O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/03/26

A VIDA FORA DAS TELAS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:48

Desde que o FDA fixou que as embalagens de alimentos devem especificar no rótulo o número de calorias ninguém tem mais sossego. Nem os gulosos – já culpados por natureza – nem os fabricantes.
Agora o departamento americano – responsável pela regulação de alimentos, medicamentos e até cosméticos – pretende estender a regra às redes de cinema. Quer que as guloseimas oferecidas nas bombonieres tragam o número de calorias – o que inclui pipoca, pretzel e cachorro-quente.
Os responsáveis pela farra gastronômica cinematográfica argumentam que a intromissão do FDA é um abuso, já que as pessoas vão ao cinema para consumir filmes, não comida. “Não somos restaurantes, onde as pessoas vão para se satisfazerem”, diz Gary Klein, da Associação Comercial dos Administradores de Teatro.
Além disso, o comércio de pipocas, refrigerantes e outras guloseimas corresponde a mais de um terço da renda das redes. “Vendemos um balde de pipoca por 6 dólares, mas o custo real é de 15 ou 20 centavos”, revela ao jornal “Los Angeles Times” David Ownby, chefe-financeiro da rede de cinemas “Regal”.
A perseguição do FDA tem lá suas explicações. Em 2009, depois de uma série de testes, o “Centro Para a Ciência de Interesse Público” de Washington descobriu que a pipoca não é tão inofensiva quanto parece.
As do “Cinemark” ainda são as mais saudáveis – segundo a administração, porque são preparadas com óleo de canola. O pacote grande tem cerca de 910 calorias e 4 gramas de gordura saturada.
As da rede “Regal” – a maior dos Estados Unidos, que ainda não chegou por aqui – contêm 1.610 calorias e 60 gramas de gordura saturada. O equivalente a três sanduíches “Quarteirão” do Mc Donald´s.
Já as vendidas pela rede “AMC” têm 1.030 calorias e 57 gramas de gordura saturada – o mesmo que cerca de meio quilo de costelinhas “baby” com cobertura e uma casquinha de sorvete “Häagen-Dazs”.
“Assistir a um filme de duas horas não é exatamente como escalar o Everest”, diz Jayne Hurley, nutriticionista do “Centro Para a Ciência de Interesse Público”. “Por que os cinemas acham que podem nos alimentar assim?”.
Tão inocente essa nutricionista. Deve acreditar em Coelhinho da Páscoa. E o lucro, bobinha?
Os gerentes das salas de cinema explicam que a razão é simples: estão dando aos consumidores o que eles esperam quando vão ao cinema.
Em 1994, quando o mesmo estudo foi realizado, os cinemas passaram a oferecer a pipoca “air-popped” (mais saudáveis), mas foram um fracasso total.
De fato, quem observa o comportamento dos espectadores na entrada dos cinemas sabe disso. Cerca de 80% das pessoas compram seus combos gigantes e ainda pedem que os atendentes caprichem na manteiga.
É como se eles quisessem transpor o mundo da magia do cinema para seus estômagos – com a diferença que o sangue da tela pode até ser de mentirinha, mas a manteiga do balde é a realidade na forma mais cruel.

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3 Comentários »

  1. Tati, você identificou bem o problema. Por que as pessoas têm que querer o combo gigante? Provavelmente porque a atendente diz: “Sai mais em conta”. Ouço isso TODAS as (raras) vezes em que me aventuro a comprar pipoca no cinema ou um sanduíche no McDonald’s. Parece não ser aceitável que o Beto e eu dividamos uma pipoca pequena e um refri médio… E no McDonald’s, ninguém entende porque eu tomo refrigente de apenas(?) 300 ml e sem batata ao invés de pedir a McOferta, com refrigerante de 500 ml(!) e um monte de batata frita em gordura saturada. Isso acaba sendo benéfico para mim: raramente vou ao McDonald’s ou compro “lanche” para ver filme no cinema… É um saco ter que ficar explicando que eu NÃO QUERO a tal oferta e prefiro (teoricamente) pagar mais pela minha escolha.

    Parabéns pela excelente crítica!

    Mil beijos.

    Comentário por Vaninha — 2011/03/28 @ 10:26

  2. A diferença do preço pago pelo consumidor e do custo real impressiona!
    Não como pipoca no cinema porque acho caro rsrsrsrsrs. Mas também, uma vez ou outra não causará grande prejuízo para as pessoas. Nem para o bolso nem para a saúde. Agora os cinéfilos que se cuidem para não engordar rsrsrsrs

    Comentário por Traque Atômico — 2011/03/29 @ 15:39

  3. “Não somos restaurantes, onde as pessoas vão para se satisfazerem”. Que frase mais infeliz desse gerente…
    Ja q não são restaurantes, EXCLUAM a comida dos seus cinemas!

    PS: não vou ao cinema há 4 anos! Aqui na minha cidade é R$ 18, acho isso um roubo (não sou estudante)

    Comentário por Mi — 2011/03/29 @ 17:06


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