O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/12/18

A MARCA DA MALDADE

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 07:00

Hoje uma dica de presente de Natal para colegas e familiares com perfil “cool”: o CD “One Pig” (“Um Porco”).
Nele, o músico e produtor de música eletrônica britânico Matthew Herbert registra o ciclo de vida de um porco – do nascimento ao prato.
Segundo o site “Slate”, “um curioso novo álbum que é complicado até classificá-lo como álbum – ou mesmo como música. Então do que se trata? Pode ser uma nova forma de arte ou algo antigo revisitado. Pode ser um pop polêmico ou um barulho difícil de ser definido. De qualquer forma, é fascinante e mais do que ‘cool’”.
Tudo em “One Pig” foi composto a partir de sons do porco, acompanhado por Herbert entre agosto de 2009 e maio de 2011.
Herbert gravou sons de vários tipos – tanto os do animal quanto do vento, das vacas e tratores de uma fazenda em Kent, no sudoeste da Inglaterra.
A cada duas semanas Herbert visitava o porco munido de seu gravador e de microfones caríssimos.
A primeira faixa de “One Pig” começa com um silêncio de pouco mais de um minuto que só é quebrado por um suspiro – o do porco nascendo. Todos os sons ganham colaborações de uma guitarra ou um teclado.
O trabalho de Herbert não chegou ao fim quando o porco foi abatido. Ele registrou os grunhidos finais do bichinho e os ruídos de suas partes sendo saboreadas por convidados. Doze chefs foram convidados para prepararem pratos para um jantar especial. Todo o cardápio foi elaborado com as partes do porquinho.
Por causa das leis inglesas, Herbert não pode gravar os sons da morte do animal, mas é possível ouvir os ruídos de seu traslado ao abatedouro.
Tudo o que não foi comido, foi doado. A pele serviu para a construção do forro de uma bateria. A gordura, para a confecção de velas. Até o sangue serviu para a criação de um estranho instrumento musical.
Mas nem só de porquinho vive Herbert. Ele construiu um nome no meio musical na última década graças à sua arte conceitual e à sua parceria com artistas do nível de Björk.
Seu objetivo tem sido reinvindicar um significado para a música. Alguns de seus trabalhos mais conhecidos têm teor político e ganham nomes como “A Vida Truncada de um Frango Moderno Industrializado”. Mas há espaço para sons conseguidos a partir de garrafas de água usadas.
“One Pig” encerra uma trilogia que inclui ainda “One Club” e “One One”.
A organização internacional de proteção dos animais, “Peta” (“Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais”), condenou o trabalho. Claro.
Em entrevista ao jornal “El País”, Herbert defende seu projeto: “Queria fazer uma biografia, seguir uma vida desde o nascimento até à morte. Mas claro, com um humano é complicado. O porco é um bom exemplo: muitos o odeiam, outros o comem até o último pedaço. A música deixou de ser algo que impressione, mas porém pode-se gravar a vida e a morte, nem que seja uma metáfora, como dizia Mahler”.
Valeu a defesa, Herbert, mas que troço mais aflitivo…

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