O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/11/30

A ESGANADA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:16

Carolyn Ekins é gorda. Muito gorda. Uma esganada. Hoje ela está nos 121 quilos, mas o ponteiro de sua balança já girou para números maiores.
É provável que ela tenha tentado todos os tipos de regime, mas de um ano e meio para cá decidiu ter uma experiência mais radical e adotar uma dieta de guerra. Literalmente. Seu objetivo é viver um ano à base das porções da época da Segunda Guerra Mundial.
Em setembro de 1939 o governo inglês criou o “Ministério da Comida”, que tinha a missão de supervisionar o racionamento de comida e orientar de que forma a população tinha de se alimentar.
A população foi incentivada a aprender a produzir a própria comida, a reciclar, a reduzir a dependência de importados, a combater o desperdício e a manter uma dieta balanceada.
Carne fresca e frutas como banana e laranja eram artigos de luxo. Batata, cenoura e pão eram a base da alimentação.
Cada pessoa recebia um cartão de racionamento e tinha direito, semanalmente, a duas fatias finas de bacon, 57 gramas de queijo, 57 gramas de manteiga, 57 gramas de óleo para cozinhar, 57 gramas de chá (15 saquinhos), 230 gramas de açúcar e qualquer tipo de carne que custasse até 2 libras.
Esse tem sido o cardápio de Carolyn.
Paralelo ao regime, Carolyn lançou o blog “The 1940’ Experiment”. Nele, além de comentar a evolução de sua dieta, ela mostra fotos de sua perda de peso. Para cada quilo eliminado, ela recria e publica uma receita dos anos magros da guerra.
“Estou certa de que temos muito a aprender com aquele período. Eu realmente acredito que seguir a dieta da comida racionada vai melhorar minha saúde e fazer com que eu perca peso. Além de tudo, é algo muito gentil com o planeta (consumir alimentos produzidos localmente e usar menos importados e embalagens)”, diz ela.
Em 2006, quando completou 40 anos, Carolyn fez a dieta durante quatro meses e perdeu 26 quilos. Em agosto de 2009, pesando cerca de 143 quilos, ela decidiu retomar o regime. Sua meta era enxugar, pelo menos, 45 quilos. Mas, por enquanto, ela só perdeu 22.

Confiram o blog AQUI

2011/11/29

UMA VIDA DE CÃO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:38

Essa é para quem sempre achou que o buldogue é um cachorro que tem cara de triste.
Uma reportagem do “The New York Times” – “Can the Bulldog Be Saved?” (“O buldogue pode ser salvo?”) comprova que não é impressão. Eles são realmente cães sofredores.
Os buldogues são uma espécie de bonsai do mundo canino.
Apesar de serem adorados pelos donos por sua alegria e simpatia, a raça tem tudo o que é tipo de problema de saúde. O buldogue apresenta problemas cardíacos, respiratórios, imunológicos, neurológicos, locomotores e ainda dificuldades para cruzar, para dar à luz e ainda por cima é o cão que mais solta puns.
Ele vive, em média, seis anos.
O buldogue sofreu diversas modificações durante os tempos. Na França, na Holanda e na Inglaterra do século 19 eram comuns os “bull-baiting”, combates entre cães e touros.
Para isso, eles deveriam ter algumas características que facilitassem o desempenho durante a luta, como as extremidades e o nariz curto.
Mas, além de desejarem um bom cão de combate, os donos queriam também um bom cão de companhia. A criação de buldogue tornou-se um negócio altamente rentável.
Segundo o “The New York Times”, um documentário inglês escancarou o problema: “Pedigree Dogs Exposed”. Mas os criadores do Kennel Club Britânico negam que o cão seja um sofredor.
Brenda Bonnett, epidemiologista e consultora veterinária, diz que o buldogue tem mais problemas de saúde do que qualquer outra raça. Além dos já citados, ele pode ter infecções de pele e problemas nos ouvidos e nos olhos.
Mas por que uma pessoa escolhe ter um bulldog? Basicamente porque são brincalhões e têm uma aparência quase humana, diz a reportagem.
“De uma certa forma, nós acentuamos algumas características para que eles parecessem mais humanos. Nós criamos buldogue por causa de seu rosto plano, seus olhos, boca e sorriso grandes”, diz James Serpell, diretor do Centro Para a Interação Entre Animais e a Sociedade da Universidade da Pensilvânia.
Um especialista em dentição canina explica ao jornal que encurtaram tanto o rosto do cão que não há espaço para tudo se ajeitar lá dentro. “A língua, o palato, tudo está comprimido. Os dentes parecem que foram arremessados, as narinas são pequenas e o resultado é que um buldogue mal consegue respirar”, diz o Dr. William Rosenblad.
Até para transar e comer ele tem dificuldades. Além da comida, ele engole ar, o que causa constantes vômitos. Por isso o dono precisa estar sempre de olho para o caso de o cachorro precisar de uma ajuda para arrotar.
Segundo os especialistas, há opções de cirurgia para a correção desses males, mas uma operação num buldogue é complicada porque, sob anestesia, os tecidos e os músculos atrás da garganta do cão ficam relaxados e bloqueiam a passagem do ar. Qualquer intervenção cirúrgica é perigosa para eles.
Quem pode ser feliz com tantas limitações?

2011/11/25

CAMINHANDO E CATANDO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 07:54

O “flash mob” é quando um grupo de pessoas se junta para realizar uma ação que foi combinada pela Internet. Vale desde guerra do travesseiro até passeata de zumbis.
O maior e mais famoso deles foi exibido pelo programa de Oprah Winfrey em 2009. Nele, cerca de 21 mil pessoas dançaram uma coreografia ao som de “I Gotta Feeling”, do Black Eyed Peas.
A princípio, a ideia é apenas a diversão.
Segundo a revista “Wired”, a moda do momento são os “flash robs”. O negócio começou em Washington, em abril, quando cerca de 20 pessoas entraram numa loja de jeans e rapidamente levaram 20 mil dólares em produtos. Desde então, a atividade se expandiu para cidades como Dallas, Las Vegas, Ottawa e Upper Darby.
O mais recente ocorreu no sábado num 7-Eleven em Silver Spring, Maryland, e foi obra de um grupo de crianças.
Como a maioria dos crimes continua sem solução, a polícia não sabe dizer quem são as crianças e como se reúnem, mas alguns conservadores do jornal “Christian Science Monitor” garantem que já presenciaram alguns “flash robs” e afirmam envolver adolescentes afroamericanos. Em agosto, escreveram uma matéria com o seguinte título: “Flash Robs: Are They The Race Riots of the Internet Age?” (“Flash Robs: Eles São as Revoltas Sociais da Era da Internet?”).
Numa pesquisa realizada em agosto pela Federação Nacional de Varejistas revelou que 10% dos lojistas americanos já foram vítimas de algum “flash rob”.
Segundo a revista “Wired”, ao contrário do que faz crer o jornal cristão, os grupos de ladrões não agem com violência e preferem levar itens que custam poucos dólares em vez de aterrorizarem os operadores de caixa.
Os adolescentes parecem inclusive felizes em participar da ação – alguns vídeos mostram imagens de ladrões bem sorridentes.
Enfim, de acordo com a “Wired” é uma espécie de onda de rebeldia sem causa, já que depois os adolescentes veem as imagens das câmeras de segurança que circulam no “Youtube”.
O otimismo da “Wired” é bonito de se ler.
Pensando em como certas manias e comportamentos americanos encontram praticantes mundo afora, concluí que em breve os “flash robs” chegarão por aqui. Mas de repente lembrei-me de nossos arrastões. O que são eles se não “flash robs”?
A diferença é que os nossos, até por sermos um país tropical, ocorrem ao ar livre, como na praia ou nas engarrafadas ruas paulistanas.

Nos próximos dias estarei no Rio. Novos posts a partir de terça-feira. Até!

2011/11/24

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:54

Adriano é o assunto da semana. “É um predestinado”, dizem.
Após marcar um gol aos 43 minutos do segundo tempo, voltou a imperar. Um golzinho foi o suficiente para apagar da cabeça do torcedor e da imprensa que Adriano já amarrou namorada em árvore, sumiu do Inter de Milão sem dar satisfações e apareceu em fotos fazendo poses com um fuzil.
Mas o bando de loucos está pouco se lixando para o que seus ídolos fazem fora dos gramados. Como nas melhores empresas, o compromisso da torcida é com o rendimento e a produtividade.
Até porque, como diria o goleiro Bruno, “Qual de vocês que nunca brigou com a mulher? Que não discutiu, que não até saiu na mão com a mulher, né cara?”.
Jogador de futebol santo só o Kaká – que é por todos eles.
A euforia do corinthiano se mistura à discussão do “se ele vai lá e resolve” e “é um predestinado” precisa treinar?
Claro. Adriano só fez um gol. O discurso e o comportamento “romarianos” com certeza não encontram eco entre os demais jogadores do grupo. Ai do professor que só escala um jogador para as partidas-filé e o exclui dos treinamentos. É levante no quartel.
Mesmo em processo de recuperação, o feito do Imperador é surpreendente para quem falava em aposentadoria há cerca de dois anos. Num “Jornal Nacional” em 2009 uma reportagem de Tino Marcos dizia: “Chinelos, bermuda. É assim que ele quer daqui pra frente. Adriano, aos 27 anos, parou com o futebol. Até quando? Nem ele sabe”.
A matéria é da época em que o jogador se desligou da Seleção Brasileira e passou três dias “internado” na favela em que foi criado, na Vila Cruzeiro.
Se Adriano e a nação corinthiana querem saber o destino do Imperador, basta mirarem-se no exemplo de Ronaldo “Tim Maia” Nazário. Acusado de balofo, fez um gol sobre o Palmeiras e tornou a ser o ídolo da torcida. Pouco tempo depois, de volta ao velho mau desempenho e cansado da cobrança, anunciou sua aposentadoria em meio a lágrimas (de crocodilo).
A única diferença entre um e outro é que Adriano não derrubou o alambrado – talvez porque não tenha subido nele. Aguardem e confiem.
O mais legal disso tudo é com ou sem gol, gordo ou magro, com ou sem barriga tanquinho, aprovado ou não pela torcida, Adriano saiu do estádio neste domingo num Porsche Cayenne. Já o bando de loucos pegou ônibus e metrô mesmo.
Depois que pendurar as chuteiras, Adriano pode dar palestras motivacionais com o título “De gordo a imperador num chute”.

2011/11/23

QUEM AMA O FEIO, BONITO LHE PARECE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:34

O Renascimento foi um período de “descoberta do mundo e do homem”, como explica o historiador suíço Jacob Burckhardt no livro “A Cultura do Renascimento na Itália”. É de Jacob a definição que conhecemos hoje do período, tido como de grande florescimento do espírito humano.
Nessa época, os artistas procuravam reproduzir a realidade sob a influência do ideal de beleza grego através do equilíbrio, da perfeição e da harmonia das formas.
Mas um novo blog está aí para tirar o sarro desse ideal de beleza. Trata-se do “Ugly Renaissance Babies”, dedicado exclusivamente a pinturas com bebês feios. O subtítulo diz: “Esses bebês têm de ser divididos com o mundo”.
O blog existe há menos de uma semana, mas já conta com contribuições valorosas.
No primeiro post, a criadora diz: “Meu marido e eu amamos Arte. No entanto, há alguns bebês horríveis da Renascença que realmente nos fazem gargalhar. Isso tem de ser dividido com o mundo! Eu gritei (ok, não exatamente gritei, mas sussurrei alto) na Galeria Uffizi, em Florença. Não nos leve a mal, somos absolutamente fãs dessas peças de arte, mas elas são hilárias. Todas as imagens foram encontradas em outros sites e não estamos alegando que temos direitos sobre elas”.
O casal estudou Design e História da Arte na faculdade e gosta particularmente das pinturas da Madona e do Menino Jesus.
A quantidade e a variedade de crianças feias impressionam.
É interessante notar que os bebês, apesar de bebês, têm fisionomia de homens. Sem falar na total falta de proporção de alguns deles. Uns têm a bochecha enorme, outros o rosto completamente disforme, os olhos esbugalhados e um olhar macabro. Sem falar nos cabeçudos. Um terror. Esses bebês precisam renascer.
O blog – que aceita contribuições de leitores – já tem em suas páginas pinturas de artistas como Botticelli, Giotto, Peter Paul Rubens e Pietro Perugino.

Confiram os quadros AQUI

2011/11/22

AN APPLE A DAY

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:30

Se hoje o talento empresarial de Steve Jobs é incontestável, o mesmo não pode ser dito sobre seus hábitos alimentares.
Em sua biografia – escrita pelo jornalista Walter Isaacson e lançada como pão quente logo após sua morte – há detalhes sobre esse lado pouco conhecido de Steve Jobs.
Vegetariano, o empresário parou de comer carne na época da faculdade depois de ler “Diet for a Small Planet”.
Mas o biógrafo ressalta que o livro também reforçou a tendência de Steve de embarcar em dietas radicais, como de purificação ou de comer apenas um ou dois tipos de alimento por semanas.
Durante o ano de 1977 – o mesmo em que a Apple virou uma corporação – Steve só se alimentou à base de frutas. Nesse período, só tomava banho uma vez na semana e não usava desodorante. Ele acreditava que uma dieta sem proteínas impedia que ele tivesse algum tipo de odor corporal.
Já Lisa, a filha de Steve, conta que desde muito cedo percebeu que as obsessões do pai por dietas refletiam uma filosofia de vida na qual a disciplina e o minimalismo podiam chegar às mais diferentes sensações. “Ele acreditava que as melhores safras vinham de solos áridos. Era o prazer a partir da restrição”.
Segundo Walter Isaacson, há relatos de que Steve tenha ficado laranja pelo fato de comer muita cenoura. “Amigos se lembram dele com um bronzeado alaranjado”.
“Ele podia passar semanas comendo a mesma coisa – como salada de cenoura com limão ou simplesmente maçãs – e depois rapidamente rejeitá-la e dizer que tinha parado de comer aquilo. Às vezes ele passava por uns períodos de jejum, como ele fazia quando era adolescente, e virava um chato quando estava na mesa com outras pessoas. Ele gostava de falar sobre as vantagens do regime que estava fazendo”, diz Lisa.
Ainda de acordo com a filha, Steve era capaz de provar dois tipos de abacate que a maioria dos mortais acharia indistinguível. “Depois declarava que um era o melhor já cultivado e o outro ‘incomível’”.
Steve era tão radical que uma vez Lisa o viu cuspindo uma sopa no momento em que ele descobriu que continha manteiga.
Depois do transplante de fígado ele só podia se alimentar de smoothies de frutas, então pedia que tivesse à disposição sete ou oito sabores para que pudesse escolher o que mais lhe agradava.
Quando era jovem, Steve descobriu que podia induzir a euforia e o êxtase através do jejum. Então, já doente, mesmo sabendo que precisava comer – os médicos pediam para que ele ingerisse alta quantidade de proteína – ele admitia que seu instinto era jejuar.
Segundo a biografia, a esposa de Steve ficava brava quando ele sentava-se à mesa e ficava em silêncio ao seu lado. “Eu o forçava a comer. E isso era um momento de tensão inacreditável em casa”, conta ela.
O homem da Apple era seu melhor garoto-propaganda.

2011/11/21

O PESO DA LEMBRANÇA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:34

Ainda intrigada com a “amnésia lupiana”, coincidentemente deparei-me com um artigo sobre a memória do elefante.
Diversos estudos já demonstraram que o elefante tem mesmo uma memória proporcional ao seu tamanho. “Um elefante nunca se esquece”, dizem.
Segundo um artigo da editoria de Ciência da revista “Wired”, a qualidade da memória acentua-se com a idade e é mais frequente entre as fêmeas, que graças a essa sensibilidade assumem o papel de líderes e ajudam na sobrevivência do grupo.
Karen McComb, pesquisadora da Universidade de Sussex, em Brighton, Inglaterra, diz que elefantas com 60 anos ou mais conseguem avaliar uma ameaça com mais perspicácia do que suas companheiras mais novas.
Grupos familiares formados pela mãe e por uma dúzia de filhos podem permanecer juntos por décadas. A elefanta mais velha comanda – mas discretamente. “Ela pode até não andar na frente do grupo enquanto estão à procura de água, por exemplo, mas os outros elefantes estão sempre prestando atenção às reações dela”, diz Karen McComb.
Para testar a liderança, Karen e seus colegas reproduziram o aúdio de rugidos de leões para 39 famílias de elefantes num parque nacional no Quênia.
Os cientistas compararam as reações ao rugido de um leão versus os de três leões e descobriram que todas as matriarcas foram capazes de perceber que três eram mais ameaçadores do que um. Além disso, tiveram sensibilidade para notar que os leões eram mais perigosos do que as leoas.
“Temos um dilema interessante aqui – que pode se aplicar aos humanos também”, diz Mark van Vugt, da Universidade de Amsterdã. “O grupo talvez queira um integrante jovem, atlético e agressivo para ser o líder e defender o bando – como um Schwarzenegger – mas ao mesmo tempo quer um mais velho e experiente que consiga avaliar as situações de risco”.
“Se os mais velhos forem retirados do grupo isso pode causar muito mais impacto do que se imagina. Eles são uma espécie de depósito do conhecimento ecológico e social. Caçadores em busca de grandes e velhos elefantes representam uma ameaça gigantesca à espécie”, explica Karen.
Tomara que Lupi jamais tenha notícia da relação entre memória e elefantes. Pode usá-la como álibi.

2011/11/20

PEPINO, UM SANTO REMÉDIO

Arquivado em: Matutando — trezende @ 08:24

Há exatamente uma semana identificamos uma característica peculiar de Carlos Lupi: a boca maldita.
Seu destempero verbal continua rendendo, já que o ministro é incapaz de controlar seus instintos mais primitivos.
Se Lupi não consegue dominar nem o que sai de sua boca, o que dizer das conexões involuntárias do cérebro?
Nesta semana o ministro foi traído por seu cérebro. Sim, na melhor das hipóteses, Lupi sofre de amnésia.
Esse foi o álibi usado por esse Shrek – que quando o bicho pega, rapidamente vira o gatinho indefeso.
No entanto, graças à publicação de fotos e até um vídeo, lembrou-se de alguns episódios em dois ou três dias. Mesmo assim, por relutar em admitir certas estripulias, Lupi ainda pode ser diagnosticado com um quadro de esquecimento agudo. Gripe mal curada pode evoluir para uma sinusite. Já amnésia é um mistério.
A saída de Lupi é dada como certa somente no ano que vem, quando a presidenta realiza sua mudança ministerial. Então, o que pode acontecer a Lupi agora? Vai continuar sendo fritado ao vivo ou vai pedir pra sair?
A situação do ministro é tão patética e vergonhosa que ele já deveria ter botado sua viola no saco há muito tempo. Mas o boca maldita ainda vai causar mais estragos.
Como disse o Zé Simão, os escândalos do governo são como lenços de papel: você puxa um, vêm três. Se depender de Lupi, virá o pacote inteiro. Ele já prometeu que “vai carregar o caixão de muita gente”.
Será que Lupi não tem família? Ninguém para aconselhá-lo de que é o momento de sair de cena e entrar para a História? Na ausência de um ente querido ou de um ombro amigo, a dica é uma conversa com Cid Gomes, que tem experiência com aeronaves e agregados.
Nós, de mãos atadas e com disposição nula para manifestações que não sejam a Parada Gay, a quem podemos recorrer? Aos deuses?
O próprio ministro já apelou para eles. Primeiro para Ares, o deus da Guerra (“Pra me tirar, só abatido a bala”), e depois para Afrodite (“Dilma, eu te amo”), mas ela não se rendeu aos encantos encomendados à deusa.
Melhor mesmo invocarmos algo mais mundano. Os deuses não merecem ser incomodados por causa desse tipo de gente.
Recorramos então aos heróis do mais novo esporte preferido do brasileiro: a pancadaria.
Junior Cigano pode dar conta de Lupi. Em menos de 10 segundos o ministro sairá do ringue com a voz do Anderson Silva e aí sim apresentará um quadro de amnésia. Vai esquecer-se completamente por que está sentado na cadeira de Ministro do Trabalho.
Só lhe falta a voz doce. Afinal, na cara de gatinho indefeso ele já é craque.

2011/11/19

FUNCIONÁRIO DO MÊS: WILLY WONKA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:47

Angus Kennedy tem o melhor emprego do mundo. Todos os dias ele chega em seu escritório em Kent (sudeste da Inglaterra) e se joga em pilhas de chocolates, biscoitos, caramelos e tudo o que for doce.
Angus é “chocolatier” e editor da “Kennedy’s Confection”, uma das revistas do ramo mais conceituadas do mercado inglês.
A tarefa de Angus é avaliar cerca de 200 produtos todo mês.
“Recuso-me a escrever sobre alguma coisa se eu não tiver experimentado antes”, diz ele.
Em visitas a feiras voltadas a essa área, ele chega a comer quase um quilo de chocolate num único dia. 
A revista “Kennedy’s Confection” tem mais de 120 anos de história e cerca de 5 mil assinantes em todo o mundo. É um negócio que pertence à família de Angus há 40 anos. Só ele está envolvido desde os 10, quando seu pai morreu por causa de um câncer e sua mãe assumiu os negócios.
Desde aquela época Angus tinha uma coluna, a “Sweet Spot” (“Ponto Doce”).
Hoje os quatro filhos de Angus e a esposa, Sophie, também trabalham na revista. “Eles são capazes de identificar um chocolate 70% cacau de Gana de um comum”, diz Angus com orgulho.
Gana, ao lado da Costa do Marfim, é um dos maiores produtores de cacau do mundo.
Ao contrário de provadores de vinho, que tomam um pouco e cospem, o chocolate precisa ser comido.
Apesar disso, Angus é esbelto. Mesmo não tendo predisposição a ganhar peso, frequenta a academia duas vezes por semana. Segundo ele, “quatro pequenas barras de chocolate são queimadas em 20 minutos correndo na esteira, enquanto que pequenos biscoitos correspondem a sete minutos de trabalho pesado”.
O mesmo não pode ser dito em relação aos dentes. Seis anos atrás ele teve de encapar os molares – ironicamente seu escritório localiza-se em cima de um consultório dental.
Angus afirma não ter um chocolate preferido. “Gosto tanto de bombons frescos trufados como de um Ferrero Rocher. Sophie adora ‘After Eights’. Nós todos gostamos muito de ‘Cadbury’s’ porque crescemos com ele”.
Angus diz que as notícias do “mercado chocolateiro” não são nada animadoras. Segundo ele, as reservas de “cacau sustentável” podem acabar até 2014. Em 20 anos, o chocolate poderá ser tão raro e custar até dez vezes mais do que o caviar.
Isso porque enquanto a demanda cresce nos países emergentes, a produção de cacau cai em consequência das más condições de trabalho dos produtores do oeste africano.
Mesmo com a crise, o número de novos doces é inacreditável. Só no último ano foram 22 mil lançamentos.
Quando perguntado sobre as marcas mais caras, Angus responde que o segredo está no estalo. “Se tem alto índice de cacau na fórmula, ele emite um ruído baixo e crocante ao ser quebrado”.
Outras características a serem notadas são as bordas afiadas (sinal de que o chocolate não foi devidamente moído) e as bolhas de ar (incorretamente modelados).

2011/11/18

CARTOGRAFIA SENTIMENTAL

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:56

Como diz o comercial, o mundo não mudou tanto assim.
O mapa acima é o “Map of the Open Country of a Woman’s Heart” (algo como o “Mapa do País do Coração Feminino”, em tradução livre).
Criado entre 1833 e 1842, nos dá a chance de analisar com as mulheres eram percebidas 150 anos atrás. E a resposta: nada evoluiu.
A ilustração integra uma exposição online da “American Antiquarium Society” chamada “Beauty, Virtue & Vice: Images of Women in Nineteenth-Century American Prints” (“Beleza, Virtude e Vício: Imagens das Mulheres Americanas do Século 19 Através dos Anúncios”).
Por meio de fotografias, pinturas, representações em livros, imagens de revistas e jornais da época, a mostra revela como as mulheres eram vistas há cerca de 150 anos.
Segundo o mapa, o “Amor” está no centro do coração feminino, enquanto que o “Sentimentalismo” e outros sentimentos – incluindo “Bom Senso”, “Discriminação”, “Esperança”, “Entusiasmo” e “Amor Platônico” – tomam boa parte do território.
O texto da exposição diz que “as áreas dos sentimentos estão separadas de regiões traiçoeiras do coração feminino: ‘Egoísmo’ e ‘Faceirice’, especialmente para cavalheiros viajantes. Esses atributos sugerem que todas as mulheres são basicamente não-confiáveis. As áreas maiores, ‘Amor à Admiração”, ‘Amor ao Vestir’ e ‘Amor ao Exibir’ sugerem que elas são essencialmente fúteis e frívolas”.
A área denominada como “City and District of Love” (“Cidade e Distrito do Amor”) é cercada por uma cadeia de montanhas bem demarcada. A província do “Sentimento” é cortada pelo “Rio da Luxúria”.
O curador diz ao jornal “The Huffington Post” que “embora seja assinado por uma uma mulher – ‘By a Lady’ –, é bem provável que o mapa seja fruto da imaginação masculina”. Apesar disso, ele ressalta que um dos mais antigos e famosos exemplos de “cartografia sentimental” – a “Carte de Tendre” – é atribuída a uma mulher: a escritora francesa Madeleine de Scudery.
Além do mapa, a exposição tem seções como “Mulheres na Vida Pública”, “Mulheres em Casa”, “Ideal de Beleza”, “Mulheres como Objeto de Beleza e Desejo”, “Ameaças ao Ideal de Feminilidade: Escravidão”, “Variações no Padrão de Beleza, “Mulheres como Intérpretes” ou ainda “Imagens Femininas como Estratégia Publicitária”.
O “Huffington Post” lançou o desafio: “Quais seriam as características mais proeminentes de seu mapa interno? Se você tem inclinações artísticas e tem vontade de traçar alguma coisa, nós adoraríamos ver!”
Eu também. Aceito sugestões / trabalhos de leitores criativos.

Vejam o mapa inteiro AQUI

2011/11/17

A APOSENTADORIA DE ZÉ GOTINHA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:34

Lembro-me de que meu irmão pegou catapora primeiro. Eu, alérgica a picadas de insetos em geral, já apresentava uma promissora carreira na área das coceiras, mas mesmo assim – ou por causa disso – jogava-me em cima dele na esperança de contrair os pontinhos vermelhos. Não demorou muito e eu já estava toda empolada.
Mal sabia eu, mas era uma garota à frente do meu tempo.
Mais de 20 anos depois, são os pais americanos que se comportam como a pequena Tatiana.
A moda nos Estados Unidos são as “pox parties” (“festas da catapora”), cujo único objetivo é colocar as crianças sãs em contato com as infectadas para que elas criem uma imunidade natural.
Desde 1999, os pequenos que entram para a escolinha em Nova York têm de estar vacinados contra varicela, mas graças a uma polêmica surgida não se sabe de onde, alguns pais creem que exista relação entre a vacina e o autismo.
A maior parte desses encontros é agendada pela Internet desde meados dos anos 90. Há inclusive grupos no Facebook como o “Find a Pox Party Near You” (“Encontre uma festa da catapora perto de você).
Na página da “Pox Party USA” o grupo se autointitula uma “Associação nacional de pais unidos pelo apoio à infância x catapora x vacinação. O propósito é colocar em contato pais de crianças com catapora para festas da maneira que eles queiram. Alguns pais podem estar procurando por informações ou ajuda, mas outros talvez possam estar querendo expor seus filhos. Todos são bem-vindos”.
Os pediatras ouvidos pelas reportagens estão chocados. Avisam que as festas são um “erro terrível”. Segundo Anne Gershon, professora de Pediatria da Universidade de Columbia e presidente da Sociedade de Doenças Infecciosas da América, a varicela (catapora) é uma doença leve, mas o portador pode até morrer por causa de complicações.
Além das festas – nas quais as crianças são incentivadas a compartilhar copos e a trocar doces infectados – há sites que vendem pirulitos e objetos de uso pessoal, como roupas e cotonetes usados, com a saliva de crianças com catapora.
Em que século estamos mesmo?

2011/11/16

O CÉU NÃO É O LIMITE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:35

Há dias em que oscilamos entre dois desejos: desaparecer ou mandar alguém para o espaço – de preferência numa missão só de ida.
Sumir pode ser uma solução um tanto quanto covarde, mas há quem opte por essa “saída” radical.
Quanto a mandar alguém para o espaço já é algo possível para nós, reles mortais.
A Nasa está contratando astronautas.
O anúncio foi feito ontem, em Washington, durante uma coletiva de imprensa de apresentação dos cinco novos astronautas da turma de 2009.
O site da Nasa informa que a formação do candidato – “numa universidade com credibilidade” – deve ser nas áreas de Engenharia, Ciências Biológicas, Física ou Matemática.
Após uma primeira peneira, os selecionados passarão por um período de testes de aproximadamente dois anos no “Johnson Space Center”, em Houston ( Texas). Lá, desenvolverão conhecimento e habilidades para uma missão formal de treinamento com aulas de voo – os que já têm experiência em voar jatos farão apenas a manutenção.
Apesar de o curso preparar para uma missão no espaço, os aspirantes praticamente precisam se comportar como peixes.
Antes de começarem seu programa de estudos de voo, é necessário que completem o curso de sobrevivência na água e tenham curso de mergulho certificado para a preparação para o EVA (Extra Vehicle Activities – Atividades Fora do Veículo).
Além disso, precisam passar por um teste de natação durante o primeiro mês de treinamento. Os candidatos têm de nadar, sem descanso, três vezes a medida de uma piscina de 25 metros. Depois, três vezes a mesma distância vestidos com um macacão espacial e tênis. Não há limite de tempo. Eles também precisam ser capazes de caminhar sob a água por 10 minutos ininterruptos.
Outros pré-requisitos para o candidato são: visão perfeita, pressão sanguínea que não ultrapasse 140/90 e altura entre 1m57 e 1m90. Não há limite de idade, mas o histórico de recrutamentos mostra que as idades eram entre 26 e 46 anos (a média é de 34).
A surpresa: mesmo com sólidas formações cultural e física o salário é modesto. Inicialmente o ganho é de 64,724 dólares por ano (R$ 114 mil ou R$ 9,5 mensais). Já num estágio mais avançado da carreira esse valor sobe para 141,715 dólares (R$ 251 mil anuais ou R$ 21 mil por mês).
Quer mandar alguém para o espaço? Recomende este post.

2011/11/15

OS SONHADORES

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:49

Será que nosso cérebro é influenciável ao ponto de se deixar levar por imagens que assistimos um pouco antes de dormirmos? Será que o local em que nos deitamos tem influência sobre os nossos sonhos?
Procurando responder a essas questões, um museu em Nova York lançou um programa bem curioso. O site convida: “Faça do Museu Rubin o seu lugar dos sonhos. Venha de meias e pijama e durma uma noite bem embaixo de uma obra selecionada especialmente para você. Sonhe sob os benevolentes e insones budas”.
O museu, localizado no bairro de Chelsea, em Nova York, é dedicado à arte do Himalaia e regiões próximas.
A proposta do programa “Dream-Over” é que os participantes avaliem a influência da arte em seus sonhos.
O jornalista e escritor Mike Albo passou uma noite no local e relatou a experiência ao site “Well + Good NYC”.
Segundo Albo, “cada andar (seis, no total) apresenta um lindo santuário de trabalhos que vibram de significado e de sabedoria. Mesmo assim eu estava um pouco apreensivo”.
Ele cita sua preocupação porque seus sonhos não são tão “valiosos”. “Geralmente são malucos e envolvem celebridades ‘B’ de sitcoms dos anos 90. Basicamente meu cérebro é como uma edição antiga de uma revista ‘People’ que você encontra no consultório do dentista”.
Na chegada, os participantes preenchem um questionário. Com base nele, a equipe do museu escolherá a obra de arte sob a qual o sonhador irá se deitar – cada pessoa deve trazer seu próprio colchonete.
Antes de caírem no sono, os participantes se juntam a algumas atividades, como uma sessão de meditação, uma palestra sobre a interpretação tibetana dos sonhos, ouvem histórias para dormir e canções de ninar. Algumas xícaras de chá depois, os 80 participantes se esticam em colchonetes na frente das obras.
Albo foi levado por um monitor até o local onde deveria dormir: um quadro chamado “The Wheel of Existance”, uma grande pintura em tecido feita no século 19 por tibetanos.
“Uma pessoa da equipe veio e me contou uma historinha sobre a ‘Wheel of Existence’. A história explica que a criatura era o devorador do tempo, que o mastiga e o aperta sobre a roda”.
Segundo o jornalista, o obra é “cheia de beleza e imagens violentas, incluindo um homem sangrando pelos olhos, uma alma cuja cabeça estava cerrada em duas e figuras cozidas em caldeirões. Havia também imagens mais pacíficas de animais e estudantes que não chamaram tanto minha atenção”.
Na manhã seguinte, cada participante narra sua experiência noturna aos “coletores”, que farão a interpretação do sonho.
O de Albo foi esquisito, mas ele conta que sentiu-se orgulhoso porque as celebridades não tinham vindo à sua cabeça durante a noite. “Talvez o ‘Dream-Over’ tenha feito o seu trabalho e o resíduo cultural que suja minha mente foi removido”.
Preço da brincadeira: 108 dólares por pessoa.

Acompanhem a experiência do grupo AQUI

2011/11/14

OCCUPY ROCINHA

Arquivado em: Matutando — trezende @ 09:14

No último dia do ano, na lista-retrospectiva que este blog prepara, já está eleita a não-ação de 2011: a ocupação das favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu.
Os moradores comemoraram o sucesso da “pacificação” sem disparo de tiros. Claro. Disparar contra quem numa favela vazia? A polícia cantou seu “avisa lá que eu vou” com pelo menos uma semana de antecedência.
Uma legítima “ocupação cabocla”: disseram a hora, o local e a razão. Aí é melzinho na chupeta. Tempo suficiente para todos os interessados organizarem suas fugas, esconderem as mercadorias e prepararem armadilhas – como aquela aprendida com o Coyote, do Papa-Léguas, de espalhar óleo na pista.
No sábado então às 4 horas todo o povo sem demora foi lá só pra assistir.
A polícia chegou às 4h30 da manhã. Até os cães da PM estavam bocejando.
Helicópteros tiveram uma função dupla: atrapalhar o sono de quem chegou tarde da balada e emporcalhar as ruas da favela, graças aos panfletos com números do Disque-Denúncia atirados pelos oficiais. A polícia fez o trabalho de varredura e a comunidade, de varrição.
Teve também carro de som. O objetivo era pedir que a população continuasse colaborando, dando informações sobre criminosos, armas e drogas escondidas. A verdade é que a caminhonete mais parecia servir para anúncio de baile funk – com locutor à altura.
O saldo: prisão de quatro pessoas, apreensão de meia dúzia de armas, uma ou outra moto roubada e, enfim, hasteamento da bandeira. Cadê a Vanuza para cantar o Hino Nacional?
Se há pouco ou nada para se comemorar, há muito o que se perguntar. Para onde foram os traficantes? Para que gastar dinheiro para prender quatro gatos-pingados?
Muitos devem julgar que uma ação desse tipo é melhor do que nada. Mas se a polícia e as autoridades cariocas empregassem o dinheiro gasto na ocupação para terminar as obras esportivas fariam um serviço melhor à população e ao país.
Geralmente, diante das ideias mirabolantes ou fantasiosas, perguntamos se já combinaram com o adversário. Pois a polícia fez justamente isso: combinou com o adversário.

2011/11/13

OS MALES DA INCONTINÊNCIA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:50

Foram tantos os bocas malditas que já passaram pelo governo que poderíamos escrever um “pocket book” só com citações infelizes de nossos representantes.
O boca maldita caracteriza-se especialmente por seu destempero verbal, mas existem subdivisões: há os clássicos, os envenenados e os folclóricos.
O ex-Ministro do Trabalho, Antônio Rogério Magri, é um boca maldita folclórico. Além do seu apreço por cães – que para ele eram como seres humanos – entrou para a História graças ao seu “imexível”.
Quase 20 anos depois, definitivamente podemos afirmar que Magri não era para ser levado a sério. É um Nemo perto dos tubarões de hoje.
Já a língua envenenada de Nelson Jobim produziu confissões (“Eu votei no Serra”), ofensas (“Ideli é muito fraquinha” e “Gleisi nem sequer conhece Brasília”) e resultou em seu afastamento. Vingativo, deve estar amarrando nomes na boca de sapos por aí.
Já Bolsonaro é o clássico: vai se envenenando à medida em que suas declarações ganham espaço na mídia. Apesar de mais nocivo do que Magri, também não deve ser levado a sério.
O boca maldita da estação é o (ex?) Ministro do Trabalho Carlos Lupi, que representa a evolução da espécie. Lupi é o famoso três em um: consegue ser clássico, envenenado e folclórico ao mesmo tempo.
Da boca de Lupi já saíram pérolas como: “Duvido que a Dilma me tire, ela me conhece muito bem. Para me tirar só abatido a bala – e precisa ser bala forte porque eu sou pesadão”.
Depois de se declarar “osso duro de roer”, voltou atrás, arrependido: “Presidente Dilma, me desculpe, eu te amo”.
Antes que sobrasse para ela, a mesma Gleisi ofendida por Nelson Jobim apareceu para passar um pito em Lupi. Em vão. O boca maldita legítimo morre atirando.
O ex-Ministro do Esporte Orlando Silva fazia a linha “dois ouvidos e uma boca”. Ao contrário de seu colega Carlos Lupi, permaneceu quieto durante o tempo em que foi o centro das denúncias.
Só nesta semana resolveu se manifestar – mesmo assim por escrito.
Numa extensa carta enviada ao jornalista Jorge Bastos Moreno, de “O Globo”, ele diz que viveu um “tsunami político” e que ficou “perplexo” com a informação de que a “Veja” iria publicar uma acusação de que ele teria recebido dinheiro indevidamente.
Orlando Silva não é um boca maldita – esse geralmente é um predestinado – mas está crente que é um deles.
“Estou acostumado com luta política, com crítica, divergência ideológica, ataques à gestão, antipatia pessoal, insatisfação com estilo…tudo isso eu sempre compreendi. Mas, mentir!? Inventar uma história para atacar a honra de uma pessoa e de um Partido!? Imaginava que luta política tivesse limites, afinal, até na guerra há limites. Estava enganado. A partir de uma farsa, foi organizada uma verdadeira campanha para me derrubar”.
Nós, no meio do fogo cruzado, não sabemos em quem acreditar. Na imprensa “denuncista” ou nos alvos dela? Estarão Carlos Lupi e Orlando Silva falando (ou faltando com) a verdade?
A proposta deste blog é organizar uma caravana com destino a Roma que vai levar todos os bocas malditas – envolvidos ou não na “onda de denuncismo”.
Na viagem eles serão submetidos a uma consulta especial na “Bocca della Verità” (“Boca da Verdade”).
Reza a lenda que essa pedra em mármore é um detector de mentiras. Segundo a tradição, se um mentiroso colocar a mão dentro da boca do monumento, ela se fechará, prendendo a mão do elemento.
Já imaginaram Magri, Jobim e Bolsonaro comentando o desempenho dos colegas?
Diversão garantida ou o seu dinheiro de volta.

2011/11/12

COMENDO COM OS OLHOS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 11:06

Christopher Boffoli é escritor, fotógrafo, cineasta e artista plástico que mora em Seattle.
Seus trabalhos jornalísticos e publicitários já foram divulgados em diversas revistas, jornais e sites de todo o mundo.
Mas é a série de fotos “Disparity” que chama a atenção – provavelmente alguns de vocês já viram pelo menos uma delas circulando pela Internet.
Em “Disparity” sua matéria-prima são os alimentos. Ovos, biscoitos Oreo, chocolates, frutas, verduras, legumes, sanduíches, doces, leite, tudo serve à imaginação de Boffoli, que inspirou-se nos lilliputianos de “As Viagens de Gulliver”.
“Sempre fui interessado na questão da disparidade e da justaposição de escalas entre pessoas e coisas. Desde que eu era criança e ganhei um trenzinho em miniatura. Mas há também uma parte de sentimento divino, de querer ter o controle do mundo”, diz ele ao jornal britânico “Telegraph”.
Além da boa ideia, Boffoli consegue concretizá-la com sucesso. A riqueza de detalhes das cenas – cuidadosamente estudadas antes do início do ensaio, em sua casa – é sensacional.
A série de imagens já passou por diversas galerias nos Estados Unidos e começou a ser produzida no fim de 2006. Durante o período de trabalho, Boffoli faz diversas visitas a supermercados, mercearias e padarias para escolher os melhores “materiais”. “Particularmente gosto mais de trabalhar com itens de confeitaria porque posso comê-los após o fim da sessão”.
Segundo Boffoli, é preciso ter muita paciência. Os personagens tendem a cair ou sair da posição no momento seguinte em que são colocados. Para fixá-los, o artista usa palitos, alfinetes ou “colas” como o néctar de agave.
Algumas são feitas rapidamente, outras levam horas. Em alguns casos, para conseguir a imagem perfeita, Boffoli realiza mais de 25 tentativas.
“Sempre penso em como posso povoar as imagens que façam sentido dentro do contexto. Geralmente começo com o alimento – vendo o que está na estação – ou penso num ícone, como os biscoitos Oreo”.
Boffoli diz que seu objetivo é despertar a consciência dos americanos sobre a relação que eles têm com a comida e com o consumo.

Confiram algumas fotos sensacionais AQUI

2011/11/11

MAS OS CABELOS…

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:20

Pedro Almodóvar definiu “A Pele que Habito” como “uma história de horror sem gritos ou sustos”. Mas não é só isso. É oportuno acrescentar que se trata de um thriller psicológico que une ficção científica e uma leve pitada de humor.
Enfim, um Almodóvar diferente que aborda temas bem atuais, como transgênese, transplante de rosto e cirurgias de mudança de sexo.
Desta vez a ideia para o enredo não brota integralmente da cabeça fantástica e criativa do cineasta. Trata-se de uma adaptação do livro “Tarântula”, do francês Thierry Jonquet.
No entanto, quem é fã do diretor espanhol sabe que muito provavelmente o livro só tenha servido como um sopro de inspiração. Ele não abriria mão de dar seu toque pessoal à história, acrescentando elementos característicos de sua narrativa, como a presença de algum grau de conflito familiar, da figura da mãe, de cenas visualmente bizarras, além de segredos e maluquices que já conhecemos. Os personagens têm uma profundidade psicológica impressionante. Cada um deles renderia outro filme.
Quanto a nós, entramos na sessão cientes de que não sairemos incólumes.
“A Pele que Habito” marca o retorno da parceria de Almodóvar e Antonio Banderas após 21 anos e tem ainda no elenco Marisa Paredes e Elena Anaya – que lembra muito a primeira opção do cineasta para viver a protagonista, Penélope Cruz.
Contar a história? Jamais. Qualquer informação soaria como “spoiler”. Mas é possível dizer que a princípio tem-se a impressão de que ele seguirá um caminho que fará a alegria da indústria de cosméticos – probabilidade descartada no nascedouro. Almodóvar não seria tão “perfumaria”.
Além da contemporaneidade dos temas, o diretor inova ao revelar um talento para criar uma atmosfera de suspense. No entanto, ao contrário da maioria de seus trabalhos, o rumo da história é previsível.
Mas o que vale aqui é a experiência, como sempre, inesquecível.
Habitem essa pele.

2011/11/10

O REINO DE POLIANA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:52

O Butão é o país mais feliz do mundo.
Será?
O artista multimídia americano Jonathan Harris jura que sim. No mês passado, ele deu sua contribuição ao índice de “Felicidade Interna Bruta” com seu projeto “Balões de Butão”.
O trabalho consiste num site e numa galeria de fotos em que ele faz um “retrato da felicidade no último reino do Himalaia”.
O conceito de “Felicidade Interna Bruta” existe desde 1972, foi instituído pelo quarto rei do país e é medido segundo 23 critérios. Ele baseia-se em quatro pilares: preservação das tradições butanesas e do meio-ambiente, crescimento econômico e bom governo.
Jonathan Harris ficou duas semanas no Butão e fez as mesmas cinco perguntas a 117 habitantes – como a melhor lembrança na vida, um desejo e o que eles fariam se fossem reis ou rainhas.
A felicidade foi medida num índice de 1 a 10. Além de posar para a foto mostrando a palma das mãos, Jonathan pediu que cada pessoa enchesse um número de balões correspondente à sua nota da felicidade (a média foi de 6,9).
“Achei que seria legal fazer algo bobo. Afinal, estamos falando de felicidade, que de uma certa forma é bobo”.
Ele entrevistou de monges a meteorologistas, evitou assuntos políticos e polêmicos e perguntou a diversas pessoas por que elas gostam da cor azul (“Porque é a cor do céu”).
O único questionamento que beirou a crítica foi quando Harris perguntou o que elas gostariam de mudar no Butão. Birdy Namgay, que trabalha com importação de roupas em Thimpu, a capital do país, responde que não mudaria nada. “Eu sou feliz”.
Os desejos que alguns deles manifestaram escrevendo nos balões foram curiosos: “Gostaria de ter nascido menino”. Outra: “Casar com um homem que tenha carro”.
Mas nem todos os butaneses pensam dessa maneira. Segundo o site “Good”, que divulgou o projeto de Jonathan Harris, o artista passou à margem do programa do governo que expulsou 1/6 da população em nome da pureza étnica.
No início dos anos 90, o governo começou a expulsar os “Lhotshampas” – a minoria étnica de origem nepalesa que vivia no sul do país.
A justificativa do regime era preservar a cultura butanesa da influência estrangeira.
Na metade da década de 90, 107 mil refugiados viviam entre os campos do sudeste do Nepal. Proporcionalmente, é o país do mundo que mais expulsou a população nacional.
Após conversas infrutíferas entre o Nepal e o Butão, países ocidentais concordaram em receber os refugiados. Parte vive na Índia ou mesmo hoje são mantidos em campos. Só os Estados Unidos receberam 60 mil a partir de 2008.
Khem, que foi expulso do Butão aos 13 anos e ficou 17 num campo de refugiados, hoje vive em Oakland, California, e é ativo na comunidade de refugiados. “Agora eu sou feliz. Mas o governo gosta de dizer que há um índice de felicidade interna bruta quando 1/6 do povo está fora do país”.
Muitos butaneses nem sabem da verdade sobre os “Lhotshampas”. A maioria sabe que milhares de pessoas foram expulsas. Apenas os mais educados são cientes do problema.
Khem questiona a habilidade dos butaneses de falar o que se passa em suas mentes – tanto para a imprensa quanto para um forasteiro. “Eles não têm liberdade de discurso. Dizem que são felizes, mas a democracia lá não existe”, diz ao site “Good”.
De fato, a limpeza étnica não foi um assunto nas entrevistas feitas por Harris, o que gerou alguns comentários críticos no site “Brain Pickings”: “Isso é obsceno. É como um documentário nazista sobre a felicidade dos alemães sem os judeus”.
O que levanta a questão: é apropriado focar na felicidade geral de uma nação quando uma vasta porcentagem do povo é proibida de compartilhar essa felicidade? Onde estão os balões dos “Lhotshampas”?

Confiram o site do “Balões de Butão” AQUI

2011/11/09

REI ARTHUR

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:23

No ano passado conhecemos a pequena Mila e sua mãe, a fotógrafa finlandesa Adele Enersen, criadora do site “Mila’s Daydreams” (algo como “Devaneios de Mila”).
Na página, a bebê aparece dormindo em cenários montados pela mãe e que tentavam reproduzir seus sonhos.
Agora outra mãe coruja teve uma ideia sensacional.
Emily Cleaver, uma autora freelancer que mora em Oxford, na Inglaterra, lançou o blog “Arthur Recreates Scenes From Classic Movies” (“Arthur recria cenas de filmes clássicos”).
Antes de ser acusada de desocupada, é bom dizer que Emily ainda está de licença-maternidade.
Arthur tem pouco mais de sete meses, mas já é um ator com uma extensa carreira: já foi do drama ao suspense e da ação ao romance.
Emily conta que a ideia surgiu a partir de “Alien”, num dia em que ela brincava com o filho e com um bicho de pelúcia. Ela achou interessante, tirou uma foto com o celular e postou no Facebook. Os amigos adoraram e a incentivaram a continuar. “A resposta foi tão boa que decidi criar um blog só para colocar as fotos. Amo filmes, então tem sido muito divertido pensar em cenários novos”.
Até o momento, Emily tem 13 fotos no blog com cenas clássicas de filmes como “Beleza Americana” (acima), “O Poderoso Chefão”, “Janela Indiscreta”, “Rambo” (so cute), “A Bruxa de Blair” e “Tubarão”.
Mas a recriação mais sensacional de todas é a de “O Sétimo Selo”, na qual Arthur, numa foto em preto e branco, encara uma boneca de pano diante de um tabuleiro de xadrez.
O mais difícil, segundo Emily, é fazer Arthur ficar quieto.

Confiram as fotos AQUI

2011/11/08

MAMÃE É DE MORTE

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:52

Desejo de grávida é sempre por algo estranho: tijolo, gelo, carvão, pasta de dentes, sabão ou o que mais a imaginação mandar.
É raro encontrar uma grávida que tenha tido vontade de comer um simples pão com ovo, um hambúrguer ou uma maçã.
Mas nem o mais bizarro dos desejos se compara ao de Alison Brierley, uma artista e taxidermista profissional que mora em Harrogate, cerca de 350 km ao norte de Londres.
“Geralmente eu me alimento de forma absolutamente saudável, mas agora tenho tido desejo de comer a carne de animais atropelados. É mais suculenta do que qualquer outra e eu amei o sabor”.
Desde que ficou grávida, em vez de usar algumas partes dos bichos para produzir suas bijuterias, Alison encontrou um novo uso para os cadáveres.
“Estou com um cuidado extra para manusear as carcaças. Sempre uso luvas. Não quero correr o risco de pegar nenhuma infecção que possa prejudicar o bebê”.
“Tenho tido desejo de junk food, mas não combina muito comigo. Então tenho comido mais carne de atropelados e carne vermelha de maneira geral. Provavelmente porque preciso de todo o ferro para produzir células vermelhas extras”.
Ela e o marido admitem já ter experimentado atropelados antes – como uma carne de veado em viagem recente aos Estados Unidos.
A ousadia de Alison não para por aí. Ela costuma realizar jantares em casa para seus amigos com a carne dos atropelados. “Eles confiam em mim e sabem que sou boa cozinheira”.
Segundo ela, alguns deles inclusive telefonam quando veem algum animal morto na estrada. “A melhor é a A61, que vai para Ripon. É definitivamente a mais frutífera”.
Alison conta que a maioria de suas incursões é ocasional – ela não sai à procura de carcaças.
“A primeira vez que peguei um bicho foi quando passei por um faisão e pensei: ‘Vou comê-lo’. Levei-o para casa, deixei-o marinando no azeite por quatro dias e depois fiz uma espécie de faisão frito à Kentucky”.
Alison já experimentou lebre, veado, pombo, coelho, coruja e perdiz, mas o prato básico é mesmo o faisão.
“Ainda quero provar raposa e texugo, mas eles nunca estão em boas condições. Tenho usado mais para o meu trabalho”.
Alison crê que seu estilo de vida é o melhor para o meio ambiente. Ela conta que quis revelar seu comportamento alimentar atípico porque quer despertar a consciência sobre a origem da comida.
“Algumas pessoas são tão blasé na hora de escolher um alimento no supermercado e nem pensam de que forma certos animais vivem ou como foram mortos”.
Já pensaram se Alison fosse médica legista?
O bebê – um menino – deve nascer em fevereiro.

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