O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/12/17

TURISTA ACIDENTAL

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:40

O ser humano tem verdadeiro fascínio pela desgraça. Quem já ficou horas preso num congestionamento causado por um acidente grave sabe disso. A maioria dos motoristas passa a 5 km/h em frente aos destroços para, quiçá, achar um dedo mindinho ou uma poça de sangue.
Há também os que não dispensam uma visita a ex-campos de concentração na Europa ou à “Hezbolândia” – o parque de diversões criado e construído pelo Hezbollah perto de Beirute.
Uma outra opção para os que curtem um turismo inusitado é a visita guiada a Chernobyl, local em que aconteceu o maior acidente nuclear da História.
Segundo o “The New York Times”, o lugar foi aberto à visitação em 2002, mas recebeu pouquíssimos turistas. Entre 2004 e 2005 chegou a atrair 900 pessoas. Atualmente, parece ter sido “descoberto” – principalmente porque o governo ucraniano anunciou que em 2011 a usina começará a receber turistas.
Fácil pegar os ucranianos na mentira: além da matéria do “Times”, no ano passado a revista “Forbes” elegeu Chernobyl como um dos destinos turísticos mais exóticos do mundo.
Por 250 dólares por pessoa (cerca de R$ 430), as agências de Kiev estão oferecendo pacotes “all-inclusive” a Chernobyl.
Refresco de memória: em abril de 1986, durante o teste de um mecanismo de segurança, uma explosão no reator nº 4 levou tudo aos ares e espalhou radiação que contaminou e matou pessoas, animais e o meio ambiente. Por muitos anos o local permaneceu fechado porque os índices de radioatividade ainda eram considerados impróprios.
Chernobyl está a cerca de 100 km ao norte de Kiev, na Ucrânia. Segundo uma reportagem do jornal “The Guardian”, o caminho até lá é agradável: a estrada é ladeada por árvores frutíferas, cavalos correndo ao sol e fazendas com cara de cartão-postal.
Mas à medida que o carro se aproxima, o cenário torna-se desolador.
Na entrada, há um bloqueio com a presença de soldados 24 horas por dia. Isso porque há poucos anos o acesso à área era bem simples: bastavam uma nota de 20 dólares, um maço de cigarros e uma boa lábia.
Hoje os policiais inspecionam tudo – medem, inclusive, os níveis de radiação sobre os visitantes.
Entre as regras, não se desgarrar do grupo, não tocar em nada e andar sobre o concreto ou o asfalto, locais em que os riscos de exposição à radiação são menores do que no solo.
Ainda segundo o jornal, o passeio é impressionante: a visão de um cemitério com cerca de 2 mil carros abandonados, de um berçário que até hoje tem itens pessoais intocados, de um hotel e do “Sarcófago” – uma caixa feita de concreto, aço e chumbo que foi construída sobre o reator para isolar o material radioativo que permanece ali.
A visita termina em Pripyat, uma cidade planejada que contava até com parque de diversões e teatros e que foi construída em 1970 para servir de moradia para os funcionários de Chernobyl. Estima-se que 48 mil pessoas residiam no local na época do acidente.
Hoje, uma cidade-fantasma.

P.S.: Vejam fotos de uma visita de turistas acompanhada pelo “The New York Times” em 2005 AQUI

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1 Comentário »

  1. Acho que o risco de contaminação radiotiva lá em Chernobyl é bem menor do que o risco de um turista ser assaltado no Rio. E aí, qual o destino mais perigoso?

    Comentário por Ricardo Rezende — 2010/12/18 @ 10:51


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