O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/03/15

SE AS PAREDES FALASSEM

Filed under: Folheando — trezende @ 08:07

Assuntos relativos à monarquia britânica sempre despertam a curiosidade mundial. Do Tampax de Camilla passando pelo vestido de Kate e a partida de polo de Harry no Brasil, tudo é motivo de manchete.
O livro “If Walls Could Talk: An Intimate History of the Home” (“Se as Paredes Falassem: A História Íntima da Casa”, ao pé da letra) sacia parte deste infindável interesse.
Escrito pela historiadora Lucy Worsley, trata-se de uma espécie de história da vida privada inglesa.
O quarto, o banheiro, a sala de estar e a cozinha são as lentes através das quais Lucy apresenta a história da arquitetura, da tecnologia e da sociedade desde a era medieval até os dias de hoje. A parte social engloba temas que variam entre moda, comida, sexo, higiene e etiqueta.
Por que a descarga dos banheiros demorou dois séculos para se tornar popular? Por que as pessoas da era medieval dormiam sentadas? Por que o gás das lâmpadas causavam desmaios nas mulheres vitorianas? Por que, durante séculos, os ricos temiam as frutas?
Na introdução, a autora conta que foi um espanto descobrir que no passado os quartos eram espaços semipúblicos. A ideia de lugar reservado é relativamente moderna. Foi apenas no século 19 que eles tornaram-se espaços íntimos reservados ao sono e ao sexo.
Já o banheiro não existia como um cômodo separado até quase o fim da era Vitoriana. A sala de estar só foi aparecer depois que as pessoas passaram a ter tempo livre e dinheiro para gastar nela e com ela. A história da cozinha está ligada à história da segurança alimentar, do transporte, da tecnologia e das relações de gênero.
Entre 1550 e 1750 tomar banho era algo considerado desnecessário e perigoso – a água quente podia abrir os poros e, supostamente, facilitar a entrada de um “miasma” (segundo o dicionário, miasma é uma emanação a que se atribuía, antes das descobertas da microbiologia, à contaminação das doenças infecciosas e epidêmicas).
Outra curiosidade são os métodos para a escovação de dentes no século 17. Lucy conta que a maioria não dava certo. Mas um que funcionava bem era uma mistura de alecrim com sal que era aplicada com uma toalha e seguida de um gargarejo de vinagre.Mas a melhor receita era à base de “cuttlefish” (espécie de molusco semelhante à lula), que rendia um pó excelente para a escovação.
Lucy Worsley é curadora-chefe dos Palácios Históricos Reais, uma instituição de caridade que zela pela Torre de Londres e por uma série de prédios históricos ingleses.
Graças ao livro, ela apresentou uma série na BBC em que recriava as épocas e testava rituais e processos descritos em sua obra. Ela usou urina para remover manchas, experimentou um remédio feito a partir de água do esgoto e dormiu numa cama do período dos Tudor.

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