O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/01/25

BATALHA NAVAL

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 10:08

O Espaço Cultural da Marinha localiza-se na região central do Rio, próximo à igreja da Candelária, ao Centro Cultural Banco do Brasil e ao lado de um lugar horroroso: sujo, cheio de mendigos e pombas e com forte cheiro de urina. A sensação é mais ou menos como perambular pela área do Minhocão, em São Paulo.
Mas vale a pena atravessar o mini-inferno para conhecer as nossas origens “inzoneiras” – dessa área militar partem os passeios de escuna à Ilha Fiscal e à baía de Guanabara.
É necessário chegar cedo, porque apesar de os ingressos serem pagos, a procura é muito grande.
Quem não quiser desembolsar nada, pode circular livremente pelo complexo e estrear novas experiências. Como entrar num submarino, por exemplo.
Atracado ao cais do Espaço Cultural está o S22 Riachuelo, aberto à visitação.
O S22 nunca participou de guerras importantes. Talvez seu maior serviço à nação esteja sendo cumprido de 15 anos para cá, após a aposentadoria, já que empresta suas dependências aos turistas e à curiosidade infantil.
Vencido o desafio inicial – descer a estreita escadinha que leva ao interior da embarcação –, passamos a imaginar o desespero dos tripulantes do Kursk que acabaram morrendo sufocados e também a valorizar o trabalho do marinheiro, função que deveria ser muito bem remunerada só pelo risco a que estão expostos.
O S22 tem cerca de 90 metros de extensão e capacidade para 74 homens. Se vazio já é claustrofóbico e quente, com 74 passageiros é missão para camicazes.
Melhor se distrair com o dia-a-dia desses heróis conhecendo a minicozinha – com direito a Ricardão preparando feijoada –, os minibanheiros, a minissala de comando e os “minidormitórios”. As camas, instaladas nas laterais da embarcação, são tão apertadas que os tripulantes deveriam ter de aprender certas técnicas com as chinesinhas elásticas do Circo Imperial da China só para se deitarem.
De volta à superfície e ao impiedoso sol carioca, uma circulada ao redor da “Galeota Imperial”.
Além de servir para os deslocamentos da nossa família real e de inúmeras personalidades históricas, foi a bordo dela que D. João VI saiu do Brasil pela última vez rumo a Portugal.
A viagem derradeira da galeota aconteceu em 1920, quando transportou a família real belga.
Enquanto os figurões iam confortavelmente instalados num camarote de veludo, milhares de serviçais suavam para manipular 30 longos remos.
É… talvez trabalhar no S22 não fosse tão ruim assim.

Vejam algumas fotos AQUI

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2 Comentários »

  1. Prezada Tati!
    Com sua descrição dos ambientes (mini-isto, mini-aquilo) e a desastrada condução do comandante (ou ex) Schettino, acho que vou passar um bom tempo sem andar em embarcação nenhuma… Mas sua crônica deixa a gente muito afim!
    Bjão,
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2012/01/25 @ 17:45

  2. Sorry… “a fim”.

    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2012/01/25 @ 17:46


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