O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/07/11

O VERDADEIRO FRUTO PROIBIDO

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:21

Se o conto da Branca de Neve fosse atualizado para os dias de hoje é provável que a bela não se encantasse por uma maçã vermelha, mas por um dos tomates lustrosos, suculentos e avantajados que encontramos no supermercado.
Afinal, “os tomates de supermercado são ‘comida pornográfica’, no sentido mais purista do termo. Eles te provocam, te fazem pensar, mas não entregam o prometido”, diz Barry Estabrook.
Estabrook é autor de um novo livro, “Tomatoland: How Modern Industrial Agriculture Destroyed Our Most Alluring Fruit” (“Tomatelândia: Como a Moderna Agricultura Industrial Destruiu Nossa Fruta Mais Sedutora”), que trata de explicar por que os tomates de supermercado têm gosto tão ruim e o motivo disso.
Ele começa lá atrás, pelos ancentrais peruanos que realizavam o cultivo no pé das montanhas andinas e conseguiam colher um tomate não muito maior do que ervilhas grandes. Depois Estabrook chega ao fim do século 19, quando a Flórida toma a frente na produção americana se beneficiando do embargo aos tomates cubanos – atualmente a Flórida é responsável por um terço dos tomates produzidos no país.
O autor revela também que para combater a temperatura imprópria, o solo arenoso e desprovido de nutrientes, as (pelo menos) 27 espécies de insetos e as 29 pragas que atacam as plantações, os produtores da Flórida bombardeiam os tomates com um coquetel de herbicidas e pesticidas e um gás à base de etileno que força o amadurecimento.
No entanto, o autor joga a maior parte da culpa nos consumidores, que querem tomates frescos o ano todo – até durante o período mais frio do inverno. “Dependendo da época do ano, 90% dos tomates frescos que encontramos no supermercado vêm da Flórida”.
Segundo ele, a Flórida é quente no inverno e tem acesso fácil para a maioria dos Estados, mas é também o pior lugar para o cultivo de tomates. “Tanto o clima quanto o solo são completamente impróprios, mas os agricultores encharcam suas plantações com pesticidas e fertilizantes para garantirem a colheita. Além disso, os tomates de supermercado são cultivados para terem durabilidade, não sabor. É como me disse um produtor uma vez: ‘não ganho um centavo pelo sabor’”, conta Estabrook.
Há também um lado obscuro na moderna produção tomateira: até recentemente os trabalhadores de muitas plantações na Flórida eram mantidos como escravos. “Pessoas eram compradas e vendidas como animais, presas a correntes, açoitadas por não trabalharem rápido o bastante ou por estarem fracas e doentes, levam tiros ou são mortas tentando fugir. Tudo isso soa como a escravidão de 1850, mas ainda ocorre de fato”, diz Estabrook.
Segundo ele, a situação está começando a melhorar. Nos últimos 15 anos têm sido realizados, com sucesso, processos contra o trabalho escravo. A mudança partiu de um grupo de apanhadores de tomate chamado “Coalition of Immokalee Workers” (“Immokalee” é o nome da região do Estado da Flórida onde eles trabalham).
Desde 1990 o grupo vem fazendo pressão para conseguir melhores condições. Apesar de muitos estabelecimentos terem aderido – como a rede de restaurantes “Taco Bell” ou os supermercados “Whole Foods” – a maioria não apoia o plano.
Estabrook diz que não come tomate fora da estação, mas aos que não sobrevivem sem o fruto ele dá a dica: “Procure pelos tomates hidropônicos do Canadá. E torça para que eles tenham algum sabor”.
Nós, que não podemos ir tão longe por um reles fruto proibido, podemos chupar uma cana.

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3 Comentários »

  1. Eu não diria “chupar uma cana”, mas beber o derivado dela…

    Comentário por Joubert — 2011/07/11 @ 18:47

  2. Acho que a função básica do tomate não deveria ser alimento, mas sim oficializado como meio de protesto oficial, principalmente contra políticos, bandas ruins e chatos em geral. Assim, quanto mais vermelho e maior, melhor. E dá-lhe agrotóxicos!

    Comentário por Ricardo Rezende — 2011/07/11 @ 23:31

  3. Boa, Ricardo! Tomates – podres – na “canaiada”! Assim esparrama mais rápido e estrumbica o “acaju” das cabeleiras desses ladravazes.

    Beijocas nos Rezende!

    Comentário por Selma Barcellos — 2011/07/12 @ 10:53


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