O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/12/23

VIRA, VIRA, VIRA, VIROU

Arquivado em: Matutando — trezende @ 09:37

Como já se tornou tradição por aqui, o último post do ano é dia de retrospectiva.
Diante de tantos absurdos e bizarrices que tivemos de ouvir e engolir, as escolhas foram difíceis, mas uma tarefa bastante divertida.
Gostaria de agradecer a todos os leitores por mais um ano e desejar a todos um ótimo Natal e um 2012 sensacional. Just do it!
E vamos aos eleitos:

Frase do ano: “Hoje é dia de rock, bebê”

Boca maldita do ano: Carlos Lupi

Bob Pai do ano: Nicolas Sarkozy

Bob Filho do ano: Tomás Schmidt Cardoso, ex-filho de FHC

Padrinho do ano: Ganso

Bebida do ano: Toddynho

Drinque do ano: uísque com Rivotril

Casal do ano: Ellen Jabour e Pe Lanza

Solteiro do ano: Ashton Kutcher

Briga de marido e mulher do ano: Zezé di Camargo e Luciano

Sue Johanson do ano: Sandy

Não-ocupação do ano: tomada das favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu

Distraído do ano: Orlando Silva

Hit do ano: “Ai seu eu te pego”

Cantora do ano: Adele

Luto do ano: Steve Jobs

Pegadinha do ano: a “Garçonetchen”, em Orlando

Babaca do ano: Rafinha Bastos

Atriz do ano: a promotora Deborah Guerner

Esporte do ano: MMA/UFC

Homem do ano: Neymar

Expressão do ano: “nós pega o peixe”, considerada adequada pelo MEC

Amy Winehouse do ano: Charlie Sheen

Hobby do ano: tricô

Herói do ano: o gordinho australiano Casey Heynes “Zangief”, responsável pelo golpe ninja mais bonito de 2011

Roger Abdelmassih do ano: Dominique Strauss-Khan

Filme do ano: “A Pele que Habito”

Buemba do ano: bueiros cariocas

Krill do ano: Bin Laden

Fiasco do ano: Pan de Guadalajara

Surpresinha do ano: abrir o porta-malas e dar de cara com o traficante Nem

Perua do ano: Val Marchiori

Personalidade do ano no Twitter: Luana Piovani

P.S.: Nos próximos dias estarei offline. Novos posts a partir de 02/01. Até!

Estão lembrados da igreja em Auckland (Nova Zelândia) que colocou em sua fachada o cartaz de Maria espantada com o resultado do teste de gravidez?
Pois bem. No mesmo dia em que publiquei o post o leitor Michael Mendel, morador de Auckland, deixou um comentário sobre o assunto.
Pedi então que ele mandasse uma foto em frente ao outdoor. Vejam a resposta de Michael:

“Estou mandando a foto em frente ao cartaz rasgado. E vou te contar que tirei a foto pela manhã e, à tarde, eles o retiraram. Essa igreja é bem famosa aqui. Além da arquitetura e da história, ela também choca por ter missas direcionadas à comunidade gay, por celebrar casamentos de pessoas do mesmo sexo e realizar festas que mais parecem de boate, com muita luz, fumaça e etc.

Feliz Natal e ótimo Ano Novo.

Abraço,

Michael Mendel

2011/12/22

GUERRA SUAVE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:22

Kyle Bean faria um ótimo presépio.
O designer de Brighton, Inglaterra, é especialista em trabalhos artesanais e altamente detalhistas. Seus materiais são sobras, e incluem cartolina, casca de ovos e aparas de lápis apontado.
A série “Soft Guerrilla” é um de seus mais recentes projetos. Encomendada pela revista alemã “CUT”, ela ilustra um artigo sobre temas como “Guerrilla Gardening” e “Yarn Bombing”.
O “Guerrilla Gardening” é um movimento que começou em Londres e pretende transformar em jardim canteiros e áreas abandonadas – geralmente sem a autorização do dono. Por isso os “guerrilheiros” agem à noite ou de madrugada.
Já o “Yarn Bombing” é um movimento criado por fãs de crochê e tricô que consiste em decorar as cidades e deixá-las mais coloridas. Árvores, postes, bicicletas, estátuas, ônibus inteiros e outros componentes urbanos ganham roupas coloridas feitas através destas duas técnicas.
O resultado é maravilhoso.
Em “Soft Guerrilla”, Kyle criou seis armas inofensivas a partir de materiais como gelatina, pão, sabonete, salsichas, pena, velas e massinha. A gelatina moldada virou uma granada; o pão, um soco inglês; a pena, uma faca; as velas, um cinturão de projéteis; as salsichas, uma bomba-relógio; a massinha, uma metralhadora; e o sabonete ganhou a cara de Che Guevara.
Também este ano Kyle realizou outro trabalho criativo para a seção de colaboradores da revista “Wallpaper”.
Em vez de usar o lápis para desenhar o retrato dos colaboradores, ele fez diferente: apontou o lápis de cor e organizou as raspas para formar as imagens.
Primeiro ele desenha o rosto da pessoa, depois aponta o lápis até conseguir a “sujeira” suficiente para usar no desenho. Depois, com a ajuda de uma pinça, constroi a imagem.
Há dois anos, outro projeto supercriativo: “The Mobile Evolution” (“A Evolução do Telefone Móvel”). Usando cartolina, ele criou oito modelos de celulares (o maior, um tijolão de 1985, é um Motorola DynaTAC. O menor, um Samsung Tocco, de 2009). A apresentação é feita no estilo “matrioska”, com o maior abrigando todos os demais. Sensacional.

Confiram os trabalhos de Kyle AQUI

2011/12/21

SIMPLES ASSIM

Arquivado em: Vox populi — trezende @ 09:16

“Ele pode ser o decano da indústria do entretenimento – com um ego tão grande quanto sua conta bancária multimilionária –, mas Simon Cowell está longe de ser coroado o Messias. Mesmo que ele já tenha tentado nos convencer do contrário”, diz o jornal “The Daily Mail”.
Para algumas crianças confusas sobre o real significado das celebrações natalinas, dia 25 de dezembro pode ser o aniversário de Simon Cowell, criador e um dos jurados do reality show musical “The X Factor”.
Foi o que revelou uma pesquisa feita nas escolas com mil crianças entre 5 e 7 anos. 36% não sabe dizer que data é comemorada dia 25 de dezembro, sendo que uma em cada cinco creem que é aniversário de Simon Cowell.
Conhecido por seu mau humor e comentários ácidos em relação aos competidores, Simon Cowell também foi criador e ex-jurado de “American Idol”. Ele é o responsável pelo lançamento de vários cantores ingleses – como Leona Lewis.
Mais: a pesquisa – realizada pelo site de compras Woolworths.co.uk – revelou ainda os locais em que os pequenos acreditam que Jesus tenha nascido. Para 24% foi na casa noturna “Sugar Hut”, em Brentwood (Essex). O equívoco é causado graças ao sucesso do programa “The Only Way is Essex” na TV britânica.
Outro quarto crê que foi no número 10 da Downing Street (residência oficial e escritório do Primeiro Ministro) ou no Palácio de Buckingham. Apenas 28% sabia da existência de Belém.
As crianças também demonstraram-se confusas em relação aos Três Reis Magos. Dentre os citados para ocupar as três posições estão Gary Barlow (um dos jurados de “The X Factor”), Mark Wright (um dos astros do ‘semireality’ “The Only Way is Essex”) e até o Príncipe Charles.
E o melhor: mais de 30% das crianças disseram que os Três Reis Magos souberam do nascimento do Menino Jesus pelo Facebook.
Ainda de acordo com a pesquisa, os equívocos envolvendo tradições não se resumem às questões da Natividade.
Mais de um quarto das crianças ouvidas acham que Lapônia é o nome de uma casa noturna em Londres e 35% não sabe que Rudolph é uma das renas do Papai Noel. Para elas, as renas têm nomes como David Beckham e Pippa Middleton.
Ao comentar os resultados da pesquisa, o porta-voz da “Woolworths” afirmou que é um choque descobrir que 35% não sabe nem o nome da rena mais famosa.
Mas quem precisa guardar essas informações na cabeça se tudo está ao alcance dos dedos e ninguém precisa conversar mais, não é mesmo?

2011/12/20

POR QUE QUERIDO?

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:01

A morte do ditador norte-coreano Kim Jong-Il abalou seriamente algumas pessoas – como mostraram as imagens da TV oficial do país. Mas, de uma forma geral, Kim não vai deixar saudades. “Já vai tarde”, por assim dizer.
Na edição de ontem, o jornal “Daily Mirror” trouxe uma lista com 17 excentricidades sobre o ditador:

Sua biografia oficial dá conta de que seu nascimento foi previsto por uma andorinha e levou ao surgimento de um arco-íris duplo e a uma nova estrela no espaço. Além disso, ele se dedicou a espalhar entre seus súditos a ideia de que seu humor seria capaz de controlar o tempo.

Ele era um ótimo jogador de golfe. De acordo com um folheto do governo oficial, na comemoração de seus 62 anos, ele quebrou o recorde do campo de cinco buracos. Detalhe: era a primeira vez que ele se arriscava no esporte.

Em 2006, Kim entrou em contato com o criador de coelhos alemão Karl Szmolinsky para solicitar 12 coelhos gigantes. Com os bichinhos – que têm carne suficiente para alimentar até sete pessoas –, Kim Jong-Il pretendia acabar com a fome no país.

Em 2004, um ex-chef de Kim revelou que líder norte-coreano empregou pessoas apenas para investigarem se os grãos de arroz servidos a ele eram absolutamente uniformes em termos de tamanho e cor.

Em 2010, Kim Jong-Il proibiu que a Copa do Mundo fosse transmitida para a Coreia do Norte – a menos que o time do país vencesse. As estações de TV não tinham autorização para transmitir nenhuma partida ao vivo ou que envolvessem outras nações. Apenas material (editado) com as vitórias da Coreia do Norte iam ao ar.

Irritado com a falta de cineastas em seu país, em 1978 Kim Jong-Il armou um esquema para sequestrar dois diretores sul-coreanos que moravam em Hong Kong. Eles tentaram fugir, mas acabaram desistindo e fizeram alguns filmes, incluindo um genérico do cult “Godzilla”, “Pulgasari”.

Depois de um médico recomendá-lo parar de fumar, em 2007, Kim Jong-Il largou o cigarro e decidiu ir além, tornando-o ilegal para o resto do país.

De acordo com o embaixador russo Konstantin Pulikovsky, que viajou com Kim por toda a Europa oriental, Kim comia lagostas frescas diariamente com hashis de prata. Depois que uma biografia não-oficial revelou que ele não defecava, foi removida das livrarias.

Depois de sofrer um acidente ao cair de um cavalo, Kim teve de tomar analgésicos. Com medo de ficar viciado, ele mandou que meia-dúzia dos membros mais chegados de sua equipe tomassem algumas injeções do mesmo medicamento. Se ele ficasse viciado, não seria o único.

Além de ser um apreciador da comida, Kim gostava de bebida. Segundo a importadora francesa Hennessy, Kim era um de seus melhores clientes. Ele importava 350 mil euros em conhaque todos os anos.

Em 2004 reinvindicou a autoria do hambúrguer.

Um de seus apelidos não-oficiais era “Cérebro Central”

Ele chegou a escrever seis óperas em dois anos.

Kim Jong-Il tinha um coleção de mais de 20 mil filmes estrangeiros – seus favoritos incluíam “Rambo” e “Sexta-Feira 13”.

Ele era um habilidoso patinador.

Em 2001, durante uma visita a Moscou, ele comia carne de burro assada em seu trem diariamente

Em 1950 ele construiu uma cidade inteira chamada Kijong-Dong. Projetada somente para propaganda, nunca teve habitantes.

2011/12/19

UM EXEMPLO A SER SEGUIDO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:07

No ano passado, mais ou menos nesta mesma época, fomos apresentados a um incrível personagem natalino da região da Catalunha, na Espanha: o “Caganer”. Colocado no presépio e tão indispensável quanto o Menino Jesus na manjedoura, ele é símbolo de fertilidade e boa sorte.
Hoje é dia de conhecer as excentricidades do Natal holandês.
Quem nos conta é Jessica Olien, do site “Slate”.
Na Holanda, o Papai Noel é chamado de “Sinterklaas” e, em vez de renas, ele conta com a ajuda dos “Zwarte Piet” (“Black Pete”) que agradam às crianças distribuindo cookies e “pepernoten” – que são biscoitinhos típicos da Holanda feitos à base de especiarias.
Além disso, a data é celebrada no dia 5 de dezembro, ou seja, na manhã anterior à festa de São Nicolas. Enquanto as crianças aguardam a entrega dos doces, os adultos vão para a frente do espelho passar maquiagem preta e pintar os lábios de vermelho – algo bem parecido com nossas “negas malucas”.
Segundo a tradição, vestidos de “Zwarte Piet”, eles tomam a rua central de Amsterdã e adjacências para comemorar a chegada do “Sinterklaas”.
Apesar de vestir-se com roupas vermelhas, o Papai Noel holandês é magro, usa um chapéu de bispo e segura um cajado. Em vez de trenó, faz uma espécie de parada pelas cidades andando num cavalinho branco. Durante o desfile, seus escravos jogam doces típicos e brincam com as crianças, fazendo malabarismos.
Nesta noite a criançada deixa os sapatinhos na porta de casa com uma cenourinha dentro (para o cavalo do “Sinterklaas”) e canta uma canção tradicional antes de ir para a cama. Na manhã seguinte, a cenourinha desapareceu. Em seu lugar há doces deixados pelos “Zwarte Piete” – que podem ser os “pepernoten” ou a letra do primeiro nome da criança feita de chocolate.
A história do Papai Noel holandês vem de 1845, quando o livro “Saint Nicholas e Seu Servo” foi publicada por um professor chamado Jan Schenkman.
Na história original, lá pelo meio de novembro, o “Sinterklaas” desembarca em Roterdã de seu navio a vapor vindo da Espanha junto com seus escravos de origem africana. Hoje sua chegada é transmitida ao vivo pelas televisões.
Já passou da hora de termos um Papai Noel livre das pesadas roupas vermelhas. Assim como os holandeses e os espanhóis, deveríamos dar um basta ao “bom velhinho” versão americana.

2011/12/18

A MARCA DA MALDADE

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 07:00

Hoje uma dica de presente de Natal para colegas e familiares com perfil “cool”: o CD “One Pig” (“Um Porco”).
Nele, o músico e produtor de música eletrônica britânico Matthew Herbert registra o ciclo de vida de um porco – do nascimento ao prato.
Segundo o site “Slate”, “um curioso novo álbum que é complicado até classificá-lo como álbum – ou mesmo como música. Então do que se trata? Pode ser uma nova forma de arte ou algo antigo revisitado. Pode ser um pop polêmico ou um barulho difícil de ser definido. De qualquer forma, é fascinante e mais do que ‘cool’”.
Tudo em “One Pig” foi composto a partir de sons do porco, acompanhado por Herbert entre agosto de 2009 e maio de 2011.
Herbert gravou sons de vários tipos – tanto os do animal quanto do vento, das vacas e tratores de uma fazenda em Kent, no sudoeste da Inglaterra.
A cada duas semanas Herbert visitava o porco munido de seu gravador e de microfones caríssimos.
A primeira faixa de “One Pig” começa com um silêncio de pouco mais de um minuto que só é quebrado por um suspiro – o do porco nascendo. Todos os sons ganham colaborações de uma guitarra ou um teclado.
O trabalho de Herbert não chegou ao fim quando o porco foi abatido. Ele registrou os grunhidos finais do bichinho e os ruídos de suas partes sendo saboreadas por convidados. Doze chefs foram convidados para prepararem pratos para um jantar especial. Todo o cardápio foi elaborado com as partes do porquinho.
Por causa das leis inglesas, Herbert não pode gravar os sons da morte do animal, mas é possível ouvir os ruídos de seu traslado ao abatedouro.
Tudo o que não foi comido, foi doado. A pele serviu para a construção do forro de uma bateria. A gordura, para a confecção de velas. Até o sangue serviu para a criação de um estranho instrumento musical.
Mas nem só de porquinho vive Herbert. Ele construiu um nome no meio musical na última década graças à sua arte conceitual e à sua parceria com artistas do nível de Björk.
Seu objetivo tem sido reinvindicar um significado para a música. Alguns de seus trabalhos mais conhecidos têm teor político e ganham nomes como “A Vida Truncada de um Frango Moderno Industrializado”. Mas há espaço para sons conseguidos a partir de garrafas de água usadas.
“One Pig” encerra uma trilogia que inclui ainda “One Club” e “One One”.
A organização internacional de proteção dos animais, “Peta” (“Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais”), condenou o trabalho. Claro.
Em entrevista ao jornal “El País”, Herbert defende seu projeto: “Queria fazer uma biografia, seguir uma vida desde o nascimento até à morte. Mas claro, com um humano é complicado. O porco é um bom exemplo: muitos o odeiam, outros o comem até o último pedaço. A música deixou de ser algo que impressione, mas porém pode-se gravar a vida e a morte, nem que seja uma metáfora, como dizia Mahler”.
Valeu a defesa, Herbert, mas que troço mais aflitivo…

2011/12/17

LES MISÉRABLES

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:52

A crise europeia foi o assunto do ano. Mesmo afetado pela morte de Kadhafi e uma ou outra manchete arrasa-quarteirão, o tema seguiu firme na pauta.
Além dos esforços de Alemanha e França para tentarem tirar seus amigos do buraco, houve duas notícias menos “sérias” que ecoaram até na América Latina.
Primeiro, na Espanha. O governo da cidade de Barcelona resolveu fazer economia de papel higiênico nas escolas públicas. Desde setembro as crianças só podem gastar, em média, 25 metros de papel higiênico por mês.
Já no Chile, as autoridades estão incentivando os homens a deixarem de usar gravata durante o verão para economizar energia. O ministro de Energia chileno disse que a medida deve ajudar a reduzir o uso de ar-condicionado.
Apesar de cheios de boas intenções, dois belos exemplos de como tapar o sol com a peneira. Pobres crianças.
Enquanto meia Europa puxa dali, estica daqui, corta o papel higiênico de lá, nós brasileiros não queremos nem ouvir falar de miséria. Nem parece que somos uma nação “em desenvolvimento”. Compramos a ideia de país do futuro e é com ela que estamos contando. Se a canoa não virar, 2012 será mais um ano de economia aquecida e euforia com os preparativos para a Copa do Mundo e Olimpíadas.
O país praticamente já parou de trabalhar. Está aberta a temporada de festas da firma, amigos secretos, compras com “parcelinhas a perder de vista” e de concentração para o “clima de Natal”.
Na nossa alegria não há espaço para economia. Falando em farra, lembrei-me da dos parlamentares, que aumentaram seus salários, e resolvi “googlar” para checar os números. Mas após digitar a frase “aumento de salário”, a surpresa: apareceram notícias sobre o tema em várias cidades do Brasil:

“Os vereadores de Curitiba aprovaram em segunda votação, na manhã desta sexta-feira (16), um aumento de 28% no salário a ser pago para a próxima legislatura, que inicia em 2013. Com isso, o atual salário deverá subir de R$ 10,4 mil para R$ 13,5 mil. Além disso, também foi aprovada a inclusão de um 13º salário em seus vencimentos”.

“Foi votado nesta semana, na Câmara Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, o aumento de salário dos vereadores que assumirem em 2013. O projeto foi aprovado por unanimidade. A votação foi em bloco, ou seja, o projeto estava em meio a vários outros, e por isso, ficou na ‘surdina’. Sem pronunciamentos e sem alarde, o aumento de 67% no salário dos vereadores foi aprovado”.

“A partir de 2013, os vereadores de Itu terão um aumento de 60% no salário para a próxima legislatura. De R$ 6 mil eles passarão a receber R$ 10 mil por mês, o aumento foi aprovado pelos parlamentares em sessão extraordinária nesta quinta-feira (15)”.

E finalmente:

“O plenário do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (15) a elevação para R$ 26,7 mil do salário dos parlamentares, do presidente da República, do vice e dos ministros de estado a partir de 1º de fevereiro de 2011 (…). Por se tratar de decreto legislativo, a proposta não precisa passar pela Presidência da República e entra em vigor assim que for publicada”.

Isso sim é que é miséria.

2011/12/16

CHURRASCO PARA TODOS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 07:11

Existem protestos e protestos. Há os que apelam para o gás lacrimogênio, os que batem panelas, os que “ocupam” Wall Street e até os que já pintaram a cara sem saber muito bem para que.
Na Espanha, um grupo de ativistas dos direitos dos animais encontrou uma maneira altamente criativa de fazer com que as pessoas considerem a ideia de deixar de lado o consumo de carne.
O grupo internacional “AnimaNaturalis” serviu sua mais recente campanha contra a crueldade animal num prato gigante de carne humana colocado no meio da praça de um mercado em Barcelona.
A ativista ficou nua sobre o prato – com sangue de mentirinha e acompanhamentos – mesmo com a baixa temperatura e o movimento de passantes. Enfim, uma legítima maminha na manteiga.
Ao lado dela, os outros protestantes do grupo seguravam uma faixa com os dizeres: “Quanta crueldade você é capaz de engolir?”.
Segundo o jornal “Daily Mail”, “a julgar pela reação das pessoas no centro de Barcelona, os ativistas certamente deram a oportunidade de o povo pensar no assunto”.
Aida Gaston, diretora do “AnimaNaturalis”, declarou que todos os anos eles fazem uma campanha porque creem que as pessoas podem ficar mais sensíveis aos problemas dos animais.
A coordenadora da campanha, Alba Mangado, afirmou que “o consumo de carne é um hábito que pode ser deixado de lado perfeitamente”.
Apesar de radical, a inventividade do grupo precisa ser aplaudida. Além da recente maminha na manteiga, em maio deste ano eles realizaram um protesto contra a indústria do leite na Cidade do México.
Desta vez, uma ativista fez as vezes de vaca – nua e com mangueiras que saíam dos peitos representando ordenhadeiras mecânicas. As mangueirinhas terminavam num balde de leite “fake”. Um cartaz na frente dizia: “O leite é para os bezerros”.
Segundo o grupo, o objetivo era alertar o público sobre o modo como opera a indústria de laticínios e mostrar a crueldade a que as vacas são submetidas nas fábricas de produção de leite – como a aplicação de hormônios e as inseminações artificiais.
Também na Cidade do México, em fevereiro, 300 ativistas seminus mostraram-se contra as touradas. Deitados na Praça Monumental da cidade, tinham os corpos cobertos com “sangue” e “lanças” cravadas na pele.
Fundado em 2003, o “AnimaNaturalis” marca presença na Espanha e em alguns países da América Latina, como o Brasil.
Em seu site, o “AnimaNaturalis” destaca ainda a decisão da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo de instituir o projeto “Segundas sem Carne”, que introduz receitas à base de proteína de soja na merenda escolar. Os pratos vegetarianos serão servidos inicialmente a cada 15 dias para 626 mil alunos.
Dados do grupo dão conta de que a indústria de carne resulta na morte de 50 bilhões de animais todos os anos – milhares deles durante as festas de Natal.
O peru que nos perdoe, mas ceia de Natal é fundamental. Que eles se queixem com o Obama.

2011/12/15

ESCOLA BENETTON DE POLÊMICAS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:39

Toda vez que uma campanha publicitária cutuca personagens católicos alcança o efeito desejado: atrair o interesse de católicos, ateus, carnívoros, vegetarianos, destros e canhotos.
Foi assim há cerca de um mês com a campanha “Unhate”, da Benetton, que divulgou outdoors com montagens de líderes mundiais se beijando na boca. Um dos cartazes, colocado a poucas quadras da Praça São Pedro, retratava Bento XVI osculando Ahmed Mohamed el Tayeb, da mesquita de Al Azhar, no Cairo.
Claro que a campanha teve de ser retirada de circulação – mas até aí a Benetton já tinha caído na boca do povo.
Pois a St. Matthew-in-the-city, em Auckland (Nova Zelândia), é uma espécie de Benetton das igrejas. Adora causar uma polêmica.
A imagem acima – que faz parte da campanha de Natal deste ano – mostra o espanto de Maria ao descobrir o resultado do teste de gravidez.
No site da igreja – anglicana –, o pároco Glynn Cardy se explica: “O Natal é real. É sobre uma gravidez real, uma mãe e uma criança real. É a genuína ansiedade, coragem e esperança. Independentemente de qualquer premonição, a descoberta deve ter sido chocante. Maria não é casada, é jovem e pobre. Essa gravidez moldará seu futuro. Ela certamente não é a primeira nem a última mulher a passar por essa situação. Apesar de nos fazerem crer que o Natal é agradável – com decoração cintilante, Papai Noel, renas e músicas – há outras realidades. Muitos estão sofrendo. Seja pela falta de dinheiro, pela saúde ruim, pela violência ou outras dificuldades. A alegria do Natal é trocada pela ansiedade”.
O outdoor foi instalado na fachada da igreja ontem à noite e ficará exposto até o dia de Natal.
Não é a primeira vez que a St. Matthew-in-the-city rende assunto na imprensa. Há dois anos, o cartaz de Natal mostrava José e Maria deitados na cama e a frase: “Pobre José, foi difícil seguir o exemplo de Deus”.
A Igreja Católica – claro – condenou o outdoor, considerando-o “inapropriado” e “desrespeitoso”.
Segundo o pároco Glynn Cardy, no passado o objetivo deles “foi evitar o sentimental, o vulgar e o esperado para provocar o pensamento e a discussão na comunidade. Esse ano a ideia era passar isso em forma de imagem, sem palavras”.
O pensamento é uma incógnita, mas a discussão está gerada.

2011/12/14

QUANDO UM GATO VIRA ZEBRA

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 10:19

Todo mundo entende o que é fazer uma cara de gatinho do “Shrek”.
O mérito da expressão é todo do Gato de Botas, personagem que graças ao olhar meigo conquistou nossa simpatia e ganhou um filme só para ele.
Sinceramente? Uma decepção. Talvez tenha sido um exagero. “O Gato de Botas” é um filme esticado – bota esticado nisso.
Na tentativa de preencher os minutos da animação, os quatro roteiristas misturaram fábulas famosas como João e o Pé de Feijão e a Galinha dos Ovos de Ouro – que no filme vira a Gansa dos Ovos de Ouro – e entregaram um Frankenstein.
Uma história confusa, fraca e arrastada com muito corre-corre, cenas de dança flamenca e a inclusão de um personagem inexplicável: o ovo Humpty Dumpty, um vilão chatíssimo, sem carisma e injustificável.
Parte do mistério se explica através do site IMDB, que informa que originalmente “O Gato de Botas” tinha previsão de ser lançado diretamente em DVD.
Ao lado da gata Kitty Pata Mansa e do Ovo, o Gato de Botas precisa roubar feijões mágicos que estão com o casal de vilões Jack e Jill. Uma vez plantados, os feijões dão origem ao pé capaz de os levar aos céus, onde está a gansa que bota ovos de ouro.
Na versão original, o gato é dublado por Antonio Banderas. Mas quem deseja ouvir a voz do galã vai ter de batalhar. Como 80% das cópias são dubladas, o público tem de se contentar com Alexandre Moreno. Quem encontrar uma cópia legendada ganha um doce.
Há ainda uma referência à maconha que na versão brasileira vira um diálogo sem pé nem cabeça. Ao ser preso, o gato ouve do guarda: “O que são essas ervas para gato?”. Na versão original, o gato responde que é para o tratamento de glaucoma, mas em português vira “é minha fitoterapia”.
Enfim, há duas saídas: calçar as botas e deixar a sala ou colocar os óculos para o 3D e sonhar que está na praia.
Quem sabe o outro personagem carismático de “Shrek”, o Burro Falante, não rendesse um filme melhor?

2011/12/13

UMA DROGA DE ROTEIRO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:06

Triste do povo que precisa de heróis.
A frase, atribuída a Bertold Brecht, talvez nunca tenha sido proferida pelo dramaturgo alemão, mas a afirmação rende uma boa discussão. Mas, e quando o herói é um criminoso?
Pior ainda.
“Londres teve seu Jack, O Estripador. Chicago, o seu Al Capone. Medellín também tem seu filho infame: Pablo Escobar”, diz o “The Wall Street Journal”.
A reportagem conta que a cidade colombiana tem oferecido roteiros turísticos para quem quer conhecer um pouco mais sobre a vida do famoso traficante.
“Nós o levaremos aos lugares em que ele viveu e morreu. Você vai poder até sentar na moto em que Pablo realizou sua primeira fuga”, explica o guia turístico Juan Uribe.
O passeio começou no ano passado e os tíquetes foram vendidos em apenas um mês.
O roteiro de quatro horas custa U$ 30 e leva o turista ao túmulo de Escobar, à casa em que ele foi morto pela polícia e ao local nas montanhas em que ele morou até seu falecimento. Lá os visitantes encontram Roberto Escobar, o irmão mais velho do traficante, que topou contribuir com as agências turísticas em troca de uma módica quantia.
Roberto está com 63 anos e ficou meio cego e meio surdo após abrir uma carta-bomba ao cumprir seus dez anos de pena num presídio.
Uma das operadoras que oferece o passeio – a “See Colombia Travel” – defende sua excursão dizendo que “o barão das drogas é parte da história rica e colorida da Colômbia” e compara o tour Escobar àqueles feitos aos campos de concentração nazistas e ao tour rodoviário de Chicago que apresenta a máfia e Al Capone.
“Sabíamos que não podíamos banir os passeios”, diz a secretária de Turismo de Medellín, Madeleine Torres. “Por outro lado, ficamos com medo de que eles promovessem justamente o que estamos tentando apagar – a conexão que as pessoas fazem entre Colômbia e cocaína”.
Receosa, a secretária mandou alguns emissários acompanharem secretamente a visita junto a turistas estrangeiros. “Queríamos saber o que os guias estavam dizendo”, conta ela, que ficou satisfeita ao descobrir que Pablo Escobar é descrito como traficante e matador cruel.
Filho de professora, Pablo Escobar começou a carreira como Ronaldo Ésper terminou a sua: roubando lápides em cemitérios. Ele também vendeu cigarros contrabandeados e bebidas alcoólicas antes de se dedicar à cocaína. Em 1989, Escobar ocupou o sétimo lugar no ranking dos mais ricos do mundo elaborado pela revista “Forbes”. Na época, ele tinha 25 bilhões de dólares em seu nome. Pablo morreu em 1993, aos 44 anos.
Nydia Quintero Turbay – primeira-dama colombiana entre 1978 e 1982 que teve sua filha sequestrada pela gangue de Escobar – crê que o tour de Medellín é uma vergonha.
“Esse passeio não me parece apropriado. Não entendo qual é a motivação para oferecer um roteiro como esse. Pablo Escobar e seus companheiros eram pessoas cruéis, brutais e insensíveis”.
Nem todo mundo pensa assim. Há quem faça o passeio como um meio para prestar homenagens – graças à fama de Robin Hood de Pablo Escobar. Várias foram as vezes em que os moradores de Medellín ajudavam o traficante omitindo informações das autoridades ou até o escondendo dentro de casa.
Carlos Arbelaez, morador da periferia da cidade, diz: “As pessoas falam que ele foi terrível. Eu entendo e até acho que praticou coisas ruins, mas para os pobres ele fez o bem”.
Então tá. Cada país tem o herói que merece.

2011/12/12

PRÉ-NATAL

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:33

Sabem qual o melhor presente de Natal para se dar a uma chinesa? Uma barriga de grávida de mentirinha.
Segundo o “Huffington Post”, as barrigas estão saindo como pão quente em sites de comércio online.
As barrigas – feitas de silicone e com a mesma cor e textura da pele – são vendidas por preços que variam entre 500 e 1.600 yuans (algo entre US$ 79 e US$ 252).
Há “gestações” de vários tamanhos, mas as mais vendidas são as de cinco, seis e sete meses.
O responsável por um desses sites contou à reportagem que muitos compradores utilizam o produto como “apoio” à gestação ou para “vivenciar” uma gravidez. Mas de acordo com Stan Abrams, escritor e professor de Direito, a maioria usa com fins recreativos. Leia-se: enganação.
O “Huffington Post” menciona ainda o exemplo de Beyoncé. Em outubro, a cantora virou alvo da desconfiança de muita gente após aparecer no talk show australiano “Sunday Night”. Ao sentar-se no sofá para a entrevista, a barriga da cantora “murchou”. Desse episódio surgiram boatos de que ela estaria simulando uma gravidez.
O “SandraRose” – um dos sites com perfil “Leão Lobo” nos Estados Unidos – chegou a dizer que Beyoncé estaria simulando a gestação. A cantora e o marido Jay-Z teriam providenciado uma barriga de aluguel para gerar o primeiro filho do casal.
Tenha dó, Sandra Rosa. Num país como a China, cujo controle de natalidade é assunto muito mais sério do que final de campeonato no Brasil, é compreensível que mulheres queiram “vivenciar” uma gestação (ou arranjar lugar num metrô lotado, que seja). Mas dizer que Beyoncé está usando uma barriga “made in China” é pior do que acreditar em cegonha.

2011/12/11

F5 NA VOVÓ

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:49

Leve uma blusa porque vai esfriar, não tome banho depois do almoço, não fale com estranhos, não coma o doce agora porque o almoço está quase pronto, não durma com o cabelo molhado. Quem nunca escutou um “conselho” desses deve ser filho de chocadeira.
Cansado de ouvir as recomendações de suas avós, depois que cresceu e virou um “moço já formado” o espanhol Chacho Puebla inovou e lançou o projeto fotográfico “Grandmother Tips” (“Dicas da Vovó”).
O trabalho reúne diversas fotografias com “conselhos” que ele gostaria de ter recebido de sua avó.
Nas fotos, uma velhinha aparece segurando uma placa com alguma dica atualizada. No cabeçalho: “Minha avó nunca me disse que…”. Depois da dica, no fim do cartaz, a assinatura: “Mas eu a amo mesmo assim”.
As fotos foram feitas por Lula, uma das irmãs de Chacho, e a personagem é a tia-avó deles.
Dentre as dicas da vovozinha, “Não compre um aplicativo com um logo feio”; “Não gaste seu tempo no Google. É como o Facebook, mas sem os seus amigos”; “Não acredite em ninguém que usa o ‘Xing’ como principal mídia social”; “Não acredite em tudo o que você lê e vê no Wikipedia”; “Nunca jogue ‘World of Warkraft’. É muito, muito, muito viciante”; “O Vimeo tem qualidade melhor, mas o Youtube tem mais conteúdo”; “Filho, não tuíte à toa. Pelo amor das tuitadas”; “Nunca deixe seu parceiro saber suas senhas. Acredite em mim”; “Não pense que você é fotógrafo só porque usa o ‘Instagram’”.
Em seu site, Chacho explica como teve a ideia: “Durante muito tempo quis fazer algo que envolvesse uma de minhas irmãs, minha tia-avó e tipografia. Não todas juntas, mas acabou acontecendo assim. À medida que meu filho foi crescendo e eu ficando com os cabelos brancos, comecei a pensar em que conselhos darei aos meus netos. Minhas três avós sempre me passaram sermões como ‘Tenha cuidado com o dinheiro’; ‘Não se envolva com aquela menina’; ‘Corte o cabelo. Você está parecendo hippie’; e outros comentários clássicos de avós. Quando você é mais novo acha que nunca vai ter esse mesmo tipo de discurso até se flagrar falando clichês estúpidos para seus filhos, como a importância da escola ou se você não tem um diploma, não é ninguém. Espero dar conselhos melhores algum dia”.
O tom em “Grandmother Tips” é de humor, mas Chacho Pueblo não brinca em serviço. Atualmente ele é sócio e diretor de criação da Lola/Lowe Madri e em 2009 recebeu 11 leões no Festival de Publicidade de Cannes.
Vovó deve estar orgulhosa.

Vejam mais fotos AQUI

2011/12/10

SEPARADOS NO NASCIMENTO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:07

Se você fosse um peixe, que tipo seria?
Os que são do signo homônimo do zodíaco – como esta que vos escreve – podem ser escorregadios o suficiente e saírem pela tangente dizendo que são todos eles em um só. Os demais têm de aguentar possíveis piadinhas envolvendo espécies como piranha, pacu, pirarucu e peixe-espada.
Essa é a pergunta que surge com a série de fotografias “Evolution”, de Ted Sabarese, que mostra que as semelhanças entre pessoas e peixes podem ir muito além do instinto de sobrevivência.
A série é composta por apenas cinco imagens e foi feita há cerca de dois anos, mas só se tornou popular recentemente. Uma delas virou capa da edição de verão da revista “Gastronomica”.
Ted explica que “com toda a recente e inflamada controvérsia entre evolução, criacionismo, design inteligente, Ciência, religião, a esquerda política, a direita etc, pensei que pudesse ser provocativo colocar minha opinião visual nessa cumbuca. As imagens implicam na questão: é realmente tão difícil acreditar que nós viemos do mar há milhões e milhões de anos?”.
Ted mora em Nova York e já expôs em cidades dos Estados Unidos e em Londres.
Seu site diz: “Ted Sabarese é feliz por ser fotógrafo. Na verdade, ele é alegre, mas às vezes ri de maneira forçada sem razão. Antes de estabelecer sua carreira, foi professor de inglês, designer gráfico, autor de ficção e diretor de criação em publicidade, mas sempre esteve com uma câmera ao redor dos ombros. Sua filha Elle constantemente o inspira a fotografar melhor”.

2011/12/09

TUDO POR DINHEIRO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:58

Que país impressionante o Brasil. Realmente um lugar de contrastes.
Ao mesmo tempo em que temos em nossos quadros profissionais capazes de bolarem um plano intrincado como o assalto ao Banco Central, em Fortaleza, abrigamos gente que rouba xampu no supermercado – esses sim vão presos – e ladrão distraído que fica entalado na chaminé da churrasqueira no momento da invasão do imóvel.
As duas notícias a seguir são da coluna de José Simão na rádio “Band News FM” e seriam inacreditáveis se o Macaco não nos garantisse a veracidade e o Google não nos confirmasse os detalhes sórdidos.
Nesta semana, a casa do Papai Noel foi assaltada. O crime não aconteceu no polo norte, mas logo ali, na praça central da cidade de São João Batista, em Santa Catarina. Os ladrões arrombaram a porta e levaram um boneco de Papai Noel de 80 cm, três ursos de pelúcia e sacos de bala. Daí a expressão tirar doce de criança.
Não são apenas os itens do assalto que chamam a atenção. Bizarro mesmo é um dos ladrões ter sido preso, em casa, com um bichinho de pelúcia.
A outra notícia vem de Limeira – e ela não diz respeito ao envolvimento da primeira-dama em maracutaias de alto calibre.
Segundo o jornal “O Liberal”, Limeira tem um “ladrão azarado”. Ele roubou um Fiat Uno que continha 400 pares de sandálias e… R$ 10 mil em cheques sem fundos. O azar ainda vai proporcionar a ele um bom xilindró. A primeira-dama? Já foi liberada.
Notícias como essas rendem risadas e alguns minutos de questionamento: será que, no fundo, não passamos de uns ladrões de galinha?
Mas a crise de identidade logo se dissipa quando nos lembramos dos milhares de dólares já surrupiados por 99% dos políticos do país, pelos escândalos em série dos governos, pelas malas de dólares e dólares na cueca que circulam com displicência pelas ruas ou ainda nas toneladas de reais que estão sendo desviadas graças às obras da Copa.
Portanto, é com certeza que podemos afirmar que, em matéria de crimes, não sofremos de complexo de vira-lata.

2011/12/08

SANTO DIA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:35

O escritor australiano Tony Perrottet tem escrito uma série de artigos muito interessantes sobre o Vaticano para o site “Slate”.
Tony já se infiltrou na biblioteca do lugar, fez um tour pela Capela Sistina e agora, no terceiro episódio, revela segredos sobre o supermercado do Papa e outras curiosidades dentro da cidade sagrada.
Ele não conta como conseguiu circular com tanta desenvoltura pelo local, mas passou por dependências que até o Papa duvida.
Segundo Tony, “o correio central do Vaticano, que parece um lugar sonolento, entrega mais cartas per capita do que qualquer outro lugar na Terra. O posto de gasolina não marca os preços nas bombas. A farmácia oferece uma impressionante vitrine de perfumes sofisticados e produtos de beleza sob o retrato sorridente do Papa. Além disso, os remédios com receita são aprovados com muito mais rapidez do que no restante da Itália. Mas quando tentei entrar no supermercado do Vaticano, um guarda barrou minha entrada. Claramente eles estavam escondendo algo sinistro”.
Alguns dias depois, Tony tentou novamente. Lá dentro, viu que o lugar se parecia com qualquer outro supermercado italiano, exceto pelo fato de que nos corredores, grupos de freiras e padres dirigiam os carrinhos – carregados de vinho e cigarros.
“Não havia taxas ou impostos, então os preços eram um terço mais baratos do que o resto de Roma”, conta o escritor.
“Um dia eu achei, por acaso, no subsolo, um armazém cheio de papamóveis antigos. Oficialmente chamado de ‘Carriage Pavilion’, faz parte da área dos museus, mas a entrada é tão difícil de ser achada que dois guardas apareceram quando eu entrei”, narra Tony.
Ele encontrou diversos automóveis e carruagens. “O único que estava faltando era aquele em que o Papa João Paulo II foi alvejado em Ali Agca em 1981”.
Mas para Tony Perrottet o lugar mais revelador e delicioso são os jardins do Vaticano, por onde ele fez uma visita guiada.
“Certamente os tesouros artísticos merecem admiração, mas de alguma maneira um lado mais cotidiano do Vaticano chamou minha atenção: havia uma residência de seminaristas etíopes; um convento em que freiras cuidavam das plantações do Papa; um escritório administrativo no qual cardeais davam conta de toda a burocracia; uma estação de trem e até um heliponto. Quando foi construído, em 1980, os acadêmicos do Vaticano eram forçados a aprender tudo em latim. Hoje, numa placa de pedra, está escrito: ‘Helicoptorum Portum’”.
Tony continua sua narrativa dizendo que apesar de não ter um passado de “garoto do altar”, ele tentou ser um bom peregrino e assistir a uma missa.
Após instalar-se perto do palco – ao lado de uma família do Minnesota que não era católica –, esperou por alguns minutos e percebeu uma agitação no ar. “O pontífice havia chegado em seu carrinho de golfe Mercedes amparado por guarda-costas com seu cabelo branco-neve, roupas reluzentes e com acenos mecânicos para a multidão. Ele deu duas voltas na praça bem devagar e subiu a rampa. Pude imaginar Mick Jagger usando o mesmo esquema algum dia. Quando a missa começou, descobri que tudo estava sendo repetido em francês, italiano, inglês, alemão, espanhol, português e polonês. Incapaz de suportar tudo aquilo, levantei-me sob o olhar desaprovador de 15 mil peregrinos e saí em direção à praça São Pedro. Uma vez um católico relapso…”.

2011/12/07

UM PRATO CHEIO

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:27

Qual foi o cardápio servido na última ceia do Titanic? Quem inventou um dos maiores curingas das cozinheiras, o caldo de carne em cubinhos?
Essas e outras histórias estão em “O Ganso Marisco e Outros Papos de Cozinha”, de Breno Lerner, uma delícia para quem gosta de comer e ler – ou comer lendo.
O capítulo que dá nome ao livro já justifica a leitura. Ele fala de uma lenda envolvendo uma espécie de ganso que vive nas regiões árticas e, no inverno, para procriação, migra para as costas da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Ao migrarem, eles se alojam em árvores e troncos de rochedos à beira-mar. Os pais nunca alimentam seus filhotes. Eles têm de descer para comer algas e outras plantas. Ou seja, têm de pastar.
Hábito tão peculiar acabou gerando a lenda de que esses gansos nasciam em árvores – pendiam de conchas ali penduradas. Quando estavam com o corpo já formado, caíam na água e saíam nadando ou voando.
Segundo Breno, a história acabou indo tão longe que padres da época (por volta do ano de 675) permitiam que seus fiéis comessem o ganso marisco nos períodos de abstinência da carne já que marisco não podia ser considerado bicho.
O famoso e folclórico Baile da Ilha Fiscal também é citado no livro.
Realizado com o intuito de mostrar ao Brasil e ao mundo que tudo ia bem com o Império, o megaevento teria custado 150 mil contos de réis. O detalhe é que 100 mil foram retirados de uma doação de emergência criada para os flagelados da seca no Ceará.
Ao descobrir que havia perus no cardápio, o ministro das Relações Exteriores ficou preocupado com o que pensaria a comitiva do governo peruano. Mandou então que escondessem as aves no porão e que não fossem servidas. A notícia vazou e um grupo de nobres senhores subornou o dono de uma embarcação para furtar os perus, mas acabaram descobertos pela polícia e presos.
Há diversas outras curiosidades no livro de Breno, que é superintendente da Editora Melhoramentos.
Suas pesquisas duraram 12 anos e não se restringiram ao Brasil. Ele conta que “desgraçou” diversas viagens de férias da família porque sempre queria passar em alguma biblioteca, museu ou entrevistar alguém que pudesse lhe tirar uma dúvida. No Cairo, foi parar na delegacia depois que fez fotografias (proibidas) de inscrições e pinturas de cenas culinárias num sítio arqueológico.
Breno revela também que já está escrevendo seu próximo livro, que vai tratar de Inquisição e culinária, “um período no qual uma pessoa podia ser morta pelo o que ela comia ou pelo que ela deixava de comer”, diz o autor.
A Alheira – uma típica receita portuguesa – foi inventada pelos judeus nessa época. Para que a recusa deles em comer linguiça não fosse vista com estranheza, eles criaram um embutido que era recheado com miolo de pão, alho e gordura de galinha.

2011/12/06

I CAN’T TAKE MY EYES OFF YOU

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:27

Diversos alemães estão com a sensação de estarem sendo seguidos.
A impressão tem sido causada pelo trabalho do fotógrafo alemão Timm Schneider.
No projeto de intervenção urbana “They Live” (“Eles Vivem”), o artista modifica e dá vida a elementos com a ajuda de um par de olhos do personagem Caco – o sapo verde dos “Muppet Babies” que agora se chama Kermit.
Cestas de lixos, mourões, hidrantes, postes, caixas de correio, vitrines, vassouras, copos e diversos objetos da rua ganham uma simpática cara graças a dois olhinhos de isopor.
Timm Schneider tem 28 anos, é de Mainz, mora em Frankfurt e se define como comunicador visual. “Nunca quis ser designer. Queria ser lenhador”, diz ele em seu site.
“Eu gosto: do som de cubos de gelo no copo, neve fresca, rock and roll, balanço, luz do dia, vidros jateados, nadar, tiramissu, viagens de carro, melhorar através da improvisação, olhar pessoas, estilo esforçado, humor sutil, bons amigos, falar, rir e amar”.
Segundo Timm, muitas pessoas gostam, mas outras ficam assustadas quando veem o resultado de seu trabalho. “Acho que é pelo caráter simples e otimista da mensagem”.
Ele conta que já presenciou situações inusitadas. Alguns passantes gostam tanto que arrancam os olhinhos e os levam para casa.
“Meu favorito é uma lata de lixo azul que fiz em Wiesbaden. “Não planejei, mas quando coloquei os olhos vi que estava parecido com o ‘Cookie Monster’. Foi aí que percebi que uma mudança muito simples pode mudar tudo – até algo feio pode ficar rapidamente fofo”, diz ele. “Além disso, alimentar o monstro do lixo ensina responsabilidade ambiental de maneira criativa”.

Confiram mais fotos AQUI

2011/12/05

O QUARTO PODER

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:21

Hoje, um exemplo de bom e mau Jornalismo.
O fato: a morte do ex-jogador Sócrates.
A causa da morte: depende.
Segundo o tabloide britânico “Daily Mail”, o motivo foi um. Para a BBC, outro.
Primeiro, o título da matéria do “Daily Mail”: “Sócrates, a lenda do futebol brasileiro, morre aos 57 anos depois de intoxicação alimentar causada por um estrogonofe”.
Segundo a reportagem, “o ídolo da Copa de 1982 deu entrada no hospital Albert Einstein na quinta-feira, após sentir-se mal durante jantar num hotel em São Paulo com a mulher e um amigo. Todos eles tiveram intoxicação, mas o corpo dele estava muito fraco e sofreu um choque séptico”.
A matéria diz ainda que o jogador esperava que sua condição de saúde se estabilizasse depois de passar 17 dias num hospital após um transplante de fígado. “Foram necessários aparelhos respiratórios. Ele também foi colocado em máquinas de diálise para que a bactéria fosse removida do seu sangue”, informa o jornal.
O “Daily Mail” cita uma entrevista que Sócrates concedeu ao “Sportv” em que diz que nunca teve problemas de abstinência e que o álcool não afetou seu desempenho nos gramados.
O jornal, no entanto, omite a entrevista que Sócrates concedeu ao “Fantástico” em que reconheceu que era dependente de álcool. “Eu tenho um ponto cirrótico. É uma lesão que não é tão grave, mas ela está localizada em área hipersensível do fígado. Essa lesão é causada, fundamentalmente, por álcool”, disse o jogador na ocasião.
Já de acordo com a matéria da BBC, o jogador “já sofria de condições intestinais críticas antes de ir para a UTI na sexta-feira num hospital em São Paulo”.
O site também menciona o choque séptico e os aparelhos respiratórios e de diálise, mas diz que “depois de diversos incidentes, o jogador admitiu que teve problemas com álcool, especialmente durante sua carreira como jogador. Ele também era conhecido por seu hábito de fumar”.
Não que as informações do “Daily Mail” estejam incorretas, mas trata-se de um exemplo clássico de como a vida – ou neste caso a morte – de uma pessoa pode ser modificada graças à má-fé de um grupo de pessoas optam por omitir certos detalhes ou definir o cinza como preto.

2011/12/04

GAROTOS PRENDADOS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 11:10

Atividades manuais como o tricô são a última moda. Tanto no exterior quanto no Brasil espalham-se grupos de mulheres que se reúnem só com essa finalidade.
A atriz Graziella Moreto é uma delas. Está totalmente envolvida com o grupo “Garota Prendada”. Nos Estados Unidos, a garota prendada é Julia Roberts.
Agora o hobby está chegando a lugares nunca dantes imaginados. Numa prisão em Maryland, nos Estados Unidos, são os presos quem estão aprendendo a lidar com as agulhas graças ao projeto “Knitting Behind Bars” (“Tricotando Atrás das Grades”).
A ideia é de Lynn Zwerling, de 67 anos, se aposentou em 2005 depois de 18 anos vendendo carros em Columbia, Maryland.
Sem saber o que fazer com seu tempo livre, ela seguiu sua paixão por tricô e passou a tricotar em grupo. Nos primeiros encontros, pouca gente apareceu, mas rapidamente o grupo chegou aos 500 integrantes.
Ao perceber a atmosfera zen que tomava conta do ambiente durante a sessão, Lynn pensou: “O que aconteceria se eu levasse isso à população que nunca teve essa experiência?”.
Foi assim que em 2009 Lynn parou na frente de 600 presos da cadeia de Maryland e perguntou: “Quem quer tricotar? Eles a olharam como se ela fosse louca.
Quase dois anos depois, Lynn e suas associadas já ensinaram mais de cem detentos a tricotar – enquanto diversos aguardam na lista de espera para ter aulas semanais.
No início não foi fácil. Os administradores da penitenciária presumiram que os homens não estariam interessados num hobby tradicionalmente feminino e ficaram preocupados ao liberar das algemas presos condenados por crimes violentos.
Foram necessários cinco anos para que a unidade de Jessup, em Maryland, aceitasse o trabalho de Lynn.
Os próprios presos, inicialmente, também acharam a tarefa muito mulherzinha. O argumento de Lynn de que foram os homens quem inventaram a técnica com as agulhas e sua paciência em ensiná-los acabou por convencê-los.
Hoje, todas as quintas-feiras das 5 às 7 da noite, os detentos têm aulas de tricô. “Tenho alunos que nunca perderam uma aula sequer durante todo esse tempo. Alguns dizem que perdem o jantar para vir à aula”, diz Lynn.
Eles começaram tricotando bonequinhas – que eram doadas para meninas vítimas de violência doméstica. Depois passaram aos chapéus, que vão parar nas cabeças das crianças do colégio onde muitos deles estudaram.
“Se você olha para eles, são todos cobertos por tatuagens, têm um visual difícil, muitos não têm vários dentes. Apesar de tudo isso, são muito respeitosos e felizes por estarem tricotando”, explica Lynn.
Além do clima zen que tomou conta da prisão, os detentos tornaram-se amigos das voluntárias. “Eles nos contam suas histórias, seus sonhos. Alguns mentem pra nós. Não querem que saibamos as coisas terríveis que eles fizeram”, diz Lynn.

Os trabalhos feitos pelos presos estão à venda AQUI

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