O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/03/08

ORA PRO NOBBS

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:12

A atuação de Glenn Close em “Albert Nobbs” é para matar de arrependimento os que apostavam que ninguém seria capaz de tirar o Oscar de Meryl Streep.
O remorso se torna ainda maior porque Albert Nobbs é o papel de sua carreira. Dificilmente a atriz encontrará outro que tenha sido tão onipresente em sua vida.
A personagem a acompanha desde 1982, quando ela estreou como Albert Nobbs no circuito off-Broadway e recebeu o “Obie” – prêmio criado pelo jornal “The Village Voice” para contemplar grupos de teatro e artistas de Nova York.
Foram 15 anos de trabalho para conseguir levá-lo às telas. Além de dar vida ao protagonista, Glenn Close ajudou a escrever o roteiro, redigiu a canção original, produziu o filme e, de quebra, pegou pneumonia durante as filmagens.
Sonho realizado, veio o reconhecimento: a indicação ao Oscar. A sexta, após 24 anos. E a sexta derrota. Sorry, Glenn Close.
Grande parte das críticas são simpáticas à atuação da atriz, porém impiedosas com o filme. Mas “Albert Nobbs” não é ruim. Pelo contrário, é superior a “A Dama de Ferro”, que se limita a narrar a trajetória de Thatcher sem grandes invenções de roteiro.
Baseado num conto do escritor irlandês George Moore, “Albert Nobbs” conta a história de um homem infeliz, excêntrico e solitário que trabalha como mordomo num hotel em Dublin, no século 19.
No entanto, Albert não é bem o que parece. Na verdade, ele é uma mulher marginalizada que se esconde por trás de roupas masculinas desde a adolescência. O travestimento foi a saída encontrada para apagar uma vida sem raízes e se reinventar ou existir como pessoa. Albert chega a ter sonhos, mas até eles são contidos, aprisionados e calculados – literalmente.
Com a ajuda de uma maquiagem perfeita, a atriz dá um show. Não só de aparência, mas de voz, de gestual, de legitimidade.
Além da indicação de Glenn Close, o filme do diretor Rodrigo García concorria a mais dois Oscar merecidos: maquiagem e atriz coadjuvante (Janet McTeer). Infelizmente todos saíram de mãos abanando.
“Albert Nobbs” é triste, contido, sem final feliz e, por fim, subestimado até pelo circuito cinematográfico (está em cartaz em poucas salas).
É praticamente uma obrigação prestigiá-lo.

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4 Comentários »

  1. Obrigação que a gente cumpre com prazer

    Comentário por picida ribeiro — 2012/03/08 @ 15:23

  2. me sinto mal pela Glenn Close…

    Uma atriz com filmes e papeis tão marcantes, sem ter sido prestigiada…

    Comentário por JP — 2012/03/08 @ 18:35

  3. Deveria haver empate no Oscar. Ou um “hors concours” para Meryl, sempre uma barbada, seja o filme bom ou fraco. Glenn está estupenda e merece o boneco faz tempo.

    Beijocas com saudade da minha Tati querida!

    Comentário por Selma Barcellos — 2012/03/09 @ 08:37

  4. Glenn Close está perto de uma estatueta pelo “conjunto da obra”, isto é, quando uma pessoa passa a vida toda não receber uma só estatueta, apesar de todas as indicações.

    Comentário por Mariza — 2012/03/09 @ 09:21


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