O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/03/21

SOCORRO, ROCKY

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:50

Quando pensamos em boxe as primeiras imagens que vêm à cabeça são homens suados, ensanguentados, com olhos inchados, como se tivessem sido picados por uma abelha bem malvada.
O boxe nunca é imediatamente associado a mulheres – especialmente as do Afeganistão.
Mas segundo uma reportagem do jornal canadense “The Globe and Mail” essa prática esportiva já é uma realidade.
Depois que o regime talibã foi para as cucuias a vida das afegãs dá sinais de melhora. Lentamente, já que elas ainda podem parar na cadeia se abandonarem o marido – a pena varia entre 5 e 7 anos de prisão.
Durante o período em que a milícia comandou o país, as mulheres eram proibidas de praticarem esportes – dentre outras restrições.
Se a vingança é um prato que se come frio, ele já está sendo preparado. Não na cozinha, batendo o bife, mas na academia.
A primeira equipe feminina de boxe do país treina pesado. Três vezes por semana, cerca de 20 meninas se preparam no ginásio de Ghazi, em Cabul – local que já foi usado pelo Talibã como palco para suas punições públicas. Era lá que as mulheres acusadas de adultério eram apedrejadas.
As irmãs Shabnam e Sadaf Rahimi fazem parte do time. “Ouvi dizer que muitas mulheres eram mortas aqui. Às vezes, quando treino sozinha, entro em pânico”, diz Sadaf.
O lugar é bem simples, com espelhos quebrados, pintura descascada e piso com forração desbotada.
“Era um sonho virar boxeadora. No início meu pai não concordou, falou que boxe não era para mulheres. Depois que ganhei minha primeira medalha, ele mudou de ideia”, conta Sadaf, de 18 anos.
Enquanto as garotas dão suas pancadas nos sacos, os meninos espiam pela janela. Mas nem todos com olhar de curiosidade. “Dois anos atrás alguém ligou para o meu pai ameaçando nos sequestrar e matar se ele continuasse nos deixar treinando”, diz a irmã de Sadaf, Shabnam Rahimi, de 19 anos.
Por conta disso, elas ficaram um mês longe dos treinos até que o técnico passou a oferecer transporte para as meninas. O governo também está ajudando a cuidar da segurança.
A equipe foi criada há cerca de quarto anos pelo Comitê Olímpico do Afeganistão e o objetivo é desafiar os estereótipos e encorajar as meninas a lutarem pelo o que acreditam.
“Queremos mostrar ao mundo que as afegãs também podem ser líderes; que elas podem fazer de tudo – até boxe”, diz o técnico, Mohammad Saber Sharifi.
O time recebe apoio financeiro do comitê olímpico e de um grupo local não-governamental. Mesmo assim as condições são críticas. Algumas meninas usam até máscara para se protegerem da poeira que sobe do chão.
O técnico, ex-campeão professional, espera a chegada de mais recursos para construírem um ringue, melhorar os equipamentos e mandar as atletas para encontros internacionais.
A maior esperança é chegar aos Jogos Olímpicos de Londres, no qual o boxe feminino estreará como modalidade com direito a medalhas. Segundo a BBC, o boxe era o único esporte olímpico que não contava com uma categoria feminina.
A julgar pelos anos de opressão, as afegãs devem ter “punch” de sobra.

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