O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/03/21

A SERENIDADE QUE VEM DO CAOS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:51

Um terremoto de magnitude 9.0, um tsunami e uma radiação numa usina nuclear.
Qualquer um estaria arrancando os cabelos e saqueando o mercadinho mais próximo. Mas os japoneses, apesar de tanta desgraça, continuam a manter a calma.
É o que relata um artigo publicado pela revista “Slate”. Intitulado “Stop, Thief! Thank You” (algo como “Pare ladrão! Obrigada”), ele conta que a vida segue em ordem no Japão. Mesmo em meio ao caos, as pessoas estão formando filas nos supermercados e a disciplina segue dando as cartas.
“Por que os japoneses não saqueiam?”, pergunta Mark West, professor da Universidade de Direito de Michigan. Ele mesmo responde: “Porque não é parte da cultura deles. A outra explicação seria baseada em fatores estruturais: um robusto sistema de leis que incentiva a honestidade, uma forte presença policial e, ironicamente, organizações criminosas ativas”.
Os japoneses talvez estejam mais honestos do que nunca porque as estruturas legais recompensam as boas ações.
Por exemplo, se um pessoa acha um guarda-chuva e o devolve aos policiais ele ganha de 5% a 10% do valor do objeto se ele retorna ao seu dono. Se o proprietário não aparece para resgatá-lo em até seis meses, quem encontrou o guarda-chuva fica com ele.
Os japoneses lidam com isso desde pequenos e a ida de uma criança até o posto policial depois de encontrar uma moeda é um rito de passagem tanto para a criança quanto para os policiais.
Falhar na devolução de um objeto pode resultar em horas de interrogatório ou em mais de dez anos de prisão.
Ao mesmo tempo, a própria polícia executa pequenos crimes, o que contribui para intensificar a sensação de segurança e ordem.
A presença policial é maciça e visível. Cerca de 300 mil oficiais realizam a segurança por todo o país. Bem-remunerados, vivem em habitações do governo. O resultado é o bom trabalho: em 2010 a taxa de resolução de assassinatos foi de 98,2%.
Eles instalam-se em “kobans” – uma cabine que abriga de dois a três policiais e que são onipresentes no Japão. Uma pesquisa realizada em 1992 descobriu que 95% dos moradores sabia onde se localizava o “koban” mais próximo e que 14% sabia o nome do policial que trabalhava lá.
Desde que o terremoto aconteceu, a polícia não é a única a circular pelas regiões atingidas. Membros da Yakuza – a mais tradicional organização criminosa do país – também estão ajudando a manter a ordem.
As três maiores facções – os “Yamaguchi-gumi”, os “Sumiyoshi-kai” e os “Inagawa-kai” – comandam esquadrões que patrulham as ruas e tomam conta para que nenhuma pilhagem aconteça.
Os “Sumiyoshi-kai” afirmam que despacharam mais de 40 toneladas de suprimentos para várias áreas. “Em tempos de crise” – relata uma repórter americana ajudada por uma das organizações criminosas – “não existem Yakuza, civis ou estrangeiros. Há apenas seres humanos que tentam ajudar o próximo”.
E ela conclui, citando um antigo ditado japonês: “Sua bondade será recompensada no final. A caridade é sempre um bom investimento”.

Anúncios

1 Comentário »

  1. Ah, a cultura deles… Vale ponta de inveja?
    Imagine se os japoneses vivessem em um país menos “inviável” em tantos sentidos.

    Beijocas.

    Comentário por Selma Barcellos — 2011/03/21 @ 19:41


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: