O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/06/29

ARAPUCA ONLINE

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:54

Depois dos sites de relacionamento, o novo achado da Internet são os cupons de desconto oferecidos pelos sites de compras coletivas. Mas será que eles são essa Coca-Cola toda?
A jornalista Noreen Malone escreveu um artigo curioso para o site “Slate” relatando a experiência de passar uma semana comprando tudo o que precisava só com as ofertas do “Groupon”.
Segundo ela, apesar de prático, trata-se de um negócio com muito mais armadilhas do que supõem os milagres da tela do computador.
Em primeiro lugar ela estabeleceu algumas regras. A principal delas: gastar 200 dólares no período – excluídos daí seus gastos fixos, como o aluguel.
Segundo Noreen, um dos aspectos mais geniais (“ou terríveis, dependendo do ponto de vista”) do sistema de cupons é que eles têm data de validade, o que resulta num mercado paralelo.
“O primeiro dia foi desanimador”, conta ela. “Para minha área (Nova York) as ofertas incluíam uma performance de dança, um tour guiado por Washington ou pela Filadélfia, um serviço de lavanderia e uma caixa de produtos orgânicos. Eu estava em busca de algo indulgente, mas o Groupon estava literalmente me aconselhando a comer vegetais”.
Ela comprou os vegetais – que não pareciam tão frescos – e também decidiu-se pelo serviço de lavanderia.
No segundo dia a lista de ofertas incluía novamente um show, um sanduíche genérico num lugar longe de sua casa e do trabalho e um programa de exercícios que não seria usado no período de uma semana que ela havia estipulado para o desafio.
No dia seguinte, resistiu bravamente a não comprar um curso de tarô de 14 horas por 50 dólares e demorou-se na oferta de um sobrevoo de helicóptero por Manhattan que explodiria seu orçamento semanal.
Optou por um cupom de desconto de 10 dólares – que na verdade valia 20 – para um restaurante tailandês num bairro distante do Brooklyn.
A comida estava razoável e o restaurante vazio. Na hora do pagamento da conta, o cupom foi rejeitado pelo garçom, que argumentou que ela não havia torrado a grana suficiente para ter direito ao desconto.
Noreen também fala que num outro dia comprou um cupom de 8 dólares para um sanduíche, mas imaginava que um lanche que demorou 20 minutos para ser feito fosse “quase uma obra de arte”.
“A ideia do ‘tempo é dinheiro’ ainda não havia passado pela minha cabeça quando cliquei em ‘comprar’. Mesmo após o lanche, voltando para o escritório na correria e ansiosa, percebi que a economia não havia valido a pena”, conta.
“Esse é o ponto no negócio do Groupon: é raro eles oferecerem algo geograficamente conveniente – e esse é o motivo pelo qual vários deles não são usados (a empresa está implantando aos poucos o ‘Groupon Now’, com ofertas próximas aos clientes). O mais comum é comprarmos um cupom para um estabelecimento do qual nunca ouvimos falar”.
Além disso, as opções são limitadas. Nooren cita o dia em que foi a um restaurante e só podia escolher entre alguns embutidos ou um fondue. E, novamente, a garçonete não ficou feliz quando viu o cupom. “Olhando ao redor entendi o motivo. Praticamente todas as mesas estavam neste mesmo esquema. Ou seja: não seria uma boa noite de gorjetas para ela”.
Perto do fim da experiência Noreen resolveu tentar algo que jamais compraria se não fosse graças a um cupom e adquiriu um tratamento num spa por 75 dólares.
A oferta – com 70% de desconto – incluía uma massagem de 60 minutos, uma lavada no cabelo e manicure ou pedicure. Mas como tudo precisava ser agendado, ela sabia que não conseguiria cumprir a programação e pensou: “Será que eles dariam menos atenção a mim? Eu teria aquele sentimento de olhar vitrines caras e de não pertencer àquele mundo?”.
Ao ser atendida pela recepcionista, soube que a primeira data disponível seria para setembro. “É por que é do Groupon?”, perguntou Noreen. A atendente, meio sem jeito, respondeu que sim.
As ofertas do Groupon variam de cidade para cidade. Para ter um padrão de comparação, Noreen também conferia as ofertas de Cleveland, sua cidade natal, e descobriu que há uma visão completamente distorcida sobre o que os americanos gostariam de fazer no seu tempo livro, “algo muito sob o prisma do ‘Sex and the City’”.
Portanto, atenção redobrada ao pescarem peixes urbanos e afins.

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3 Comentários »

  1. Eu não caio mais nessa de Groupon. Uma vez comprei um “tratamento capilar” com produtos profissionais da L’Oreal num salão chiquérrimo de Ipanema e me arrependi amargamente. A cabeleireira parecia que nunca tinha visto um cabelo ondulado e volumoso como o meu, o produto que ela passou não fez efeito nenhum, a toalha que ela usou pra enrolar minha cabeça era pequena, enfim. Um fiasco só. Entrei com meus cachinhos bonitinhos e saí parecendo uma bruxa descabelada. Reclamei com o salão e o Groupon e me ofereceram outro tratamento, mas dispensei. De barbeiragem já basta uma vez. Sem contar que assim que a gente se identifica com o voucher, tudo que falam com a gente são das outras promoções… Um horror. A única coisa que ainda vale a pena comprar em sites desse tipo são ingressos de teatro. Porque não dá pra fazer sessão diferenciada pra público de desconto.
    Mas essas ofertas são raras e as peças razoáveis.

    Comentário por Claudia Magalhães — 2011/06/29 @ 11:57

  2. A tentação para o consumo está repleta de armadilhas desse tipo. Todas as situações nos direcionam para ficar a vida inteira comprando, comprando, comprando. O sistema de milhagem é semelhante, o sistema de pontos dos bancos é semelhante, (eu tenho um tal de Dotz que é para ser trocado por mercadorias e serviços.) Se não o fizer nos prazos, perco meus pontos e começa nova contagem (mais gastos). Também os créditos nos celulares seguem esta lógica de quanto mais falar, mais bonus. Só que temos que falar muito e rápido para ganharmos (ou não perdermos). Uma opressão econômica desmedida. Abraços. Paz e bem.

    Comentário por josé cláudio - Cacá — 2011/06/29 @ 14:30

  3. Realmente, sempre achei essa história de site de desconto um tanto mal contada. Soube de gente satisfeita, mas de muitos mais jurando não comprar mais nada. De uma forma ou de outra, até agora não achei nada que me interessasse, mesmo porque não fico pesquisando formas de gastar dinheiro.

    Comentário por Mauzim — 2011/07/02 @ 21:13


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