O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/07/24

BACK TO BLACK

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:55

Nem Keith Richard nem Rafael Ilha. Amy Winehouse furou a fila e foi atendida.
A gente já sabia, só não imaginava que seria tão rápido. O rápido aqui é relativo – já que ela tinha problemas com drogas e álcool desde os 18 anos.
Amy não recebeu ajuda – e nem queria. As pessoas que estavam à sua volta simplesmente se omitiram: familiares, amigos e “responsáveis”.
Para que forçar uma estrela a fazer algo contra a sua vontade – principalmente quando as cifras envolvidas são estratosféricas? Sob os olhos dos empresários do meio musical era confortável assisti-la bancando a bêbada no palco desde que o bolso estivesse cheio.
Ninguém quis abrir mão de seu quinhão e deu no que deu.
Em outubro do ano passado Amy deu uma entrevista – talvez a última – para a revista “Harper’s Bazaar”. Nela é possível perceber o nível de confusão mental vivido pela cantora.
Abaixo, a entrevista traduzida:

Amy Winehouse: Unplugged
No lançamento de sua nova coleção de moda, a controversa superstar diz que está mais feliz do que nunca. Mas ela realmente mudou?

Por Polly Vernon

Mesmo a partir de uma certa distância e apesar de ela ser realmente pequena, Amy Winehouse, 27, é inconfundível. Eu a reconheci instantaneamente: uma estrutura pequena emoldurada por um cabelo preto colmeia, a boca grande e a saliente curva de seu peito – que pode ou não ter sido melhorado através de cirurgia estética. (Winehouse não comenta sobre o implante de seio que teria acontecido em outubro de 2009, mas ele parece muito maior do que era alguns anos atrás).
A cantora chega ao pequeno estúdio fotográfico montado em Londres para a “Harper’s Bazaar” descalça, extravagantemente tatuada e vestida apenas com um vestido frente única de algodão – parte da coleção que Winehouse criou com a marca britânica Fred Perry. Hoje ela desfila as roupas para o rock star que virou fotógrafo, Bryan Adams.
Eles já haviam começado o ensaio quando eu cheguei; Adams havia feito uma parada para comer alguma coisa. Ele estava tentando convencer Winehouse a comer também oferecendo-lhe bolinhos de arroz vegetarianos. “Não, Bryan!”, dizia ela num tom alto e totalmente teatral. “Eu preciso de proteína, Bryan!”.
Ela então despacha um dos integrantes de sua equipe para ir atrás de uma salada de lagostim e também: “Um pepino, assim posso bater no Bryan com ele”. E se encaminha para se arrumar para a próxima fase das fotos.
Esse foi meu primeiro contato com Winehouse. Ela parece um pouco exigente, um pouco afeita ao drama, mas também concentrada, disciplinada, ansiosa para terminar o trabalho, engraçada.
Quando discuto com Richard Martin – o gerente de marketing da marca Fred Perry – sobre como tem sido a experiência de trabalhar com ela, ele me diz que ela tem sido encantadora – inteligente, apaixonada, dedicada, cheia de ideias sobre o que ela quer. “Detalhes, tecidos, ela está por dentro de tudo. De tudo”.
Amy Winehouse pode ter virado a página?
Os três últimos anos têm sido difíceis para a artista. De um lado, ela conquistou fama internacional ganhando o Grammy de melhor álbum com “Back to Black”. De outro, tornou-se vil. Graças ao seu casamento tumultuado com Blake Fielder-Civil e rumores sobre ataques de fúria, uso de drogas e várias passagens pelas clínicas de reabilitação. Winehouse tem sido associada à celebridade mais obscura, destruída e preferida pelos tabloides.
Recentemente sua vida parecia mais calma. Em julho de 2009, ela e Fielder-Civil se divorciaram. Desde então ela tem estado mais discreta em relação àquela que costumava ser perseguida pelos tabloides.
Um início de relacionamento com o cineasta Reg Traviss provocou o interesse da imprensa, mas em geral ela tem evitado problemas e a incompreensível cobertura da mídia.
Antes de Winehouse começar a próxima fase da seção de fotos, eu a vi tomando um bom trago de vinho. “Não que eu seja uma rock star alcoólatra”, ela fala alto.
Eu não tenho ideia do que motivou isso, mas posso dizer que nos 45 minutos seguintes ela havia mudado. Estava psicologicamente instável, cambaleante em seus saltos altos. Depois ela começou a dar show para a câmera – com direito a piruetas. “Vai logo, Bryan!”, ela gritou. “Isso parece uma doação de sangue de três horas!”.
Ela levanta sua minissaia preto e branca e balança os quadris. O ensaio termina e Winehouse sai imediatamente do set.
Eu a encontro sentada na beirada da cama de seu camarim tomando uma sopa ruidosamente. Um de seus representantes diz que ela dará a entrevista em alguns minutos.
Quero perguntar diversas coisas a Winehouse. Ela é feliz? Saudável? Está trabalhando em algo novo? Está apaixonada? Como é o relacionamento dela com o pai, Mitch, que é taxista em Londres? Ela sente falta de Blake? Quer se casar? Ter filhos?
Mas logo a ficha cai e é improvável que eu consiga as respostas. Ela não está… presente. Está distraída e vaga. Minhas perguntas mais diretas a confundiram.
Como você está?, eu pergunto.
Ela dá mais uma golada na sopa.
“Estou ótima. E você?”. A voz dela era ofegante, meio infantil. Ela pronunciava algumas palavras com grande cuidado, mas outras eram sílabas ininteligíveis.
Estou bem, eu digo. Ficou cansada do ensaio?
“Não sou muito boa nisso”.
Por que não?
“Porque sou música. Não sou exatamente boa para fazer poses, ser modelo ou agir como modelo”.
Você gosta disso tudo?
“Hmmmm … Gosto… Depende de quem está com você”.
Mas você gosta do Bryan?
“Sim! Gosto muito dele, ele é um cara ótimo”.
Conte-me sobre o projeto Fred Perry. Parece que você realmente sabe o que quer dele.
“Muito, muito. Está quase tudo pronto para a coleção outono/inverno 2012”.
Foi fácil?
“Mmm-hmmm. Sim, sim, não tão difícil porque…”
Alguém aparece, entrega a ela a salada de lagostim e leva o pote de sopa vazio.
“Obrigada, baby!”, ela diz para quem lhe trouxe a salada e se vira pra mim:
“Eu sabia exatamente o que eu queria e eu amo tanto Fred Perry. Fiquei honrada quando disseram: ‘Você quer vir aqui e criar uma coleção?’ Eu? Tipo eu?” e aponta o dedo para o peito. “Quero!”.
Como está seu trabalho de uma maneira geral?
“Um, escrevendo um montão. Apenas… escrevendo um montão”
O empresário nos interrompe: “Sobre o que você está perguntando a ela?”
Música.
Ele diz que Winehouse não pode falar sobre seu novo álbum. Ela só pode falar sobre Fred Perry.
“Sim”, ela diz com gosto. “Apenas Fred-Perry”
Okay. Você se considera um ícone de estilo?
“Estilo do quê?”
Um ícone de estilo, eu repito
“Não, claro que não!”
Mas você é! Muitas pessoas mudaram a aparência em consequência do seu visual. Tatuagens ganharam um novo status. Até o delineador carregado está sendo imitado.
“Uh-huh. Não acho que seja verdade. Só me visto como… Eu sou um negro velho, me desculpe! Sou como um velho negro judeu. Me visto como se eu estivesse nos anos 50”.
Quem te inspira?, eu pergunto. Mas Winehouse está distraída. Deixa cair um pouco de salada na cama.
“Deixei cair camarão no cobertor do Bryan Adams”, ela diz assustada. E recolhe com um guardanapo.
Ele te perdoa.
“Você acha que ele vai?”
Com toda certeza.
“Quais são minhas inspirações? Elizabeth Taylor”
Você quer se parecer com Taylor?
“Não exatamente. Ela tinha olhos roxos. Isso é estranho”
Ela faz uma pausa e continua seu raciocínio: “Thelonious Monk. Charlie Mingus. Miles Davis… Thelonious Monk novamente e alguns rappers de hoje, como Nas, Busta Rhymes e Mos Def”
Alguma inspiração de estilo?
“Não sei”. Ela parece frustrada procurando por alguma referência fashion. “Chanel”
Eu decido pegá-la de surpresa com uma grande questão para ver o que acontece.
Amy, você é feliz?
Ela semicerra os olhos de maneira suspeita.
“Em relação a quê?”
À vida.
“Estou feliz com essa salada”
Você acorda e se sente feliz?
“Não entendo o que quer dizer”. Pausa. “Tenho um namorado ótimo. Ele é bom pra mim”
Você está apaixonada?
“Ainda não sei… Estamos juntos há três meses e meio”
Pelo tempo dá para notar que ela está se referindo a Reg Traviss.
E tem alguma ambição que ainda não realizou?
“Não!”, ela diz. “Se eu morrer amanhã, serei uma menina feliz”.

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