O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/01/24

BABEL OU BABILÔNIA?

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 10:04

Ele já foi palco para carnavais do passado, já recebeu grandes nomes da música internacional e por muito pouco não virou um favelão antes de completar 100 anos.
Graças a uma reforma que durou quase três anos, pode servir de abrigo para Barack Obama sem nenhum constrangimento.
Sim, o Teatro Municipal do Rio está um brinco e merece uma visita.
O projeto arquitetônico foi inspirado no da Ópera de Paris e todo o material usado na construção foi importado da Europa: mármores, ônix, bronze, cristais, espelhos, mosaicos, vitrais… Enfim, parece que Eliseu Visconti – o principal decorador do teatro – foi a uma Leroy Merlin do início do século 20 e comprou um pouquinho de cada item que estava na liquidação. Até uma águia ele botou no carrinho. Enquanto a mulher reclamava que nada combinava com nada, Visconti dizia: “Chegando em casa a gente vê o que faz com isso”.
“O estilo é eclético”, justificam os guias.
Ficou bonito mas, sem bairrismos, a sala de espetáculos do Teatro Municipal de São Paulo é mais incrementada – e ela também acaba de ser reformada.
Se a sala principal não chega a tirar o fôlego, as balaustradas dos pavimentos superiores e os vitrais são impressionantes, belos e imponentes.
Mas é na bat-caverna que repousa o maior tesouro do Municipal. A surpresa-mor é o Salão Assyrio, cuja decoração destoa completamente dos outros espaços da casa. Ele é todo revestido de cerâmica esmaltada inspirada na antiga Babilônia. O teto, baixo, é sustentado por cabeças de touro em estilo persa que fazem as vezes de coluna.
O Assyrio já funcionou como restaurante, mas hoje serve café. O lugar também é uma espécie de sala de espera forçada para os atrasadinhos, que podem assistir ao primeiro ato do espetáculo em televisores instalados no local até o momento de serem liberados para entrarem.
É um lugar meio sombrio, mas lindíssimo. Funciona como máquina do tempo: saímos de lá querendo dar um passeio pelos jardins suspensos da Babilônia, mas o que encontramos é a Cinelândia. Nua e crua.

Confiram fotos AQUI

Anúncios

6 Comentários »

  1. Muito interessante saber do Rio sobre essa outra ótica. Confesso que só conheço o trivial turistico de lá.
    A coisa mais antiga do Rio que fui conhecer foi a Confeitaria Colombo, que adorei!!

    Comentário por picida ribeiro — 2012/01/24 @ 11:42

  2. Achei ótima sua matéria. Acho que o importante em si foi a reforma do Teatro Municipal com águia e tudo mais. Que venham os concertos e tudo mais que um Teatro Municipal como o do Rio tem direito.

    Comentário por wildeportella — 2012/01/24 @ 15:27

  3. “mármores, ônix, bronze, cristais, espelhos, mosaicos, vitrais…”, materiais bacanas e certamente superfaturados. A prática é antiga entre nós.

    Comentário por Joubert — 2012/01/24 @ 16:37

  4. Tenho uma teoria que a gente deve conhecer todos os teatros de ópera que puder. Apesar de serem parecidos entre si, eles sempre tem algo de peculiar ao local onde estão, a maneira como o povo interpreta a arte cênica. Muito maneiro!
    Valeu, abç,
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2012/01/25 @ 17:53

  5. Caramba… esse prédio ao fundo não é o que desabou ontem?

    Comentário por isaqueras — 2012/01/26 @ 02:34

  6. Não, isaqueras, o que desabou ontem, junto com outros 2, ficam mais para trás, aos fundos do Theatro Municipal.
    Por pouco não acerta a entrada de “Scenarios” pela Treze de Maio… triste o que aconteceu.

    Comentário por Marcão Alambique — 2012/01/26 @ 13:31


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: