O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/12/06

CSI BRAZIL

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:28

Depois de a polícia surpreender os traficantes do Morro do Alemão, muitos estão se perguntando: “Para onde foram aqueles que conseguiram escapar?”.
Ora, quem já brincou de polícia e ladrão ou esconde-esconde sabe que os melhores esconderijos são os que se localizam bem embaixo do nariz de nosso algoz.
Mas eu iria um pouco além: para onde vão (ou foram) os corpos não-reclamados? Aqueles que a família desistiu de oferecer ajuda e deixou ao deus-dará?
Pois Deus deu – à sarjeta mais próxima ou à vala comum. É muito pouco provável que os presuntos tenham sido doados para estudos acadêmicos. Uma pena. Eles poderiam servir para alguma coisa – pelo menos depois de terem batido as botas.
Nos Estados Unidos, cada corpo doado à Ciência é comemorado – mesmo que, a olhos leigos, seja utilizado para finalidades um pouco macabras.
A revista “The Atlantic” nos revela, numa reportagem muito curiosa, que nos States há propriedades a céu aberto cujo único objetivo é o estudo da decomposição de cadáveres. São as “Body Farm”. O termo (“Lavoura de Corpos” ou “Quinta dos Corpos”) surgiu a partir de um romance policial homônimo de Patricia Cornwell.
A denominação é uma maneira mais informal para se referirem às ARF (“Anthropological Research Facility”), algo como “Instalação Para Pesquisas Antropológicas”.
Esses locais são uma espécie de parque de diversões para quem atua na área das Ciências Biológicas ou da Antropologia porque são uma oportunidade única de os pesquisadores estudarem o processo natural de degradação de corpos humanos. Além disso, podem desenvolver e testar novas tecnologias no ramo da Antropologia Forense e disciplinas afins.
Por enquanto, há quatro “Body Farms” em funcionamento nos Estados Unidos: uma no Tenesse (na Univesidade de Knoxville), uma na Carolina do Norte (na Universidade Ocidental da Carolina, em Cullowhee), e duas no Texas (na Universidade do Texas, em San Marcos; e na Universidade de Sam Houston, em Huntsville). A quinta está prevista para ser aberta em 2011, na Universidade da Pensilvânia, e será a primeira do tipo no nordeste do país.
Segundo vários especialistas forenses e pesquisadores, a inauguração da quinta “Body Farm” é uma inestimável contribuição ao estudo da decomposição humana. “Ela está numa região geográfica completamente diferente e é um tremendo benefício porque não temos muitos dados sobre como os corpos se desintegram sob as condições climáticas do nordeste”, explica o Dr. Gerald Laporte, gerente do Programa Para Políticas Forenses e Físico-Cientista do Instituto Nacional de Justiça.
De acordo com ele, os efeitos que a precipitação, a temperatura e a umidade exercem são importantes fatores a serem considerados pelos estudiosos e que estão restritos às localizações das “Body Farms”.
Certamente, o clima frio e ameno faz com que os corpos demorem mais para se decompor. O contrário acontece em áreas quentes e úmidas, como é o caso da Pensilvânia.
Os cadáveres usados nos estudos vêm de duas fontes: peritos/legistas e pré-doadores.
Os preferidos são a segunda opção. Só a unidade da Universidade de Knoxville tem em seus registros mais de 2 mil pré-doadores. “Recebemos mais de cem corpos todos os anos através de doações”, diz o Dr. Richard L. Jantz, professor-emérito e diretor do Centro de Antropologia Forense da Universidade do Tennessee. “As pessoas se doam como se fosse para uma escola de Medicina. Mas aí você é usado para treino de Anatomia. Se você é muito gordo, não serve. Se é muito grande, também não. Se já passou pela autópsia, também não. Para a gente, nada disso importa”.
Os cadáveres da “Body Farm” de Knoxville são utilizados no treino de investigadores criminais e em pesquisas pioneiras. “No caso do treinamento de oficiais de Segurança Pública, os corpos são queimados. Os alunos têm de escavá-los como se estivessem em covas clandestinas. Durante o processo, eles aprendem sobre ossos, como identificar ossos humanos e como lidar com cadáveres numa cova – como desenterrá-los e como coletar evidências”, explica o Dr. Richard.
A “Body Farm” de Knoxville oferece cerca de 12 cursos por ano. Eles duram em média uma semana e contam com tópicos específicos para variados tipos de profissões ou corporações. Os entomologistas, por exemplo, observam de que forma os insetos usam seus corpos em diferentes estágios de seus ciclos de vida. Baseados na “data de vencimento” de certas espécies eles podem estimar por quanto tempo uma pessoa estava morta. Já os que pesquisam processos bioquímicos estão interessados em descobrir o que acontece a um corpo após a morte – o que geralmente está associado aos ácidos graxos expelidos ou produzidos pelo cadáver. É o que vai dizer se o morto está num local há semanas ou anos antes de ser descoberto.
Há ainda turmas específicas para a Equipe de Atendimento de Emergência do FBI ou para a Academia Nacional Forense.
Poderíamos ou não abrir algumas “Body Farms” pelo Brasil? Cadáveres e regiões com clima variado já temos.

Leiam a matéria completa AQUI

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