O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/06/02

TEMPLO DA VOZ

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 08:59

O tango, o Boca Juniors e os alfajores fazem a fama de Buenos Aires, mas a capital exibe uma pérola bem ali, na Nove de Julho, ignorada por grande parte dos turistas brasileiros – mais preocupados em torrar seus pesos na rua Florida.
Nesse caso, a joia da coroa argentina não é um palácio. Quase isso. É um teatro: o Colón é considerado por especialistas da seara musical um dos três melhores do mundo graças à sua ótima acústica.
Antes de abrir a cortina que dá acesso à sala, a responsável pela visita guiada pede que nos imaginemos em nossas roupas de gala para invocarmos a sensação de uma noite de estreia. E descerra as cortinas de veludo vermelho. A sensação é única e indescritível.
O Colón é grandioso e imponente. É como se o Teatro Municipal de São Paulo estivesse para um pão com ovo e o Cólon para um brunch num hotel cinco estrelas. Melhor nem comparar.
A casa de espetáculos mais famosa da Argentina fechou suas portas em 2006 para uma reforma e foi reaberta há um ano, justamente nas comemorações do bicentenário da Revolução de Maio. E está tinindo de tanta exuberância.
O Teatro Colón foi inaugurado em 1908 com a ópera “Aida”, de Verdi. A fabulosa estreia nem de longe lembrou os inúmeros percalços envolvendo os dois arquitetos italianos que inicialmente cuidaram do projeto.
A construção do Colón começou trágica como a melhor das óperas. A previsão era que o prédio fosse concluído em no máximo três anos, mas só chegou ao fim duas décadas depois. O  primeiro arquiteto, Francesco Tamburini, faleceu um ano depois que as obras começaram.
Contratado outro arquiteto – Victor Meano –, ele foi assassinado em casa por um ex-mordomo e suposto amante de sua esposa.
Então o governo escalou um terceiro – desta vez belga – que finalizou o trabalho.
Apesar de famoso, este é o segundo Colón que os argentinos conhecem. O primeiro funcionou até 1888 ao lado da Praça de Maio onde hoje é o Banco Nacional.
Cerca de 1.500 profissionais trabalharam na restauração do Teatro Colón a fim de manter suas características originais.
Foram preservados, por exemplo, os “camarotes das viúvas”, que ficam embaixo dos balcões, nas laterais da plateia principal. Eram neles que as mulheres que haviam perdido seus maridos assistiam aos espetáculos sem se exporem aos olhares críticos da socidade. Na época, as viúvas eram obrigadas a guardarem dois anos de luto. Acomodando-se em camarotes especiais – protegidos por uma grade com uma trama que lembra a de um confessionário – elas poupavam-se de mais um sofrimento.
Tudo foi pensado de maneira a não interferir na acústica da sala. Até o enchimento dos estofados das mais de 2.500 poltronas é especial. Entre os materiais usados no recheio estão lã, algodão e crina de cavalo.
O lustre principal do teatro pesa uma tonelada e meia e é rodeado por mais de 700 luzes. Além disso, ele guarda uma surpresinha: de pequenas frisas ao redor do lustre também podem vir sons. É que além das vozes dos cantores do palco, o Colón conta com a facilidade de “hospedar” 15 cantores lá em cima, que serão os responsáveis pelas vozes do além – se o espetáculo assim o exigir.

Nenhuma foto faz juz à imponência do teatro, mas confiram algumas imagens AQUI

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5 Comentários »

  1. Uau, que luxo.

    Comentário por Juventino — 2011/06/02 @ 16:55

  2. Ótimas fotos, Tati.

    O “camarote das viúvas” é o que há…

    Beijocas!

    Comentário por Selma Barcellos — 2011/06/02 @ 19:35

  3. É lindo mesmo!!!!

    Comentário por picida ribeiro — 2011/06/03 @ 08:04

  4. Estive lá no dia da reinauguração!
    Eram 200 anos da independência da Argentina e reinauguração do teatro COLÓN,
    Bela lembrança, vou procurar fotos pra colocar no meu site http://www.davikr.org/

    Comentário por Davi Kindlein Romio — 2011/09/04 @ 21:32

  5. Olá, gostei muito do seu blog. Parabéns!

    Estou indo para Buenos Aires no final do mês e um dos passeios que estou mais ansiosa para fazer é a visita guiada ao Colón. Mas olhei no site do teatro e não tem mais vaga para a visita nos dias em que estarei lá. Você comprou o ingresso antecipadamente ou há disponibilidade lá mesmo, nas bilheterias do teatro?

    Obrigada pelas dicas.

    Comentário por Ana Cristina — 2011/10/07 @ 17:09


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