O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/12/10

REMETENTE: NOSTALGIA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende2013 @ 10:12

Graças ao Outlook Express e às breguices que o Powerpoint é capaz de criar, o carteiro é uma profissão em vias de extinção. E não há dezembro que dê jeito.
O prazer de elaborar uma mensagem criativa, de assinar cartões de Natal bonitinhos ou mesmo de receber um envelope colorido pelo Correio já é coisa de museu. Mesmo.
Tanto que um museu inglês acaba de revelar uma série com 250 cartões inéditos e “vintage” do artista Donald McGill.
“Nós estávamos organizando uma série quando descobrimos que ele também produziu centenas de cartões de Natal em quantidade muito superior à que poderíamos imaginar. Foi um choque total”, conta James Bissell-Thomas, dono do Museu do Cartão Postal Donald McGill, em Ryde, cidade litorânea da Ilha de Wight, Inglaterra.
McGill nasceu em Londres, em 1875, e morreu em 1962, aos 87 anos. Num acidente durante um jogo de rúgbi no colégio, perdeu um pé.
Ele inicia sua carreira profissional como arquiteto naval e depois como engenheiro de projetos. Sua face artística é descoberta em 1904, por acaso, quando envia um postal a um sobrinho que estava no hospital. No desenho, representava um homem enterrado até o pescoço num lago congelado e os dizeres: “Espero que saia dessa!”.
Seus trabalhos acabam caindo nas mãos de um editor e ele se torna famoso por seus cartões cômicos e atrevidos que tinham cidades à beira-mar como cenário. Sua marca registrada eram as personagens: donas-de-casa rechonchudas, senhores carecas, mulheres peitudas e donzelas maliciosas. Triviais à primeira vista, mas altamente avançadas para uma época em que a sociedade inglesa estava emergindo de um período Vitoriano conservador no qual muitas mulheres tinham até damas-de-companhia.
“Ele não é apenas atrevido e praiano. Seus postais natalinos são espirituosos, humorísticos e têm sempre um comentário sobre a sociedade da época, o que é fascinante”.
Nos primeiros postais é notável a falta de presentes sob as árvores de Natal ou dentro das meias, o que provavelmente reflete os hábitos do pobres da primeira metade do século 20. Além disso, as personagens são sempre representadas com trapos de roupas.
O Papai Noel só aparece em cartões mais recentes, assim como os soldados e as suffragettes – ativistas que militavam pelo direito de voto das mulheres nos primeiros anos do século 20 e que já foram tema de um post por aqui.
Durante quase 60 anos, McGill produziu cerca de 12 mil cartões postais.
Em 1954, sofre um revés. Ele vai a tribunal sob a acusação de publicar imagens obscenas. Cerca de 20 cartões são banidos.
“O trabalho dele foi adorado por muitas pessoas durante o período em que esteve vivo, mas ele sempre foi um homem modesto e, na minha opinião, nunca teve o reconhecimento que merecia”, diz James.
Como veem, o (péssimo) hábito de homenagear talentos após a morte não é uma característica exclusivamente brasileira.

Vejam outros postais de McGill AQUI

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