O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/12/04

GAROTOS PRENDADOS

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 11:10

Atividades manuais como o tricô são a última moda. Tanto no exterior quanto no Brasil espalham-se grupos de mulheres que se reúnem só com essa finalidade.
A atriz Graziella Moreto é uma delas. Está totalmente envolvida com o grupo “Garota Prendada”. Nos Estados Unidos, a garota prendada é Julia Roberts.
Agora o hobby está chegando a lugares nunca dantes imaginados. Numa prisão em Maryland, nos Estados Unidos, são os presos quem estão aprendendo a lidar com as agulhas graças ao projeto “Knitting Behind Bars” (“Tricotando Atrás das Grades”).
A ideia é de Lynn Zwerling, de 67 anos, se aposentou em 2005 depois de 18 anos vendendo carros em Columbia, Maryland.
Sem saber o que fazer com seu tempo livre, ela seguiu sua paixão por tricô e passou a tricotar em grupo. Nos primeiros encontros, pouca gente apareceu, mas rapidamente o grupo chegou aos 500 integrantes.
Ao perceber a atmosfera zen que tomava conta do ambiente durante a sessão, Lynn pensou: “O que aconteceria se eu levasse isso à população que nunca teve essa experiência?”.
Foi assim que em 2009 Lynn parou na frente de 600 presos da cadeia de Maryland e perguntou: “Quem quer tricotar? Eles a olharam como se ela fosse louca.
Quase dois anos depois, Lynn e suas associadas já ensinaram mais de cem detentos a tricotar – enquanto diversos aguardam na lista de espera para ter aulas semanais.
No início não foi fácil. Os administradores da penitenciária presumiram que os homens não estariam interessados num hobby tradicionalmente feminino e ficaram preocupados ao liberar das algemas presos condenados por crimes violentos.
Foram necessários cinco anos para que a unidade de Jessup, em Maryland, aceitasse o trabalho de Lynn.
Os próprios presos, inicialmente, também acharam a tarefa muito mulherzinha. O argumento de Lynn de que foram os homens quem inventaram a técnica com as agulhas e sua paciência em ensiná-los acabou por convencê-los.
Hoje, todas as quintas-feiras das 5 às 7 da noite, os detentos têm aulas de tricô. “Tenho alunos que nunca perderam uma aula sequer durante todo esse tempo. Alguns dizem que perdem o jantar para vir à aula”, diz Lynn.
Eles começaram tricotando bonequinhas – que eram doadas para meninas vítimas de violência doméstica. Depois passaram aos chapéus, que vão parar nas cabeças das crianças do colégio onde muitos deles estudaram.
“Se você olha para eles, são todos cobertos por tatuagens, têm um visual difícil, muitos não têm vários dentes. Apesar de tudo isso, são muito respeitosos e felizes por estarem tricotando”, explica Lynn.
Além do clima zen que tomou conta da prisão, os detentos tornaram-se amigos das voluntárias. “Eles nos contam suas histórias, seus sonhos. Alguns mentem pra nós. Não querem que saibamos as coisas terríveis que eles fizeram”, diz Lynn.

Os trabalhos feitos pelos presos estão à venda AQUI

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1 Comentário »

  1. Interessante iniciativa social. Acho que a reintegração de presos à sociedade passa pela qualificação dessas pessoas. Difícil acontecer algo assim aqui no Brasil, hein? Beijos.

    Comentário por Vaninha — 2011/12/11 @ 18:36


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