O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/07/12

NA BATIDA DO TAMBORIM

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:05

Não é todo mundo que tem paciência com musicais. Tem gente que acha o fim da picada uma personagem pedir à outra para passar a manteiga cantando e ambas saírem da mesa sapateando.
Mas quem é fã do gênero tem uma ótima opção em São Paulo. Ainda que cometa o pecado de ter canções traduzidas, “Mamma Mia!” é uma delícia.
Em cartaz desde o fim do ano passado, o espetáculo é a versão made in Brazil para o musical homônimo que estreou há 11 anos em Londres com canções do quarteto sueco Abba.
A profusão de musicais de sucesso no Brasil é tendência há pelo menos dez anos, mas eles ainda são um mercado novo para o meio artístico. Elenco e produção pulam de uma montagem para outra para dar conta da demanda. 90% deles ganham versão de Claudio Botelho.
No caso de “Mamma Mia!”, além da adaptação do texto, foi feita a versão das músicas. E é aí que mora o perigo.
“Feel the beat from the tambourine, oh yeah! You can dance, you can jive, having the time of your life” virou: “Sinta a batida do tamborim, ié, ié. Vem dançar, pra valer, hoje a rainha é você!”.
“Mamma Mia, here I go again. My my, how can I resist you?” se transformou em “Mamma Mia, olha eu aqui, meu Deus, ai eu não resisto!”
“The winner takes it all” também é infame: “e tudo ao vencedor!”
Quanto sacrilégio. Por que não manter as versões originais? Tomara que os abbas não nos ouçam.
No elenco, quem faz as vezes de Meryl Streep é Kiara Sasso – que participou de praticamente todos os musicais recentes. No entanto, a protagonista Donna ganha uma interpretação burocrática e o carisma zero de Kiara. Vale pelo gogó.
O rei dos musicais, Saulo Vasconcelos – ex-Fera e ex-Fantasma da Ópera – não está num papel privilegiado. Fica meio de escanteio, desperdiçado na pele de Sam (no cinema, Pierce Brosnan) e muito aquém de seu talento.
O palco é mesmo da gordinha Andrezza Massei, que interpreta Rosie, uma das amigas de Donna. Andrezza rouba todo o carisma da protagonista e o distribui à plateia em forma de animação, alegria e um vozeirão à altura de suas proporções corporais.
Além de Andrezza, os destaques são a promissora Pati Amoroso (a segunda protagonista), a solução simples e criativa encontrada para os cenários – com direito a uma linda lua cheia no final – e os figurinos, divertidos.
Como os musicais que chegam por aqui são superproduções importadas, eles cobram seu preço por isso. Levem dinheiro. E saiam sapateando.

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2 Comentários »

  1. Quanto à tradução, é a velha história: na ânsia de atingir todas as faixas de público, quem paga é a arte, a literatura… Letras tão lindas. Ficaram chinfrim mesmo.

    Beijocas.

    Comentário por Selma Barcellos — 2011/07/12 @ 10:59

  2. E Waterloo? Traduziram para “banheiro d’água”?

    Comentário por Ricardo Rezende — 2011/07/12 @ 18:14


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