O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/12/09

TÁ TUDO DOMINADO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:13

Por anos e anos a Disney reinou absoluta na seara das animações infantis.
Esmerou-se na arte dos contos-de-fada e foi pioneira no uso de uma tecnologia super-realista que não nos permite distinguir cenas verdadeiras de desenho.
Mas como já anunciava o sucesso da franquia “Shrek”, o mundo perfeito dos sonhos e da fantasia parece estar com os dias contados – assim como as crianças ingênuas.
Os estúdios concorrentes estão empenhados em destruir o politicamente correto e mostrar aos espectadores que ser vilão pode ser bem mais interessante do que mocinho.
Só neste ano temos dois exemplos: “Meu Malvado Favorito” (da “Illumination”) e agora “Megamente” (da “Dreamworks”).
Enquanto no primeiro o vilão é realmente do mal – e ainda assim desperta nossa simpatia – em “Megamente” o malvado é sensível e no fundo quer fazer o bem. Só não está acostumado a isso.
Na história, o bebê Megamente é enviado por sua família para o espaço e sua cápsula aterrissa no pátio de uma prisão. Ele cresce entre criminosos, aprende a fazer geringonças para disseminar suas maldades e vai para a escola – onde sofre bullying por causa de sua aparência pouco convencional. Megamente cresce e pretende dominar Metro City, por onde espalha cartazes com o slogan “No you can´t” – uma paródia à frase usada na campanha de Barack Obama.
As pedras no caminho de Megamente são “Mega Man” e “Titã” – super-heróis cuja babaquice aliviam qualquer sentimento de culpa causado pelo fato de torcermos pelo “vilão”.
Cheio de citações e referências aos heróis Marvel, “Megamente” tem ainda uma trilha sonora que inclui clássicos de AC/DC, Ozzy Osbourne e Gun´s and Roses, mas não consegue ir além de um par de piadas.
Moral da história? Não importa o que os outros esperam de você ou gostariam que você fosse. Be yourself. 
Prefiram a versão legendada, com vozes de Will Ferrell, Tina Fey, Ben Stiller e Brad Pitt.

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1 Comentário »

  1. Por anos eu fui leitor de Disney (Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey, Zé Carioca, etc) até conhecer na adolescência rebelde uma obra chamada “Para ler o Pato Donald”, desmontando as intenções imperialistas dos EUA com o gênio dos desenhos. Era a minha visão na época. Agora, analisando um pouco mais maduro, o “politicamente correto ” deles estava centrado apenas no maniqueísmo. No mais é um festival de preconceitos e racismos de toda espécie. Que venham sempre mais novidades que estimulem a reflexão das crianças em vez de transformá-las em padrões de reprodução de pensamentos. Obrigado pela ótima resenha. Abraços. Paz e bem.

    Comentário por josé cláudio - Cacá — 2010/12/09 @ 18:05


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