O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/04/03

EQUILÍBRIO DELICADO

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:29

Enumerar características e comportamentos que deixam qualquer um irritado na relação garçom-cliente é uma missão simples. De nossa parte, basta o sujeito ser “conversado” demais, ter a unha suja, o cabelo oleoso, faltar alguns dentes, não trazer o pedido corretamente e não ouvir (ou fingir não ouvir) o chamamento da mesa.
Já do outro lado, o que parece uma cena normal entre amigos é geralmente um pesadelo: pessoas na mesa, conversando, com os cardápios fechados.
“Quando você chega para tirar o pedido eles nem te olham. Ficar em pé ali ao lado por três segundos parece uma eternidade”, diz Alex Martin, garçom de um restaurante em Nova York.
Geralmente Alex usava a técnica de pousar a mão sobre a mesa. Em poucos minutos eles levantavam os olhos e interrompiam a conversa sem Alex soar agressivo.
De uns tempos para cá, tanto os restaurantes comuns quanto os elegantes ou as grandes redes têm se esforçado para ter um serviço mais individualizado do que o padrão “Eu sou fulano de tal e vou atender vocês esta noite”.
Os garçons estão chamando a tendência de “ter olhos”, “sentir” ou “ler” a mesa. Quase uma Ciência. É o que informa uma reportagem do “The Wall Street Journal”.
Segundo a publicação, a maioria dos restaurantes tem treinado sua equipe para observar a linguagem corporal, o contato visual e os comentários informais e oferecer um atendimento menos mecânico.
Contar com o serviço certo – e não apenas com a boa comida – tem sido crucial para os restaurantes.
De acordo com o NPD Group, empresa de marketing de mercado, o número de frequentadores de restaurantes vai aumentar menos de 1% até 2019 – menor que o crescimento da população. Ao mesmo tempo, os restaurantes dizem que cada vez mais os clientes esperam um serviço melhor e querem fazer valer seus dólares à medida que se informam sobre o backstage dos restaurantes por meio de programas de TV ou livros.
Alguns lugares estão usando os garçons para levantar informações sobre o perfil da mesa. Na hora de oferecer um vinho, já é possível descobrir se os clientes estão com pressa ou não. “Se eles agredecem e dizem que vão ao teatro já sabemos que o jantar não é a principal atração da noite”, explica Brandon Coleman III, gerente de marketing de um restaurante em Nova York. “Para acelerar o serviço, o garçom pode trazer a conta junto com a comida”.
No caso da interação com crianças, se elas dizem que não gostam de verduras, os funcionários são instruídos a não usarem alface nem como enfeite. Além disso, a sobremesa tem de ser servida para a mãe, e não para a criança.
Já quando o cliente vai ao restaurante pela primeira vez e pergunta onde é o banheiro, ele precisa ser conduzido até a porta (o garçom não pode simplesmente apontar o local). Quando percebem que o cliente é tímido, precisam dizer algo como “Gaste o tempo que for necessário, dê uma olhada no cardápio”.
Em mesas com quatro pessoas ou mais que parecem estar comemorando alguma coisa a dica é “ler” a dinâmica do grupo. “Estou atendendo ou interrompendo a conversa?” é uma pergunta que o garçom tem de se fazer.
Os restaurantes estão investindo em treinamento apesar de historicamente a profissão de garçom ser rotativa e instável. Em alguns Estados americanos eles ganham apenas um salário mínimo porque recebem gorjetas.
No Brasil as expectativas de aumento no número de frequentadores de restaurantes são bem animadoras e a qualidade do serviço dos garçons altamente instável. Varia de acordo com o local, o preço, o cardápio e pior: o humor do funcionário. Em muitos casos, somos nós quem temos de “lê-lo”.

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3 Comentários »

  1. Ser garçon é, de fato, uma arte. A gente começa a ficar cliente de uma birosca a partir do garçon. Aí vira quase um casamento. E uma coisa aprendi com eles: jamais os insultem, pois a “vingança poderá ser maligrina…” (RIP Chico Anysio!)

    Comentário por Joubert — 2012/04/03 @ 14:05

  2. **********

    Comentário por picida ribeiro — 2012/04/04 @ 06:39

  3. O profissionalismo e o humor dos garçons fazem toda diferença para sucesso ou fracasso de um empreendimento.
    Ja vi de tudo,inclusive bons garçons em lugares ruins, garçons ruins em lugares bons..
    Sempre os trato com respeito, nunca esquecendo o “por favor” e “obrigado”
    As estrelinhas acima, fazem parte da centesima tentativa de postar..rsrs
    A velha piadinha: “mudou a cor da graminha..” rsrsrsr

    Comentário por picida ribeiro — 2012/04/04 @ 06:42


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