O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/09/09

TEMOS NOSSO PRÓPRIO TEMPO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:46

Numa safra de péssimas comédias no cinema nacional – como “Cilada.com” e “Muita Calma Nessa Hora”, ambos de Bruno Mazzeo – “O Homem do Futuro” é um pontinho metálico na grama.
Não que seja um grande filme. É honesto, apenas – e tecnicamente bem feito.
Definido pelo diretor Claudio Torres como filhote de seu trabalho anterior, “A Mulher Invisível”, “O Homem do Futuro” é na verdade uma ficção científica com sopros de comédia.
Wagner Moura interpreta o mesmo personagem – Zero – em três momentos da vida: na época em que era um estudante de Física apaixonado, nerd e gago; quando se transforma num cientista; e quando vira um milionário sem ética e pouco feliz pessoalmente.
Três vidas e três destinos à mercê de um único amor.
Zero sabe identificar exatamente o ponto em que sua vida desanda. Entra na máquina do tempo, mentaliza a data – um dia em novembro de 1991 – e consegue retornar para tentar corrigir a besteira.
Aí entra a pergunta-chavão: “se você tivesse a chance de mudar sua história, o que faria de diferente?”.
É em torno das escolhas que fazemos na vida – ou do acaso – que gira a discussão de “O Homem do Futuro”, que tem ainda no elenco Alinne Moraes, Fernando Ceylão, Maria Luisa Mendonça e o vilão oficial do Brasil: Gabriel Braga Nunes.
Apesar de clichê, a premissa é boa, mas o filme um pouco confuso. Claudio Torres quase se perde ao lidar com um acelerador de partículas, discutir o uso da Física para provar a existência do amor ou ir e voltar duas vezes no tempo.
Há um esbarrão aqui e outro ali, mas o resultado é favorável sempre se comparado às comédias que têm sido feitas no Brasil atualmente.
E é claro que também viajamos no tempo. Esse retorno ao passado gera um certo estranhamento: mas 1991 foi há tanto tempo assim? Ele volta 20 anos, mas parece que deu um “rewind” para a década de 70.
Curioso também é ver o Museu de Arte Contemporânea de Niterói servir de locação para a casa do homem do futuro.
Ah, essa nossa síndrome de Jetsons…

P.S.: quem não gosta de Legião Urbana precisa ter paciência

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4 Comentários »

  1. Oi, Tati! Eu tinha descartado esse filme da minha lista, mas depois de ler seu post, pode ser que eu dê uma chance. Gosto da sua lucidez e da sua visão crítica ao escrever sobre os filmes em cartaz.
    Bjão.

    Comentário por Vaninha — 2011/09/09 @ 10:09

  2. Faço minhas as palavras da Vaninha do comentario acima, integralmente.
    Acrescentando que é impossivel, ler o titulo do blog, sem cantarolar a musica. Gostei dessa parte tambem.

    Comentário por picida ribeiro — 2011/09/09 @ 11:04

  3. Corrigindo: titulo do post :”Temos nosso proprio tempo”

    Comentário por picida ribeiro — 2011/09/09 @ 11:04

  4. Essa história de máquina do tempo no cinema já foi muito bem explorada, não?

    Comentário por Ricardo Rezende — 2011/09/09 @ 19:06


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