O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/06/23

LET’S FALL IN LOVE

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:12

De uns tempos pra cá, Woody Allen resolveu sair da toca. Já circulou por Barcelona e Londres – deve filmar em Roma em breve – e desta vez demonstra seu amor à capital francesa em “Meia-Noite em Paris”.
Trata-se da versão woodyaliana para “De Volta Para o Futuro” com algumas pitadas de “Forrest Gump”.
A ideia de voltar no tempo não é nova. McFly foi transportado para uma época em que conheceu seus pais quando jovens e Forrest Gump se encontrou com John Kennedy, Elvis Presley, Martin Luther King e John Lennon.
Se o mote é requentado, onde está a graça de “Meia-Noite em Paris”? Poderíamos sacar da manga o álibi-padrão de muitos cinéfilos: “ah, Woody Allen é sempre genial”. Sim, o cineasta realmente é espetacular, mas não acerta sempre. Desta vez, no entanto, está inspiradíssimo.
Tudo dá certo: o elenco – Owen Wilson, Marion Cotillard, Adrien Brody, Rachel McAdams, Kathy Bates e Carla Bruni –, a cidade que serve de cenário, o roteiro e principalmente (olha aí o álibi-padrão) a certeza de que Woody Allen sabe contar histórias.
Owen Wilson interpreta Gil, um roteirista americano prestes a se casar e que está em Paris com a noiva (Rachel McAdams) e os pais dela. Enquanto dedica-se ao seu novo livro, Gil vê-se dividido entre a futilidade de sua futura família e o primeiro time da intelectualidade da História mundial.
Tal uma Cinderela, ele espera as badaladas da meia-noite e, no lugar de De Lorean (a máquina possante de McFly), Gil entra num táxi que o leva para o passado. Ele não só não se transforma em abóbora, como encontra Hemingway, Picasso, T. S. Eliot, Scott e Zelda Fitzgerald, Cole Porter, Gertrude Stein, Salvador Dalí, Buñuel e Man Ray.
Woody Allen não poderia ter escolhido ator melhor para dar vida ao perturbado que emerge desse contato com tantas personalidades. Owen Wilson está perfeito.
Não é difícil imaginar que o cineasta se lambuza diante desse prato cheio e cria situações e diálogos impagáveis. Só um aperitivo: ao receitar “Valium” a Zelda Fitzgerald, explica que se trata da “pílula do futuro”. A conversa de Gil com Salvador Dalí (Adrien Brody) é o ponto alto.
Brincadeiras à parte, o principal questionamento do cineasta é se realmente existiu uma “Idade de Ouro” da humanidade ou somos nós que estamos sempre insatisfeitos com nosso próprio tempo.
E o que dizer das belíssimas imagens de Paris que nos são servidas entremeadas com “Let’s Do It”, de Cole Porter?
Let’s fall in love!

Sintam o clima do filme AQUI

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2 Comentários »

  1. Um filmaço. Saí emocionada, Tati. E procurando nossos ícones…

    Beijocas!

    Comentário por Selma Barcellos — 2011/06/25 @ 23:24

  2. Adorei. Só as aquele cenário de Paris já valem o filme! Saí do cinema encantada :)
    Também assisti “Potiche – Esposa Troféu” e achei bem divertido.
    Bjks

    Comentário por Sandra — 2011/06/29 @ 11:18


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