O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/07/14

UM MOSTRUÁRIO INUSITADO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:38

Ele nunca está no topo das pesquisas por seus atributos físicos, mas Wayne Rooney (conhecido informalmente como Shrek) tem um dos narizes mais atraentes da Inglaterra, dizem os especialistas.
O nariz do astro do Manchester United é considerado o mais atraente pelo acadêmico que completou o que ele afirma ser o primeiro estudo do tipo a classificar e arquivar os diferentes formatos de nariz.
O professor Abraham Tamir, da Universidade Ben-Gurion de Israel, bateu perna em shoppings na Europa e em Israel tirando fotos disfarçadas de pessoas com narizes interessantes. Depois ele organizou 1.300 imagens e relacionou cada nariz a um rosto de uma pintura ou peça de arte, o que lhe possibilitou afirmar que há 14 tipos de nariz – com classificações que variam de “carnudo” a “celestial”.
O estudo foi publicado no “Jornal de Cirurgia Craniofacial”.
“Antes de Rooney deixar que o elogio suba à cabeça, entretanto, ele deveria saber que os que têm nariz como o dele – pequeno e levemente empinado na ponta – são vistos como imaturos física e espiritualmente”, alerta o pesquisador.
O mais comum, particularmente entre os homens, é o carnudo (ou corpulento), exemplificado pelo príncipe Philip. O carnudo aparece em quase um quarto dos rostos estudados.
Segundo o professor Tamir, pessoas com nariz desse tipo provavelmente são generosas, emotivas, prestativas e sensíveis. Por outro lado, tanto o carnudo quanto o falcão – como o de Barbra Streisand – estão entre os menos atraentes.
(Se o carnudo é o do príncipe Philip, como denominar aquela napa com formato de morango que sofreu mutação? Bulboso talvez?)
O nariz romano – como o de Tom Cruise, comum entre cerca de 9% dos pesquisados – é sinal de ambição, coragem e pensamento claro.
Outro nariz clássico, o grego, como o do capitão do Arsenal, Cesc Fabregas, é portado por apenas 3% das pessoas.
O ator Daniel Radcliffe, o eterno Harry Potter, é um dos que engrossam a lista dos 9% do nariz aquilino, sinal de pessoa estrategista e com mente para os negócios.
13% dos pesquisados têm nariz celestial como o da atriz Carey Mulligan. Esse, acredita o professor, é o mais atraente, ao lado dos que têm nariz como o de Rooney.
Kate Middleton é outra que pode ficar envaidecida pela sua napa – encontrada frequentemente em pinturas, o que sugere que os artistas viam esse tipo de nariz como algo belo.
Simon Withey, da Sociedade Britânica de Cirurgiões Plásticos, toca num ponto fundamental e que desmonta toda a teoria do professor israelense. Segundo Simon, os resultados seriam completamente diferentes se a pesquisa fosse realizada em outra parte do mundo.
Pequeno detalhe.

A propósito, nesta quarta-feira o brilhante Antônio Prata publicou uma crônica ma-ra-vi-lho-sa sobre nariz. Confiram:

ASSOANDO O NARIZ
Estou gripado. Faz uma semana que meu nariz escorre ininterruptamente, como a nascente de um rio, ou explode em tonitruantes espirros, como um vulcão desativado que, após anos de silêncio, retoma suas atividades.
Eu não deveria me incomodar com a fúria da natureza: durante toda a infância e a adolescência, a rinite alérgica foi minha fiel companheira. Por quase duas décadas, andei por aí com rolinhos de papel higiênico enfiados nos bolsos, escravo das vias que, não satisfeitas por serem aéreas e superiores, queriam também ser hídricas -e conseguiam: essas narinas anfíbias, inundadas como um brejo, coaxantes como sapos.
Foi na passagem para a idade adulta, meio que de uma hora pra outra, que o nariz parou de me atormentar e resolveu resignar-se às duas únicas funções para as quais veio ao mundo: respirar e meter-se onde não é chamado.
Não sei nada de medicina e desconfio das relações que o senso comum costuma tecer entre doenças e estado de espírito; provavelmente o fim concomitante da rinite e da adolescência tenha sido mera coincidência, mas sinto como se o bem-vindo estio nasal tivesse a ver com uma mudança de postura, certo ganho de confiança, capacidade de olhar as coisas (um pouco mais) de frente, fruto da maturidade.
Assoar o nariz, como usar chapéu ou fazer piadas, é uma forma de proteger-se do mundo. Uma pequena covardia, um ato de autossabotagem. Durante os segundos em que se usam as narinas como corneta, fica-se temporariamente isento de quaisquer responsabilidades. Impossível dar em cima de uma garota e assoar-se ao mesmo tempo. Contar uma história, não dá. Jogar bola, sem chances. Bater boca, fora de cogitação. Neurose das mucosas: por conta de um mero grão de pólen, um pelo de gato, um ácaro acariciando a parede das fossas nasais, o sistema imunológico decide ativar o alarme, grita “Fogo! Fogo!” e liga os sprinklers, inundando caixas e caixas de lenços de papel.
Por essas e outras, sempre acreditei que assoar o nariz é um vício da vida contemplativa. Como se o embotamento de nosso sentido mais animal, o olfato, fosse pré-requisito para a negação do corpo e a opção pelo intelecto: não sinto, logo penso, logo existo. Difícil imaginar um general com rinite alérgica. Ou um piloto de F-1. Charles Bronson deve ter espirrado só duas ou três vezes -e na infância. Já escritores, humoristas, filósofos, vejo-os todos com uma pequena pirâmide de papel higiênico amassado ao lado de suas poltronas. Woody Allen é praticamente só nariz. E Groucho Marx, então? Veja um retrato de Descartes: é evidente que ele está segurando um espirro.
Nesses últimos sete dias de gripe, me senti transportado de volta à adolescência. A uma festa em 1993, em que, sentado numa mesa no canto, via a garota dos meus sonhos sendo xavecada por um boçal de boné para trás e não podia fazer nada: não com o nariz naquele estado, não me assoando e limpando as caspinhas de papel caídas na camiseta. “Quem sabe mais pra frente?”, eu pensava, fazia alguma piada e voltava a cuidar dos meus assuntos: sssrrrrrruuuuummmmfffffchhhhh.

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