brasileiro de todos os tempos?”.
Quem ainda não tem candidato, este blog está fazendo boca de urna: votem nos irmãos Villas Bôas.
Se é injusto rotulá-los como os maiores que já existiram diante de tantos outros brasileiros importantes, suas histórias de vida mereceriam, no mínimo, o Troféu Imprensa.
Eles são os personagens principais de “Xingu”, com direção de Cao Hamburguer.
O filme estreia em momento mais do que oportuno. É provável que a intenção fosse levar o filme às telas em 2011 (quando completaram-se 50 anos da criação do Parque Nacional do Xingu), mas por razões que os cineastas conhecem muito bem, “Xingu” entrou em cartaz no mês passado.
Sem querer, o filme estreou em meio às polêmicas sobre a reformulação do código florestal brasileiro. Aliás, muitos dos que repetem como papagaio “Veta, Dilma” deveriam assistí-lo.
O principal serviço prestado por “Xingu” é nos tirar da ignorância. Ou alguém sabia que eram três e não dois os irmãos Villas Bôas? Além de Orlando e Cláudio, havia um terceiro elemento: o caçula Leonardo.
Orlando (Felipe Camargo) tem mais o perfil do chefe, do diplomata. Cláudio (João Miguel) é o idealista e Leonardo (Caio Blat) é retratado como “o irresponsável”. Após engravidar uma índia, os outros dois decidem dispensá-lo da expedição. Pouco tempo depois Leonardo morre, vítima de um ataque cardíaco.
Pode-se dizer que os irmãos Villas Bôas são os Pedros Álvares Cabrais do Brasil. Em 1944 alistam-se para participar de uma expedição pela região central do país por puro espírito aventureiro.
Pegam facões e cantis, vestem-se com botas e chapéus e saem em busca do desconhecido a bordo de botes construídos com troncos de árvores (essa é a ideia vendida pelo filme. Se existia alguma outra motivação para os três irmãos ela permanece oculta).
Uma vez estacionadas as caravelas, estabelece-se o contato com os índios. O estranhamento vira encantamento e tão logo começam a surgir os elos entre os dois, aparecem também os problemas, como um surto de gripe que mata quase toda uma aldeia.
“Xingu” mostra os irmãos Villas Bôas como pioneiros descobridores e não como colonizadores e heróis. Em 1952 eles apresentam o projeto de criação de uma reserva indígena, mas apenas nove anos depois o sonho sai do papel: em 1961 Jânio Quadros aprova a demarcação do Parque Nacional do Xingu.
“Xingu” foi filmado em quatro meses em condições inóspitas no centro-oeste do Brasil. As paisagens são belíssimas. Os atores Felipe Camargo, João Miguel e Caio Blat estão excelentes e há muita veracidade nas cenas envolvendo os índios e as locações (praticamente todas reconstruídas pela equipe). O único tropeço é querer contar 30 anos em duas horas.
Não percam.

Visitem o site do filme AQUI

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