O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/07/29

LUA FASHION WEEK

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:36

Os macacões usados pelos astronautas que participaram da missão que levou o Homem à Lua saíram das mãos de costureiras acostumadas a cerzirem espartilhos e sutiãs.
Essa e outras revelações estão no livro “Spacesuit: Fashioning Apollo”, de Nicholas de Monchaux, professor de Arquitetura da Universidade de Berkeley, na Califórnia.
Na obra, lançada no início do ano, ele revela os bastidores desse trabalho altamente complexo para o qual pouca gente – ou ninguém – se voltou desde 1969.
Os macacões usados por Neil Armstrong e seus colegas foram obra da “International Latex Corporation” (“Playtex”, para o consumidor), que criou seu “A7L”, de 21 camadas.
Segundo o professor, em meio a complexos sistemas de engenharia, estava esse dispositivo técnico materializado por costureiras que tiveram de trabalhar de maneira totalmente artesanal, sem o uso de alfinetes. Os macacões – apesar de criados de acordo com os princípios industriais militares mais convencionais – eram objetos de artesanato.
No entanto, o mérito da companhia nunca foi exposto porque não era permitido que nenhuma empresa colocasse seu logotipo no que quer que fosse.  
O “Txchnologist”, site sobre tecnologia, entrevistou o professor Nicholas. Quando questionado se as costureiras da “Playtex” são as heroínas não-reconhecidas do programa espacial, Monchaux disse: “Para mim, certamente. Como outras pessoas envolvidas no processo, elas literalmente tiveram as vidas dos astronautas em suas mãos. Elas demonstraram habilidade e dedicação incomparáveis. As mesmas mulheres confeccionaram os macacões tanto para o ônibus quanto para a estação espacial. O trabalho delas não é, de forma alguma, obsoleto”.
Segundo ele, não houve nenhum outro esforço de design parecido. Houve sim diversos projetos abandonados. O da “Playtex” foi único, de alta-costura.
Ao contrário dos soviéticos, que eram bem práticos, os Estados Unidos gastaram muito dinheiro para aperfeiçoar zíperes, por exemplo. Foi necessário um design complexo para desenvolver um zíper totalmente hermético.
“Os soviéticos nem se importaram com isso. Simplesmente costuraram um tubo de tecido que foi preso à cintura. Para usá-lo, o astronauta tinha de engatinhar como se estivesse entrando novamente no útero da mãe. Os soviéticos estavam sempre dispostos a optarem por uma solução menos elegante se tivessem  praticidade”, diz o professor.

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