O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/09/30

NA FAMA E NA LAMA

Arquivado em: Matutando — trezende @ 09:20

Ontem, duas mulheres-símbolo do Brasil causaram celeuma: Gisele Bünchen e Gretchen – uma desconstruindo a outra.
Enquanto Gisele tirou a roupa para disfarçar seus gastos com o cartão de crédito – e poder torrar à vontade o seu próprio –, Gretchen apareceu vestida como nunca, de boné e aventalzinho, justamente para dar conta de pagar a fatura.
Pois é, minha gente, a Rainha do Bumbum foi dançar o “Conga Conga Conga” em Orlando. Dançar não. Trabalhar mesmo. Gretchen é a mais nova garçonete no “Netto’s Cafe”.
Ela diz ter abandonado seu 100º marido e a carreira artística para sustentar os filhos – são seis no total.
E precisa? Depois de se aventurar por áreas tão distintas do mercado de trabalho ela ainda não conseguiu garantir o pé de meia? Ou tudo não passa de uma jogada de marketing para turbinar um possível retorno? Ambos.
Seu “Freak Le Boom Boom”  a ajudou a vender milhões de discos. Ela também posou nua inúmeras vezes, participou de filmes pornôs outras tantas e até tentou a carreira política candidatando-se à prefeitura da cidade de Itamaracá. Nada parece ter dado certo. Gretchen continua atrás de dinheiro – afinal, são seis boquinhas para dar de comer e mais alguns mililitros de botox e silicone para trocar.
Parêntese: no site da cantora, na seção “Estética e Beleza”, entre anúncios de alongamentos capilares e salões de beleza, aparece o nome do cirurgião responsável pela maçaroca na cara dela: Hebert Gauss. Guardem bem esse nome para nunca passarem perto no caso de algum dia avaliarem a possibilidade de uma correção estética.
Pode ser que a Rainha do Bumbum realmente pense em voltar a cantar “atendendo a pedidos”, mas não é improvável que precise correr atrás do leitinho das crianças.
Da mesma forma que muita gente não distingue celebridade de formador de opinião, é comum confundirem fama com sucesso financeiro. Daí o destaque para a notícia de Gretchen.
Fama e grana não andam juntas. Fama e lama sim. Metade das “celebridades” que dão as caras no “TV Fama” não tem dinheiro para pagar a escova. Agradecer ao tal Chiquitito do Carmo no ar faz parte do jogo de faz-de-conta e ajuda a passar a falsa ideia de que vivem no mundo de “Caras”.
Atores e “personalidades da mídia” que ganham mil reais por mês é a regra. A exceção são os patrimônios da TV – Tarcísio, Glória, Fernanda Montenegro – e protagonistas.
Aqueles, assim como Gretchen, têm de rebolar para não perder a esperança.
Quanto a Gisele e sua “Hope”, essas não têm de ser levadas a sério. Piada sem graça e principalmente inverossímil.
Só acho que Gretchen se daria melhor na terra de Berlusconi.

2011/09/29

MISSÃO MARTE

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:43

Fato: há muito mais homens hoje depilando o peito ou fazendo a sobrancelha do que fumando “Lucky Strike”.
Essa mudança no comportamento masculino é boa? Ruim? Nenhuma das anteriores. Apenas sinal de que o mundo gira, a Lusitana roda, os tempos mudam e as pessoas também.
No entanto, segundo a imprensa americana, o momento é de “mancession”. Ou seja, recessão do homem.
A palavra – que começou a ser usada há cerca de dois anos pelo “The New York Times” – lembra que a crise global teria sido provocada pelo excesso de agressividade, ousadia e testosterona nos grandes bancos. O resultado da crise – provocada pelos homens – foi devastadora para eles mesmos.
Nos Estados Unidos, a diferença no nível de desemprego entre os sexos, a favor das mulheres, chegou ao maior nível em 60 anos.
Segundo o site  “The Daily Beast”, nos últimos seis meses diversos artigos têm usado a palavra “mancession” para descrever esse momento. Além disso, o termo “retrossexual” substituiu o “metrossexual” para definir o homem vaidoso.
Para quem já está confuso com tantos termos,o “The Daily Beast” informa que acabam de chegar às livrarias americanas três livros para fundir ainda mais a cuca masculina – e, de quebra, a nossa.
“Man Up!”, escrito pelo jornalista Paul O’Donnell, promete 367 dicas clássicas para o homem moderno e soluções para questões do tipo “Realmente preciso usar condicionador?”. Resposta – seguida por 14 páginas de sugestões de como cuidar da aparência: “O penteado de um cara não deve deixar parecer que ele gastou horas na frente do espelho”.
O segundo é “Man Down: Proof Beyond a Reasoanable Doubt That Women are Better Cops, Drivers, Gamblers, Spies, World Leaders, Beer Tasters, Hedge Fund Managers, and just about Everything Else” (algo como “Homens em baixa: provando sem sombra de dúvidas que as mulheres são melhores policiais, motoristas, jogadoras, espiãs, líderes mundiais, mestres cervejeiras, gerentes e tudo mais”). O autor é Dan Abrams, jornalista, advogado e analista jurídico da rede “ABC News”.
O terceiro, “Manning Up” – o único dos três escrito por uma mulher, Kay Hymowitz – toca numa ferida. Segundo ela, diante do PlayStation, dos canais de esporte 24 horas, da pornografia na Internet, da ausência de responsabilidades familiares, pra quê crescer? Mulher tornou-se algo obsoleto.
Para Hymowitz, os homens vivem um período de pré-maturidade. E não é a primeira vez que eles passam por isso – e nem será a última.
“Os homens americanos têm sofrido com a crise de identidade desde o século 19. Em 1978 a ‘Newsweek’ já colocou o problema: com a chegada das mulheres no mercado de trabalho, eles tiveram de revisitar seus estereótipos. Quinze anos depois, uma ação afirmativa inundou o sistema educacional de mulheres. Segundo a revista, um momento ‘estranho’ para ser um homem”, explica Hymowitz.
Se naquela época era “estranho” ser homem, como a “Newsweek” definiria o mundo atual para as mulheres?
Quando é a próxima saída para Marte?

2011/09/28

O CUPIDO AGRADECE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:04

Há dois anos comentamos aqui no blog sobre o “Museum of Broken Relationships” (“Museu dos Corações Partidos”), uma maneira criativa de ajudar as pessoas a se livrarem de objetos que lembrassem seus “ex”. Bastava doá-los ao museu acompanhados de uma breve explicação sobre o motivo que o levou a se desfazer da peça.
Agora a novidade é um pouco mais radical: contar ao mundo o que seu “ex” fez de errado citando nome e sobrenome. Trata-se do “ExRated”, site que permite às pessoas avaliarem amores passados.
“Você não vai a um restaurante que não foi avaliado. Especialmente na era do namoro pela Internet, por que você iria a um encontro com uma pessoa que não foi avaliada?”, diz o fundador do site, Tom Padazana. “Espero que seja uma ferramenta de pesquisa para ajudar as pessoas a tomarem decisões conscientes em termos de namoro”.
Os usuários podem checar os antecedentes de seus pretendentes e falar sobre os amores passados.
Os interessados em deixar uma “crítica” no “ExRated” precisam se cadastrar, criar um perfil e preencher um questionário de duas páginas que inclui detalhes sobre o relacionamento (“casinho” ou “mais de seis meses”); dicas para se dar bem com o avaliado; e em que espécie de relacionamento ele mais se encaixa (“especial”, “companheiro de balada” ou “por uma noite”).
Os “ex” recebem notas, assim como avaliações detalhadas sobre cuidados com a higiene, inteligência, “mojo” e consideração.
Tom Padazana diz que são barrados posts difamatórios e que as pessoas são encorajadas a serem suscintas – os posts têm, no máximo, 140 caracteres. “A ideia é que não seja um local para se lavar roupa suja, mas de discutir de forma construtiva o que aconteceu no relacionamento anterior”.
Mas segundo uma reportagem do “Huffington Post”, apesar de diversas “críticas” de “ex” serem positivas, “numa rápida visita ao site, não há escassez de avaliações amargas”.
“Traga seu próprio ‘Zoloft’ (antidepressivo)”, diz um usuário a respeito de uma mulher. “Divertida na cama, mas absolutamente louca fora dela. Todo mundo conspira contra ela – pelo menos é o que ela pensa”.
Outro: “Ok, ela é de Paris, o que já conta pontos positivos. Mas eu já saí com garotas do Kansas que eram mais excitantes do que ela. Como é ‘bocejo’ em francês?”.
O site permite ainda que duas pessoas que se relacionaram com o mesmo “ex” se conectem online, mas não dá a chance de um avaliado corrigir sua nota ou contar a sua versão da história. Também não é possível criar um perfil e convidar os amigos a escreverem algo legal sobre você.
O “ExRated” é mais um entre o crescente número de sites que permitem aos usuários comentarem a performance alheia. Já existe o “Honestly.com” – para criticar reputações profissionais – e o “RateMyProfessors.com”, para avaliar o desempenho de professores.

Conheçam o site AQUI

2011/09/27

O JORNAL TÁ CARO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:56

Um artigo publicado pelo site “Slate” desvenda um dos grandes mistérios da humanidade: “What Do Bears Have To Do With Toilet Paper?” (“O que os ursos têm a ver com papel higiênico?”). No subtítulo, a dúvida persiste: “Uma pequena história sobre o marketing do papel de banheiro. E mais: ursos são tão macios assim?”.
Segundo o artigo, algumas semanas atrás a “Procter & Gamble” comemorou o “Dia Nacional do Papel Higiênico” com uma série de eventos que contou com a presença de seu mascote: Leonardo, o Urso.
Então o autor se pergunta: “Mas quando os ursos começaram a ser associados a papel higiênico?”. A resposta: durante as últimas décadas. A preponderância de ursos, anjinhos, bebês e cãezinhos nas embalagens é invenção dos maiores fabricantes da indústria.
“Procter & Gamble”, “Georgia-Pacific” e “Kimberly-Clark” controlam dois terços do mercado e seus mascotes estão por aí há mais de 15 anos.
O primeiro anúncio publicitário de papel higiênico foi feito há mais de cem anos. Nessa época, raramente o produto era associado a imagens específicas. Em 1880 muitos deles eram vendidos como “papel medicinal” para tratar hemorroidas e outros problemas de saúde.
A “Scott” foi a primeira a oferecer papel no rolo, em 1890, mas tinha vergonha de colocar seu nome na embalagem. Então escolheu o título de dois hotéis tradicionais da época, “The Waldorf” e “The Statler”. As embalagens contavam com ilustrações básicas, como florzinhas, mulheres em trajes de gala ou homens conduzindo carruagens.
Em 1920 a “Scott” cria seu primeiro mascote, o “Mr. Thirsty Fibre”, uma mistura de dois ícones: Mr. Peanut (Sr. Amendoim) e Rich Uncle Penny Bags (mais conhecido como o mascote do jogo “Monopoly”). O “Mr. Thirsty Fibre” era uma espécie de Abraham Lincoln bravo – como mostra a ilustração acima.
Aos poucos, a indústria foi adotando um “approach” mais feminino para demonstrar elegância e suavidade.
Em 1953, a marca “Charmin” é a primeira a colocar um bebê ao lado da imagem de uma mulher. E em 1956 é o bebê quem domina a cena.
Por sugestão de um dos executivos da “Scott”, em 1972 surge a primeira embalagem que traz um cachorrinho e rapidamente ela se torna um dos mais adorados ícones da propaganda na Grã-Bretanha.
Um representante da companhia explicaria ao jornal “The New York Times” que o objetivo do cachorrinho era “expressar vulnerabilidade e a necessidade de um tratamento gentil”.
No fim do texto o autor coloca uma nota bônus esclarecedora:
“Os ursos são realmente macios? Não se comparados a outros mamíferos. Ursos marrons como o Leonardo realmente têm um pelo grosso e uma grande camada de gordura subcutânea. Ainda assim, a suavidade do animal depende da densidade e da composição do pelo. O animal com o pelo mais espesso é a lontra marinha, que tem milhares e milhares de pelos por centímetro quadrado. Para comparação, o urso marrom tem cerca de 2.500 cabelinhos na mesma área e o urso polar branco, 2.900. Entre os mamíferos terrestres, a chinchila é o mais peludo”.

Leiam o artigo completo AQUI

2011/09/26

IMAGEM & AÇÃO

Arquivado em: Folheando — trezende @ 10:02

Muita gente, quando viaja para um país no qual não fala a língua, apela para a mímica. Meio engraçado, meio patético, meio útil, o hábito pode causar saias-justas. Um dedinho a mais ou a menos acompanhado de uma cara marota é capaz de estragar uma viagem.
Um livro lançado no início do mês dá uma força: “Rude Hand Gestures of the World”, cujo subtítulo é “Um guia para ofender sem palavras”.
O guia traz os gestos mais rudes, deselegantes ou obscenos que podemos fazer sem querer por pura ignorância. Ele ensina desde a demonstrar interesse sexual no Oriente Médio até chamar alguém de louco na Itália.
Escrito por Romana Lefevre – uma autora do Texas que passa pelo menos metade do ano viajando – o livro é ilustrado com imagens feitas por Daniel Castro, fotógrafo de São Francisco. Vejam:

“Corna”
Significado: “Sua mulher é infiel”
Usado nos Países Bálticos, Brasil, Colômbia, Itália, Portugal e Espanha
O clássico gesto do chifre que nós conhecemos representa os chifres do búfalo. Em alguns países pode expressar boa sorte ou afeição

“Le Camembert”
Significado: “Cale a boca”
Usado na França
O gesto é o mesmo usado pelos marionetistas: quatro dedos unidos com o polegar embaixo

“Moutza”
Significados: “Vá para o inferno!”; “Vou esfregar m… na sua cara”; “Vou c… sua irmã”; “Vou c… sua família inteira, incluindo o seu cachorro!”
Usado na Grécia, África e Paquistão
O gesto é representado pela foto acima. Originalmente usado para provocar criminosos, recentemente adquiriu conotação sexual e tem muitas variações. Mostrar a palma da mão aberta relembra uma prática bizantina de esfregar fezes no rosto dos criminosos enquanto eles desfilavam algemados pela cidade

“Nose Brush”
Significado: “Desejo uma troca romântica”
Usado na Jordânia
Esfregar o dedo indicador no nariz indica interesse em “saliência”

“Papo Furado”
Significado: “Isso é uma bobagem”
Usado no Brasil
A autora inclui no livro nosso “papo furado” – aquele gesto que fazemos batendo as costas da mão sob o queixo. Em outras partes do mundo quer dizer “estou por aqui”

“Pepper Mill”
Significado: louco
Usado no sul da Itália
Com o cotovelo sobre uma das mãos, o gesto sugere o uso de um moedor de pimenta

“Tacano”
Significado: “Você é pão-duro”
Usado no México e alguns lugares da América do Sul
Segundo a autora, em algumas regiões, esfregar o cotovelo com a mão é um gesto ligado à “pãodurice”. “Para mais ênfase, você pode bater o cotovelo na mesa”. Na Áustria e na Alemanha o mesmo gesto quer dizer “Você é um idiota”

“Thumbs up”
Significado: “Vá se f…”
Usado na Grécia, América Latina, Oriente Médio, Rússia, Sardenha e África Ocidental
Dependendo de onde você está, o “joinha” é sinal de aprovação, mas em alguns países é uma ofensa grave

“Dick Head”
Significado: “Você é um babaca”
Usado no Reino Unido
O gesto é o mesmo que fazemos no Brasil quando queremos representar um sorvete na testa

“V The Palm-Back”
Significado: “Vá se f…”
Usado na Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia e Itália
O mesmo gesto que Gisele Bünchen costuma portar em todas as fotos, só que com a mão virada. Em 1992 George Bush cometeu a gafe na Austrália achando que estava fazendo o símbolo da paz.

2011/09/25

FONDUE DA PRIMAVERA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:36

Abrir o primeiro site de notícias da lista de “Favoritos” e dar de cara com a imagem acima já é pra causar uma sensação estranha logo de manhã.
Ué, mas o tal do satélite do tamanho de um ônibus caiu em Brasília? A probabilidade de se esborrachar no Brasil não era de 1 em 21 trilhões? Será que os extintores de incêndio do Congresso estão nos trinques? E os sprinklers? São do tipo Duchas Corona ou Lorenzetti?
Já tratando de afastar as primeiras tendências sensacionalistas do domingo, leio a informação de que provavelmente tudo não passou de um incêndio decorrente de um curto-circuito numa gambiarra feita por catadores de lixo que moram nas imediações do Palácio do Jaburu, casa do vice-presidente Michel Temer.
Que pena. Nem para causar um incêndio decente o PMDB serve.
Refeita do sentimento o-que-aconteceu-por-aqui-que-eu-não-tô-sabendo, constato que essa não foi a única gambiarra da semana. A gambiarra-mor foi o queijo.
Manchete do “Correio Braziliense”: “Queijo terá de deixar apartamento funcional na 203 Sul, decide juiz”.
Quem não acompanhou a novela do queijo nesta semana deve ter se surpreendido: mas um jornal tratar queijo como sujeito? Geralmente quem sai de um apartamento é o proprietário ou o inquilino.
A verdade é que o queijo estava, tal parasita, hospedado no apartamento funcional de Clineo Monteiro França Netto. Mas o queijo, coitado, não passou de um laranja. Porque o parasita é Netto. Esse já virou queijo fundido.
Ex-funcionário do Ministério do Trabalho, ele usava o apartamento como depósito e centro de distribuição da empresa de sua família, distribuidora da marca “Tirolez” em Brasília.
Não foi o cheiro que chamou a atenção dos vizinhos, mas o entra e sai diário de toneladas de queijo. Os moradores se sentiram indignados com o fato de o imóvel ter se transformado em depósito de laticínios e com a justificativa de que o alimento era para consumo pessoal.
Mas, minha gente, ratazanas amam queijo.
A família França tem de se dar por satisfeita. Poderia ter sido muito pior. Em vez de ser soterrada por toneladas de queijo, poderia ter tomado cinco toneladas de destroços de satélite na cabeça.

2011/09/24

O LEITINHO DAS CRIANÇAS

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:36

Se o leite da vaca é bom para o bezerro, por que o leite materno faria mal ao Homem?
Foi o que pensou um pai chamado Curtis ao lançar-se no desafio de alimentar-se somente do leite da esposa, Katie.
Curtis e Katie – ele, obstetra, ela, educadora infantil – têm três filhos. Depois que o primeiro bebê do casal passou um tempo na incubadora, Katie adquiriu o hábito de armazenar leite na geladeira de casa “religiosamente a cada duas horas com medo de que o leite secasse”.
O costume fez com que ela guardasse uma grande quantidade de alimento enquanto amamentava o primeiro e estava grávida de outro.
Seu segundo bebê também foi prematuro e ficou um período na incubadora, então rapidamente ela encheu um freezer com mais leite – após seis meses Katie doou 295 litros a um bebê prematuro.
Depois que o casal teve seu terceiro filho, a geladeira passou a contar com um estoque incrível, mas que não podia ser doado a nenhum banco de leite porque Katie estava tomando alguns medicamentos.
Então Curtis teve a ideia: alimentar-se somente do leite de Katie. Na quinta-feira – quando a matéria sobre o casal foi publicada pelo “Huffington Post”, pelo “Daily Mail” e pela “ABC News” – Curtis estava no segundo dia da experiência.
A dupla está levando o objetivo a sério. Além de ter criado um blog para comentar o assunto – o “Não Tenha Uma Vaca, Cara” – Curtis está monitorando seu peso, a ingestão de calorias e prestando atenção em qualquer sinal de fraqueza.
Até o leite de Katie foi testado: ele contém aproximadamente entre 27 e 32 calorias a cada 0,02 litros. Como Curtis precisa de cerca de 2 mil calorias diárias, planeja tomar quase dois litros de leite por dia.
“Praticamente não passo fome. Tenho mais sede. Tomo uns dois copos de leite e fico satisfeito pelas próximas duas ou quatro horas. Eu me sinto bem, de barriga cheia e acho que vai dar tudo certo. Talvez até fique triste quando todo esse leite sair do freezer…”, conta Curtis no blog.

P.S.: acima, a situação da geladeira do casal

2011/09/23

CHOCADA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:35

Nem só da cura do câncer, da Aids e de outras doenças vivem os esforços científicos. Há diversos estudiosos tentando encontrar respostas para situações que nem sabíamos que poderiam ter explicação. Assumimos que são assim e pronto.
A coloração da casca dos ovos das aves, por exemplo. O assunto tem sido objeto de estudo científico há mais de um século. Apesar de tanta pesquisa, ela ainda é parcialmente entendida, como explica um artigo publicado no site da revista “Wired” nesta sexta-feira.
Em “Uma visão embrionária sobre a pigmentação da casca de ovo” – uma reunião de estudos realizados pelos biólogos australianos Golo Maurer e Phillip Cassey, da Universidade de Adelaide – estão apresentadas sete possíveis explicações para a cor das cascas dos ovos das aves.
As ideias dos dois contrastam com explicações anteriores de outros pesquisadores: o biólogo Alfred Russel Wallace e o naturalista Alexander M’Aldowie. Segundo M’Aldowie, o objetivo da pigmentação da casca é proteger o embrião da radiação. Para Wallace, ela fornece camuflagem contra predadores.
O argumento de Wallace é o mais aceito e as pesquisas posteriores tenderam a considerar a pigmentação como decorrente de algo externo. Entre as explicações estão camuflagem e uma ideia mais evolucionária: a de que aves parasitas põem seus ovos em outros ninhos para tentar imitar os de outra espécie (enquanto estas desenvolveram padrões para distinguir seus ovos dos das aves parasitas).
Para os australianos, apesar de corretas, essas explicações são parte da história. Eles dizem que a pigmentação pode ajudar sim a filtrar os raios ultravioletas, mas a luz continua sendo necessária: até as cascas mais escuras permitem a passagem de alguma luminosidade.
A luz permite o desenvolvimento das células, ajuda as estruturas do embrião a se alinharem, estimula o DNA, a instalação de comunidades de bactérias dentro de cada ovo e ajuda o embrião a aprender a diferenciar o claro do escuro e a calibrar seu ciclo biológico nas 24 horas.
Além disso, a pigmentação varia conforme a chuva e as situações climáticas – provavelmente permitindo às aves fazerem os ajustes de voo ao local e à circunstância da estação. Nas gaivotas, por exemplo, o segundo dos três ovos é sempre mais escuro dos que os outros.
Interessante, não?

2011/09/22

O NÁUFRAGO

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:18

Com um ponto de interrogação na testa. É com essa marca que deixamos a sessão de “Larry Crowne – O Amor Está de Volta”, com Tom Hanks e Julia Roberts.
Difícil entender qual é a do filme – que marca o retorno de Tom Hanks à direção 15 anos depois de “The Wonders – O Sonho Não Acabou”.
Por que, apesar de raposa velha no mundo cinematográfico, Tom Hanks realiza um forte candidato a “Sessão da Tarde” tão frouxo e com tanto clichê?
A impressão é a de que dois amigos reencontram-se no supermercado e, conversando sobre amenidades, perguntam-se o que andam fazendo da vida. “Nada”. É a resposta de ambos. Então eles resolvem voltar a atuar juntos – o primeiro e único encontro da dupla foi há quatro anos, em “Jogos de Poder”.
Em “Larry Crowne”, Hanks também é um dos roteiristas, ao lado de Nia Vardalos – atriz e roteirista de “Casamento Grego”.
Na história, Larry é um dedicado funcionário de supermercado demitido durante um corte sob a alegação de que não tem curso superior. Endividado e desempregado, ele decide se reinventar voltando à universidade.
Larry é querido por todos, faz amizade com facilidade e logo se entrosa com uma turma que se reúne para dar rolês de vespas. Ele só peca num detalhe: veste-se mal.
Não demora muito Larry conhece a professora de Oratória (Julia Roberts), que está de saco cheio de tudo – do emprego, dos alunos e do marido – e abafa as mágoas bebendo.
Cinco cenas para alguém dar um palpite sobre o que vai acontecer.
Tom Hanks é um ator com uma carreira bastante irregular. Já recebeu o Oscar por suas atuações em “Filadélfia” e “Forrest Gump”, fez papéis marcantes como o de “O Náufrago”, mas também já se envolveu em roubadas como “Anjos e Demônios”. “Larry Crowne” é mais um furo n´água.
É compreensível que a um certo ponto da carreira o ator queira se arriscar por outras áreas – como a direção e o roteiro – até por realização pessoal. Mas por que não fazer algo pelo menos original?
Invente, tente, faça um filme diferente.

2011/09/21

AMO MUITO TUDO ISSO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:46

Dá para fazer uma coisa nova todos os dias? Dá para se fazer, todo dia, uma coisa que nunca se fez?
A partir dessas questões, Elisa Mendes e Steffânia Albanez criaram o blog “365 Nuncas”, no qual elas relatam as experiências que inventam diariamente – algumas registradas por meio de vídeo ou foto.
Ambas são mineiras, conheceram-se quando trabalhavam numa agência de publicidade em Belo Horizonte, atualmente moram no Rio e tiveram a ideia no reveillon do ano passado.
Elisa é animada, fotógrafa, e Steffânia trabalha com criação de mídia digital.
Há “nuncas” sensacionais, outros nem tanto – aliás, como qualquer tarefa diária.
Entre os “nuncas” geniais, Elisa já pediu o ator Cássio Reis em casamento durante uma “São Paulo Fashion Week”. Depois de ensaiar alguns dias, conseguiu finalmente abordá-lo com uma câmera de vídeo: “Cássio, você quer casar comigo? “. Ela só não contava que ele responderia à pergunta com outra: “Se eu caso ou se me casaria com você?”.
Outras experiências da dupla incluíram escutar “A Voz do Brasil” do começo ao fim, entrar num táxi e pedir que o motorista seguisse o carro da frente, preparar um jantar a dois sozinha, organizar um jantar formal no “Mc Donalds” – com direito a talheres de prata, taças e guardanapos de tecido –, fazer uma simpatia, compras na Rocinha ou uma farofada na praia.  
Há um certo tom “poliânico” na maioria das vivências.
Cada uma escreve o seu “nunca”, mas há dias em que elas cumprem a tarefa juntas. Certa vez, instalaram-se na praia de Copacabana e começaram a elogiar quem passasse.  Houve quem fingisse que não ouvia, quem achasse graça, quem não entendesse nada – como os gringos – e até quem passasse mais de uma vez só para satisfazer ao ego.
Elisa e Steffânia também já bancaram a Narcisa. Só que Narcisas do bem. Em vez de ovos, jogaram bombons da sacada do prédio. Gritavam “Cuidado!” e arremessavam a iguaria.
Depois de alguns arremessos, o “gran finale”: um casal pega o bombom, ele abre a embalagem, dá uma mordida e, num estilo meio “A Dama e o Vagabundo”, divide o chocolate com a namorada e terminam aos beijos.
Os “nuncas” geralmente são baratinhos porque elas não contam com patrocínio. Então a imaginação e a criatividade têm de estar em alta.
As duas já entraram juntas no supermercado e cada uma presenteou o caixa que passou suas compras. Steffânia comprou uma garrafa de vinho para o dela. Elisa, uma caixa de bombom. “Você não tem noção de como foi o olhar dele pra mim. Guardo até hoje aquela sensação”, conta Elisa.
Há dias em que é muito difícil encontrar o “nunca” do dia. Às vezes, no finzinho da noite, nada.
Num desses momentos de desânimo, conversando com uma amiga produtora de cinema, Elisa conseguiu o telefone do cantor Otto. Após telefonar para o cantor e dizer que era muito sua fã, resolveu o “nunca” do dia e realizou o desejo de falar com seu ídolo máximo.
Há um “nunca” ainda não realizado – por falta de dinheiro, tempo ou organização – após mais da metade do projeto cumprido? Sim, elas planejam chegar numa rodoviária, perguntarem qual o próximo ônibus e embarcarem. Para onde for.

Confiram o blog AQUI

2011/09/20

UMA FORÇA ESTRANHA NO AR

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:20

Depois do episódio envolvendo o pum misterioso não é difícil entender o nome do centro de treinamento do Flamengo: Ninho do Urubu.
O responsável por trazer maus ventos ao time – literalmente – ainda não apareceu, mas sobram piadas.
O que me espantou, nesse caso, foi a proporção que o episódio tomou. Imaginamos que num ambiente essencialmente masculino manifestações escatológicas fossem comuns ou tratadas com naturalidade. Vai entender.
Já que o autor permanece recolhido em seu ninho de urubu, uma leitura de grande utilidade para Wanderley Luxemburgo e demais flameguistas é o recém-lançado “Fart Dictionary” (“Dicionário de Puns”), do americano Scott Sorensen.
No prefácio, o autor diz: “Todos nós já presenciamos piadas sobre puns, mau comportamento e desconforto social. A sociedade sempre nos forçou a esconder nossos instintos mais básicos, mas soltar gases é uma necessidade humana e todos nós temos isso em comum. Então, leitores, da próxima vez em que vocês soltarem um pum ou testemunharem o pum alheio, tomem nota de onde aconteceu, qual foi o propósito ou inconveniência social. Classifique-o, como eu fiz nesse ‘Dicionário de Puns’”.

Os puns são divididos de A a Z e alguns deles contam com ilustrações divertidas. Alguns exemplos:
- Pum Abraham Lincoln: solto pelo orador durante um discurso;
- Abstrato: o que deixa os remanescentes parecendo o Picasso;
- Anárquico: liberado de propósito durante um discurso presidencial;
- Animado: acompanhado de movimentos como levantada de perna, reverência ou uma rápida e alegre dança;
- Maçã: o que deixa o médico longe;
- A Feiticeira: aquele que te faz torcer o nariz

Scott Sorensen não é técnico nem jogador de futebol. É engenheiro mecânico e já trabalhou no desenvolvimento de diversos brinquedos nos parques da Disney. Depois que abandonou a carreira no mundo mágico, mudou-se para a Califórnia e se dedicou ao dicionário.
Fica a dica para os jogadores do Flamengo.

2011/09/19

O WALLY CHINÊS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:32

Sabem aqueles dias em que temos vontade de desaparecer? Liu Bolin não fica só na vontade e leva o desejo dele ao pé da letra.
Esse artista chinês de 36 anos escolhe um fundo ao qual gostaria de se fundir, fica bem quietinho por horas – às vezes um dia inteiro – e o resultado é a série de fotografias “Hiding in the City”.
A inspiração veio de seu sentimento de não se encaixar à sociedade moderna. Além disso, é um protesto silencioso à perseguição aos artistas na China.
“Naquele momento (2005), a arte contemporânea estava em rápido desenvolvimento em Pequim, mas o governo decidiu que não queria artistas como nós reunidos e atuantes. A situação para os artistas na China é muito difícil”, diz ele.
“Algumas pessoas me chamam de homem invisível, mas pra mim é justamente o que não pode ser visto na pintura que conta uma história”.
Liu conta que depois de se formar não encontrou trabalho e sentiu que não havia espaço na sociedade para ele.
Sua arte exige uma boa dose de paciência. Ele posa e trabalha nas fotografias por mais de dez horas. “Escolho um bom fundo onde eu queira ‘desaparecer’ e depois fico imóvel até receber a pintura” – feita sobre o corpo dele com a ajuda de assistentes.
Liu já se escondeu em diversos lugares na China, Nova York e Paris e suas imagens já foram expostas em diversas galerias de arte pelo mundo.
Além da prateleira de supermercado, Liu Bolin se camuflou numa plateia de teatro, em templos chineses, muros, construções, cabines telefônicas, trens, na bandeira americana e em montes de entulho.

Confiram as imagens AQUI

2011/09/18

O QUE O CORPO FALA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:00

O cabelo tem três opções de direção: frente, trás ou lados. Mas muita gente acorda com ele em pé.
“Num mundo perfeito deveria existir uma linha, assim o cabelo saberia para onde ir”, diz o dr. Orr Barak, dermatologista do “Tufts Medical Center Boston”, para o blog “The Body Odd”, que publicou uma matéria sobre redemoinhos.
“O redemoinho é a resposta do corpo para isso. A localização central no couro cabeludo é um ponto de cruzamento para o cabelo crescer e cair em diferentes direções”, explica ele.
Mas um redemoinho indomável frequentemente seleciona sua própria direção ou escolhe um ângulo em conflito com o seu estilo. E aí vem a luta na frente do espelho.
Todo mundo tem um ou dois redemoinhos – cerca de 96% das pessoas tem apenas um. O mais visível localizado na coroa da cabeça. O segundo, menos óbvio, pode ser no pescoço ou na linha da testa.
Os redemoinhos se formam quando o bebê ainda está no útero e uma vez “implantados” são os mesmos para sempre – a menos que a pessoa fique careca.
Homens e mulheres são afetados de maneiras diferentes: cortes compridos camuflam o redemoinho pelo próprio peso do cabelo.
De acordo com o dr. Barak, há associações interessantes entre os redemoinhos e seus modelos de rotação.
Ele conta que um notável geneticista norte-americano – Amar Klar, do Instituto Nacional do Câncer, em Maryland – encontrou conexão entre a mão que a pessoa escreve e a direção de seu redemoinho. Nos destros, pelo menos 90% têm sentido horário.
O dr. Amar Klar descobriu ainda que a orientação da espiral de 50% dos canhotos ou ambidestros é no sentido anti-horário, o que sugere que a preferência manual e os redemoinhos podem se desenvolver a partir de um mecanismo genético comum.
‘“Só de olhar para o cabelo do John McCain posso dizer que ele é canhoto’, disse o dr. Klar, que subiu e desceu o dia inteiro uma escada rolante em Maryland para determinar quantas pessoas com redemoinhos no sentido anti-horário eram de fato canhotas”, diz o site da “ABC News”.
Num estudo publicado em 2004 com 600 homens, Amar Klar concluiu que cerca de 30% dos gays têm redemoinho no sentido anti-horário.
As descobertas, apesar de soarem fúteis, podem beneficiar o tratamento de doenças causadas por anormalidades na simetria do cérebro, como autismo, esquizofrenia e dislexia.

2011/09/17

STRIKE A POSE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:16

A cada “Semana de Moda” a história se repete. Roupas extravagantes, modelos magérrimas – e a discussão médica que vem a reboque – e a pergunta recorrente por parte do público leigo: “ah, mas quem usa isso na rua?”.
Yolanda Dominguez, uma artista de Madri, na Espanha, aborda essas questões em seu mais recente trabalho, “Poses”.
A partir de fotos de editoriais de Moda ou anúncios, Yolanda colocou mulheres reais – gordinhas ou mais velhas – para recriar as poses das modelos no mundo real, em lugares como uma fila de museu, um supermercado, lanchonete ou ponto de ônibus.
As fotos e o vídeo resultantes da experiência são bem engraçados. Além da ótima ideia, Yolanda conseguiu voluntárias suficientemente caras-de-pau para colocá-la em prática.
Em seu site, Yolanda explica que “’Poses’ é uma crítica direta ao mundo absurdo e artificial de glamour que as revistas nos impõem. Especificamente, à imagem distorcida das mulheres que eles vendem através de modelos que não só não refletem as mulheres reais como rejeitam as que não estão dentro desse padrão. Essas imagens são virtualmente a única referência feminina que existe nos meios de comunicação e têm uma enorme influência sobre o comportamento de homens e mulheres no momento de eles construírem seus padrões de comportamento e maneira de pensar”.
Segundo ela, sua meta era deixar claro o quão ridículo – e algumas vezes nocivo – pode ser seguir esses modelos que o mundo do glamour nos impõe.
Yolanda gosta de causar polêmica discutindo assuntos femininos. No ano passado ela realizou outra intervenção irônica, “Begging for a Chanel”. Ela colocou uma atriz toda vestida de Louis Vuitton na frente da loja da Chanel pedindo dinheiro para comprar uma bolsa da marca francesa.
Antes, em 2008, ela bolou “Princesas 2.8”, uma série com seis performances nas quais as princesas mais famosas dos contos de fada vendem, nas ruas, objetos característicos das próprias histórias para começar uma vida nova. Cinderela, por exemplo, sai oferecendo seu sapatinho.

Assistam ao vídeo de “Poses” AQUI

2011/09/16

O SORRISO DA MONALISA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:34

Hoje mais uma notícia do fantástico mundo chinês.
As meninas aí em cima não estão ensaiando para o próximo concurso do Miss China, mas em plena aula de como se comportar no trabalho.
Elas são as atendentes da mais nova linha de trem-bala do país.
Inaugurada na semana passada, ela liga Pequim à Xangai e tem 1.318 km de extensão. Trata-se da linha de trem-bala mais longa do mundo. O trem chega a 300 km/h.
As funcionárias são treinadas para sorrir com palitinhos entre os dentes – porque têm de sorrir mostrando apenas seis dos oito dentes da frente – e livros equilibrados na cabeça. Além disso, precisam ser tão bonitas quanto as candidatas à Miss China. A diferença é que a duração do sorriso supera a de qualquer concurso de beleza: 4 horas e 48 minutos.
“As meninas da tripulação têm de ter até 28 anos, pele boa, um corpo dentro dos padrões – pesar menos de 60 kg e ter entre 1m65 e 1m70 –, falar inglês e conhecer tudo sobre o trem”, diz o jornal “China Daily”.
As 313 “ferromoças” já receberam o apelido de “irmãs da alta velocidade” e o treinamento inusitado ao qual elas foram submetidas serviu, de uma certa maneira, para desviar a atenção do alto preço do bilhete e dos escândalos de corrupção envolvendo a obra.
O jornalista do “China Daily” que esteve a bordo da viagem inaugural organizada pelo governo conta que a segunda-classe – com tíquetes que saem por 555 yuan ou R$ 150 – têm assento estreito, “ideal para passageiros cuidadosos com seu peso”.
O banheiro conta com um espelho grande e é bem mais confortável do que os dos aviões.
Já na primeira-classe, as poltronas de couro vermelho são mais largas e têm luzes de leitura. Os bancos reclináveis da classe executiva custam mais do que os das companhias aéreas: 1.750 yuan ou cerca de R$ 470.
“As opções gastronômicas eram basicamente carnívoras – exceto por um pequeno pote plástico com cerejas, tomates e uvas”, diz o jornalista.
Ele narra ainda que provavelmente pela invasão de funcionários da companhia, jornalistas e outras autoridades, as “irmãs da alta velocidade” pareciam nervosas e cansadas “empurrando carrinhos pesados com saquinhos de café da manhã e, mais tarde, com frango ao curry ou caixas com camarão. Todas as atendentes com as quais conversei não falavam inglês e se esqueceram de trazer o que eu havia pedido”.

Vejam mais fotos AQUI

2011/09/15

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:06

“O problema não é você, sou eu”; “Eu não te mereço” ou “Estou confuso” são as frases clássicas usadas por quem quer sair pela tangente. Criatividade zero.
Mas dá para ser criativo numa hora dramática dessas?
Para os que acham que não, os chineses apresentam a novidade: a terceirização do fora.
O eBay deles, o “Taobao”, traz anúncios de 26 agências especializadas em terminar relacionamentos. A notícia é do jornal “Shenzhen News”.
Além de dar a má notícia – através de telefonemas, mensagens, emails ou pessoalmente –, os agentes providenciam agradinhos para os abandonados. O “presente da liberdade” custa entre 15 e 30 dólares.
Alguns profissionais cobram algumas centenas de yuans pelo pacote do toco. Outros levam em conta o tempo gasto para completar a tarefa, incluem gastos com transporte e outras despesas.
Segundo eles, o presente é necessário para acalmar as mais chorosas. O dinheiro pode ser gasto também com despesas médicas, “no caso de o namorado ser musculoso e partir para cima do mensageiro”, diz a matéria.
Um desses empresários, Tu Weiming, de 25 anos, diz que teve a ideia de abrir uma agência de “desmatrimônio” após assistir a um filme coreano chamado “Sad Movie” (“Filme Triste”).
Tu relembra o caso mais estranho: ele foi contratado pelo namorado para dar a notícia à garota, mas quando a encontrou, ela deu a Tu cerca de 78 dólares e disse: “Sou eu quem quero terminar isso, não ele”.
Tu pegou a grana de ambos e terminou com os dois.
O trabalho de agente é um bico. Na verdade, Tu é vendedor de roupas.
Apesar de mercenários, os agentes têm alguns critérios para rejeitar um caso: se ele envolve calúnia ou comportamento criminoso, se um dos clientes é menor, se um dos envolvidos é muito frágil ou se o casal já está em processo de divórcio e está disputando a custódia de filhos.
Não estranha a picaretagem do serviço. Difícil é acreditar que exista quem esteja disposto a pagar para isso. Com tanta gente na China, basta dizer que vai ali na esquina comprar um cigarro e tomar chá de sumiço.
Depois dessa novidade, as quatro grandes invenções da China antiga – o papel, a impressão, a pólvora e a bússola – encontram uso alternativo: o papel e a impressão para divulgarem a boa nova, a pólvora para explodir de vez o relacionamento e a bússola para ajudar o ex-casal a encontrar o rumo de casa.

2011/09/14

A COISA TÁ RUSSA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:11

O livro “Made In Russia: Unsung Icons of Soviet Design” (“Feito na Rússia: Ícones Não-Reconhecidos do Design Soviético”, ao pé da letra) é uma delícia.
Lançado em abril e não publicado no Brasil, reúne 50 “obras-primas” de design industrial “que pertencem predominantemente a uma fase de ‘socialismo avançado’, quando o povo soviético não estava sendo alvejado por bolcheviques e nazistas e podia relaxar um pouco”, diz o blog “Very Short List”.
As 50 invenções selecionadas vão desde objetos simples, como jogos, rádios, bolsas e máquinas fotográficas – como a LOMO, a nova modinha entre o povo “moderno” –, até personagens como o ursinho Misha – mascote das Olimpíadas de Moscou – as máquinas que disponibilizavam gratuitamente água da torneira com gás, o “vertushka” – um telefone que só recebia chamadas –, o “collapsible communal drinking cup” – aquele copo retrátil –, e o “banki” – ventosa de vidro usada em massagens.
Há até um capítulo dedicado ao satélite “Sputnik”. Nele, o autor cita uma definição da embaixadora americana Claire Booth Luce, que chamou o satélite de “uma framboesa intercontinental do espaço sideral que surge numa década em que a pretensão americana era de que o ‘american way of life’ fosse uma garantia em moldura dourada da superioridade nacional”.
Editado pelo jornalista Michael Idov, os textos que ilustram cada capítulo são contextualizados por quatro jornalistas e artistas russos: Boris Kachka, Vitaly Komar, Gary Shteyngart e Lara Vapnyar. Numa reportagem sobre o livro, o “The Washington Post” descreve o resultado como um pouco caótico, “mas embalado com força emocional”.
Segundo Michael, a ideia era de que a obra fosse um antídoto à nostalgia. Por isso os ensaios têm doses de humor e ironia.
Segundo o blog “Very Short List”, “o design soviético foi influenciado de uma certa forma pelo nascente Construtivismo Soviético, pela corrida espacial, pelo design ocidental e, principalmente, por limitações econômicas. “Era um grande e bem-armado país, mas não rico”.

P.S.: Esse joão-bobo russo aí em cima chama-se “nevalashka” e é tido como um símbolo da perseverança. Ao lado, os “vertushka”

Conheçam alguns dos objetos abordados no livro AQUI

2011/09/13

LENDO O INIMIGO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:44

Toda vez que alguém solta a porta de vidro na nossa cara em vez de segurá-la e aguardar nossa passagem, dá-nos um esbarrão e não se desculpa ou não emite um bom dia no elevador temos reações distintas: repetir o mesmo com o próximo, agir de maneira oposta – educadamente, portanto –, pensar que acordamos mais sensíveis ou justificarmos esses comportamentos hostis sob o argumento do estresse e da correria da vida contemporânea.
Mas os cientistas têm uma explicação muito melhor para essa desumanidade: nossa capacidade de nos identificarmos com o outro, a empatia, está desaparecendo.
No ano passado a revista “Scientific American” divulgou o resultado de um estudo que revelou que essa característica – que mais nos diferencia dos outros animais – está indo pelo ralo. Não é impressão.
Depois de uma série de experimentos, pesquisadores da Universidade de Michigan descobriram que três quartos dos estudantes analisados têm menos empatia do que os de 30 anos atrás.
Segundo os estudiosos, esse decréscimo tem a ver com a crescente falta de treino nas relações interpessoais “ao vivo”.
Essa é a má notícia.
A boa é que de acordo com dois novos estudos, nem tudo está perdido. A chave pode estar num Paulo Coelho ou até num “Crepúsculo”.
Cientistas descobriram uma relação entre empatia e leitura (de ficção).
Shira Gabriel e Ariana Young, professoras do Departamento de Psicologia da Universidade de Buffalo, chegaram à conclusão testando o comportamento dos estudantes com livros da série “Harry Potter” e “Crepúsculo”.
A partir do momento em que eles se autoidentificaram com o jeito de ser dos personagens, a oportunidade de conexão social se apresentou. “Tornou-se algo maior do que eles mesmos – nem que por um precioso e breve momento”, disseram elas.
O professor Raymond Mar, da Universidade de York, chegou à mesma conclusão: “Quanto mais a criança lê, mais ela se torna propensa a entender as emoções dos outros”.
Faz todo sentido. Com cada vez menos gente interessada ou com tempo para leitura, mais “cavalares” têm sido os comportamentos sociais.

2011/09/12

QUEM TEM BOCA VAI À ROMA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:27

Muita gente adoraria enxergar algumas situações através do buraco da fechadura. Eu, por exemplo, daria todo o meu ouro para bisolhar certas portas em Brasília.
O fotógrafo inglês Justin Quinnell passou à prática e encontrou um novo significado para a expressão botar a boca no mundo. Ele transformou sua boca na câmara escura perfeita para uma câmera pinhole (buraco de alfinete, ao pé da letra).
A pinhole geralmente é feita a partir de uma lata ou caixa de papelão com um furinho num dos lados da câmara obscura e um pedaço de filme ou papel fotográfico no lado oposto. Basta expor sua “arma” para a cena a ser fotografada por alguns minutos.
Não só funciona, como produz um resultado lindo. Aqui no Brasil há inúmeras iniciativas de projetos com pinholes envolvendo crianças de rua ou comunidades carentes.
No caso de Justin, ele fotografou de tudo: a Ópera House de Sidney, seu filho Louis, a visita ao dentista, seu jantar, café da manhã e até um momento relaxante na banheira de casa. Ele se posicionava, permanecia boquiaberto por alguns minutos para expor o filme de maneira correta e o clique estava feito.
“Um dia, sentado com uma pinhole, pensei: ‘Adoraria se isso se ajustasse à minha boca’. Então peguei uma das 110 câmeras que uso para jogar do alto dos prédios ou colocar nas petecas e botei na boca. Ela se encaixou perfeitamente lá no fundo”.
A experiência de tirar fotos na frente do espelho ou num bar com uma caneca de cerveja na frente da boca fez até que Justin deixasse o cigarro.
“As imagens me mostraram o interior da minha boca e me ajudaram a tomar a decisão certa a respeito do fumo”, conta ele.
Além de fotógrafo, Justin é professor de fotografia e especialista em pinhole há mais de 20 anos. As fotos sob sua perspectiva bucal renderam o livro “Mouthpiece”, lançado há cerca de cinco anos.
Além deste, Justin realizou outro projeto inusitado: o “Slow Light”, no qual ele instalou câmeras pinholes em alguns pontos da Inglaterra durante seis meses – do solstício de inverno de 2007 até o solstício de verão de 2008. O resultado é impressionante.

Visitem o site de Justin AQUI

2011/09/11

E FEZ-SE O SILÊNCIO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:34

Há dez anos formavam-se as imagens que ficarão guardadas na retina e na memória de milhares de pessoas desta e das próximas gerações. Hoje – além de um dia tenso e cercado de expectativas para os americanos – é o momento de revermos cenas trágicas e refletirmos até que ponto chega a imbecilidade humana.
Tomaremos uma overdose de fotos das explosões, de gente se jogando para a morte, da exposição de objetos pessoais das vítimas, de depoimentos de sobreviventes ou parentes dos mortos e teremos até de engolir o UOL fazendo a “enquete da imagem mais marcante do 11 de Setembro”.
Na tentativa de fugir um pouco da cobertura tradicional da imprensa, fiquemos com a estupidez – felizmente numa proporção bem menor do que a dos terroristas.
São as dez frases mais infelizes sobre o 11 de Setembro proferidas pelos “famosos e infames”, segundo o blog “Dumb as Blog”, que preparou a lista. Algumas chegam a ser incompreensíveis para nós, brasileiros, mas a maioria faz sentido. Confiram:

“Tenho de sair mais cedo essa noite. Vou para Los Angeles, mas não consegui um voo direto. Tenho de fazer uma escalano Empire State Building”
Do comediante Gilbert Gottfried, em 2001

“Acredito que Andy foi escolhido para morrer porque ele era muito bom. Estou quase feliz que tenha acabado dessa forma porque aprendi tanto com ele. Seria trágico se começássemos a brigar e nos divorciássemos. Eu poderia ser uma dona de casa gorda com três filhos em Sands Point”
Rachel Uchitel, ex-amante de Tiger Woods falando sobre um ex-namorado, morto nos ataques às Torres Gêmeas. A declaração
foi publicada pelo jornal “New York Post”. Agora Rachel está processando o jornal sob a alegação de que sua frase foi tirada do contexto

“Vemos outras torres do mesmo estilo serem atingidas por aviões. Elas se incendiaram? Houve uma torre, se não me engano na Espanha, que ficou queimando por 24 horas e nunca caiu. E aqui, em Nova York, em poucos minutos a coisa toda ruiu”
Marian Cottilard, atriz que interpretou Piaf e ganhou o Oscar

“Deveríamos invadir o país deles, matar seus líderes e convertê-los ao Cristianismo”
Ann Coulter, escritora conservadora

“Acho que a América não tem experiência com o terrorismo e até mesmo com a guerra. Na Europa sabemos mais sobre essas coisas”
Bono, “rock star e entusiasta de óculos escuros”

“Eu realmente acredito que pagãos, mulheres que cometem aborto, feministas, gays e lésbicas que estão ativamente tentando implantar um estilo de vida alternativo e todos aqueles que já tentaram secularizar a América – eu aponto meu dedo para a cara deles e digo: ‘Vocês ajudaram isso a acontecer’”
Jerry Falwell, “televangelista” e pastor cristão fundamentalista morto em 2007

“E as baleias? Estão ignorando animais, que são mais importantes. Eles precisam ser salvos e isso é o que importa. Essa coisa em Nova York está tomando grandes proporções. Quem liga para Nova York quando há elefantes sendo mortos? Não tenho medo de falar isso. Isso tem que ser dito. É por isso que sou o porta-voz da banda”.
Lee Ryan, integrante de uma boy band britânica chamada “Blue”

“Quando vejo familiares de vítimas na TV ou em outro lugar, sou uma coisa meio ‘ah, cala a boca’. Estou de saco cheio deles. Estão sempre reclamando”
Glenn Beck, “personalidade da TV”

“O 11 de Setembro foi um trabalho interno”
Spencer Pratt, astro de reality show numa conversa sobre teorias conspiratórias com a atriz, modelo e cantora Heidi Montag num programa de rádio em 2009

“Obrigado, Deus, pelo 11 de Setembro. Obrigado por, cinco anos atrás, ter espalhado sua ira sobre essa nação do mal. América, terra dos sodomitas impuros. Os eventos mortais de 9/11 foram a retribuição divina, a imediata visita da ira de Deus, a vingança e a punição sobre os horríveis pecados sodomitas da América”
Fred Phelps, pastor e líder da igreja batista de Westboro

Atualização “made in Brazil” diretamente do Twitter de Latino: “10 anos de tragédia! Lembro tb q chovia e qdo ligamos a TV (ainda c/ sono) parecia que o mundo estava acabando! Choramos muito. Foi uÓ!”

Vejam as fotos e as declarações AQUI

Próxima Página »

O tema Rubric. Create a free website or blog at WordPress.com.