O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/10/10

GOTA INGLESA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:35

No mês passado o fotógrafo polonês Maciej Dakowicz brilhou no “Festival de Fotografia Jornalística de Perpignan”, na França.
O polonês chamou a atenção não porque mostrou belas imagens de natureza selvagem ou retratos da população sofrida da Etiópia, mas sim de gente bêbada em Cardiff, cidade do País de Gales.
A série “Cardiff After Dark” – realizada entre 2005 e 2011 – reúne personagens da noite “cardiffiana” em situações engraçadas e outras nem tanto.
Talvez o objetivo de Maciej nem fosse a polêmica, mas as imagens chocaram e envergonharam os ingleses quando foram publicadas pelo jornal “The Daily Mail”.
O fotógrafo disse ter ficado surpreso com a reação dos leitores (até o momento em que este post é escrito, a matéria já contava com mais de 2.200 comentários). Segundo Maciej, são cenas que acontecem todo final de semana em várias cidades da Inglaterra.
Provavelmente motivado pela manifestação dos leitores, neste domingo o jornal publicou uma extensa reportagem especial sobre o assunto. E se pergunta: “Por que mulheres inteligentes –enfermeiras, professoras e mães – bebem até perderem o sentido?”.
Na matéria, a repórter Laura Powell acompanhou grupos de amigas em Cardiff e nos dias subsequentes à balada.
“Sábados regados a álcool têm sido parte da cultura da classe média em cidades como Newcastle, Leeds, Cardiff e Glasgow”, começa a reportagem.
O cenário descrito é o mesmo observado nas fotos: muita gente louca, fantasiada, bêbada. Enquanto um urina num canto, o outro traça um Big Mac bem ao lado.
Os grupos de mulheres – com quatro ou seis integrantes – disputam para ver “quem se veste com a roupa mais curta e chamativa, o salto mais alto, a boca mais vermelha” enquanto bebem vinho barato. “Camisinha na bolsa e o número do telefone do táxi já agendado para as 3 da manhã, elas vagam de boate em boate”.
“Descobri nas ruas de Cardiff depois da meia-noite que muitas dessas mulheres são – pelo menos durante o dia – pilares qualificados da comunidade. Entre elas encontrei professoras, enfermeiras, terapeutas ocupacionais, profissionais personalizadas e mães em período integral. Todas elas determinadas a livrarem-se das responsabilidades e a se divertirem da única maneira que elas parecem conhecer: ficando bêbadas”, escreve a repórter.
“E então veio a pergunta real: por quê? Numa série de entrevistas percebi que apesar dessa diversão, as noites etílicas as deixam tudo, menos felizes. Mesmo assim, elas não têm intenção de mudar”.
Uma das entrevistadas diz que ressaca é sinal de que a noite foi boa.
Segundo a matéria, o que é rapidamente perceptível é que elas fazem questão de distinguir a personalidade “dia da semana” da de “diversão”. “Dividindo-se em duas personas, essas jovens sentem-se seguras de que suas reputações profissionais permanecem imaculadas. Pelo menos na cabeça delas”.
No dia seguinte, no encontro com a repórter, as garotas disseram que se divertiram muito e contaram que bebem para ficarem felizes “porque tudo é um lixo”. “Tudo é tão entediante. Bebo para rir e bebo para conversar com as pessoas. Geralmente não sou segura o bastante para falar com estranhos”.
“Mas elas não estão preocupadas com a saúde, o fígado, as doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez indesejada ou a segurança?”, pergunta-se a repórter.
“Muitas delas riram e me garantiram que são responsáveis – apesar de algumas mal conseguirem parar em pé”.
A psicoterapeuta Adrianna Irvine acredita que os porres regulares alimentam sentimentos escondidos de depressão. Ela crê que muitas não falaram sobre isso porque elas simplesmente não se dão conta disso. “Não é um processo de pensamento. É um sentimento. Pegar o 11º gole vem do desespero, da irritação, da dor e da solidão. Se mergulharmos profundamente, essa é a verdade por trás de tanta bebedeira”.
Segundo a repórter, “é um triste testemunho o fato de a eliminação da realidade ser o ponto alto na semana de muitas dessas mulheres”.
Parte do problema, segundo um dono de bar em Cardiff, é que essas jovens têm a falsa sensação de segurança em cidades consideradas “seguras” como Cardiff. “Elas se colocam em situações vulneráveis. Algumas andam até em casa descalças, por 35 minutos. Raramente vejo coisas assim em Londres”.
Quatro dias após as entrevistas, oito delas pediram que seus nomes não fossem revelados.

Vejam algumas fotos das baladas em Cardiff AQUI

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3 Comentários »

  1. Olá.
    A vida será tão monótona que as pessoas precisam dessas “personagens”, uma espécie de “alter ego” para libertar aquilo que normalmente não teriam coragem de fazer?
    É pra se pensar…
    Abç, boa semana.
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2011/10/10 @ 17:27

  2. à procura de reconhecimento. A gramática moral dos conflitos sociais. Haja Freud, Jung, Lacan…
    Vou lá ver as fotos.
    Abraços. Paz e bem.

    Comentário por josé Cláudio - Cacá — 2011/10/10 @ 17:56

  3. Nossa, via as fotos. Até eu fiquei deprimido.rsrs.

    Comentário por josé Cláudio - Cacá — 2011/10/10 @ 17:58


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