O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/02/23

TRÁS-OS-MUROS

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 09:13

Seria um clichezão definir Cartagena como “múltipla”.
Na verdade, ela é apenas tripla: a histórica (“amuralhada”), a moderna (bairro de Bocagrande) e a popular.
As três partes são absolutamente diferentes e, por conta disso, o turista pode retornar de uma viagem a Cartagena com uma visão distorcida ou incompleta. Um retrato fiel depende tanto da área em que se hospeda quanto do roteiro programado.
Em primeiro lugar, se o objetivo for praia e mar azul-turquesa, o melhor é esquecer Cartagena. Ainda que a água seja límpida, as praias urbanas que margeiam grande parte de Bocagrande não são bonitas para os nossos padrões – muito menos para os padrões caribenhos. A areia acinzentada e batida é pouco convidativa a um mergulho.
Os cartageneros, no entanto, não se afetam e armam suas barraquinhas de lona à beira-mar. Enquanto tomam uma “Club Colombia” ou uma “Águila” – as duas cervejas mais comuns por lá – ouvem ritmos locais num volume bem alto, enterram-se na areia e recebem massagens em tendas espalhadas pela praia. Enfim, farofa-fá-fá.
A melhor opção para não frustar quem não dispensa uma tostada na areia é uma viagem até uma das 27 ilhas do Rosário ou Baru.
Os barcos que levam às ilhas gastam cerca de uma hora e meia para alcançar o legítimo mar caribenho. O retorno, à tarde, é cheio de fortes emoções com o mar mais agitado. É nessa hora que as capas de chuva que repousavam na ida começam a fazer sentido.
Cartagena é mais indicada para quem gosta de voltar no tempo e viajar na História.
A entrada principal da cidade histórica é pela Torre do Relógio – linda ao anoitecer.
Cercada por 11 quilômetros de muralhas – agradavelmente percorridas entre muitas paradas nas “calles” para registros fotográficos – a cidade de dentro dos muros é aconchegante, misteriosa e fotogênica.
O colorido é garantido pelo tom vibrante usado nas portas e balcões das casas e pelas flores coloridíssimas que enfeitam paredes e sacadas.
Não por acaso em 1984 a cidade colonial foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.
A tranquilidade das “calles” ladeadas por simpáticos restaurantes contrasta com a agitação da Praça Santo Domingo, que além de bares e restaurantes hospeda a “Figura Reclinada 92”, escultura que representa uma gordinha nua deitada. A peça foi doada pelo próprio autor, o pintor colombiano Fernando Botero.
Outro famoso citado por ali é o também colombiano Gabriel García Marquez. Mesmo sem morar em Cartagena há muitos anos, Gabo ainda mantém uma casa na cidade. O imóvel localiza-se bem de frente para a muralha, na esquina da Calle del Curato.
Na hora da pausa para o descanso, a dica é a limonada de coco no bar e restaurante ao ar livre do deslumbrante Hotel Charleston Santa Teresa. Mas se o dinheiro andar curto, a saída é tomar um “helado” por apenas mil pesos (R$ 1).
No quesito compras, dois extremos: as esmeraldas que lotam as vitrines das joalherias ou as quinquilharias nas “Las Bóvedas”.
Localizada ao lado do forte de Santa Catalina, trata-se de um conjunto de 23 arcos que servem como lojas de artesanato. Durante a era colonial, as “La Bóvedas” abrigavam a munição utilizada contra os invasores e no período das guerras civis do século 19 serviram como prisão.

Confiram mais fotos AQUI

Amanhã mais um capítulo cartagenero

Anúncios

1 Comentário »

  1. POxa,uma experiencia e tanto conhecer lugares assim tão inusitados,ainda mais com um olhar tão aguçado como o seu…

    Comentário por picida ribeiro — 2012/02/29 @ 07:37


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: