O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/09/03

NÓIS NA FITA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:59

Quantas palavras vocês usariam para explicar o poder feminino no Brasil?
A revista “National Geographic” gastou 26 páginas numa reportagem especial da edição que acaba de chegar às bancas.
O título: “Brazil’s Girl Power”. O subtítulo: “Como a mistura do fortalecimento feminino e as novelas sensuais ajudaram a diminuir a taxa de fertilidade no Brasil e a alimentar a economia vibrante”.
No artigo, Cynthia Gorney, professora da Universidade da Califórnia, tenta desvendar os segredos da diminuição da nossa população nos últimos 50 anos. Para tanto, ela passou meses no Brasil entrevistando especialistas no assunto, famílias de diferentes classes sociais e mulheres com perfis variados. A conclusão? A queda se deve a uma combinação de fatores, mas o principal deles é a mudança do comportamento feminino. 
Segundo Cynthia, hoje a taxa de natalidade nacional é de 1,9 filhos por mulher (“menor que a dos Estados Unidos”).
“Mesmo estando no maior país da América Latina – com 191 milhões de pessoas dominadas pela Igreja Católica – com o aborto considerado ilegal e sem política oficial para promover o controle de natalidade, o tamanho da família brasileira caiu bruscamente nas últimas cinco décadas”, diz a matéria.
O enxugamento dos lares não ocorre apenas entre as mulheres com boas condições financeiras. As que moram em favelas também pararam de ter múltiplos filhos.
Os depoimentos citam casos de mulheres que tiveram filhos que morreram ainda bebês, outras que realizaram cirurgia de esterelização (ligamento de trompas) e a percepção entre a maioria do alto custo para se manter um filho hoje.
Cynthia achou interessante uma expressão que ouviu de diversas entrevistadas: “A fábrica está fechada” (e traduz: “The factory is closed”).
Demógrafos que trabalham para entender a causa e as implicações dessa tendência dizem que “o que aconteceu no Brasil a partir de 1960 fornece o mais persuasivo caso de estudos no planeta”: um país com enormes extensões de terra e com enormes diferenças regionais em geografia, raça e cultura.
“O que demorou 120 anos para acontecer na Inglaterra, levou 40 aqui”, diz o demógrafo José Alberto Carvalho. “Algo aconteceu”.
Nesse ponto da reportagem duas explicações: o desenvolvimento do movimento feminista entre as décadas de 70 e 80 e a onda do Cytotec (remédio abortivo) nos anos 80.
Um dos entrevistados é Aníbal Faúndes, obstetra chileno que veio para o Brasil décadas atrás para ajudar a conduzir os estudos nacionais de saúde reprodutiva. “A taxa de fertilidade caiu porque as mulheres decidiram que não querem mais filhos. As brasileiras são extremamente fortes. É apenas uma questão de decidirem e de terem meios para colocarem suas decisões em prática”.
“Nós mudamos tão rápido. Para muitas mulheres a prioridade agora é a educação. A profissão vem em segundo. A terceira são os filhos e um relacionamento estável”, diz outra entrevistada, Andiara Petterle, executiva de marketing carioca de 31 anos.
Ela cita outras causas, como o péssimo sistema de saúde e o escolar e constata que criar um filho é algo muito caro. “Ter filhos não é algo que desapareceu dessas prioridades modernas. É apenas algo menos importante na lista”.
A pesquisadora Cynthia Gorney vai bem até o ponto em que sugere ironicamente: “Se alguém está tentando compor uma fórmula para fazer cair a taxa de fertilidade numa nação em desenvolvimento sem a intervenção oficial do governo, aqui vai um plano de seis pontos ajustado às peculiaridades do Brasil moderno”:

1) Industrialize dramaticamente e urgentemente
2) Mantenha a maioria de sua medicação não-regulamentada e seu sistema farmacêutico atrás do balcão. “Então, quando as pílulas contraceptivas inundarem o mundo, mulheres de todas as classes sociais podem tê-la sem prescrição médica”. Basta dinheiro
3) Turbine as estatísticas de morte entre bebês e crianças. Assim, as famílias não se sentirão compelidas a ter um filho extra com medo de que ele morra cedo
4) Distorça os incentivos do financiamento do sistema público de saúde por uma geração ou duas. “Então, médicos aprenderão que podem ter um salário maior e agendas com horários mais previsíveis se puderem marcar cesarianas, em vez de partos normais. Depois espalhe a ideia entre as mulheres que o médico do sistema público que faz a cesariana pode ser convencido a fazer uma discreta ligação de trompas”
5) Introduza eletricidade e televisão – principalmente no interior do país. Depois inunde a população com a imagem da moderna família brasileira que aparece nas novelas: próspera, magra e reduzida.
E, finalmente, a dica 6: “transforme todas as suas mulheres em brasileiras”.

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4 Comentários »

  1. Minha cara Tati, para muitos a gravidez é um dom divino, para mim não, é traumático, muitos partos acabam com estética feminina, educar filhos é muito caro etc… O poder feminino só acontece quando a mulher é feliz e se realiza profissionalmente. Nada contra o casamento e filhos, porém, precisamos educar nossas meninas para um futuro com profissão e realização pessoal, enfim, transformá-las em mulheres brasileiras felizes e realizadas.

    Um belo dia, um sol maravilhoso,
    que a paz e a harmonia prevaleça em seus dias.

    forte abraço
    c@urosa

    Comentário por c@urosaCarlos Rosa — 2011/09/03 @ 10:48

  2. Tati, assunto tudo a ver: Arianna Huffington está à sua procura! WTF você está esperando?

    Beijocas!

    Comentário por Selma Barcellos — 2011/09/03 @ 14:49

  3. Não tinha parado para pensar nisso tudo.. vou faze-lo agora…

    Comentário por picida ribeiro — 2011/09/03 @ 15:22

  4. Ela esqueceu de pelo menos um item:
    7- Eleve o custo de vida (através de alta carga tributária e outras distorções no âmbito sócio-econômico), deteriore os sistemas públicos de saúde/educação e aumente a violência urbana. Certamente as pessoas pensarão 2 vezes antes de ter filhos.
    Esse é o tipo da situação ruim que acaba tendo um efeito positivo. Pelo menos a natalidade não explode…

    Comentário por Ricardo Rezende — 2011/09/04 @ 15:03


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