O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/04/17

MILAGRE DA VIDA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:25

Na semana passada, Mariana, filha da apresentadora Ana Maria Braga, deu à luz em casa.
A “experiência mágica” durou uma noite inteira de torce e retorce e trouxe ao mundo Joana. E mesmo após dores fortíssimas e muito sofrimento Mariana postou as fotos na Internet.
O cenário idílico à meia-luz mostra a pequena Joana tomando seu primeiro banho – num balde de plástico, desses de supermercado – e a primeira “mamada”.
A cena contou ainda com a participação especial de um cachorrinho em cima da cama – praticamente lambendo a cria.
Além do álbum de fotos – entre o romântico e o desesperador –, chamou a atenção a notícia de que Mariana e o marido plantaram a placenta no quintal de casa, debaixo de uma ameixeira.
Tudo muito lindo, muito “intimista”, muito alternativo, mas perigosíssimo.
Coincidentemente, neste sábado, o jornal “The Guardian” abordou o tema do parto em casa. Para discutir o assunto, acompanhou todo o desenrolar de um parto caseiro na cidade de Hertfordshire, Inglaterra.
O título da matéria já dá uma noção da situação: “What the hell was I thinking?” (“Em que merda eu estava pensando?”).
A mãe, Karen King, quase entregou os pontos. Chegou a considerar a hipótese de desistir da ideia por não suportar a dor, mas resistiu: “Estou grávida, não doente. Por que preciso ir para o hospital?”.
O veredicto do “The Guardian” é o que já esperávamos: partos em casa são perigosos e irresponsáveis.
O jornal conta que antes do advento da Medicina moderna, os partos caseiros eram o método tradicional e por muito tempo foram reconhecidamente seguros se comparados aos hospitalares. Em casa as mulheres correriam menos riscos de ter infecções, hemorragias, lacerações e o tempo de recuperação seria mais curto.
Apesar disso, a prática sofreu forte queda com o passar das décadas. Em 1959, 34% optaram pelo parto caseiro na Inglaterra. No ano passado esse número caiu para 2,7%.
Philip Steer, professor-emérito de Ginecologia e Obstetrícia do “Imperial College London”, diz que problemas decorrentes de partos do tipo são muito mais comuns do que as pessoas imaginam.
Segundo ele, cerca de metade das grávidas inglesas têm ou desenvolvem algum fator complicador – de pressão alta à diabetes –, o que demanda atendimento hospitalar.
Philip declara – do alto de seus mais de 8 mil partos – que não é contra o parto caseiro, mas fica um pouco frustrado quando grupos de mulheres dizem que todas deveriam parir de forma natural. “O nascimento humano não é tão direto como muitos proclamam. Com o passar de meio milhão de anos a pélvis ficou menor para se adaptar à nossa postura vertical. Além disso, as cabeças se tornaram muito maiores. Em algumas partes da África isso causa a morte de uma a cada seis mulheres”.
Voltando à desesperada Karen, por muito pouco sua história não termina de forma trágica. Ela conseguiu dar à luz Agatha, mas a sala da casa ficou tensa por algum tempo. Karen não expeliu a placenta e Agatha não respirava. Foi preciso chamar a ambulância. No fim, deu tudo certo.
Ainda de acordo com o “The Guardian”, cerca de 40% das mães de primeira viagem têm o mesmo destino de Karen: acabam sendo transferidas para o hospital mais próximo.
Que medo.

Vejam as fotos do parto de Mariana AQUI

E a matéria completa do “The Guardian” AQUI

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5 Comentários »

  1. Olá! Caí aqui por acaso, li a postagem e achei muito interessante. Parabéns pela forma como escreveu.
    Sucesso.
    Bjs

    Comentário por junnior — 2011/04/17 @ 09:41

  2. Caramba, essa aí deveria ter nascido índia. E ter o filho com os cachorros em cima da cama??? OMG, isso é muita falta de higiene. LOL !!!

    Comentário por Angela — 2011/04/17 @ 13:14

  3. Não vejo televisão, fiquei sabendo por aqui, muito interessante, e que suspense até o final. beijos

    Comentário por Heloisa — 2011/04/17 @ 13:35

  4. Na época “Macunaíma” foi muito comentado. Hoje é uma experiência mágica.

    Comentário por Juventino — 2011/04/17 @ 20:15

  5. Eu vi na internet as fotos do parto fiquei espantada como pessoas com alguma cultura deixam um cachorro participar do parto, e uma criança por volta dos 7 anos. Parabéns adoro seus textos. São bem escritos (coisa rara em dias de coração e abreviações com pouco sentido).

    Comentário por sandra maria — 2011/05/15 @ 14:45


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