O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/05/15

CHAMADA A COBRAR

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 11:56

A capa da “Folha de S. Paulo” de hoje traz uma foto chocante: a de Sebastiana de Lourdes Silva, de 116 anos, que pode ser reconhecida pelo “Guinness Book” como a mulher mais velha do mundo.
Segundo ela, o segredo da longevidade é rezar e desfrutar cada dia da vida. E Sebastiana aproveitou mesmo. Nunca levou desaforo para casa, sempre foi alegre, curtia festas até o raiar do dia, foi fumante até os “cento e poucos anos”, não se casou e não teve filhos. Um azougue.
Mas não conseguiu evitar o inevitável: a cobrança do tempo. Sofreu um AVC aos 111 e ficou cega aos 112 por causa da catarata. Há 24 anos mora no mesmo asilo.
A nutricionista do local conta que a centenária é lúcida e não rejeita nada. Come a cada três horas – o que dá um total de sete refeições por dia – e que sua refeição favorita é pão francês molhado no café com leite. Nem poderia ser diferente. Um bom bife à cavalo é que não seria.
Tomara – e que se for da vontade de Sebastiana – que o Livro dos Recordes a reconheça como a mais velha do mundo. Mas com toda certeza Sebastiana daria tudo para, em vez de virar verbete de uma publicação bizarra, voltar a ser feliz. Não jovem, mas feliz.
Se ela ainda conta com um mínimo de lucidez sabe que a vida que leva não pode ser considerada vida, mas sim uma reles existência. Afinal, uma pessoa que já remexeu o esqueleto pelos pistas de dança e que hoje é obrigada a se locomover numa cadeira de rodas tem consciência de que algo está errado.
Sebastiana está passando por um processo de mumificação em vida. Tal uma árvore seca, sua pele está marrom e cheia de ranhuras. Das cavidades oculares esticadas brotam olhinhos levemente azulados que já viram o “futuro repetir o passado” dezenas de vezes.
Impossível fechar os olhos a esse drama, mas uma realidade da qual muitos de nós escaparão – sim, alguns irão desta para uma melhor antes de virarem múmias ambulantes e não terão a menor chance de entrarem para o “Guinness Book”.
A reportagem conta ainda que Sebastiana trabalhou parte da vida como empregada doméstica e que tentou uma vez morar com um namorado, mas se separou dele depois da primeira noite que passaram juntos. Vive dizendo que “homem não presta”.
Será que em sua extensa vida Sebastiana trabalhou como arrumadeira em algum hotel de Nova York e já ouviu falar de um hóspede chamado Dominique Strauss-Kahn?

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