O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/12/20

DE VOLTA À IDADE DA PEDRA

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:32

Estamos a menos de uma semana da tradicional ceia de Natal. Enquanto uns compram peru e Sidra Cereser, os mais abastados escolhem sua marca preferida de foie gras.
Em francês, foie gras significa “fígado gordo”, ou seja, fígado de pato ou ganso superalimentado.
Uma reportagem da agência “The Associated Press” conta por que devemos desejar que os consumidores de foie gras tenham, no mínimo, uma diarreia no dia 25.
O método cruel utilizado na obtenção da iguaria é sempre alvo de polêmicas nos Estados Unidos. Em vários países a comercialização já é proibida, como Argentina, Alemanha, Holanda e Reino Unido. É quase certa que a proibição chegue à Califórnia em 2012.
Inicialmente, os gansos ou patos são criados soltos – eles comem gramados para fortalecer o esôfago. Depois, começam a receber uma dieta com alto teor de amido, que já aumenta o peso do fígado em 50%.
A fase seguinte é sacanagem pura: já confinadas, as aves recebem comida à força através de um tubo que é introduzido até o esôfago. Os patos são alimentados seis vezes ao dia durante os últimos 12 a 15 dias de vida. Já os gansos, oito vezes entre 15 a 18 dias antes da morte.
Para Paul Schapiro, diretor da campanha contra a indústria do foie gras nos Estados Unidos, a prática é não apenas cruel como também repugnante. “É clara a evidência científica de que a alimentação forçada é prejudicial ao bem-estar desses animais. Eles são basicamente induzidos a um estado de morte conhecido como lipidose hepática. Para quê? Para uma mera iguaria? A maioria das pessoas não deveria querer comer uma parte morta de um animal. No caso do foie gras estão saboreando o próprio órgão morto”.
Ariane Daguin, pioneira na indústria de distribuição do foie gras nos Estados Unidos, acha que o estardalhaço é um engano. “A engorda de patos e gansos vem de 5 mil anos. Os egípcios já faziam isso. Patos selvagens naturalmente acumulam calorias em seus fígados antes de partirem para a migração”.
Um dos produtores do Vale do Hudson, Izzy Yanay, conta que diariamente é mandado para o fogo do inferno.
Três fazendas nos Estados Unidos produzem juntas 300 toneladas por ano. Parece coisa de gente grande, mas uma ninharia se comparada à produção francesa, que é de 19 mil toneladas anuais.
Segundo a reportagem, a cada meio quilo de foie gras vendido nos Estados Unidos, um dólar vai para um fundo de defesa do direito dos animais.
Apesar de toda a discussão, os produtores têm conseguido algumas vitórias. A Associação Americana de Veterinária inspecionou algumas fazendas e concedeu uma espécie de “atestado de saúde” à engorda.
A fabricação está liberada nos Estados do Maine, Massachusetts, Nova York e Chicago.
Fica a sugestão os americanos em 2011: em vez de perdoarem o peru no Dia de Ação de Graças, poderiam passar a pedir perdão para patos e gansos no Natal.

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1 Comentário »

  1. Tanta trabalheira e crueldade (?) pra produzir um troço ruinzinho… Mas sobre os críticos, sempre esquecem de que a maioria das coisas que a gente come teve que ser morta antes; ou depredada, ou arrancada de sua tranquila horta… Parece que tem tem gente que não percebe que – tentando “defender” a natureza – está justamente “se afastando” de nossa verdadeira natureza. A gente é bicho também, oras, ou alguém aí chora quando vê crocodilo comendo zebrinha distraída nos vídeos do “animal planet”?
    Abç,
    Adhnimal

    Comentário por Adh2bs — 2010/12/26 @ 10:43


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