O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/11/13

OS MALES DA INCONTINÊNCIA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:50

Foram tantos os bocas malditas que já passaram pelo governo que poderíamos escrever um “pocket book” só com citações infelizes de nossos representantes.
O boca maldita caracteriza-se especialmente por seu destempero verbal, mas existem subdivisões: há os clássicos, os envenenados e os folclóricos.
O ex-Ministro do Trabalho, Antônio Rogério Magri, é um boca maldita folclórico. Além do seu apreço por cães – que para ele eram como seres humanos – entrou para a História graças ao seu “imexível”.
Quase 20 anos depois, definitivamente podemos afirmar que Magri não era para ser levado a sério. É um Nemo perto dos tubarões de hoje.
Já a língua envenenada de Nelson Jobim produziu confissões (“Eu votei no Serra”), ofensas (“Ideli é muito fraquinha” e “Gleisi nem sequer conhece Brasília”) e resultou em seu afastamento. Vingativo, deve estar amarrando nomes na boca de sapos por aí.
Já Bolsonaro é o clássico: vai se envenenando à medida em que suas declarações ganham espaço na mídia. Apesar de mais nocivo do que Magri, também não deve ser levado a sério.
O boca maldita da estação é o (ex?) Ministro do Trabalho Carlos Lupi, que representa a evolução da espécie. Lupi é o famoso três em um: consegue ser clássico, envenenado e folclórico ao mesmo tempo.
Da boca de Lupi já saíram pérolas como: “Duvido que a Dilma me tire, ela me conhece muito bem. Para me tirar só abatido a bala – e precisa ser bala forte porque eu sou pesadão”.
Depois de se declarar “osso duro de roer”, voltou atrás, arrependido: “Presidente Dilma, me desculpe, eu te amo”.
Antes que sobrasse para ela, a mesma Gleisi ofendida por Nelson Jobim apareceu para passar um pito em Lupi. Em vão. O boca maldita legítimo morre atirando.
O ex-Ministro do Esporte Orlando Silva fazia a linha “dois ouvidos e uma boca”. Ao contrário de seu colega Carlos Lupi, permaneceu quieto durante o tempo em que foi o centro das denúncias.
Só nesta semana resolveu se manifestar – mesmo assim por escrito.
Numa extensa carta enviada ao jornalista Jorge Bastos Moreno, de “O Globo”, ele diz que viveu um “tsunami político” e que ficou “perplexo” com a informação de que a “Veja” iria publicar uma acusação de que ele teria recebido dinheiro indevidamente.
Orlando Silva não é um boca maldita – esse geralmente é um predestinado – mas está crente que é um deles.
“Estou acostumado com luta política, com crítica, divergência ideológica, ataques à gestão, antipatia pessoal, insatisfação com estilo…tudo isso eu sempre compreendi. Mas, mentir!? Inventar uma história para atacar a honra de uma pessoa e de um Partido!? Imaginava que luta política tivesse limites, afinal, até na guerra há limites. Estava enganado. A partir de uma farsa, foi organizada uma verdadeira campanha para me derrubar”.
Nós, no meio do fogo cruzado, não sabemos em quem acreditar. Na imprensa “denuncista” ou nos alvos dela? Estarão Carlos Lupi e Orlando Silva falando (ou faltando com) a verdade?
A proposta deste blog é organizar uma caravana com destino a Roma que vai levar todos os bocas malditas – envolvidos ou não na “onda de denuncismo”.
Na viagem eles serão submetidos a uma consulta especial na “Bocca della Verità” (“Boca da Verdade”).
Reza a lenda que essa pedra em mármore é um detector de mentiras. Segundo a tradição, se um mentiroso colocar a mão dentro da boca do monumento, ela se fechará, prendendo a mão do elemento.
Já imaginaram Magri, Jobim e Bolsonaro comentando o desempenho dos colegas?
Diversão garantida ou o seu dinheiro de volta.

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3 Comentários »

  1. Tatiana
    Que texto brilhante! Me sinto privilegiada por ter acesso a ele.

    Comentário por picida ribeiro — 2011/11/13 @ 10:56

  2. Oi Tati. Melhor não levar os caras pra Roma. Só se alguma ONG pagar a viagem…
    Bjão,
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2011/11/13 @ 14:06

  3. Nenhum se salva,se a mamãe estiver na plataforma, o empurrão será dos queridos filhos.

    Comentário por Juventino — 2011/11/13 @ 17:18


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