O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/04/08

DIZEM POR AÍ

Filed under: Matutando — trezende @ 09:58

Uma tragédia como a que aconteceu ontem no Rio serve para despertar o desespero da população e para analisar o comportamento irritante da imprensa. Aliás, ficamos diante de um círculo vicioso: a aflição do povo é resultante da histeria da imprensa ou vice-versa? Não se sabe onde termina um e começa o outro.
Em episódios assim não existe emissora “A” ou “B”. Na ânsia de dar o furo ou alimentar o gosto nato do brasileiro por desgraças, todas partem para o mais puro sensacionalismo. Datena ontem deve ter deitado e rolado. E, diante do desempenho dos colegas, teve seu dia de foca – “foca”, no jargão da imprensa, é o jornalista iniciante.
Acompanhei pelo rádio os desdobramentos do caso – e tive de desdobrar minha paciência para ouvir tantas especulações espetaculares.
Entre discussões sobre se a tragédia teria sido obra do pai de um aluno, se o atirador teria sido vítima de “bullying” ou a insistente tentativa de conhecer o “cenário” escolar pós-ataque, um show de suposições, achismos e informações passadas a esmo para tumultuar. Durante uma entrevista, o chefe das operações da polícia deu até um puxão de orelha nos âncoras da rádio ao afastar o assunto “bullying” da pauta.
Nem o próprio atirador é tão doente mental quanto querem nos fazer crer. A carta em que dá instruções de como deve ser enterrado faz muito sentido sim – redação bem melhor do que a de muita gente por aí. 
Classificá-lo como louco é até sacanagem com quem, de fato, sofre de algum transtorno psiquiátrico. Seria mais correto chamá-lo de anormal.
Wellington tinha outro tipo de problema: a falta da chave liga-desliga que nos impede de colocar em prática certos atos insanos que com certeza já passaram pela cabeça de qualquer um que esteja lendo este texto: a vontade de mandar alguém para aquele lugar, de falar “umas verdades” em momentos inoportunos, de esganar uns e outros, de fazer caretas, mostrar o dedo médio ou de não dar a mínima para as convenções sociais. Enfim, de fazer justiça com as próprias mãos.
Quando não se tem nada a perder, como no caso do atirador, a chave fica automaticamente na posição “liga”. Por sorte, a maioria da população mundial funciona no “desliga”.
E foi justamente para continuar com a minha chavinha no “desliga” é que silenciei o rádio e não tenho acompanhado o minuto-a-minuto do noticiário sobre a “Columbine” brasileira. Ninguém merece.

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6 Comentários »

  1. E assistir a uma coletiva de Sergio Cabral e Eduardo Paes sempre que tragédias de grande magnitude (leia-se Ibope) acontecem? Aquele blá-blá de quem não pode perder voto, mais as expressões “retorcidas” de dor…

    Beijocas.

    Comentário por Selma Barcellos — 2011/04/08 @ 12:12

  2. Tati, querida, suas palavras foram as primeiras que li (vindas de um jornalista) que demonstram lucidez sobre o caso. A carta que o Wellington deixou esclarece tudo. Ou quase, porque aquilo que eventualmente não esteja esclarecido ali, é função da polícia fazê-lo. Isso se a polícia julgar necessário, porque já que ele está morto, fica prejudicada a denúncia e julgamento de seus atos pelo Poder Público.

    Comentário por Vaninha — 2011/04/08 @ 14:03

  3. Algumas coisas me chamaram atençao nesse caso: o fato do rapaz ter matado mais meninas, de palavras usadas em sua carta( fornicador, adúltero, castidade,…) e dele ser virgem aos 23 anos. Ele deveria ter algum distúrbio sexual.

    Comentário por Angela — 2011/04/08 @ 14:20

  4. Todo mundo quer ter seu momento de estrela, aparecer de alguma forma, demonstrar que tem sentimentos. Insclusive a imprensa que é a canalizadora desse processo todo. Um nojo a cobertura, com todo o respeito às famílias vitimadas. Abraços. paz e bem.

    Comentário por josé cláudio - Cacá — 2011/04/08 @ 15:17

  5. Provavelmente um transtorno. Acontece que filho de pobre não faz tratamento e nas horas difíceis não vai para Bahamas relaxar as tensões.

    Comentário por Juventino — 2011/04/08 @ 17:31

  6. Também estou afastado da TV nestes dias para não ver essa cobertura sensacionalista do episódio.
    Acho que temos até poucos casos do tipo, considerando o tamanho da população e o número de pessoas que não sabem controlar seus pensamentos mais perversos. Além disso, nos dias de hoje há uma quantidade absurda de violência gratuita em vídeo games, filmes e até no ambiente policial. Ideias do que fazer num “dia de fúria” existem muitas por aí…

    Comentário por Ricardo Rezende — 2011/04/08 @ 18:10


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