O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/07/26

A MARCA DA MALDADE

Filed under: Matutando — trezende @ 09:30

Na sexta-feira passada, em São Paulo, o bairro do Brooklin parou por algumas horas para assistir à simulação de um ataque terrorista a um hotel cinco estrelas.
Ainda que de mentirinha, visualizar o cenário com todos os seus elementos – gente gritando, som de helicóptero, viaturas policiais, ambulâncias e fumaça no alto do prédio – é chocante.
O que ninguém imaginava é que no mesmo dia um atentado terrorista acontecia de fato, na Noruega.
Em vez de um hotel, o fulano agiu ao ar livre, detonando bombas no centro de Oslo e matando dezenas de pessoas num acampamento.
Diante de tragédias assim, além da comoção mundial, o comentário-padrão: “ah, o cara era louco”.
Por que a tentativa de justificar atos absurdos como esse sob o argumento da loucura, do desequilíbrio psiquiátrico e psicológico? Por que é tão difícil reconhecer que existe (muita) gente má? O fulano é ruim. Ponto.
Segundo ele, seus crimes foram uma atrocidade, mas necessários.
Uma pessoa que demonstra plena consciência de seus atos não é tão maluca assim.
O fulano não é o atirador do Morumbi Shopping, nem aquele que entrou numa escola carioca disparando tiros a esmo – esses sim doentes mentais – e nem Deborah Guerner. A promotora já fez caras e bocas e simulou desmaios, mas os médicos informam que ela sempre deixa o posto médico “tranquila e clinicamente estável”.
O norueguês não agiu num acesso de fúria. Seu ataque foi calmamente arquitetado ao longo de pelo menos dois anos – tempo suficiente para abastecer-se legalmente de quilos e mais quilos de fertilizante para a construção das bombas e redigir um manifesto de 1.500 páginas: “2083 – Uma Declaração Europeia de Independência”.
O atentado é atribuído ao “crescimento da extrema direita”. Crescimento? Ora, os ultradireitistas/xenófobos/racistas/fanáticos sempre existiram. Estão por aí e são mais fáceis de serem encontrados do que cabeça de bacalhau. Eles só esperam uma chance para se manifestarem.
Vira e mexe, nas redes sociais, o preconceito contra nordestinos vem à tona. No ano passado uma garota sugeriu no Twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.
Na semana passada, entrevistei Sílvia Novais, eleita miss “Itália nel Mondo” – título concedido à mais bela descendente de italianos. Sílvia, que é baiana e filha de mãe negra, foi alvo de ataques racistas em diversos sites nacionalistas. Uma das frases dizia: “A negra nojenta não pode ser italiana, talvez ela tenha um avô italiano do avô do avô…”.
A diferença entre esses e o fulano é que talvez os que se escondem atrás de um teclado não sejam tão inteligentes ou simplesmente não tenham condições financeiras de organizarem um atentado. Com um pouco mais de capacidade intelectual e dinheiro no bolso teriam a coragem para se tornarem tão perigosos quanto esse Bolsonaro norueguês.
Tão chocante quanto tudo isso, a notícia de que o fulano pode pegar, no máximo, 21 anos de cadeia. Numa prisão, aliás, muito mais confortável do que um hotel cinco estrelas.
Os noruegueses continuam de uma ingenuidade atroz.

P.S.: assim que publiquei este post meu computador foi alvo de hackers. Portanto, retirei o nome do atirador, a quem me refiro apenas como fulano.

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1 Comentário »

  1. Essa tartaruga é o máximo.

    Comentário por Ricardo Rezende — 2011/07/26 @ 22:15


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