O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/01/31

MIL LÉGUAS MARINHAS

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:40

Se os barcos que realizam os passeios pela Patagônia tivessem programa de milhagem em parceria com companhias aéreas os turistas podiam se dar por felizes. Em uma semana acumulariam pontos para o ano inteiro.
Se por um lado há viagens agradabilíssimas e que deixam o gosto de quero mais, há outras que são tão cansativas que nem brincar de Titanic ajuda a passar o tempo.
A solução é relembrar um jingle antigo: “560 km, 560 km, para um pouquinho, descansa um pouquinho, 520 km”.
O passeio que leva à “pinguinera” da Ilha Martillo é um ótimo exemplo. O catamarã parte às 9 da manhã e volta às 5 da tarde. E nada de “Frango Assado” pelo caminho. Quem não leva merenda tem duas opções: a tentadora lanchonete a bordo ou uma pesca improvisada em alto-mar.
A ida é mais demorada porque inclui paradas em três pontos: numa ilha de pássaros (foto acima), na ilha dos fedorentos lobos marinhos e no “Farol Les Eclaireurs”.
Apesar de a guia turística a bordo informar aos passageiros de que o “Farol Les Eclaireurs” é o “Farol do Fim do Mundo”, os mais antenados sabem de outra história.
Este farol com nome francês – provavelmente o mais fotografado nos arredores de Ushuaia – ainda está em funcionamento, mas não tem nada a ver com o legítimo “Farol do Fim do Mundo” imortalizado por Julio Verne. O famoso farol localiza-se em San Juan de Salvamento, na Ilha dos Estados, e a visita é proibida, pois ele está numa área de pesquisas arqueológicas. Os admiradores da obra de Julio Verne podem se contentar com a réplica exposta no Museu Marítimo de Ushuaia.
Entre um avistamento de baleias e outro, chega-se à “pinguinera”. Decepção. Basta ter estado nas Ilhas Ballestas, em Paracas, no Peru, para se sentir ludibriado com os minipinguins que perambulam pela faixa de areia. No Peru são cerca de 3 mil leões-marinhos, milhares de espécies de pássaros e outras tantas de pinguins.
Outro detalhe: o desembarque na Ilha Martillo não é permitido porque se trata de uma região de estudos. Os que quiserem andar entre os pinguins têm de ir à Punta Tombo, colônia localizada a 190 km de Porto Madryn.
Quem não está afim de se juntar aos pinguins e nem acumular mil léguas marítimas, deve embarcar numa expedição “off road” em um Land Rover 4×4. Nesta, a graça está em chafurdar na lama e curtir uma legítima parrilada argentina.
Através da “Ruta Nacional 3”, que corta o país, chega-se ao mirante do Paso Garibaldi – onde é possível avistar os lagos Fagnano e Escondido. Depois disso, é só alegria: lama, enchente, trilhas destruídas por castores, semi-capotamentos e, ao fim, churrasco para comemorar a chegada – sãos e salvos.

Amanhã, no último capítulo, o Presídio Militar de Ushuaia

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2011/01/30

O LADO ANIMAL DOS ANIMAIS

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:47

Enquanto seu lobo não vem – a segunda-feira – hoje é dia de passear no bosque. No caso, pelo Parque Nacional Tierra del Fuego, a 18 km de Ushuaia.
Criado em 1960, protege o ecossistema da região através de 6 km de costa e conta com área para camping, um bom local de apoio ao turista, além de florestas e bosques completamente destruídos pela ação de castores e coelhos.
Os castores são o caso mais sério. Trazidos do Canadá em 1946 – quando a Argentina pretendia desenvolver sua indústria de peles –, hoje são considerados uma praga. Como a reserva não tem predadores naturais – os ursos – eles se multiplicaram descontroladamente e se tornaram um verdadeiro estorvo. Estima-se que existam 60 mil por ali.
Os dentes destes roedores estão em constante crescimento, então eles os usam com vigor. Um castor adulto pode saborear uma árvore de 30 cm de espessura em cerca de 15 minutos.
Os estragos causados pelos castores somados aos dos coelhos (também “importados”) e à fúria dos pica-paus torna a floresta um cenário de guerra.
Há outro mal a assombrar a flora do parque: o “pão de índio”. Trata-se de um parasita que se instala na árvore e cria uma espécie de tumor em seus galhos – resultado da superprodução de células.
Antes de atacar troncos e galhos, o “pão de índio” tem a aparência de um cogumelo e um sabor adocicado. Era consumido cru pelos nativos da Patagônia.
Ainda no quesito flora, destaque para a “lenga” – a mais abundante – e as “nires”. Tão parecidas que só mesmo fueguinos muito preparados conseguem diferenciá-las.
Antes de esta região patagônica ser descoberta por europeus ela era habitada por índios Yamanas, que levavam uma vida tranquila caçando e pescando de frente para o Canal de Beagle, para a baía Ensenada, para a baía Lapataia ou para o Lago Roca.
Sem o conforto de vestimentas, os Yamanas untavam o corpo com gordura animal para se protegerem do frio. Apesar do truque, nos conta o guia turístico, apenas as mulheres nadavam. Os homens? Sei lá, deviam estar ocupados como pinguins-machos em época de gestação.
É da língua dos Yamanas que vem o significado de Ushuaia: “baía que penetra até o poente”.
Às margens da baía Ensenada está o último correio do mundo, onde é possível ter o passaporte carimbado pelo “embaixador” local (10 pesos), comprar selos diferentes ou simplesmente mandar um cartão-postal.
A atração-chamariz do parque é o Trem do Fim do Mundo, uma réplica do que realizava o transporte dos presidiários do Cárcere Militar de Ushuaia até a floresta, a fim de cortarem lenha para o aquecimento da prisão.
O passeio – realizado por uma locomotiva a vapor – dura 1 hora e 40 minutos e percorre cerca de 8 km. Ótimo para a Terceira Idade.

A saga Ushuaia continua manhã

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2011/01/29

É FOGO

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:00

Ushuaia é onde o vento faz a curva. Literalmente.
Também conhecida como “Fim do mundo”, é a cidade mais austral do planeta e localiza-se no extremo sul da Argentina. Cercada pelo Canal de Beagle, pelos montes Martial e Olivia e pela cordilheira dos Andes, fica numa região conhecida como “Terra do Fogo”.
Apesar do pseudônimo quente, é um lugar muito frio e chuvoso – provavelmente pela proximidade com a Antártica, situada a mil quilômetros dali.
Seus 60 mil habitantes convivem com uma intensa movimentação de turistas que chegam por via aérea ou marítima, através dos cruzeiros. Mais de 90% do total mundial de turistas que visitam a Antártica o fazem a partir de Ushuaia. Por isso, a província se transformou na capital mundial do turismo antártico.
Além da agitação portuária, a cidade lota a cada inverno, quando se torna a meca do gelo. Há inúmeros centros invernais que oferecem estações de esqui, patinação e passeios com trenós puxados por cães. Os brasileiros dominam.
No entanto, a missão mais difícil em Ushuaia não é encarar o frio, mas conciliar nossos horários de turista ao funcionamento do comércio fueguino. A maioria das lojas abre às 10 da manhã e fecha ao meio-dia. Elas reabrem às 3 ou 4 da tarde e fecham novamente às 10 da noite. Aos domingos, poucas lojas funcionam. Os restaurantes cerram as portas às 14h30. É fogo.
O bom gosto passa longe das vitrines fueguinas, mas quem não quiser morrer de fome deve levar uma marmita.
Ushuaia vive da fama de ser o “Fim do mundo” e de abrigar o Farol do Fim do Mundo – imortalizado na obra de Julio Verne –, mas é a pequenina El Calafate que deveria aparecer na “Caras”.
No próximo capítulo, as atrações de Ushuaia.

2011/01/28

A POEIRA NO GELO

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:01

Até quem não gosta muito de frio encontra opções de passeio em El Calafate que fogem das tradicionais geleiras.
A primeira das sugestões é alugar um cavalo e fazer o estilo Ana Raio pelas planícies. A outra, conhecer o dia a dia de uma típica estância patagônica observando a tosa de ovelhas.
Mas a opção mais emocionante é embarcar num ônibus-caminhão 4×4 e viajar até o Balcão de Calafate.
Mesmo que a paisagem fosse horrorosa, o “possante” já seria garantia de emoção. Equipadíssimo para subir morros que são praticamente paredões de areia e mato seco, ele é uma versão bem mais segura dos buggies que percorrem as dunas em Natal. Um verdadeiro tatu de chuteiras.
São cerca de 45 minutos até o Balcão, localizado a 1.050 metros acima do nível do mar. Nesta primeira parada, a bela paisagem emoldurada pelo Lago Argentino. Se o tempo estiver bom é possível avistar o monte Fitz Roy, limite entre a Argentina e o Chile.
A segunda parada é no Labirinto das Pedras, uma formação de 85 milhões de anos atrás. Pausa para fotos, para admirar a fauna local – formada por raposas, falcões, lebres e pássaros valentes – e para um café da manhã.
Barriga quentinha, hora da descida – com o cinto de segurança bem apertado. Em alguns pontos o ônibus-tatu chega a ficar numa inclinação de mais de 45 graus.
Antes que os passageiros apresentem desconfortos estomacais, o terceiro e último “pit stop”: nos chapéus mexicanos, uma formação rochosa muito peculiar resultante do depósito de óxido de ferro. O acúmulo faz a pedra produzir uma espécie de “câncer” que se assemelha a um “sombrero”.
Se o passeio lhes parece muito radical, mais uma sugestão: se entupir de chocolates artesanais e “gelatos” cremosos disponíveis nas lojinhas da avenida principal.

Amanhã, Ushuaia

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2011/01/27

DE VOLTA À ERA GLACIAL

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:18

No capítulo de hoje, a grande estrela de El Calafate: os glaciares.
Apesar de não ser o maior – nem tampouco moreno –, o Perito é o mais conhecido dentre os quase 360 glaciares do Parque Nacional los Glaciares.
Primeiro por sua beleza e depois por duas características muito próprias: ele é o único que não para de se mover e, apesar dos efeitos do aquecimento global, continua ganhando e perdendo massa na mesma proporção.
Seus blocos formam um paredão com cerca de 5 km de frente cuja altura varia entre 40 e 60 metros. No entanto, o que parecia gigantesco torna-se ninharia quando somos instruídos de que abaixo do nível d’água há mais de 100 metros de gelo.
Diante da informação, impossível resistir à piada pronta de posar à la Titanic na proa do barco.
O olhar contemplativo e a placidez provocada pelo visual de claras em neve em ponto de suspiro só são quebrados quando os imensos blocos se desprendem proporcionando um espetáculo único.
Antes, as apostas sobre qual deles desabará primeiro. Depois, um barulho como o de um trovão e aí sim o show: depois que cai, o paredão é “regurgitado” pelas águas turquesas do Lago Argentino e levanta ondas capazes de balançarem a embarcação.
Além desta, há outra atração imperdível: o “mini trekking” sobre o Perito (foto acima). A caminhada – que dura cerca de duas horas – começa com a instalação de “grampones” nos calçados e uma breve aula de como se locomover usando aquelas alpargatas estranhas.
No trekking, em meio a fendas e minicachoeiras entre os blocos, a tarefa mais difícil é vencer o frio e o vento cortante. O sobe e desce – em alguns pontos bem íngremes – só requer preparo físico.
Mas todo esforço é recompensado. Momento spoiler: no fim da caminhada, com a ajuda de picaretas, os guias retiram cubos de gelo do chão ou da parede mais próxima e servem uísque com alfajores aos alpinistas amadores num bar improvisado em pleno Perito Moreno.
A dúvida é se o uísque deveria ser servido antes da missão – para espantar o frio e a insegurança inicial.
Os abstêmios e os cansados podem optar por apreciar o glaciar das passarelas construídas na outra margem do Lago Argentino. A paisagem é tão bonita quanto.
O passeio de um dia aos outros glaciares conhecidos do parque também é interessante. O barco – superconfortável e com serviço de bordo – percorre os glaciares Seco, Spegazzini (uma imensa língua branca que desce do morro) e mostra ao longe o Upsala, considerado o maior de todo o Parque Nacional Los Glaciares.
Depois destas experiências, picolé só no ano que vem.

Amanhã, o lado desértico de El Calafate

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2011/01/26

DESCE UM PICOLÉ

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:46

Somente a visita à El Calafate vale toda a viagem à Patagônia.
O local – um vilarejo simpático com cerca de 7 mil habitantes localizado na província de Santa Cruz – recebeu o nome graças ao Calafate, um arbusto verde e espinhoso cujos frutinhos se parecem com a uva – porém bem menores – e são utilizados na preparação de doces.
Enquanto o avião faz sua aproximação em meio a uma paisagem desértica, a belíssima visão do Lago Argentino, o maior do país, com suas águas azuis-acinzentadas.
O aeroporto, também pequenino, é aconchegante e lembra muito uma estação de esqui. Tem carpete e toda sua estrutura é feita com a principal madeira local, a “Lenga”.
O caminho até a cidade é estonteante. Nada e nem ninguém, planícies que se estendem por quilômetros e montanhas imensas e geométricas. Um cenário idêntico aos desenhos do Papa-Léguas – o que torna difícil acreditar que a principal atração de El Calafate são os glaciares.
Durante o trajeto, além da paisagem, observamos bandeirinhas vermelhas sinalizando pequenos relicários à beira da pista. O guia turístico explica que são os santuários para Gauchito Gil, típico nas estradas argentinas. Apesar de não ser reconhecido pela Igreja, Gauchito é um santo muito popular no país. Executado pela polícia em 1878, para muitos ele é o “Robin Hood” da Argentina.
É costume dar ao “santo” bandeiras vermelhas, cigarros, chocolates, velas e até bilhetes de loteria para pedir ou agradecer por um milagre. É praxe ainda dar uma buzinadinha para Gauchito.
De volta aos glaciares, o mais famoso e visitado deles é o Perito Moreno, localizado dentro do Parque Nacional los Glaciares. Criado em 1937 e reconhecido em 1981 como Patrimônio Mundial da Humanidade, o parque abriga o chamado “Campo de Gelo Patagônico”, o terceiro maior manto de gelo do mundo – perde para a Antártica e para a Groenlândia.
Há várias maneiras de se chegar perto do Perito – título que é uma homenagem ao explorador argentino que o descobriu. A primeira é observá-lo a partir de um catamarã que realiza passeios pelos principais glaciares do parque. A outra é por cima de passarelas que proporcionam uma fantástica visão panorâmica. Mas a melhor delas é caminhar sobre o glaciar num passeio de duas horas conhecido como “mini trekking”.

Amanhã, no terceiro capítulo, detalhes sobre o passeio aos glaciares.

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2011/01/25

DIAS DE SURICATA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:04

Para quem pensava estar no fim do mundo, bastou chegar a São Paulo para perceber que o fim do mundo é aqui mesmo. Confesso que passar da Era do Gelo ao dilúvio em menos de 24 horas foi uma experiência curiosa.
Entre mortos e feridos – literalmente – tratemos de correr atrás da nossa noz.
A região da Patagônia compreende o sul da Argentina e do Chile e é melhor explorada no verão – que vai de dezembro a março. Esta é a época perfeita para o turismo porque além de os dias serem mais longos, as temperaturas estão mais amenas, as estradas menos perigosas e as 100 mil espécies de aves mais saltitantes.
Sem dúvida, um ótimo local para passar bastante frio, ter as madeixas embaraçadas pelo vento, dar tchau para o dia às 11 da noite, provar carne de cordeiro e centolla (caranguejo gigante) e, claro, engordar três quilinhos.
Nesta primeira incursão escolhi desbravar as cidades mais conhecidas do lado argentino – El Calafate e Ushuaia – e seus arredores.
A origem do nome “Patagônia”, explicam os guias turísticos, é incerta e tem várias versões, mas a mais difundida é a de que os navegadores europeus usaram a palavra “patagones” (homens com pés grandes) para definir os aborígenes que habitavam a área.
El Calafate é uma cidade bem pequena e pacata, mas oferece a melhor atração turística: o glaciar Perito Moreno, a maior geleira em extensão horizontal do mundo. Ou seja, um paredão de um branco azulado estonteante do qual não se enxerga o fim.
Já Ushuaia – também chamada de “fim do mundo” – é a cidade mais austral do planeta e localiza-se no extremo sul da Argentina, numa região conhecida como “Terra do Fogo”. É de lá que partem as expedições para a Antártica.
Nos próximos dias, um resumo do diário do bordo dessa suricata que vos fala. No capítulo de amanhã, mais detalhes sobre El Calafate.

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2011/01/12

HE´S BEAUTIFUL

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 08:37

O Oscar está quase aí e, como todo ano, nesta época começam as especulações sobre os indicados ao principal prêmio do cinema mundial.
“Biutiful” – dirigido por Alejandro González Iñárritu e que tem Javier Bardem no elenco – é um que chega balançando diversas credenciais no pescoço.
O filme estreou em Cannes no início do ano passado e rendeu a Javier o prêmio de melhor ator. Além disso, é o escolhido do México para representar o país no próximo Oscar, concorre ao Globo de Ouro de Melhor Filme em língua não inglesa e foi indicado na categoria Filme Estrangeiro ao Bafta (prêmio da Academia Britânica de Artes, Cinema e Televisão).
Com esse currículo, a possibilidade de alguém sair do cinema frustrado é praticamente nula.
Esta é a primeira empreitada de Iñárritu depois que ele e o roteirista Guillermo Arriaga romperam uma parceria de sucesso que resultou em trabalhos inesquecíveis e premiados: “Babel”, “21 Gramas” e “Amores Brutos”.
Quem assistiu aos três filmes anteriores de Iñárritu pode arriscar, sem temores, um palpite sobre a Barcelona retratada em “Biutiful”. Em vez da Sagrada Família, o foco é no lado B da cidade. Pobre, suja, sombria e povoada por imigrantes chineses e africanos.
Neste cenário propício a conflitos de toda espécie se desenrola o drama de Uxbal, que se divide entre papéis tão opostos quanto o embate entre a imagem forte representada por Javier e seu olhar de vira-lata abandonado.
Uxbal é o pai dedicado, o marido que precisa conviver com a bipolaridade da ex-mulher, o comerciante-contrabandista obrigado a fazer conchavos com corruptos de vários níveis e, principalmente, o que luta para sobreviver a uma doença irreversível. Nas horas vagas, ele ainda faz uma espécie de trabalho espiritual mediúnico.
Uma oportunidade e tanto para Javier mostrar por que é um dos grandes atores de sua geração – mesmo depois do equívoco “Comer Rezar Amar”.
“Biutiful” é basicamente sobre a morte. É um filme duro, intenso, emocionante e no qual os fracos não têm vez. Boa pedida.

P.S.: Este blog tira alguns dias de férias e segue para a Patagônia. Novos posts a partir de 25/01. Até!

2011/01/11

CAMINHOS TORTOS

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:25

Quem é o homem mais odiado do planeta? E o dia mais odiado da semana?
As respostas para ambas as questões não exigem grandes malabarismos mentais e provavelmente são as mesmas em qualquer lugar do mundo: Bin Laden e segunda-feira.
Mas qual é a fonte, a letra ou a tipografia mais odiada do mundo?
Provavelmente vocês sequer pararam para pensar nisso – até porque temos mais o que fazer – mas há muita gente por aí incomodada com o estilo e o emprego das fontes usadas nos textos.
O terror dos designers seria a “MT Extra”, cujo alfabeto são símbolos? Ou a “MS Reference 1”, que acentua todas as letras? Nada disso. A fonte mais odiada do mundo é a inofensiva “Comic Sans”, que quase virou tema de um documentário: “Comic Sans (or The Most Hated Font in the World”) algo como “Comic Sans (ou A Letra Mais Odiada do Mundo”).
Os designers Scott Hutcheson e Anthony Meadows tentaram arrecadar 20 mil dólares para rodarem o filme através do site “Kickstarter”, mas só conseguiram 714 dólares (doados por 35 pessoas).
A polêmica em torno da letra começou graças a uma cisma do casal de designers Holly e David Combs. Em 2002 eles criaram o site “Ban Comic Sans.com” com o objetivo único de conscientizar as pessoas de que a fonte, apesar de usada a torto e a direito, é adequada a pouquíssimas ocasiões. Ambos comparam usar a fonte a aparecer num evento black tie vestindo uma fantasia de palhaço.
Segundo eles, a Helvética também é simples, mas incorpora um ar suíço sofisticado e com certo quê de autoridade.
O ódio à fonte tem duas causas: 1) seu jeito arredondado, infantil, excessivamente simpático e que pede para ser impressa em cores. 2) passou a ser utilizada além de seus objetivos originais (softwares infantis).
A “Comic Sans” foi inventada em 1994 por Vincent Connare, um engenheiro tipográfico da Microsoft. Ele já havia criado algumas fontes para uso infantil, mas quando viu a “Times New Roman” sendo adotada no programa “Microsoft Bob” decidiu desenhar uma fonte baseada nos textos de histórias em quadrinhos (“Comics”).
Sua fonte foi rejeitada por razões técnicas, mas logo depois foi adotada para o “Microsoft Movie Maker”.
Pois eu acho a “Comic Sans” bem bonitinha. Free “Comic Sans”!

Confiram o site AQUI

2011/01/10

VALE POR UM DENTINHO

Arquivado em: Matutando — trezende @ 08:36

2011 mal começou, mas o mala do ano já está eleito: Ronaldinho Gaúcho.
A novela em que se transformou a contratação do jogador está desagradando tanto ao público que só nos resta sonhar com o único final feliz à vista: Ronaldinho pega seus trapinhos e retorna ao Milan.
Curiosamente, essa novela é uma das raras em que o protagonista não é galã.
Mas deixemos de lado a frivolidade dos que julgam os outros pela aparência e os respectivos comentários maldosos sobre seu cabelo ou os dentes por fazer e analisemos o enredo deste folhetim.
Na novela das oito a brincadeira é descobrir quem matou Odete Roitman. Já nesta novela ítalo-gaúcha o desafio é identificar o responsável pelo imbróglio: Assis – o irmão-empresário –, os dirigentes do Milan ou o próprio jogador.
1) Se a culpa é do Milan, das duas uma: ou os diretores têm caranguejo no bolso ou é sinal de que o time está muito mal das pernas. Ficar leiloando passe de jogador mais parece coisa do Íbis ou do Madureira.
2) Se é Ronaldinho quem está levantando sua própria bola, ele merece uma passagem só de ida para Milão. Já que a decisão de não extraditar Cesare Battisti parece sólida, poderíamos chegar a um acordo com a diplomacia italiana. Ficamos com Battisti e eles, com Ronaldinho Gaúcho.
O jogador deve estar ciente de que sua batata está assando. O Grêmio pulou fora, o Palmeiras idem e seus conterrâneos estão com o saco na Lua. Ontem, uma faixa exposta no alambrado do estádio Olímpico dizia: “R10 e Assis, que Deus perdoe vocês, porque a nação gremista jamais vai perdoar”. Ao lado, o desenho de um túmulo com a inscrição “Aqui jaz Ronaldinho Gaúcho”.
3) Mas se a culpa é do irmão Assis, é melhor Ronaldinho bancar o Caim. #ficaadica

Pobre Flamengo. Nem se recuperou do episódio goleiro Bruno e já está sendo obrigado a martelar seu porquinho. O pior é que o time pode estar juntando as moedinhas para comprar um produto com o prazo de validade vencido.
A pergunta que fica é: vale a pena? Ronaldinho é essa Coca-Cola toda?

2011/01/09

A VOLTA DOS FORNICADORES

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 08:57

Certos filmes provocam ansiedade desde o momento em que os produtores anunciam mais uma continuação. A série “Entrando Numa Fria” conquistou esse status graças à mistura de talentos de diferentes gerações e situações surreais – como o inesquecível banho de cinzas do primeiro filme.
Talvez pela expectativa, “Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família” decepciona.
Nesta terceira sequência, Gay Fornika torna-se pai de um casal de gêmeos, segue firme na sua carreira como enfermeiro e continua sendo alvo do olhar persecutório do sogro.
Está tudo lá, pronto para dar certo: os mal-entendidos, Ben Stiller e seu parceiro inseparável, Owen Wilson, Robert de Niro, Barbara Streisand, Dustin Hoffman, Jessica Alba e um Harvey Keitel irreconhecível.
Mas desta vez a fagulha não acende. Até a primeira metade, as cenas engraçadas assumem um tom de pastelão – com direito a caminhão de areia soterrando o sogro ou vômito na cara. Apesar do carisma e das boas tiradas da personagem de Owen Wilson, as piadas previsíveis só nos arrancam um sorriso de canto de boca e repetem fórmulas já testadas em filmes anteriores. Exemplo: a cena da família reunida à mesa é sempre indício de saia-justa.
Lamentável mesmo é a ilustre presença de Dustin Hoffman ser tão mal aproveitada. O ator poderia ter rendido momentos inesquecíveis como o marido que viaja à Espanha para aprender flamenco. Empolgado com a sensualidade da dança, passa a ensaiar suas coreografias enquanto anda na rua.
No entanto, o equívoco envolvendo o ator é perfeitamente compreensível: tudo já havia sido acertado para Dustin interpretar novamente Bernie Focker, mas mudou de ideia porque teria ficado insatisfeito com o roteiro. Além disso, o diretor dos dois primeiros filmes – Jay Roach – foi substituído por Paul Weitz. Mesmo com os dois poréns, Dustin entrou em acordo com a Universal e topou filmar seis cenas.
Apesar de já ter dado claros sinais de que perdeu o fôlego, o filme termina com a insinuação de mais uma sequência – os respectivos sogros e pais resolvem se mudar para Chicago e fazem planos de viverem todos no mesmo bairro.
Só para fãs.

2011/01/08

ODE À LIMPEZA INTERIOR

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:57

Sean Bonner mora e anda de bicicleta para todos os lados em Los Angeles. Apesar do suor, há um ano ele passa longe de xampu e sabonete na hora do banho. Segundo ele, é a melhor decisão que tomou em seus 35 anos de vida.
Sean conta que a ideia surgiu após ler o relato de um paleontólogo que havia decidido se lavar somente com água “porque o corpo é feito para se autoregular”.
Logo no início de sua empreitada, em fevereiro do ano passado, ele escreveu sobre a experiência em seu blog, num texto intitulado “Abandonei o sabonete e o xampu para sempre”.
Sean diz que as duas primeiras semanas são complicadas, mas valem a pena. Ele faz questão de sublinhar que continua tomando banho, apenas não faz uso de xampu, sabonete e condicionador. O desodorante, no entanto, foi mantido.
Ele afirma que não fede (fato confirmado por amigos, familiares e pessoas que se sentam perto dele em transporte coletivo), a pele está melhor, o cabelo está menos rebelde, as áreas oleosas ou muito secas praticamente desapareceram, bem como a caspa que teve a vida inteira. Além disso, Sean conta que é muito mais simples viajar porque não precisa levar xampu e condicionador e não é incomodado pela TSA (a Administração de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos).
Contente com os primeiros resultados, Sean decidiu manter a experiência e pretende levá-la adiante por tempo indeterminado.
Hoje, um ano depois, num artigo para o site “Boing Boing”, ele promete: “Se vocês não acreditam, podem me cheirar quando me virem em público. É só pedir. Garanto que não será estranho. Okay, talvez um pouquinho”.
Tendência ou não, o fato é que ser meio sujinho pode ser uma boa pedida. Basta ter nascido com um vozeirão de locutor e dar a sorte de seu vídeo virar hit na web.

2011/01/07

ESTICA E PUXA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:21

As mulheres sonham em ter um corpo como o de Gisele Bundchen. Os homens gostariam muito de ser como Mark Wahlberg.
Esses são os dois primeiros colocados do “14º Annual America’s Most Wanted Celebrity Body Parts” (algo como “Anuário dos Corpos Mais Desejados”) que acaba de ser publicado.
A pesquisa – compilada pelos cirurgiões plásticos Richard Fleming e Toby Mayer, ambos de Beverly Hills – apresenta quais são os pedidos mais comuns dentre os pacientes que se submetem a intervenções estéticas nos Estados Unidos.
A atriz Jennifer Aniston vem em segundo lugar nas categorias “Corpo” e “Cabelo” mais desejados.
À reportagem da “Fox News”, os médicos afirmaram que no ano passado foi grande a procura por uma aparência o mais natural possível. “Se olharem bem a lista notarão que os nomes citados são os dos naturalmente bonitos”.

Os vencedores do 14º prêmio anual entre os famosos são:

Corpo feminino:
Gisele Bundchen
Jennifer Aniston
Penelope Cruz

Corpo masculino:
Mark Wahlberg
Channing Tatum
Tyson Beckford

Nariz feminino:
Natalie Portman
Emma Stone
Nicole Kidman         

Nariz masculino:
Jude Law
Josh Duhamel
Ben Affleck

Cabelo feminino:
Taylor Swift
Jennifer Aniston
Kim Kardashian          

Cabelo masculino:
Jon Hamm
George Clooney
Chris Pine                

Olhos femininos:
Anne Hathaway
Mila Kunis
Megan Fox

Olhos masculinos:
Hugh Jackman
Jake Gyllenhaal
Ian Somerhalder

Lábios femininos: 
Scarlett Johansson
Angelina Jolie
Christina Aguilera

Lábios masculinos:
Ashton Kutcher
Viggo Mortensen
Brad Pitt

Queixo feminino: 
Halle Berry
Keira Knightley
Jennifer Lopez

Queixo masculino:
Jon Hamm
Johnny Depp
Robert Pattinson

Bochechas femininas:
January Jones
Jennifer Garner
Beyoncé Knowles

Bochechas masculinas:
Leonardo DiCaprio
James Franco
Will Smith

Pele feminina:
Amy Adams
Kate Perry
Gwyneth Paltrow

Pele masculina:
Neil Patrick Harris
Hayden Christensen
Orlando Bloom

Infelizmente, milhares de experiências por computador já comprovaram que mesclar o cabelo perfeito de um ao corpo incorrigível do outro resulta em algo parecido com o Chucky. Então, avacalhemos de vez: o homem perfeito tem o corpo esbelto do Ronalducho, lábios do Wando, cabelo do Neymar, pele do Lúcio Mauro, olhos do Lúcio Mauro Filho, pelos do Tony Ramos, nariz e bochechas do Luciano Huck e o queixo do Suplicy. Melhor do que isso só a Geisy Arruda, ops, Marcela Temer.

2011/01/06

A MARMITA EM 2011

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:26

A gastronomia, a moda, os destinos turísticos, os restaurantes e as boates vivem de modinhas. Quem já foi consumidor voraz de petit gateau, pizza de tomate seco e rúcula, Cuba libre e pratos à base de catupiry sabe disso.
2010 foi definitivamente o ano dos cupcakes, dos sanduíches no pão-folha em forma de cone, dos sorvetes de iogurte e, quem diria, dos brigadeiros, que ganharam status de doce sofisticado. Já o macaron – espécie de bolo meio suspiro – não emplacou.
E 2011, vai ser o ano do quê? Segundo uma reportagem publicada no “Journal Sentinel”, de Milwaukee, os alimentos orgânicos vêm com tudo. Os cupcakes, coitados, “dataram” e vão ceder lugar às tortas gigantes.
O hot-dog, assim como o brigadeiro, deve voltar às bocas. É o que indica a tendência de consumo em alguns restaurantes de Nova York e da Califórnia.
Os livros de receita à la Ofélia serão substituídos por aplicativos fantásticos nos celulares e a procura por alimentos sem glúten será cada vez maior.
Ainda de acordo com o jornal, não será apenas o alimento produzido sem conservantes que fará nossa cabeça, mas o fato de incorporarmos ao nosso dia-a-dia um “comportamento orgânico”.
Por utopia, achismo ou falta de noção, o jornal acredita que um desses hábitos será criar abelhas no quintal de casa – algo que já é tendência em Milwaukee há pelo menos dois anos.
O quintal equipado com horta e árvores frutíferas rodeadas por abelhinhas renderá bons frutos. Literalmente. Com isso, as pessoas começarão a pensar em alternativas para consumirem sua produção caseira. Uma delas será a preparação de compotas e de coquetéis com sabores picantes.
Apesar disso, não abandonaremos hábitos pouco saudáveis, como o consumo de “browned butter” (manteiga sem sal aquecida até atingir uma cor caramelada) e de carne (mas de animais que pastam em vez de comerem ração).
Ainda segundo o jornal, não será suficiente cozinhar ou comer. Passaremos a querer conhecer a “Ciência” por trás do alimento. Em vez de programas de culinária, nosso interesse se voltará para programas do tipo “Como É Feito”, aqueles que visitam fábricas de picles ou de queijo processado.
Que venham as delícias de 2011.

2011/01/05

GUIA DE AUTOAJUDA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:15

Voltar à vida normal após os festejos natalinos é uma tarefa e tanto. Ficamos uma semana zuretas, alheios ao mundo e com muito peso na consciência.
Enquanto esquentamos os motores para mais um ano e chafurdamos na falta de assunto, até o fim desta semana muita gente estará com sua lista de promessas para 2011 prontinha. Os desejos são os mesmos de sempre, afinal, estudos indicam que cerca de 90% das resoluções anotadas nesta época não são cumpridas.
As expectativas irreais são o saldo de uma mistura de fatores: férias longas, lembranças, eventos familiares e o mito de que basta a passagem do dia 31 para o dia 1º para vidas mudarem magicamente.
Segundo o psicólogo americano Frederick Woolverton, o melhor é escolher qualquer outro mês do ano – exceto janeiro – para fazer sua lista dos desejos.
Nos últimos 30 anos, Woolverton aconselhou pacientes que sofrem de diversos tipos de compulsões – do vício em drogas ao abuso de sorvetes.
Confiram as dicas do especialista (sim, pura autoajuda):

1. É bom se sentir péssimo
Ao deixar um hábito ruim, todos querem prazer instantâneo, mas ocorre o oposto. A expectativa em se sentir bem logo é o caminho mais rápido para o fracasso. Ele alerta seus pacientes de que eles se sentirão péssimos por um ano inteiro após largarem o vício – que pode ser cigarro, cerveja, chocolate ou batata-frita.

2. Aprenda a sofrer bem
É necessário ser paciente e saber que a vontade vai passar. O importante é planejar com antecedência maneiras de combater pensamentos e emoções que podem levá-lo a uma recaída. Faça uma massagem, uma caminhada diária ou vá à manicure.

3. Tenha um séquito
Você precisa de pilares capazes de substituírem o Marlboro Box ou as várias embalagens de M & M que estão no armário. Passe a confiar nas pessoas. Planeje falar com amigos com problemas semelhantes e familiares diariamente pelo telefone ou por Skype.

4. Cuidado com as misturas
Ao parar de beber ou fumar, não se permita comer o que quiser ou gastar muito dinheiro. Tornar-se obeso ou ir à falência só vai piorar a situação.

5. Perceba o que está faltando
O que o cigarro ou o chocolate noturno estavam substituindo? O que você realmente quer da vida e não está conseguindo? Felicidade no trabalho? Riqueza? Amor?

6. Mude sua vida social
Se o objetivo é exterminar hábitos antigos, é bom mudar o círculo de amizades.

7. Mais estratégias, mais sucesso
Quanto mais métodos a pessoa tentar, maior a probabilidade de alcançar suas metas.

8. Tenha uma vida o menos secreta possível
O primeiro passo é admitir que tem um problema e falar sobre o assunto. Esconder, mentir ou negar não são atitudes recomendáveis. Busque ajuda na terapia, nos grupos de discussão ou em chats. Desabafe.

9. O sono é uma arma secreta
A falta de sono deixa tudo pior e diminui a resistência aos ex-hábitos. Portanto, uma boa noite de descanso é prioridade. Ela fará tudo parecer mais fácil e ajudará a realização de escolhas mais inteligentes. Além disso, é importante se alimentar de forma adequada e fazer exercícios.

10. No momento do compromisso, o mundo conspirará para ajudá-lo
Diga alto que tipo de hábitos você quer se ver livre e quais são seus novos objetivos. Seja específico. Escreva-os. Diga a todos e peça ajuda. “A única maneira de mudar é mudando – após a primeira semana de janeiro”.

2011/01/04

PEDRA NO CAMINHO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:06

Brochier, Jacaré dos Homens, Pintópolis, Coité do Nóia, Passa-e-Fica, Feliz Natal e Pau Grande são alguns exemplos de cidades exóticas brasileiras.
Mas a criatividade na escolha das denominações municipais não é exclusividade nossa. Os canadenses também bancam os fanfarrões de vez em quando. Batizaram uma província de Quebec como Saint-Louis-du-Ha! Ha!.
O local é o único do mundo a receber dois pontos de exclamação no nome – em Devon, Inglaterra, existe uma com acessório semelhante: Westward Ho!.
Saint-Louis-du-Ha! Ha! tem 1.471 habitantes, vive basicamente da agricultura e é considerado um paraíso para ciclistas e amantes da natureza. Seu lema é “Solidaire dans le labeur” (algo como “Trabalho com Solidariedade”).
O distrito começou a ser povoado por católicos romanos em 1860 e recebeu o nome em 1874. A Comissão de Topografia do governo de Quebec afirma que o nome se refere ao Lago Témiscouata. No francês antigo “haha” quer dizer impasse, obstáculo inesperado ou fim de caminho abrupto.
Nos séculos 18 e 19 canoístas que desciam o rio eram obrigados a saírem de seus barcos e pegarem um desvio de 80 km.
Já a origem do “Louis” é um pouco controversa. Uns dizem que se trata de uma homenagem a Louis Marquis, um dos primeiros colonizadores do local. Outros, que se refere a Louis-Antoine Proulx, vigário do condado de Rivière-du-Loup, ou ainda ao abade Louis-Nicolas Bernier.
Espero que em 2011 ninguém encontre Haha´s pelo caminho. Bom ano!

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